{"id":21107,"date":"2008-05-06T12:23:43","date_gmt":"2008-05-06T12:23:43","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21107"},"modified":"2008-05-06T12:23:43","modified_gmt":"2008-05-06T12:23:43","slug":"regulacao-dos-sistemas-e-mercados-de-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21107","title":{"rendered":"Regula\u00e7\u00e3o dos sistemas e mercados de comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span>O Brasil de hoje possui institui&ccedil;&otilde;es modernas em v&aacute;rios setores da economia e da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Dos anos 1990 para c&aacute;, cada vez mais surgem &oacute;rg&atilde;os de fiscaliza&ccedil;&atilde;o, acompanhamento e controle, como as ag&ecirc;ncias reguladoras, que nos levam a crer que o Pa&iacute;s foi definitivamente varrido pelos ventos da transpar&ecirc;ncia e das boas pr&aacute;ticas de gest&atilde;o. Em alguns setores, entretanto, persiste a manuten&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas de sombras onde o amadurecimento das rela&ccedil;&otilde;es institucionais n&atilde;o faz eco. Quem os acompanha mais de perto percebe nitidamente a forma como convivem em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es o Brasil cartorialista, patrimonialista e corporativista, detectado por Raymundo Faoro, com a Na&ccedil;&atilde;o que vem construindo uma social democracia a duras penas. No caso espec&iacute;fico da &aacute;rea das Comunica&ccedil;&otilde;es [entendemos como &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es a que compreende os processos de produ&ccedil;&atilde;o, circula&ccedil;&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o de mensagens e conte&uacute;dos informacionais nas mais diferentes plataformas e suportes tecnol&oacute;gicos. O que inclui n&atilde;o somente a radiodifus&atilde;o e a imprensa, mas as atividades relacionadas aos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es e &agrave; ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica], o Brasil do passado mant&eacute;m a cabresto os atores e pr&aacute;ticas sociais que ousam imaginar um futuro onde o interesse p&uacute;blico se imponha sobre o privado.<\/p>\n<p><\/span><span>Ao mesmo tempo, se descortina uma ruptura de paradigmas diagnosticada no Brasil por entidades que defendem a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p><\/span><span><em>&quot;Diante do processo de converg&ecirc;ncia entre diferentes tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o e do surgimento de novas formas de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de mensagens, o Brasil precisa implantar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o a partir de um marco regulat&oacute;rio m&iacute;nimo que distinga as diferentes tecnologias, linguagens, agentes produtores, agentes mediadores e tipos de infra-estrutura da &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es e submeta a explora&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os semelhantes a regras semelhantes.<\/p>\n<p><\/em><\/span><span><em>&quot;Neste momento hist&oacute;rico, as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es exigir&atilde;o flexibilidade para abarcar tanto as emergentes tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o quanto garantir a adequada transi&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os anal&oacute;gicos para o ambiente digital. O novo cen&aacute;rio tamb&eacute;m exigir&aacute; pol&iacute;ticas de regulamenta&ccedil;&atilde;o e de regula&ccedil;&atilde;o que consigam ser universais o suficiente para manterem-se em vigor mesmo com o veloz surgimento de novas tecnologias e suportes&quot;.<\/em> (XIII Plen&aacute;ria Nacional do FNDC, 2006)<\/p>\n<p><\/span><span>Tendo estes dois Brasis em mente, a proposta do artigo &quot;Apontamentos sobre a regula&ccedil;&atilde;o dos sistemas e mercados de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil&quot; (do qual este texto &eacute; um estrato sint&eacute;tico) &eacute; fazer uma breve visita a alguns de nossos marcos hist&oacute;ricos, informar como est&atilde;o estruturados os sistemas e mercados de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil e apresentar os desafios que se colocam aos administradores p&uacute;blicos e aos cidad&atilde;os interessados em intensificar o processo de regula&ccedil;&atilde;o e regulamenta&ccedil;&atilde;o dos chamados meios de comunica&ccedil;&atilde;o de social.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Debate p&uacute;blico<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Nesta esp&eacute;cie de auto-resenha, n&atilde;o se reproduzir&aacute; a periodiciza&ccedil;&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o do setor desde o s&eacute;culo 19 no Brasil, como est&aacute; no livro, mas elenca-se algumas quest&otilde;es colocadas no momento em que Estado e sociedade passaram a discutir abertamente a realiza&ccedil;&atilde;o de uma Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o e a necessidade de revis&atilde;o das normas que regem a &aacute;rea. Saliente-se que em seis anos de governo Lula, a elabora&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o tem sido uma agenda permanentemente adiada apesar de estar na ordem do dia n&atilde;o apenas do Congresso Nacional como de partidos e setores organizados da sociedade.<\/p>\n<p><\/span><span>Fora a press&atilde;o cotidiana dos atores particularmente interessados na pol&iacute;tica da n&atilde;o-pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o, o atual q&uuml;iproqu&oacute; da comunica&ccedil;&atilde;o torna a tarefa um desafio para o Estado e n&atilde;o apenas para o governo. Em resumo, o trabalho dos gestores p&uacute;blicos consiste no reordenamento dos sistemas e mercados de forma que a sociedade possa equilibrar o prato da balan&ccedil;a do direito a comunicar e de ser informado com o da liberdade econ&ocirc;mica sem que a mesma penda para este &uacute;ltimo lado. Como v&aacute;rios autores j&aacute; constataram, vivemos um per&iacute;odo de multiplicidade de oferta, obsolesc&ecirc;ncia programada e circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e capitais em ciclos t&atilde;o acelerados que nossa capacidade de absor&ccedil;&atilde;o e dom&iacute;nio da realidade sempre estar&aacute; aqu&eacute;m da velocidade com que a mesma se transforma.<\/p>\n<p><\/span><span>Temos que aceitar a id&eacute;ia de que essa defasagem tamb&eacute;m ser&aacute; uma constante no ambiente jur&iacute;dico-institucional das comunica&ccedil;&otilde;es, uma vez que essas categorias s&atilde;o concebidas e gerenciadas pela mente humana. Os instrumentos a serem criados precisam atuar como gatilhos regulat&oacute;rios, onde a atualiza&ccedil;&atilde;o da norma ou a a&ccedil;&atilde;o do regulador sejam acionadas cada vez que a sociedade encontre um conflito ou uma tens&atilde;o a ser resolvida.<\/p>\n<p><\/span><span>De uma forma resumida, esse pode ser o pressuposto para estabelecer o controle p&uacute;blico nas comunica&ccedil;&otilde;es sem resvalar em quest&otilde;es de cerceamento de direitos e liberdades. A interven&ccedil;&atilde;o do Estado, mediante seus agentes ou institui&ccedil;&otilde;es, deve sempre se dar como uma forma de conciliar pluralidade com inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, social com econ&ocirc;mico, interesse p&uacute;blico com privado. Para isso, podemos nos valer de um ferramental de que as sociais democracias j&aacute; disp&otilde;em: conselhos, ouvidorias, consultas p&uacute;blicas, metas de qualidade, &oacute;rg&atilde;os de fiscaliza&ccedil;&atilde;o, acompanhamento e controle etc. O importante &eacute; que estes canais funcionem efetivamente e, aos poucos, possamos saltar do n&iacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es incestuosas entre empresas e Estado para um grau de transpar&ecirc;ncia, no qual o particular n&atilde;o se sobreponha ao p&uacute;blico.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Sociedade fragmentada<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Para os demais casos em que a velocidade das situa&ccedil;&otilde;es de &quot;fato&quot; n&atilde;o se imp&otilde;e sobre as de &quot;direito&quot; &eacute; poss&iacute;vel valer-se do planejamento de m&eacute;dio e longo prazo. Aqui a tarefa &eacute; mais &aacute;rdua, porque, com tantos gargalos e d&eacute;ficits, se tornou dif&iacute;cil listar os desafios impostos ao legislador e &agrave; sociedade. Os n&oacute;s a serem desatados est&atilde;o tanto na esfera conceitual, quanto na institucional, seja econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica ou cultural.<\/p>\n<p><\/span><span>Antes de mais nada, &eacute; necess&aacute;rio saber de qual comunica&ccedil;&atilde;o estamos falando. &Eacute; oneroso e improdutivo continuarmos vivenciando o vazio conceitual no qual um conte&uacute;do &eacute; encarado como comunica&ccedil;&atilde;o social pela manh&atilde; e interpessoal &agrave; tarde. [&Eacute; o que acontece hoje com alguns produtos como telejornais, transmitidos em determinados hor&aacute;rios por uma emissora de TV (radiodifus&atilde;o) e em seguida retransmitidos por uma operadora de TV paga (telecomunica&ccedil;&otilde;es)]. <\/p>\n<p><\/span><span>Para efeitos de defini&ccedil;&atilde;o legal, podemos enxergar comunica&ccedil;&atilde;o social naqueles conte&uacute;dos eletr&ocirc;nicos ou impressos processados e distribu&iacute;dos para um p&uacute;blico indeterminado a partir de qualquer plataforma t&eacute;cnica de comunica&ccedil;&otilde;es. Aplicando este conceito a cada caso, saber&iacute;amos como enquadrar tanto um e-mail enviado a partir de uma aplica&ccedil;&atilde;o de TV digital, quanto uma novela distribu&iacute;da pela internet ou para telefones celulares. Quando a troca de mensagens, por qualquer plataforma t&eacute;cnica de comunica&ccedil;&otilde;es, se desse entre agentes individualmente identific&aacute;veis, estar&iacute;amos no terreno da comunica&ccedil;&atilde;o interpessoal, protegida pelos direitos individuais. Conceitos guarda-chuva como estes ajudam a aumentar a longevidade de uma norma jur&iacute;dica na &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span><span>A id&eacute;ia de se distanciar de uma lei geral das comunica&ccedil;&otilde;es por uma quest&atilde;o de correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as pol&iacute;ticas no Congresso Nacional, cujo forte lobby privado contamina qualquer tentativa de legisla&ccedil;&atilde;o equilibrada para o setor, pode ajudar a fortalecer o novo papel do Estado brasileiro, menos patrimonialista e cartorial e mais promotor e regulador de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o. E vacinar nosso arcabou&ccedil;o normativo contra as epidemias regulat&oacute;rias, oriundas tanto das constantes altera&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas quanto da oportunista reacomoda&ccedil;&atilde;o de interesses particulares de agentes de mercado. <\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o se trata de fugir da necess&aacute;ria re-regulamenta&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es. Trata-se de encar&aacute;-la como um processo, pass&iacute;vel de permanente planejamento e avalia&ccedil;&atilde;o de resultados, podendo ser desenvolvido em paralelo ou individualmente. Pensando este processo regulat&oacute;rio integrado, poder&iacute;amos dividi-lo em quatro estratos, fases ou blocos tem&aacute;ticos:<\/p>\n<p><\/span><span>** Conte&uacute;do &ndash; os objetos de interesse da elabora&ccedil;&atilde;o de regulamenta&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas girariam em torno de temas como a formula&ccedil;&atilde;o de uma novo conceito de comunica&ccedil;&atilde;o social e interpessoal, liberdade de express&atilde;o, qualidade do servi&ccedil;o, mecanismos que assegurassem o controle p&uacute;blico dos produtos simb&oacute;licos, direitos autorais, etc.<\/p>\n<p><\/span><span>** Economia &ndash; defini&ccedil;&atilde;o de poder de mercado, modelo de financiamento, pol&iacute;ticas de pre&ccedil;os, limite de propriedade, direitos do consumidor, fomento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>** Estrutura &ndash; desverticaliza&ccedil;&atilde;o da cadeia econ&ocirc;mica, desagrega&ccedil;&atilde;o de redes, rede p&uacute;blica e &uacute;nica, cidades digitais.<\/p>\n<p><\/span><span>** Regula&ccedil;&atilde;o &ndash; cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos de controle p&uacute;blico, defini&ccedil;&atilde;o de indicadores de metas de qualidade e universaliza&ccedil;&atilde;o, plano geral de outorgas, regulamenta&ccedil;&atilde;o, pol&iacute;tica de fiscaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Esse elenco aleat&oacute;rio de prioridades, aberto a v&aacute;rios outros t&oacute;picos aqui n&atilde;o listados, nos mostra quanto trabalho dar&aacute; atualizar o marco regulat&oacute;rio da &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es. Talvez por isso, existam interpreta&ccedil;&otilde;es diferentes conforme as perdas e ganhos imediatos de cada ator. A preserva&ccedil;&atilde;o do status quo pelo maior prazo poss&iacute;vel &eacute; o jogo preferido das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o e de telecomunica&ccedil;&otilde;es nesse momento. N&atilde;o entrar em rota de colis&atilde;o com o setor privado, que constr&oacute;i e sustenta a imagem p&uacute;blica dos governantes, &eacute; a t&aacute;tica permanente de qualquer pol&iacute;tico, vide o recente caso da regulamenta&ccedil;&atilde;o da TV por assinatura que ainda se desenrola na C&acirc;mara dos Deputados.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Maior interessada nesse processo de democratiza&ccedil;&atilde;o e estabelecimento da pluralidade na &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es, a sociedade est&aacute; fragmentada entre uma maioria que v&ecirc; na m&iacute;dia um monop&oacute;lio natural do setor privado, onde qualquer pol&iacute;tica p&uacute;blica se revela uma tentativa de controle estatal, e uma elite que sabe da import&acirc;ncia de regul&aacute;-la, mas, por diversas raz&otilde;es, se mant&eacute;m ref&eacute;m deste primeiro racioc&iacute;nio.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Institui&ccedil;&atilde;o mediadora<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>&Eacute; hora das principais empresas de m&iacute;dia do pa&iacute;s olharem para o seu passado e compreender que a legitimidade que conquistaram ao longo das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas &ndash; traduzida sob a forma de &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia ou de vendas &ndash; lhes foi consignada pela sociedade brasileira por cumprirem seu papel social durante a primeira d&eacute;cada de redemocratiza&ccedil;&atilde;o do Brasil. E que tentativas de atuar como grupo pol&iacute;tico em nada contribuem para a evolu&ccedil;&atilde;o do patamar das rela&ccedil;&otilde;es sociais constru&iacute;das em nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; hora do Estado e seus agentes compreenderem que n&atilde;o lhes cabe tutelar, coagir ou cooptar a imprensa e a sociedade civil. Uma nova postura neste sentido pode contribuir para o fim da pr&aacute;tica de uso das verbas publicit&aacute;rias oficiais como moeda de troca por condi&ccedil;&otilde;es de governabilidade, possibilitando o surgimento de uma m&iacute;dia n&atilde;o comprometida com correntes pol&iacute;ticas ou projetos de poder.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; hora do mercado se acostumar com a id&eacute;ia de que sua busca incessante pelo lucro n&atilde;o est&aacute; acima do interesse p&uacute;blico e que o estado democr&aacute;tico de direito pressup&otilde;e pluralidade, concorr&ecirc;ncia leal, responsabilidade social e uma ordem econ&ocirc;mica vigorosa, onde investidores n&atilde;o comandem governos nem submetam o Estado &agrave;s suas necessidades de expans&atilde;o comercial.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; hora de a classe pol&iacute;tica enxergar a comunica&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o apenas como um instrumento para conquista de poder ou um palco para performances pessoais. Esta simples mudan&ccedil;a de conduta permitiria aos homens p&uacute;blicos abandonar a posi&ccedil;&atilde;o de ref&eacute;m das pesquisas de opini&atilde;o e do notici&aacute;rio, retomando seu di&aacute;logo direto com o cidad&atilde;o. Mais do que isso, poderia assegurar a cria&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o com car&aacute;ter efetivamente p&uacute;blico, desatrelados do mandat&aacute;rio de plant&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; hora de os jornalistas e demais produtores de informa&ccedil;&atilde;o entenderem que sua fun&ccedil;&atilde;o profissional n&atilde;o os isenta de respeitar os mesmos c&oacute;digos sociais seguidos pelos demais cidad&atilde;os &ndash; e que a liberdade de imprensa n&atilde;o &eacute; um valor absoluto. Em qualquer sociedade democr&aacute;tica, ela deve se encontrar no mesmo patamar dos demais direitos civis, subordinada a um ordenamento jur&iacute;dico espec&iacute;fico e ao controle p&uacute;blico de uma forma geral.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; hora de o Brasil fazer as pazes com seu passado de reca&iacute;das arbitr&aacute;rias e buscar um futuro mais tranq&uuml;ilo onde o pre&ccedil;o pago pela eterna vigil&acirc;ncia dos princ&iacute;pios democr&aacute;ticos n&atilde;o seja a hegemonia da &quot;lei do mais forte&quot; &ndash; seja por parte do Estado ou do setor privado. Enterrar de vez o &quot;esqueleto&quot; da censura significa tamb&eacute;m deixar de tir&aacute;-lo do arm&aacute;rio cada vez que seja cogitado o estabelecimento de mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Ao acordar com a sociedade novas normas de conduta e segui-las de forma respons&aacute;vel, a m&iacute;dia brasileira n&atilde;o estar&aacute; se sujeitando a qualquer esp&eacute;cie de autoritarismo ou intervencionismo. Ao contr&aacute;rio, estar&aacute; abrindo m&atilde;o de exercer o papel de censora das vontades de toda uma Na&ccedil;&atilde;o e retomando seu lugar como institui&ccedil;&atilde;o mediadora da esfera p&uacute;blica.<\/p>\n<p><em>* James G&ouml;rgen &eacute; jornalista, mestrando do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisador do Epcom &ndash; Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunica&ccedil;&atilde;o <\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil de hoje possui institui&ccedil;&otilde;es modernas em v&aacute;rios setores da economia e da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. 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