{"id":21032,"date":"2008-04-23T08:18:38","date_gmt":"2008-04-23T08:18:38","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21032"},"modified":"2008-04-23T08:18:38","modified_gmt":"2008-04-23T08:18:38","slug":"desafios-e-oportunidades-para-a-convergencia-e-mobilizacao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21032","title":{"rendered":"Desafios e oportunidades para a converg\u00eancia e mobiliza\u00e7\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<p><span>A converg&ecirc;ncia digital tem sido um tema recorrente nos debates sobre comunica&ccedil;&atilde;o. Incorpor&aacute;-la como um tema articulador segue ainda como um desafio pouco discutido. Neste sentido, as atividades realizadas no fisl9.0, nona edi&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Internacional de Software Livre revelam possibilidades de amarrar quest&otilde;es at&eacute; ent&atilde;o desconexas na constru&ccedil;&atilde;o de uma agenda fundamental para disputar hegemonia no s&eacute;culo XXI.<\/p>\n<p><\/span><span>Uma das grandes dificuldades do movimento de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; a falta de uma base social. Sem d&uacute;vida, s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel defender um ponto de vista como o que aqui ser&aacute; exposto, dentro de um contexto novo, tanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s possibilidades proporcionadas pelas tecnologias digitais, quanto por novas trocas sociais decorrentes dela, aliadas a um conjunto de a&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico e da sociedade civil que interligam princ&iacute;pios como emancipa&ccedil;&atilde;o, autonomia, participa&ccedil;&atilde;o popular e cultura livre.<\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; impressionante sentir a for&ccedil;a criativa e inovadora de grupos organizados em torno de temas como cultura digital, economia solid&aacute;ria e tecnologias livres. A articula&ccedil;&atilde;o para que pontos de cultura se transformem em encubadoras de outras rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, que telecentros passem a atuar como produtores de cultura digital, que desenvolvedores de tecnologias livres construam solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e ambientes para a exist&ecirc;ncia dessa imensa rede de coletivos &eacute; inspiradora e precisa estar contemplada nos debates do movimento de comunica&ccedil;&atilde;o. O caminho inverso &eacute; igualmente importante, sendo necess&aacute;rio, portanto, a converg&ecirc;ncia radical. De tecnologias, pr&aacute;ticas e pessoas.<\/p>\n<p><\/span><span>Claro que o presente &eacute; monopolizado, concentrado, unilateral, e n&atilde;o h&aacute; qualquer possibilidade de abandonar temas anal&oacute;gicos em pauta na conjuntura. Mas &eacute; igualmente urgente perceber a for&ccedil;a e a potencialidade que os temas de inclus&atilde;o digital, cultura livre e articula&ccedil;&atilde;o de redes possuem. De fato, o futuro aponta para uma disputa da hegemonia na rede e os riscos de que toda essa pot&ecirc;ncia de energia se disperse &eacute; grande. S&oacute; para citar um exemplo, a <em>globo.com<\/em> foi um dos patrocinadores do fisl9.0. Em seu estande, al&eacute;m de brindes diversos, um simp&aacute;tico cartaz exibia a frase: n&oacute;s precisamos do seu talento. As grandes corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia j&aacute; perceberam os ganhos financeiros e ideol&oacute;gicos de se juntar &agrave; turma do software livre. Seduzem t&eacute;cnicos em computa&ccedil;&atilde;o que aos poucos come&ccedil;avam a se envolver com o debate pol&iacute;tico que est&aacute; por tr&aacute;s do desenvolvimento de uma tecnologia livre. <\/p>\n<p><\/span><span>Outro p&uacute;blico que precisa estar articulado &eacute; o de agitadores culturais. Empolgados com a produ&ccedil;&atilde;o e possibilidades de troca de seus conte&uacute;dos, at&eacute; falam sobre ideologia dominante, monop&oacute;lio e a rede como uma alternativa de difus&atilde;o, mas esquecem que para se fazer uma disputa na rede, &eacute; necess&aacute;rio ganhar batalhas importantes como a universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; banda larga e a concretiza&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias de rede wi mesh e wi fi. Essa percep&ccedil;&atilde;o &eacute; facilmente constru&iacute;da a partir de debates da comunica&ccedil;&atilde;o que trazem &agrave; tona as inten&ccedil;&otilde;es das operadoras de telefonia em suas negociatas com o governo e apontam para um risco enorme de privatiza&ccedil;&atilde;o do espectro eletromagn&eacute;tico p&oacute;s per&iacute;odo de 10 anos da implanta&ccedil;&atilde;o da TV Digital. <\/p>\n<p><\/span><span>A inclus&atilde;o digital e, fundamentalmente, a exist&ecirc;ncia de telecentros comunit&aacute;rios &eacute; outra chave important&iacute;ssima para aprofundar rela&ccedil;&otilde;es e convergir pautas. Estes espa&ccedil;os articulam pr&aacute;ticas de gest&atilde;o democr&aacute;tica e participa&ccedil;&atilde;o popular, alternativas de gera&ccedil;&atilde;o de renda que passam pela economia solid&aacute;ria, programas de governo eletr&ocirc;nico que relacionam sa&uacute;de, direitos humanos, quest&otilde;es de g&ecirc;nero, ra&ccedil;a e op&ccedil;&atilde;o sexual. Envolvem uma juventude sedenta por cultura digital e come&ccedil;am, aos poucos, a se articular com r&aacute;dios comunit&aacute;rias, quando n&atilde;o improvisam r&aacute;dios postes, livres e outras possibilidades via web. Muitos deles come&ccedil;am a se articular em rede, assim como os pontos de cultura. Entre as propostas que perpassam essa imensa rede est&aacute; a forma&ccedil;&atilde;o em multim&iacute;dia, aumentando o potencial de produ&ccedil;&atilde;o cultural do pa&iacute;s. Tamb&eacute;m extraordin&aacute;rio ver o envolvimento desses novos produtores com formas diferentes de lidar com o direito autoral, desbravando-se em <em>creative commons<\/em> e outras formas mais radicais de cess&atilde;o de direitos como o <em>copy left<\/em>. <\/p>\n<p><\/span><span>A articula&ccedil;&atilde;o de pessoas, coletivos e redes envolvidas com a comunica&ccedil;&atilde;o digital &eacute; urgente e passa pela constru&ccedil;&atilde;o de um novo ativismo. Um ativismo que entenda a import&acirc;ncia da regula&ccedil;&atilde;o para o pleno exerc&iacute;cio da liberdade em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; ditadura de mercado, que se aproprie das tecnologias livres para potencializar a articula&ccedil;&atilde;o em rede, que potencialize ao m&aacute;ximo a troca de experi&ecirc;ncias e de material, que se organize em defesa da universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga e que radicalize o enfrentamento &agrave;s grandes corpora&ccedil;&otilde;es. Iniciativas interessantes tem surgido neste sentido. &Eacute; preciso convergir. Urgente e radicalmente.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><em>* Carolina Ribeiro &eacute; jornalista e integrante do Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A converg&ecirc;ncia digital tem sido um tema recorrente nos debates sobre comunica&ccedil;&atilde;o. Incorpor&aacute;-la como um tema articulador segue ainda como um desafio pouco discutido. 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