{"id":21103,"date":"2008-05-05T15:37:01","date_gmt":"2008-05-05T15:37:01","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21103"},"modified":"2008-05-05T15:37:01","modified_gmt":"2008-05-05T15:37:01","slug":"imprensa-so-responde-por-informar-errado-se-ha-abuso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21103","title":{"rendered":"Imprensa s\u00f3 responde por informar errado se h\u00e1 abuso"},"content":{"rendered":"<p>A imprensa n&atilde;o responde por divulgar uma informa&ccedil;&atilde;o errada, mas por abusar do direito de livre manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento, cria&ccedil;&atilde;o, express&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o. O entendimento &eacute; do desembargador &Ecirc;nio Santarelli Zualiani, da 4&ordf; C&acirc;mara de Direito Privado do Tribunal de Justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo. O desembargador livrou a Band de pagar indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais para a Tecplan Escola de Pilotagem.<\/p>\n<p>Em outubro de 2003, o programa Brasil Urgente mostrou, ao vivo, um acidente de helic&oacute;ptero, no qual morreu o piloto, que era instrutor, e um aluno ficou gravemente ferido. S&oacute; que, na hora de informar os telespectadores, o apresentador errou o nome da empresa que estava envolvida no acidente. Disse que o helic&oacute;ptero pertencia &agrave; Tecplan. Na verdade a m&aacute;quina pertencia &agrave; Rangel Escola de Pilotagem.<\/p>\n<p>O erro foi corrigido mais tarde. A Tecplan, que &agrave; &eacute;poca estava com as atividades paralisadas, entrou com a&ccedil;&atilde;o de indeniza&ccedil;&atilde;o contra a Band. Disse que o erro do apresentador abalou sua reputa&ccedil;&atilde;o, feriu a honra e a imagem, o que justificava o recebimento da repara&ccedil;&atilde;o. A Band, para se defender, afirmou que as escolas pertenciam ao mesmo dono, que errou uma &uacute;nica vez e que n&atilde;o haveria dano porque a Tecplan n&atilde;o estava mais no mercado.<\/p>\n<p>A primeira inst&acirc;ncia n&atilde;o acolheu os argumentos e condenou a emissora a pagar R$ 10 mil. Tanto a Band quanto a Tecplan recorreram ao Tribunal de Justi&ccedil;a Paulista. A primeira para se livrar da condena&ccedil;&atilde;o; a segunda para aumentar o valor da repara&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O desembargador Santarelli Zualiani, relator designado, acolheu apenas o recurso da Band. Em seu voto teceu coment&aacute;rios sobre o limite entre o chamado furo de reportagem e o dever do jornalista de apurar a informa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Imprensa n&atilde;o responde por erro, mas, sim, pelo abuso que comete no exerc&iacute;cio de sua fun&ccedil;&atilde;o&rdquo;, disse Zualiani.<\/p>\n<p>De acordo com o relator, embora tenha de ser exigido do jornalista rigor e cuidado, n&atilde;o se pode impor a pesquisa da ficha t&eacute;cnica das empresas para saber quem s&atilde;o os donos, ou que tenha de averiguar no setor de avia&ccedil;&atilde;o competente em nome de quem estava registrada a aeronave.<\/p>\n<p>&ldquo;Na miss&atilde;o de noticiar os fatos que est&atilde;o ocorrendo, nem sempre &eacute; poss&iacute;vel confer&ecirc;ncia segura dos dados que s&atilde;o transmitidos. O que interessa ao jornalista, no tempo real, &eacute; o aproveitamento da not&iacute;cia, devido ao interesse do p&uacute;blico. Somente por uma vez, por m&aacute; informa&ccedil;&atilde;o, citaram o nome da autora, o que caracteriza uma transgress&atilde;o secund&aacute;ria e n&atilde;o intencional, sendo incapaz de justificar indeniza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirmou Zualiani.<\/p>\n<p>Ainda segundo o relator, n&atilde;o h&aacute; de se falar em abalo &agrave; reputa&ccedil;&atilde;o da empresa porque o curso de pilotagem envolve p&uacute;blico restrito, formado por pessoas que sabem distinguir fatalidade e racionalidade. Para Zualiani, os telespectadores do Brasil Urgente n&atilde;o se enquadram nesse perfil, assim n&atilde;o haveria dano. &ldquo;A diminuta parcela de indiv&iacute;duos preocupados com o nome da empresa n&atilde;o seria persuadida pelo &uacute;nico erro da refer&ecirc;ncia que foi cometida&rdquo;, considerou.<\/p>\n<p><strong>Apurar primeiro, noticiar depois<\/strong><\/p>\n<p>O desembargador Francisco Loureiro, relator do recurso da empresa e da Band, foi voto vencido na sess&atilde;o. Ele decidiu pelo direito da empresa de pilotagem em receber a indeniza&ccedil;&atilde;o por reconhecer que, embora &uacute;nico, houve erro da emissora em noticiar um fato. Segundo Loureiro, o erro, por si s&oacute;, causa dano moral indeniz&aacute;vel &ldquo;por violar o direito &agrave; imagem e bom nome&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Evidente que n&atilde;o se exige do jornalista o mesmo rigor e aprofundamento no exame das provas que devem ter as autoridades policiais e judici&aacute;rias, sob pena de inviabilizar o jornalismo investigativo. Isso, por&eacute;m, n&atilde;o isenta o jornalista do dever de ser reto e veraz, de checar suas fontes, de apurar a proced&ecirc;ncia dos fatos, de pesar evid&ecirc;ncias, evitando a todo custo a divulga&ccedil;&atilde;o precipitada de fatos delituosos que possam arruinar a vida e a reputa&ccedil;&atilde;o de pessoas indevidamente citadas&rdquo;, observou o desembargador.<\/p>\n<p>&ldquo;O dever da verdade foi atropelado pela prem&ecirc;ncia do furo jornal&iacute;stico, pelo sensacionalismo, pela manchete f&aacute;cil, pela cria&ccedil;&atilde;o do fato a ser depois investigado&rdquo;, reconheceu. &ldquo;Not&iacute;cia falsa cria presun&ccedil;&atilde;o de culpa, ou at&eacute; mesmo responsabilidade objetiva&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>Loureiro votou para manter o valor da indeniza&ccedil;&atilde;o em R$ 10 mil. A maioria da turma, no entanto, acompanhou Zualiani para livrar a Band de pagar a indeniza&ccedil;&atilde;o. As partes ainda podem recorrer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imprensa n&atilde;o responde por divulgar uma informa&ccedil;&atilde;o errada, mas por abusar do direito de livre manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento, cria&ccedil;&atilde;o, express&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o. O entendimento &eacute; do desembargador &Ecirc;nio Santarelli Zualiani, da 4&ordf; C&acirc;mara de Direito Privado do Tribunal de Justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo. 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