{"id":20956,"date":"2008-04-14T20:01:05","date_gmt":"2008-04-14T20:01:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20956"},"modified":"2008-04-14T20:01:05","modified_gmt":"2008-04-14T20:01:05","slug":"isabella-nardoni-um-caso-para-nao-esquecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20956","title":{"rendered":"Isabella Nardoni: um caso para n\u00e3o esquecer"},"content":{"rendered":"<p><span>Horror &iacute;ntimo ou voca&ccedil;&atilde;o coletiva para envergar a toga? Catarse pessoal ou sumariza&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a? Trag&eacute;dia ou circo midi&aacute;tico? A morte da menina Isabella Nardoni toca na emo&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s inteiro, qualquer que seja a conclus&atilde;o do inqu&eacute;rito. <\/p>\n<p><\/span><span>O Brasil festeiro, erotizado, apressado, partidarizado e narcisado faz uma breve pausa para pensar. Pensar e sofrer, individuar-se e abandonar a manada equalizadora. Tal como aconteceu com o menino Jo&atilde;o H&eacute;lio, despeda&ccedil;ado nas ruas do Rio em fevereiro de 2007, uma crian&ccedil;a incapaz de emitir mensagens cala a estupidez reinante e avisa que &eacute; hora de incomodar-se. <\/p>\n<p><\/span><span>A dengue, a tremenda press&atilde;o mundial no pre&ccedil;o dos alimentos, o narcotr&aacute;fico, o genoc&iacute;dio no Sud&atilde;o, a guerra religiosa no Iraque, a repress&atilde;o chinesa no Tibete e o &oacute;dio solto no Oriente M&eacute;dio certamente causar&atilde;o a morte de milhares ou milh&otilde;es de crian&ccedil;as pelo mundo afora.<\/p>\n<p><\/span><span>Mas esta crian&ccedil;a singularizada pela trag&eacute;dia, subitamente emudecida por uma bestialidade insuspeitada, despertou nossa humanidade. Numa quest&atilde;o de horas, converteu em &oacute;rf&atilde;os a imensa na&ccedil;&atilde;o dos adultos. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Cora&ccedil;&atilde;o partido<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Ningu&eacute;m se importa com a pr&aacute;tica do infantic&iacute;dio em algumas tribos ind&iacute;genas, defendida com empenho por antrop&oacute;logos (Folha de S.Paulo, 6\/4). A cada dez horas, uma crian&ccedil;a &eacute; assassinada, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de contabiliza, em seis anos, 5.049 mortes de meninos e meninas at&eacute; 14 anos (O Globo, 6\/4). <\/span>Normal. A pedofilia e a prostitui&ccedil;&atilde;o infantil s&atilde;o encaradas com naturalidade, parte da &quot;vida moderna&quot;, incentiva o turismo.<\/p>\n<p>A queda de Isabella deu um tranco nos bons costumes. Por alguns momentos sacudiu modos e modas. Ao contr&aacute;rio de Jo&atilde;o H&eacute;lio, seu companheiro de infort&uacute;nio e mart&iacute;rio, a menina n&atilde;o acionou nossa compuls&atilde;o legiferante. At&eacute; agora n&atilde;o apareceu um pol&iacute;tico oportunista para propor alguma lei absurda contra trag&eacute;dias. <\/p>\n<p>At&eacute; mesmo a parvo&iacute;ce das autoridades incapazes de compreender a quest&atilde;o do segredo de justi&ccedil;a ou as disparatadas suspeitas vocalizadas incessantemente pela m&iacute;dia antes mesmo de investigadas n&atilde;o conseguem sobrepor-se &agrave; soturna perplexidade que, por milagre, infiltra-se nos esp&iacute;ritos. <\/p>\n<p>Imunizada contra a solidariedade, desumanizada por um debate partid&aacute;rio que na realidade s&oacute; responde &agrave; pergunta &quot;o que &eacute; que eu ganho com isso?&quot;, a sociedade brasileira sempre se perfilou no bloco do &quot;n&atilde;o-me-importa&quot;. Envergonha-se de exibir o cora&ccedil;&atilde;o partido, mas agora oferece sutis ind&iacute;cios de sensibiliza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><span><strong>Sentimentos cont&iacute;nuos<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A d&uacute;vida sobre quem matou Isabella &eacute; t&atilde;o dilacerante quanto a certeza de que algu&eacute;m a matou. O filos&oacute;fico e angustiante por qu&ecirc;? come&ccedil;a a equiparar-se ao policialesco quem?. Os enigmas ser&atilde;o desfeitos, culpados logo aparecer&atilde;o &ndash; inevit&aacute;vel. A quest&atilde;o que deve permanecer e atazanar as almas e os esp&iacute;ritos relaciona-se com a mec&acirc;nica da bestialidade. Desafio destinado a n&atilde;o consumar-se, exerc&iacute;cio infind&aacute;vel, por isso salutar tanto para religiosos como para agn&oacute;sticos, para c&eacute;ticos e idealistas, revolucion&aacute;rios e conservadores. Ignorar o animal que convive com o ser humano &eacute; pr&oacute;prio dos b&aacute;rbaros.<\/p>\n<p><\/span><span>Isabella &eacute; uma dolorosa oportunidade para questionamentos. Na&ccedil;&otilde;es aturdidas, empurradas por sensa&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o incapazes de maturar sentimentos cont&iacute;nuos, comprometidos com &eacute;ticas espasm&oacute;dicas.<\/p>\n<p><\/span>A morte de Isabella &eacute; um caso para n&atilde;o esquecer e aguilhoar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Horror &iacute;ntimo ou voca&ccedil;&atilde;o coletiva para envergar a toga? Catarse pessoal ou sumariza&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a? Trag&eacute;dia ou circo midi&aacute;tico? A morte da menina Isabella Nardoni toca na emo&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s inteiro, qualquer que seja a conclus&atilde;o do inqu&eacute;rito. O Brasil festeiro, erotizado, apressado, partidarizado e narcisado faz uma breve pausa para pensar. 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