{"id":20962,"date":"2008-04-15T11:55:52","date_gmt":"2008-04-15T11:55:52","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20962"},"modified":"2008-04-15T11:55:52","modified_gmt":"2008-04-15T11:55:52","slug":"politica-educacional-esquizofrenias-entre-debate-publico-e-debate-midiatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20962","title":{"rendered":"Pol\u00edtica educacional: esquizofrenias entre debate p\u00fablico e debate midi\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<p><em>Quando os gestores p&uacute;blicos se retiram do debate frente a frente com a sociedade, a rela&ccedil;&atilde;o entre Estado e organiza&ccedil;&otilde;es, movimentos, universidades e sindicatos &#8211; no limite &ndash; passa a ser mediada pela m&iacute;dia, que, por sua vez, n&atilde;o d&aacute; voz a estes &uacute;ltimos. O di&aacute;logo vira uma guerra de mon&oacute;logos.<\/p>\n<p><\/em>A hist&oacute;ria &eacute; simples, mas o debate &eacute; complexo e tem uma s&eacute;rie de implica&ccedil;&otilde;es. Na &uacute;ltima semana, nos dias 10 e 11 de abril, a A&ccedil;&atilde;o Educativa realizou um semin&aacute;rio para discutir as recentes mudan&ccedil;as na educa&ccedil;&atilde;o paulista, anunciadas pela Secretaria Estadual de Educa&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito da gest&atilde;o, do curr&iacute;culo e da profiss&atilde;o docente e contidas no documento chamado &ldquo;Uma nova agenda para a educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica&rdquo;. O documento afirma que os &uacute;ltimos censos escolares e avalia&ccedil;&otilde;es de aprendizagem apontam que &ldquo;o desempenho insuficiente do sistema&rdquo; &eacute; o principal problema da educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>A inten&ccedil;&atilde;o do encontro era reunir gestores p&uacute;blicos da SEE, pesquisadores, profissionais da educa&ccedil;&atilde;o, jornalistas que cobrem o campo da educa&ccedil;&atilde;o e dos direitos humanos em jornais paulistas e representantes de ONGs, movimentos e sindicatos para possibilitar que a Secretaria apresentasse o Plano, expondo objetivos, princ&iacute;pios e a&ccedil;&otilde;es, para que se pudesse entender a reforma no seu conjunto; e provocar o debate sobre as reformas, envolvendo atores estrat&eacute;gicos na formula&ccedil;&atilde;o, implanta&ccedil;&atilde;o e controle das pol&iacute;ticas educacionais, como a universidade, profissionais da educa&ccedil;&atilde;o, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil e trabalhadores da imprensa.<\/p>\n<p>Contatada com um m&ecirc;s de anteced&ecirc;ncia e tendo confirmado presen&ccedil;a no semin&aacute;rio, a SEE j&aacute; havia informado que a secret&aacute;ria Maria Helena Guimar&atilde;es de Castro n&atilde;o poderia estar no evento, mas enviaria uma representante para a abertura e representantes para as demais mesas de debate, o que seria fundamental para a informa&ccedil;&atilde;o dos participantes do encontro, que desejavam, entre outras coisas, conhecer as propostas da secretaria e como seria sua implementa&ccedil;&atilde;o na pr&aacute;tica. <\/p>\n<p>Tal foi a surpresa dos cerca de 100 participantes do evento na manh&atilde; de abertura na &uacute;ltima quinta, a secretaria n&atilde;o apareceu por meio de nenhum dos seus representantes. Alguns integrantes da mesa de abertura questionaram a aus&ecirc;ncia do &oacute;rg&atilde;o e lamentaram a perda da vis&atilde;o da SEE no debate, que prosseguiu a despeito da sua aus&ecirc;ncia e num grau elevado de qualidade e pertin&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&Eacute;, no m&iacute;nimo, de se entranhar. Por um lado, a SEE teve, recentemente, destaque em ve&iacute;culos de grande circula&ccedil;&atilde;o nacional depois da entrevista da secret&aacute;ria Maria Helena &agrave;s p&aacute;ginas amarelas da Veja e tem, cotidianamente, espa&ccedil;os fixos como fonte da grande m&iacute;dia. Por outro, abriu m&atilde;o do debate corpo a corpo com uma pluralidade de acad&ecirc;micos, pesquisadores e trabalhadores da educa&ccedil;&atilde;o. Por qu&ecirc;? No limite, atribuiu &agrave; m&iacute;dia (a grande m&iacute;dia, privada) o papel de mediar a rela&ccedil;&atilde;o do Estado com a sociedade.<\/p>\n<p>Ora, sabemos que este tem sido, cada vez mais, o papel da comunica&ccedil;&atilde;o (legitimado, geralmente, pelos governos, que sabem que a grande m&iacute;dia tem e defende, no limite, os seus interesses). Neste caso, ficou clara a retirada da secretaria do debate p&uacute;blico e o deslocamento para o debate midi&aacute;tico, que &eacute; &ldquo;terreno seguro&rdquo;. <\/p>\n<p>Mas quando o debate p&uacute;blico se recente da presen&ccedil;a dos gestores e o debate midi&aacute;tico se recente da presen&ccedil;a da sociedade civil e dos movimentos, como fica o di&aacute;logo? Que m&iacute;dia &eacute; esta que promove a media&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que n&atilde;o estamos falando de ve&iacute;culos alternativos e comunit&aacute;rios? Como se d&aacute; esta media&ccedil;&atilde;o? De fato, em defesa do interesse p&uacute;blico? Promovendo o debate? Por que sem pluralidade de vozes, sabemos que este debate &eacute;, na verdade, um mon&oacute;logo. Mon&oacute;logo que as organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos tentam combater com seus ve&iacute;culos pr&oacute;prios e estrat&eacute;gias de ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o midi&aacute;tico que, sabemos, s&atilde;o bem menos eficientes que as a&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&iacute;dia. <\/p>\n<p><em>* Michelle Prazeres &eacute; jornalista, mestre em Comunica&ccedil;&atilde;o e Semi&oacute;tica e integra a coordena&ccedil;&atilde;o do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/em>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando os gestores p&uacute;blicos se retiram do debate frente a frente com a sociedade, a rela&ccedil;&atilde;o entre Estado e organiza&ccedil;&otilde;es, movimentos, universidades e sindicatos &#8211; no limite &ndash; passa a ser mediada pela m&iacute;dia, que, por sua vez, n&atilde;o d&aacute; voz a estes &uacute;ltimos. 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