{"id":21029,"date":"2008-04-22T15:45:09","date_gmt":"2008-04-22T15:45:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21029"},"modified":"2008-04-22T15:45:09","modified_gmt":"2008-04-22T15:45:09","slug":"provedores-interferem-em-velocidade-de-navegacao-do-usuario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21029","title":{"rendered":"Provedores interferem em velocidade de navega\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><span><span>Teoricamente, o mundo digital &eacute; um ambiente com recursos ilimitados que podem ser multiplicados infinitamente para atingir um n&uacute;mero cada vez maior de usu&aacute;rios para fun&ccedil;&otilde;es cada vez mais complexas. Teoricamente. <\/p>\n<p><\/span><span>H&aacute; um bem no mundo digital que n&atilde;o obedece, em qualquer parte do mundo, a natureza abundante da reprodu&ccedil;&atilde;o de bits e se encontra num equil&iacute;brio delicado entre o uso racionado e o desejo por mais: a banda. <\/p>\n<p><\/span><span>De um lado, est&atilde;o as provedoras respons&aacute;veis pelos investimentos milion&aacute;rios em infra-estrutura que compartilham do mesmo comprometimento de n&atilde;o restringirem sua banda. Do outro, os usu&aacute;rios de banda larga que v&ecirc;em seus direitos de consumo supostamente desrespeitados pelas altera&ccedil;&otilde;es na velocidade de acesso de seus planos, armando e compartilhando planos que comprovem as estrat&eacute;gias sorrateiras das operadoras. <\/p>\n<p><\/span><span>No centro da pol&ecirc;mica, est&aacute; o traffic shaping, pr&aacute;tica supostamente aplicada por todos os provedores de banda larga no pa&iacute;s para, como sugere a pr&oacute;pria tradu&ccedil;&atilde;o do ingl&ecirc;s, moldar o tr&aacute;fego usado pelo usu&aacute;rio, determinando quais programas ou protocolos podem ter acesso a determinada quantidade de banda em quais per&iacute;odos do dia. <\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o bastassem as acusa&ccedil;&otilde;es dos usu&aacute;rios, a quest&atilde;o &eacute; ainda mais pol&ecirc;mica por nenhuma das provedoras assumir oficialmente a pr&aacute;tica, cujas suspeitas s&atilde;o facilmente observ&aacute;veis em testes que usam tecnologias como encripta&ccedil;&atilde;o de dados e VPN (virtual private network) para driblar o controle. A pr&aacute;tica pode se esconder na instabilidade das milhares de redes interconectadas e administradas independentemente que formam a internet. <\/p>\n<p><\/span><span>E porque uma provedora limitaria o consumo de banda de usu&aacute;rios, que pagam por um servi&ccedil;o? Tradicionalmente, um grupo de usu&aacute;rios acostumado a baixar fervorosamente conte&uacute;do multim&iacute;dia durante o m&ecirc;s consome grande parte da banda oferecida pela infra-estrutura montada pela operadora &#8211; as empresas trabalham com proje&ccedil;&otilde;es que contemplam que entre 10% e 20% de seus clientes consomem at&eacute; 80% da banda oferecida. <\/p>\n<p><\/span><span>A limita&ccedil;&atilde;o imposta pelo traffic shaping n&atilde;o apenas impede uma participa&ccedil;&atilde;o ainda maior de quem est&aacute; acostumado a baixar filmes e m&uacute;sicas com freq&uuml;&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m assegura que a maioria dos usu&aacute;rios restantes, que usam menos banda durante o m&ecirc;s, encontrar&aacute; um servi&ccedil;o est&aacute;vel e com velocidade minimamente decente para acessar seus e-mails, entrar em redes sociais ou ler blogs. <\/p>\n<p><\/span><span>&quot;O uso ostensivo de alguns tipos de aplica&ccedil;&otilde;es acabam prejudicando outros usu&aacute;rios. (O traffic shaping) &eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o de engenharia para se trazer um certo equil&iacute;brio para todos os usu&aacute;rios. Em qualquer rede, voc&ecirc; tem recursos limitados, principalmente em uma tecnologia de transporte baseada em pacotes&quot;, explica Frederico Neves, diretor de servi&ccedil;os e tecnologia do N&uacute;cleo de Informa&ccedil;&atilde;o e Coordena&ccedil;&atilde;o (NIC.br), ligado ao Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). <\/p>\n<p><\/span><span>&quot;De certa forma, esta t&eacute;cnica prejudica as expectativas de usu&aacute;rios que acham que n&atilde;o usam um bem compartilhado&quot;, complementa. E as expectativas s&atilde;o, realmente, alt&iacute;ssimas. A rea&ccedil;&atilde;o de usu&aacute;rios contra o suposto traffic shaping &eacute; facilmente medida pela onda de reclama&ccedil;&otilde;es que clientes publicam em f&oacute;runs, acompanhados por tutoriais sobre como descobrir se determinado provador restringe a banda, gr&aacute;ficos que mostram quedas na velocidade de acesso e v&iacute;deos demonstrando maneiras para driblar qualquer restri&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>As reclama&ccedil;&otilde;es dos clientes se concentram, principalmente, na falta de indica&ccedil;&otilde;es claras no contrato de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os sobre poss&iacute;veis interfer&ecirc;ncias na velocidade de determinados protocolos. &quot;&Eacute; como o overbooking sem puni&ccedil;&atilde;o. Voc&ecirc; vende mais do que consegue entregar, mas n&atilde;o tem puni&ccedil;&atilde;o. Se (a operadora) faz isto de prop&oacute;sito, &eacute; estelionato. Vende-se um servi&ccedil;o com tal banda, mas n&atilde;o &eacute; assim&quot;, acusa Hor&aacute;cio Belfort, presidente e fundador da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira dos Usu&aacute;rios de Acesso R&aacute;pido (Abusar). <\/p>\n<p><\/span><span>Um sentimento comum &eacute; o do &quot;eu paguei, portanto quero usar da maneira que quiser&quot;. &quot;Na GVT, o traffic shaping &eacute; aplicado em hor&aacute;rio pr&eacute;-determinado, a partir das 9h da manh&atilde; (mais ou menos, com downloads via P2P limitados a 25kbps), terminando exatamente as 20h (com os downloads saltando de 25kbps para 100kbps)&quot;, detalha Juliano Valentin, usu&aacute;rio da banda larga da provedora desde janeiro de 2007. <\/p>\n<p><\/span><span>Mauro Melillo tem reclama&ccedil;&otilde;es semelhantes com a Brasil Telecom. &quot;A filtragem (da operadora) come&ccedil;ou em dezembro de 2007. Eu baixava (conte&uacute;do multim&iacute;dia de redes P2P) a 210 Kilobytes por segundo durante o dia todo e hoje n&atilde;o passo de 30 KB\/s. S&oacute; aumenta um pouco durante madrugada&quot;, explica ele, que engrossa a multid&atilde;o de insatisfeitos que publicaram v&iacute;deos no YouTube tentando provar a suposta pr&aacute;tica do seu provedor. <\/p>\n<p><\/span><span>A compara&ccedil;&atilde;o que Belfort, da Abusar, faz com a pr&aacute;tica das companhias a&eacute;reas de reservar mais passageiros para um v&ocirc;o do que a aeronave comporta faz sentido, ironicamente, pelo mesmo motivo alegado por clientes que se sentem prejudicados: os detalhes que constam no contrato. <\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; pr&aacute;tica comum das provedoras garantir um m&iacute;nimo de velocidade a partir do plano de acesso contratado pelo cliente &#8211; contrato assinado e velocidade m&iacute;nima garantida, o usu&aacute;rio fica sem respaldo legal para enfrentar a operadora sobre uma velocidade menor que aquela prometida na propaganda. <\/p>\n<p><\/span><span>Somam-se a isto as negativas perp&eacute;tuas que provedoras divulgam sobre a pr&aacute;tica de traffic shaping e quem se sente prejudicado fica sem caminhos para recorrer. Ou como Juliano bem sintetiza: &quot;O traffic shaping &eacute; t&atilde;o camuflado que talvez nem mesmo os t&eacute;cnicos das operadoras conseguiriam comprov&aacute;-lo se quisessem.&quot; <\/p>\n<p><\/span><span>A dificuldade vem da natureza inst&aacute;vel e rapidamente mut&aacute;vel que a moldagem de banda adquiri pelos softwares ou pelos firmwares de roteadores e switches das operadoras. As plataformas de gerenciamento de redes de banda larga funcionam de maneiras muito distintas, mas com uma amplitude que dificulta usu&aacute;rios ou consultorias detectarem ind&iacute;cios que apontem para regras na maneira como a banda &eacute; consumida. <\/p>\n<p><\/span><span>O diretor de tecnologia da 3Com Brasil, Ant&ocirc;nio Mariano, empresa respons&aacute;vel por fabricar equipamentos de infra-estrutura para provedores, confirma que roteadores da empresa, al&eacute;m de modelos de marcas concorrentes, trazem programas integrados. Por meio de uma interface gr&aacute;fica &eacute; poss&iacute;vel, segundo ele, que o administrador de rede defina quais s&atilde;o os protocolos que podem baixar conte&uacute;do, o teto para downloads em determinada regi&atilde;o ou restri&ccedil;&otilde;es de hor&aacute;rio que um programa em quest&atilde;o ter&aacute; dentro da rede. <\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; poss&iacute;vel, por exemplo, restringir a banda consumida por programas que usem o protocolo P2P entre &agrave;s 8 horas da manh&atilde; e as 10 horas da noite semanalmente, ou definir que usu&aacute;rios em determinado bairro sofrer&atilde;o cortes na banda usada por programas de VoIP, o que prejudicar&aacute; a qualidade da liga&ccedil;&atilde;o. Nos casos em que uma quantidade de banda &eacute; definida, os programas de restri&ccedil;&atilde;o for&ccedil;am pacotes de dados a se perderem, o que diminui a quantidade de informa&ccedil;&otilde;es trafegando por uma rede e impede que o teto de banda consumida seja atingido. <\/p>\n<p><\/span><span>Ainda que negadas pelas operadoras, as conseq&uuml;&ecirc;ncias diretas para os clientes s&atilde;o f&aacute;ceis de perceber: na maioria dos casos, redes P2P ou torrent para download de conte&uacute;do multim&iacute;dia apresentam velocidades muito abaixo da que o plano originalmente proveria e liga&ccedil;&otilde;es por VoIP sofrem falhas nas conversas pela perda de pacotes, enquanto a navega&ccedil;&atilde;o por p&aacute;ginas e servi&ccedil;os online mant&eacute;m uma estabilidade de velocidade. <\/p>\n<p><\/span><span>&quot;S&atilde;o v&aacute;rios os par&acirc;metros: qual &eacute; tr&aacute;fego priorit&aacute;rio, qual o n&iacute;vel de tr&aacute;fego excedido, qual o comportamento ap&oacute;s estourar (se vai alocar mais, baixar prioridade ou descartar tr&aacute;fego excedente). Posso definir que a pol&iacute;tica que ser&aacute; estabelecida levando em considera&ccedil;&atilde;o at&eacute; a hora do dia&quot;, explica Mariano, da 3Com. Aliando o sistema a uma ferramenta que condensa os dados em relat&oacute;rios, operadoras t&ecirc;m em m&atilde;os gr&aacute;ficos sobre os aplicativos mais usados ou quanto cada usu&aacute;rio consome de banda diariamente, por exemplo. <\/p>\n<p><\/span><span>Foi um tipo de tecnologia semelhante que a Electronic Frontier Foundation (EFF) pegou no flagra ao usar o rastreador de pacotes Wireshark no servi&ccedil;o de banda larga da Comcast e comprovar que a provedora norte-americana usava t&eacute;cnicas para for&ccedil;ar a perda de pacotes e at&eacute; bloquear o uso de programas P2P ou VoIP. A EFF tamb&eacute;m testou servi&ccedil;os de compartilhamento buscando e oferecendo arquivos n&atilde;o protegidos por direitos autorais. <\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Consideramos a possibilidade de que outros provedores pudessem estar envolvidos nesta intermedia&ccedil;&atilde;o e testamos conex&otilde;es oferecidas por outras empresas, como Sonic, AT&amp;T e provedores internacionais. Em uma s&eacute;rie de testes, observamos apenas irregularidades em conex&otilde;es de clientes da Comcast&quot;, diz a an&aacute;lise feita por Peter Eckersley, Fred von Lohmann e Seth Schoen, que pode ser baixada em PDF no site da EFF. <\/p>\n<p><\/span><span>O ac&uacute;mulo de evid&ecirc;ncias fez com que a Comiss&atilde;o Federal de Comunica&ccedil;&otilde;es (da sigla em ingl&ecirc;s, FCC), respons&aacute;vel por regulamentar as telecomunica&ccedil;&otilde;es norte-americanas, iniciasse uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre o suposto traffic shaping praticado pela Comcast que, como todas as provedoras brasileiras, afirmava n&atilde;o fazer qualquer tipo de restri&ccedil;&atilde;o at&eacute; a publica&ccedil;&atilde;o do documento, no come&ccedil;o de dezembro de 2007. <\/p>\n<p><\/span><span>Sob investiga&ccedil;&atilde;o, a Comcast tenta se defender propondo a cria&ccedil;&atilde;o de um &quot;C&oacute;digo de conduta&quot; que englobaria o envolvimento de provedores no tr&aacute;fego dos seus clientes e detalharia qual o n&iacute;vel de controle que usu&aacute;rios teriam sobre aplica&ccedil;&otilde;es de torrent, P2P ou VoIP instalados em seus pr&oacute;prios computadores, no aprofundamento da estrat&eacute;gia da provedora de tratar todos os protocolos usados por seus usu&aacute;rios da mesma maneira. <\/p>\n<p><\/span><span>Os debates sobre a quest&atilde;o atendem pelo nome de &quot;neutralidade online&quot; nos Estados Unidos e atingem at&eacute; o Senado norte-americano, sob o lobby de operadoras defendendo que ou empresas respons&aacute;veis por servi&ccedil;os com alto consumo de banda paguem uma taxa extra para a constru&ccedil;&atilde;o de infra-estrutura mais potente ou clientes escolham pacotes de acesso com pre&ccedil;os diferentes conforme o perfil de uso dos sites &#8211; quem acessa apenas blogs e e-mails teria de pagar menos que usu&aacute;rios acostumados a assistir v&iacute;deos no YouTube ou a baixar arquivos multim&iacute;dia. <\/p>\n<p><\/span><span>Tutoriais dispon&iacute;veis na internet tentam mapear t&eacute;cnicas que driblam as restri&ccedil;&otilde;es comprovadamente, como o uso de softwares de compartilhamento com encripta&ccedil;&atilde;o de dados ou de uma rede privada pessoal (da sigla em ingl&ecirc;s, VPN) e a mudan&ccedil;a das portas comumente usadas pelos softwares de torrent, P2P ou VoIP &#8211; tanto o Abusar como blogs (o ComoFa&ccedil;o &eacute; um deles) contam com exemplos que podem servir de base para usu&aacute;rios. <\/p>\n<p><\/span><span>No fim, muita da pol&ecirc;mica se resume ao contrato e &eacute; este o ponto que Neves levanta ao comentar o levante de usu&aacute;rios que se sentem prejudicados contra o traffic shaping. &quot;&Eacute; irreal esperar pagar 100 reais por m&ecirc;s e querer o m&aacute;ximo de um plano de 2 Mbps. Quem te vendeu esta id&eacute;ia foi o marketing da provedora. Em lugar nenhum do mundo voc&ecirc; ter&aacute;&quot; um plano de banda larga funcionando a todo vapor com o pagamento de uma parcela t&atilde;o baixa, garante o executivo, para quem a solu&ccedil;&atilde;o est&aacute; num entendimento melhor do contrato de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. <\/p>\n<p><\/span><span>&quot;Nos contratos, est&aacute; claro que ela n&atilde;o garante toda a banda&quot;. Mais que isto: uma conex&atilde;o dom&eacute;stica ou para pequenas e m&eacute;dias empresas que entregue a velocidade prometida de 2 Mbps, por exemplo, custaria at&eacute; 2 mil reais mensais&quot;, diz Neves, em reflexo direto da escassez de investimentos na banda larga brasileira, o que tamb&eacute;m inviabilizaria a compara&ccedil;&atilde;o, constantemente feita por clientes insatisfeitos, com o setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es japon&ecirc;s ou europeu. <\/p>\n<p><\/span><span>O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, concorda com Neves. &quot;Elas (provedoras) colocam no contrato que n&atilde;o garantem aquela banda que vendem &#8211; h&aacute; a garantia do m&iacute;nimo. Neste sentido, elas n&atilde;o s&atilde;o crian&ccedil;as de prometerem algo que n&atilde;o entregam, sen&atilde;o j&aacute; teriam perdido na Justi&ccedil;a&quot;, afirma Tude em uma teoria corroborada pelo hist&oacute;rico quase inexistente que o traffic shaping tem nos tribunais brasileiros. <\/p>\n<p><\/span><span>O primeiro caso, iniciado por Belfort em 2000 contra a Telef&ocirc;nica est&aacute; parado na Justi&ccedil;a, esperando pela per&iacute;cia t&eacute;cnica nas redes por onde o servi&ccedil;o Speedy &eacute; oferecido para juntar poss&iacute;veis evid&ecirc;ncias que sejam usadas contra a provedora espanhola na corte. J&aacute; s&atilde;o oito anos de espera e, de l&aacute; para c&aacute;, o n&uacute;mero de clientes prejudicados que procuraram a Justi&ccedil;a para tentar comprovar o traffic shaping apenas aumentou. <\/p>\n<p><\/span><span>O caminho &eacute; sempre o mesmo: ao verificar a queda na taxa de downloads, o usu&aacute;rio primeiro reclama diretamente &agrave; operadora, que, na maioria dos casos, atenua a restri&ccedil;&atilde;o. Com a manuten&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica, o usu&aacute;rio recorre &agrave; Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), que cria protocolos de investiga&ccedil;&atilde;o sobre o caso e notifica a provedora, ou ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico regional, respons&aacute;vel por inqu&eacute;ritos civis p&uacute;blicos envolvendo as empresas. <\/p>\n<p><\/span><span>O carioca Luiz Fabio Pacheco vai pelo mesmo caminho. &quot;Estou tentando evitar entrar com uma a&ccedil;&atilde;o contra eles (provedores), mas se n&atilde;o pararem com esse estrangulamento no meu sinal de uma vez por todas, vou entrar sim. J&aacute; fiz at&eacute; uma den&uacute;ncia no Minist&eacute;rio P&uacute;blico carioca&quot;, relata, dizendo que vai &quot;sufocar&quot; a Net Servi&ccedil;os, cujo Virtua equipa sua casa, para sair de uma suposta lista de &quot;heavy users&quot; identificada e restringida pela operadora. <\/p>\n<p><\/span><span>Pacheco n&atilde;o est&aacute; entre o p&uacute;blico-alvo das considera&ccedil;&otilde;es de Neves, j&aacute; que afirma ler o contrato e fazer as contas: ainda que garanta 10% da banda, a Net n&atilde;o entrega os 25 KB\/s m&iacute;nimos que promete constantemente em sua casa, oferecendo taxas que oscilam entre 10 KB\/s e 20 KB\/s, o que, teoricamente, justificaria uma poss&iacute;vel entrada na Justi&ccedil;a por descumprimento de contrato. <\/p>\n<p><\/span><span>O cumprimento &agrave; risca da velocidade do plano vendido pelo marketing da operadora teria como conseq&uuml;&ecirc;ncia mais direta e impactante o repasse dos gastos feitos pela empresa na amplia&ccedil;&atilde;o da sua infra-estrutura de acesso para o consumidor, o que implicaria em mensalidades mais altas das atualmente dispon&iacute;veis. <\/p>\n<p><\/span><span>Belfort sugere que seria responsabilidade das provedoras atualizar suas redes para suprir a demanda de banda vendida. Tude argumenta que cada uma delas precisa pesar se vale a pena investir dinheiro para dar vaz&atilde;o ao que chamou de &quot;tr&aacute;fego de pico&quot;, poucos momentos da semana em que um grande n&uacute;mero de usu&aacute;rios usam a rede para baixar conte&uacute;dos pesados, algo que &quot;n&atilde;o compensaria&quot;. <\/p>\n<p><\/span><span>Ainda na met&aacute;fora do overbooking, pela lentid&atilde;o da Justi&ccedil;a e a falta de evid&ecirc;ncias concretas contra operadoras,a falta de regras da banda larga brasileira ainda ver&aacute; muita aeronave lotada sem levantar v&ocirc;o do ch&atilde;o sem qualquer esclarecimento das companhia a&eacute;reas. <\/p>\n<p><\/span><span>Procuradas pelo IDG Now!, as operadoras Brasil Telecom, GVT, NET e Telef&ocirc;nica negaram qualquer pr&aacute;tica de traffic shaping e preferiram n&atilde;o dar entrevistas &agrave; reportagem.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00e1tica aplicada por provedores de banda larga molda o tr\u00e1fego do usu\u00e1rio, determinando quais protocolos podem ser acessados e em quais per\u00edodos. Provedores negam, mas pr\u00e1tica \u00e9 facilmente comprovada.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[545],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21029"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21029"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21029\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}