{"id":21038,"date":"2008-04-23T14:14:44","date_gmt":"2008-04-23T14:14:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21038"},"modified":"2008-04-23T14:14:44","modified_gmt":"2008-04-23T14:14:44","slug":"os-tropecos-estruturais-da-tv-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21038","title":{"rendered":"Os trope\u00e7os estruturais da TV Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span>A&nbsp;medida provis&oacute;ria que autorizou a cria&ccedil;&atilde;o da TV Brasil fixou os princ&iacute;pios sobre os quais ela deveria atuar. Isso nos d&aacute; for&ccedil;a para avaliar os primeiros trope&ccedil;os. <\/p>\n<p><\/span><span>As op&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dico-institucionais n&atilde;o dever&atilde;o ajudar a institui&ccedil;&atilde;o prevista, por raz&otilde;es estruturais, independentemente da vontade dos gestores. <br \/><\/span><span><br \/>A op&ccedil;&atilde;o por uma empresa p&uacute;blica, em vez de uma funda&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de direito privado, vetada na legisla&ccedil;&atilde;o federal, subordina essa empresa a um minist&eacute;rio, no caso, a Secom. <\/p>\n<p><\/span><span>Melhor seria t&ecirc;-la subordinado ao Minist&eacute;rio da Cultura ou da Educa&ccedil;&atilde;o, cujas finalidades coincidem com a miss&atilde;o da TV p&uacute;blica em muitos aspectos. Subordin&aacute;-la &agrave; Secom &eacute; condicionar o coelho ao regime priorit&aacute;rio de cenouras temperadas pelos interesses de propaganda do Planalto. <\/p>\n<p><\/span><span>Outro erro, o Conselho Administrativo, com poder de nomear, dar diretrizes de gest&atilde;o e autorizar despesas, cujos componentes s&atilde;o ministros do governo, pol&iacute;tica e moralmente atrelados &agrave; vontade da administra&ccedil;&atilde;o. <\/span><span>Como poder&atilde;o gerir com isen&ccedil;&atilde;o? <\/p>\n<p><\/span><span>J&aacute; o Conselho Curador, reclamado pela sociedade e relativamente representativo dela, s&oacute; ser&aacute; escolhido pela sociedade em sua segunda representa&ccedil;&atilde;o. Esse primeiro conselho nem sempre representa pessoas dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, intelectuais ou t&eacute;cnicos e produtores do setor. <\/p>\n<p><\/span><span>Esse conselho n&atilde;o tem, como o da Funda&ccedil;&atilde;o Padre Anchieta &#8211; TV Cultura, o poder de nomear o presidente-executivo -ali&aacute;s, n&atilde;o tem nenhum poder de gest&atilde;o administrativa e financeira. Tem, &eacute; verdade, o poder de demitir a diretoria executiva, mas isso o torna um conselho de crise, e n&atilde;o um conselho de constru&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m desses problemas, a presid&ecirc;ncia executiva conflita estruturalmente com a superintend&ecirc;ncia, respons&aacute;vel pela programa&ccedil;&atilde;o. No caso da TV Brasil, Tereza Cruvinel veio da televis&atilde;o privada e, embora de grande compet&ecirc;ncia profissional, tem a cultura da informa&ccedil;&atilde;o de mercado, da televis&atilde;o de espet&aacute;culo. Felizmente, vestiu a camisa da TV p&uacute;blica e tem consci&ecirc;ncia de que a estrutura da EBC pode e deve ser aperfei&ccedil;oada. <\/p>\n<p><\/span><span>J&aacute; o superintendente, Orlando Senna, de grande experi&ecirc;ncia pessoal em comunica&ccedil;&atilde;o, representa o pensamento do MinC consolidado no conceito de TV p&uacute;blica. Dever&aacute; superar a vis&atilde;o de pol&iacute;tica de cultura do minist&eacute;rio pela de cultura p&uacute;blica. A nomea&ccedil;&atilde;o de uma respons&aacute;vel pelo jornalismo que tamb&eacute;m &eacute; da TV de mercado e que ainda por cima &eacute; casada com um funcion&aacute;rio de comunica&ccedil;&atilde;o da Secom n&atilde;o tem implica&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas nem mesmo profissionais, mas cria um curto circuito pol&iacute;tico. <\/p>\n<p><\/span><span>A demiss&atilde;o recente de Luiz Lobo ainda n&atilde;o pode ser atribu&iacute;da &agrave; estrutura da institui&ccedil;&atilde;o. Contrato de trabalho &eacute; composi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica bilateral. <\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o temos ainda elementos para avaliar as prepot&ecirc;ncias em jogo. Felizmente, o Conselho Curador foi acionado &#8211; e isso &eacute; bom. <\/p>\n<p><\/span><span>Fundamental &eacute; a grade de programa&ccedil;&atilde;o: seu conte&uacute;do, sua capacidade inovadora, sua qualidade, isto &eacute;: independ&ecirc;ncia, criatividade, representatividade regional, pluralismo, interatividade da programa&ccedil;&atilde;o e abertura &agrave;s fontes de cria&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;veis.&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>H&aacute; 35 anos a televis&atilde;o p&uacute;blica persegue uma programa&ccedil;&atilde;o de qualidade, capaz de servir e de interessar o telespectador. Isso significa fazer uma televis&atilde;o diferente da de mercado. <\/p>\n<p><\/span><span>H&aacute; um s&eacute;rio problema de audi&ecirc;ncia n&atilde;o resolvido nas TVs p&uacute;blicas. E a quest&atilde;o n&atilde;o se resolver&aacute; nunca enquanto se buscar para o impasse o modelo da televis&atilde;o comercial. Somos covardes diante dela e de seus Ibopes. Em vez de ousarmos nos limites da linguagem e dos conte&uacute;dos, buscamos a p&aacute;tina erudita para cobrir a engana&ccedil;&atilde;o do espet&aacute;culo. <\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; verdade que j&aacute; acertamos na programa&ccedil;&atilde;o infantil e quando abrimos os grandes temas ao debate, como conseguimos no &quot;Roda Viva&quot;, quando insistimos na MPB e na m&uacute;sica erudita, p&aacute;ssaros sem ninho na televis&atilde;o brasileira. <\/p>\n<p><\/span><span>Acertamos quando ousamos, na dramaturgia e na literatura, mas isso &eacute; muito raro. <\/p>\n<p><\/span><span>Erramos no jornalismo, ao apresentar o espet&aacute;culo da not&iacute;cia, e n&atilde;o a compreens&atilde;o dos acontecimentos, e, sobretudo, quando nos deixamos seduzir pela not&iacute;cia oficial. <\/p>\n<p><\/span><span>Acertamos quando perguntamos a Nietzsche o que ele pensa da amizade. <\/p>\n<p><\/span><span>TV p&uacute;blica s&oacute; se justifica se acertar sua programa&ccedil;&atilde;o, em parceria com o p&uacute;blico e os criadores. Mas, para isso, &eacute; indispens&aacute;vel uma estrutura jur&iacute;dica que favore&ccedil;a a inten&ccedil;&atilde;o e uma gest&atilde;o que possibilite essa realiza&ccedil;&atilde;o. <\/span><span>&nbsp;<\/span><em><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>* Jorge&nbsp;da Cunha Lima jornalista e escritor, &eacute; presidente do Conselho Curador da Funda&ccedil;&atilde;o Padre Anchieta e vice-presidente do Ita&uacute; Cultural.<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A&nbsp;medida provis&oacute;ria que autorizou a cria&ccedil;&atilde;o da TV Brasil fixou os princ&iacute;pios sobre os quais ela deveria atuar. Isso nos d&aacute; for&ccedil;a para avaliar os primeiros trope&ccedil;os. As op&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dico-institucionais n&atilde;o dever&atilde;o ajudar a institui&ccedil;&atilde;o prevista, por raz&otilde;es estruturais, independentemente da vontade dos gestores. 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