{"id":20980,"date":"2008-04-16T15:34:50","date_gmt":"2008-04-16T15:34:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20980"},"modified":"2008-04-16T15:34:50","modified_gmt":"2008-04-16T15:34:50","slug":"campanha-mundial-pede-restricao-a-publicidade-destinada-as-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20980","title":{"rendered":"Campanha mundial pede restri\u00e7\u00e3o \u00e0 publicidade destinada \u00e0s crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><span>Horas e horas em frente ao computador, &agrave; tev&ecirc; e ao videogame, aliadas &agrave; conseq&uuml;ente redu&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica de exerc&iacute;cios f&iacute;sicos, somados ainda a uma dieta pouco sadia, t&ecirc;m tornado as crian&ccedil;as desta d&eacute;cada mais rechonchudas que o recomend&aacute;vel para sua sa&uacute;de. Este problema j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais exclusividade de pa&iacute;ses ricos, como os EUA. Pesquisas recentes constataram que o Brasil e outros pa&iacute;ses em desenvolvimento t&ecirc;m adotado uma dieta de risco desde a inf&acirc;ncia, com o aumento do consumo excessivo e desbalanceado de calorias e de alimentos de baixo teor nutricional, como biscoitos e refrigerantes.<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo avalia&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), em 2015 haver&aacute; 2,3 bilh&otilde;es de adultos obesos no mundo. Atualmente, 177 milh&otilde;es de crian&ccedil;as j&aacute; t&ecirc;m males de sa&uacute;de porque est&atilde;o acima do peso ou obesas. O excesso de peso &eacute; causa de problemas ortop&eacute;dicos, reumatol&oacute;gicos e psicol&oacute;gicos &mdash; crian&ccedil;as obesas tendem a desenvolver ansiedade, dist&uacute;rbios alimentares e depress&atilde;o, e tamb&eacute;m de isolar-se socialmente. Al&eacute;m disso, a obesidade na inf&acirc;ncia tende a provocar problemas cardiovasculares, hipertens&atilde;o e diabetes na fase adulta.<\/p>\n<p><\/span><span>Diante deste quadro de alerta mundial, a Consumers International (CI), entidade que agrega &oacute;rg&atilde;os de defesa do consumidor de todo o mundo, promove uma campanha para restringir a publicidade de alimentos n&atilde;o saud&aacute;veis dirigida &agrave;s crian&ccedil;as. A campanha foi lan&ccedil;ada mundialmente em 15 de mar&ccedil;o, marcando o Dia Internacional do Consumidor. O objetivo &eacute; propor aos pa&iacute;ses a ado&ccedil;&atilde;o de um c&oacute;digo internacional comum que imponha limites a esse tipo de propaganda, como estrat&eacute;gia contra a obesidade e as doen&ccedil;as a ela associadas. A medida mostra-se urgente, uma vez que a publicidade, reconhecidamente, imp&otilde;e padr&otilde;es de consumo. E quando seu alvo &eacute; a crian&ccedil;a, seu grau de influ&ecirc;ncia &eacute; muito maior.<\/p>\n<p><\/span><span>Em 18 de mar&ccedil;o, o Idec e o Projeto Crian&ccedil;a e Consumo (do Instituto Alana) enviaram uma carta ao presidente Lula, ao Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, &agrave; Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa), &agrave; C&acirc;mara dos Deputados e ao Senado, pedindo para que ap&oacute;iem o c&oacute;digo internacional, na Assembl&eacute;ia Mundial da OMS, a ser realizada entre 19 e 24 de maio em Genebra (Su&iacute;&ccedil;a).<\/p>\n<p><\/span><span>A Anvisa, respons&aacute;vel por regular o setor aliment&iacute;cio no Brasil, vem tentando h&aacute; algum tempo estabelecer uma regulamenta&ccedil;&atilde;o sobre a publicidade de alimentos e bebidas de baixo valor nutricional. Entre novembro de 2006 e abril de 2007, o &oacute;rg&atilde;o colocou o tema sob Consulta P&uacute;blica (CP&nbsp; 71\/06) e recebeu contribui&ccedil;&otilde;es para colocar limites a esse tipo de propaganda. As principais propostas elaboradas pela ag&ecirc;ncia eram bem parecidas com as do C&oacute;digo elaborado pela CI.<\/p>\n<p><\/span><span>&Agrave; &eacute;poca, o Idec assinou embaixo da proposta de que a Anvisa criasse limites para a propaganda de alimentos prejudiciais &agrave; sa&uacute;de e enviou algumas sugest&otilde;es para aprimorar a regulamenta&ccedil;&atilde;o. No entanto, um ano depois, ainda n&atilde;o houve resultado concreto. Em resposta &agrave; Revista do Idec sobre o andamento do processo, a ag&ecirc;ncia informou que est&aacute; em fase de consolida&ccedil;&atilde;o das contribui&ccedil;&otilde;es recebidas. Todavia, ainda n&atilde;o h&aacute; previs&atilde;o de quando o tema ser&aacute; regulamentado. &Eacute; poss&iacute;vel, inclusive, que ele volte &agrave; consulta p&uacute;blica no segundo semestre deste ano, disse a Anvisa, devido &agrave;s pol&ecirc;micas que o envolvem.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Fracasso da auto-regula&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>As &ldquo;pol&ecirc;micas&rdquo; s&atilde;o fruto da discord&acirc;ncia do setor regulado, que n&atilde;o aceita seguir qualquer regra. As ind&uacute;strias aliment&iacute;cias, ag&ecirc;ncias publicit&aacute;rias e meios de comunica&ccedil;&atilde;o defendem a auto-regula&ccedil;&atilde;o, que atualmente vigora no Brasil e em outros pa&iacute;ses. No entanto, este modelo &eacute; insuficiente. O que se v&ecirc; &eacute; um &ldquo;bombardeio&rdquo; de propagandas de alimentos n&atilde;o saud&aacute;veis dirigidos &agrave;s crian&ccedil;as, com conte&uacute;do muitas vezes bastante apelativo.<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo um levantamento da CI, as companhias multinacionais de alimentos, bebidas e doces investiram 13 milh&otilde;es de d&oacute;lares em propaganda, s&oacute; no ano de 2006. No Brasil, o F&oacute;rum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor (FNECDC) tamb&eacute;m fez uma pesquisa sobre o assunto, para colaborar com a campanha internacional. O relat&oacute;rio do estudo aponta que as estrat&eacute;gias de venda desses alimentos, no pa&iacute;s, se valem de brindes, imagens fantasiosas e personagens infantis para atrair as crian&ccedil;as, tanto nos an&uacute;ncios publicit&aacute;rios quanto nas embalagens dos produtos (veja quadro).<\/p>\n<p><\/span><span>Pelo C&oacute;digo de Defesa do Consumidor (art. 37), &ldquo;&eacute; proibida toda publicidade enganosa ou abusiva que (&#8230;) se aproveite da defici&ecirc;ncia de julgamento e experi&ecirc;ncia da crian&ccedil;a&rdquo;. O Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (ECA) tamb&eacute;m pro&iacute;be expressamente a publicidade infantil. Por&eacute;m, tais instrumentos legais n&atilde;o s&atilde;o aplicados por falta de uma regulamenta&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>M&aacute; influ&ecirc;ncia<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Para a advogada Isabella Henriques, coordenadora do Projeto Crian&ccedil;a e Consumo, a publicidade contribui muito para um consumo exagerado de alimentos pouco saud&aacute;veis. &ldquo;Atualmente, mais de 50% de toda a publicidade infantil &eacute; de alimentos, sendo que 80% deles t&ecirc;m alto teor de a&ccedil;&uacute;car, gorduras ou s&oacute;dio&rdquo;.&nbsp; As crian&ccedil;as s&atilde;o v&iacute;timas de uma avalanche de propagandas que, com apelos cada vez mais elaborados, as induzem a querer comer, independente da qualidade do alimento. <\/p>\n<p><\/span><span>Outro problema apontado por Isabella &eacute; que a informa&ccedil;&atilde;o nutricional dos r&oacute;tulos destes alimentos claramente voltados para o p&uacute;blico infantil, em geral, tem como refer&ecirc;ncia a dieta de um adulto. Isso pode iludir os pais menos atentos, que sem saber podem oferecer &agrave; crian&ccedil;a de uma s&oacute; vez um alimento que cont&eacute;m toda a quantidade de a&ccedil;&uacute;car ou gordura que ela deveria consumir num dia, por exemplo.<\/p>\n<p><\/span><span>Para a advogada, qualquer publicidade dirigida a crian&ccedil;as menores de 12 anos deveria ser proibida, com respaldo do ECA e do CDC, porque necessariamente explora a ingenuidade infantil. No entanto, como n&atilde;o h&aacute; impedimento espec&iacute;fico e vigora a auto-regula&ccedil;&atilde;o, o veto a esse tipo de propaganda ainda depende da interpreta&ccedil;&atilde;o do Judici&aacute;rio em consider&aacute;-la excessiva. Por isso, a proposta para coibir definitivamente a propaganda de alimentos n&atilde;o saud&aacute;veis voltada para crian&ccedil;as, evidentemente abusiva, &eacute; muito bem-vinda. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>O que prop&otilde;e o C&oacute;digo?<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O c&oacute;digo elaborado pela CI e pela International Obesity Taskforce, grupo ligado &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o Internacional para o Estudo da Obesidade, prop&otilde;e restri&ccedil;&otilde;es &agrave; propaganda de alimentos com quantidades elevadas de a&ccedil;&uacute;car, gorduras ou s&oacute;dio. Os principais pontos s&atilde;o:<\/span><span>&nbsp;<\/span> <\/p>\n<ul style=\"margin-top: 0cm\">\n<li class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: list 36.0pt\"><span>Proibir esse tipo de publicidade entre 6 horas e 21 horas no r&aacute;dio e na TV, e em qualquer hor&aacute;rio em p&aacute;ginas da internet;<\/span><\/li>\n<li class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: list 36.0pt\"><span>Vetar qualquer tipo de propaganda destes alimentos nas escolas;<\/span><\/li>\n<li class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 0pt; tab-stops: list 36.0pt\"><span>Impedir que sejam inclusos brinquedos, jogos ou itens colecion&aacute;veis nas embalagens destes alimentos, bem como a utiliza&ccedil;&atilde;o de celebridades ou personagens infantis em sua comercializa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Consumers International, entidade que agrega \u00f3rg\u00e3os de defesa do consumidor de todo o mundo, promove uma campanha para restringir a publicidade de alimentos n\u00e3o saud\u00e1veis dirigida \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[727],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20980"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20980"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20980\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}