{"id":20986,"date":"2008-04-17T10:59:09","date_gmt":"2008-04-17T10:59:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20986"},"modified":"2008-04-17T10:59:09","modified_gmt":"2008-04-17T10:59:09","slug":"poder-da-midia-e-contrapoder-cidadao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20986","title":{"rendered":"Poder da m\u00eddia e contrapoder cidad\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span>&Eacute; conhecido o argumento de Ign&aacute;cio Ramonet sobre a m&iacute;dia nas sociedades contempor&acirc;neas (ver, neste Observat&oacute;rio, &quot;O quinto poder&quot;). Segundo ele os atuais grupos de m&iacute;dia possuem duas caracter&iacute;sticas: primeiro, &quot;encarregam-se de tudo o que envolve texto, imagem e som e o divulgam por meio dos canais mais variados (jornais, r&aacute;dios, televis&otilde;es abertas, a cabo ou por sat&eacute;lite, internet e por todo tipo de rede digital).&quot; Segundo, &quot;s&atilde;o mundiais, planet&aacute;rios e globais &ndash; e n&atilde;o apenas nacionais e locais.&quot; Isto faz com esses &quot;grupos (deixem) de ter como objetivo c&iacute;vico o de ser um `quarto poder&acute;, assim como (deixem) de denunciar os abusos contra os direitos ou corrigir as disfun&ccedil;&otilde;es da democracia (&#8230;).&quot; <\/p>\n<p><\/span><span>A lembran&ccedil;a de Ramonet vem a prop&oacute;sito de fatos recentes, tanto no Brasil como na Am&eacute;rica Latina, que revelam, ainda mais uma vez, o enorme poder dos grupos de m&iacute;dia, sobretudo na constru&ccedil;&atilde;o da agenda p&uacute;blica e na conseq&uuml;ente defini&ccedil;&atilde;o dos temas de interesse e debate por parte da maioria da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>CPI do Detran-RS<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Um desses fatos &eacute; o impressionante desinteresse da grande m&iacute;dia pelos trabalhos da CPI do Detran que se desenvolvem na Assembl&eacute;ia Legislativa do Rio Grande do Sul, em torno do desvio de cerca de 45 milh&otilde;es de reais de dinheiro p&uacute;blico. Resultado de uma investiga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal que come&ccedil;a com contratos do Detran-RS com uma funda&ccedil;&atilde;o &ndash; a Fatec &ndash; ligada &agrave; Universidade Federal de Santa Maria, as investiga&ccedil;&otilde;es apontam para o envolvimento de partidos pol&iacute;ticos atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o de um caixa 2 destinado a financiar campanhas eleitorais.<\/p>\n<p><\/span><span>Os fatos investigados no Rio Grande do Sul n&atilde;o deveriam merecer a mesma aten&ccedil;&atilde;o dedicada pela grande m&iacute;dia, por exemplo, aos graves problemas envolvendo a Universidade de Bras&iacute;lia e a funda&ccedil;&atilde;o Finatec ou a outras investiga&ccedil;&otilde;es de financiamento ilegal de campanhas eleitorais por partidos pol&iacute;ticos?<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Governo Kirchner vs. Clar&iacute;n<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Fora do Brasil, chama a aten&ccedil;&atilde;o a recorr&ecirc;ncia de problemas entre governos democraticamente eleitos e os principais grupos privados de m&iacute;dia na Am&eacute;rica Latina. <\/p>\n<p><\/span><span>Discutir com isen&ccedil;&atilde;o, por exemplo, o que ocorre na Venezuela, na Bol&iacute;via e no Equador tornou-se praticamente imposs&iacute;vel tendo em vista a permanente cobertura &quot;advers&aacute;ria&quot; que vem sendo feita pela grande m&iacute;dia aos seus presidentes.<\/p>\n<p><\/span><span>Ganha nova dimens&atilde;o, agora, um antigo &quot;mal-estar&quot; entre o governo da presidente Cristina Kirchner e os principais grupos privados de m&iacute;dia da Argentina, sobretudo, o Grupo Clar&iacute;n.<\/p>\n<p><\/span><span>O Grupo Clar&iacute;n, como se sabe, &eacute; associado a multinacionais como Goldman Sachs, Buena Vista-Disney e Telef&ocirc;nica; controla o jornal &ndash; Clar&iacute;n &ndash; mais vendido, as emissoras de r&aacute;dio de maior audi&ecirc;ncia em Buenos Aires, uma das principais redes de TV aberta, canais a cabo, sites de internet, produtoras de cinema e TV e operadoras de telefonia celular, entre outros neg&oacute;cios (ver neste OI &quot;Grupo Clar&iacute;n: O dono da boca&quot;).<\/p>\n<p><\/span><span>O enfretamento recrudesceu com a inten&ccedil;&atilde;o declarada pelo governo argentino de criar, em parceria com a Facultad de Ciencias Sociales da Universidad de Buenos Aires, um &quot;Observatorio dos Medios&quot; que teria por objetivo promover &quot;a liberdade de que todas as vozes, plurais e democr&aacute;ticas, possam ter acesso aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&quot;. Para o governo argentino, a cobertura que a m&iacute;dia argentina faz &eacute; &quot;discriminat&oacute;ria&quot; e n&atilde;o oferece uma &quot;vis&atilde;o imparcial da realidade&quot;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Inclus&atilde;o digital<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Ao lado da confirma&ccedil;&atilde;o do poder de agenda dos grandes grupos de m&iacute;dia, aqui e alhures, continuam surgindo tamb&eacute;m informa&ccedil;&otilde;es sobre o acelerado avan&ccedil;o da inclus&atilde;o digital entre n&oacute;s.<\/p>\n<p><\/span><span>Foi publicado no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o (7\/4\/2008) o decreto n&ordm; 6424, assinado pelo presidente da Rep&uacute;blica no dia 4 de abril. Esse decreto determina que as operadoras de telefonia fixa criem as condi&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas (vale dizer, instalem os backhaul) para que a banda larga alcance todos os munic&iacute;pios brasileiros. <\/p>\n<p><\/span><span>Junto &agrave; publica&ccedil;&atilde;o do decreto o governo anunciou tamb&eacute;m (em 8\/4) um acordo com as teles que prev&ecirc; a instala&ccedil;&atilde;o de conex&atilde;o de banda larga &ndash; sem custos para os governos (federal, estaduais e municipais) &ndash; em cada uma das 56 mil escolas p&uacute;blicas urbanas at&eacute; o vencimento dos atuais contratos de concess&atilde;o, em 2025. Todas as escolas p&uacute;blicas dever&atilde;o ter a banda larga instalada e funcionando at&eacute; 2010. <\/p>\n<p><\/span><span>Apesar das cr&iacute;ticas de que, na forma como ficou, o decreto favorece as teles e sufoca os provedores regionais e comunit&aacute;rios, e de que o acordo para instala&ccedil;&atilde;o da banda larga nas escolas esconde a entrega da explora&ccedil;&atilde;o privada do acesso &agrave; internet &agrave;s teles, ele &eacute;, mesmo assim, um avan&ccedil;o no sentido da inclus&atilde;o digital.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Esperan&ccedil;a<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Ao observador de m&iacute;dia resta apostar que a universaliza&ccedil;&atilde;o da inclus&atilde;o digital possa um dia permitir que o espa&ccedil;o virtual da internet se constitua no espa&ccedil;o p&uacute;blico democr&aacute;tico onde o debate plural e diverso da maioria dos cidad&atilde;os possa acontecer. &Eacute; exatamente isso o que a grande m&iacute;dia privada n&atilde;o tem conseguido oferecer, n&atilde;o s&oacute; do Brasil, mas tamb&eacute;m em outras sociedades democr&aacute;ticas.<font size=\"3\"><\/font><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Eacute; conhecido o argumento de Ign&aacute;cio Ramonet sobre a m&iacute;dia nas sociedades contempor&acirc;neas (ver, neste Observat&oacute;rio, &quot;O quinto poder&quot;). 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