{"id":20886,"date":"2008-04-07T15:28:17","date_gmt":"2008-04-07T15:28:17","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20886"},"modified":"2008-04-07T15:28:17","modified_gmt":"2008-04-07T15:28:17","slug":"imprensa-nao-tem-direito-a-expor-privacidade-do-reu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20886","title":{"rendered":"Imprensa n\u00e3o tem direito a expor privacidade do r\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p>Emissora de televis&atilde;o n&atilde;o pode mostrar imagens da vida privada sem o conhecimento ou consentimento do personagem, mesmo que esta pessoa seja r&eacute;u em um crime de grande repercuss&atilde;o p&uacute;blica. O entendimento &eacute; da ju&iacute;za Laura de Mattos Almeida, da 12&ordf; Vara C&iacute;vel de S&atilde;o Paulo. A ju&iacute;za confirmou a decis&atilde;o que proibiu a Rede Record de Televis&atilde;o de transmitir qualquer imagem ou voz do promotor de Justi&ccedil;a Thales Ferri Schoedl, em que sejam mostradas situa&ccedil;&otilde;es de sua vida privada. Cabe recurso.<\/p>\n<p>&ldquo;A emissora pode e deve fazer reportagens sobre o crime de que &eacute; acusado o autor. Mas exibir imagens e falas captadas clandestinamente violam o direito &agrave; intimidade e privacidade&rdquo;, considerou a ju&iacute;za. Os advogados da emissora n&atilde;o foram encontrados pela reportagem da revista Consultor Jur&iacute;dico para comentar a decis&atilde;o.<\/p>\n<p>Schoedl &eacute; r&eacute;u confesso de matar um rapaz e ferir outro, em dezembro de 2004. O crime aconteceu em Riviera de S&atilde;o Louren&ccedil;o, condom&iacute;nio de veraneio em Bertioga, no litoral paulista. Schoedl disparou 12 tiros com uma pistola semi-autom&aacute;tica calibre 380 contra dois rapazes que teriam importunado sua namorada. Diego Mondanez foi atingido por dois disparos e morreu na hora. Felipe Siqueira foi baleado quatro vezes, mas sobreviveu.<\/p>\n<p>No m&ecirc;s de agosto do ano passado, a Rede Record, no programa Domingo Espetacular, apresentado por Paulo Henrique Amorim, trouxe reportagem sobre o cotidiano do promotor, com detalhes de sua vida particular. As grava&ccedil;&otilde;es foram feitas com c&acirc;meras e microfones escondidos. Thales aparecia em academia e numa casa noturna, acompanhado de uma garota. A reportagem Promotor acusado de homic&iacute;dio permanece impune foi veiculada tamb&eacute;m em outros programas da emissora.<\/p>\n<p>O advogado do promotor na esfera c&iacute;vel, Frederico Antonio Oliveira de Rezende, do escrit&oacute;rio Mesquita Filho, Masetti Neto Advogados, ajuizou a&ccedil;&atilde;o contra a emissora. Alegou que a reportagem violou os direitos protegidos pelo artigo 5&ordm;, X, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (s&atilde;o inviol&aacute;veis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indeniza&ccedil;&atilde;o pelo dano material ou moral decorrente de sua viola&ccedil;&atilde;o) e caracterizou abuso do direito de imprensa.<\/p>\n<p>Em setembro de 2007, Rezende conseguiu uma liminar contra a Record. A emissora entrou com Agravo no Tribunal de Justi&ccedil;a, que foi julgado improcedente. Na segunda-feira (31\/3), a ju&iacute;za Laura de Mattos Almeida confirmou a decis&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;A emissora de televis&atilde;o, exercendo sua liberdade de express&atilde;o e de imprensa, pode e deve fazer reportagens sobre o crime de que &eacute; acusado o autor. Tal proceder, em princ&iacute;pio, n&atilde;o traduz qualquer abuso ou il&iacute;cito. Ocorre que, na reportagem, que foi levada ao ar diversas vezes, a requerida extrapolou o direito de imprensa&rdquo;, reconheceu.<\/p>\n<p>Para a ju&iacute;za, as imagens do cotidiano do promotor violaram seu direito &agrave; intimidade e privacidade, al&eacute;m de n&atilde;o guardar qualquer rela&ccedil;&atilde;o com a apura&ccedil;&atilde;o do crime do qual Thales Schoedl &eacute; acusado. &ldquo;De fato, a divulga&ccedil;&atilde;o da imagem e da voz do autor, em situa&ccedil;&otilde;es de sua vida cotidiana, como na academia de gin&aacute;stica e numa casa noturna, acompanhado de uma mo&ccedil;a, n&atilde;o tem nenhuma relev&acirc;ncia para o interesse p&uacute;blico. Nada impede a grava&ccedil;&atilde;o de imagens do requerente em locais p&uacute;blicos. Por&eacute;m, constitui ato il&iacute;cito a grava&ccedil;&atilde;o de imagens do autor em ambientes privados, sem seu conhecimento ou consentimento&rdquo;, considerou.<\/p>\n<p>A ju&iacute;za fixou multa di&aacute;ria de R$ 100 mil para cada vez que as cenas do promotor forem ao ar. A ju&iacute;za ressaltou que n&atilde;o pro&iacute;be que a reportagem seja veiculada, mas que n&atilde;o sejam mostradas cenas da vida particular de Schoedl na TV.<\/p>\n<p><strong>Idas e vindas<\/strong><\/p>\n<p>Al&eacute;m da batalha para preservar sua imagem e intimidade, Schoedl luta tamb&eacute;m para seguir sua carreira. O promotor foi exonerado do Minist&eacute;rio P&uacute;blico logo que ocorreu o crime, mas em maio de 2006 Mandado de Seguran&ccedil;a do Tribunal de Justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo revogou a exonera&ccedil;&atilde;o. Schoedl voltou ao cargo a receber sal&aacute;rios e demais vantagens, mas sem exercer suas fun&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>No dia 29 de agosto de 2007, por 16 votos a favor e 15 contra, o Conselho Superior do Minist&eacute;rio P&uacute;blico paulista confirmou o vitaliciamento do promotor e o confirmou no cargo, considerando-o apto a reassumir imediatamente suas fun&ccedil;&otilde;es. O promotor chegou a ser designado para assumir o posto em Jales, mas em seguida entrou de f&eacute;rias, adiando por 30 dias sua volta ao trabalho.<\/p>\n<p>Em 3 de setembro, o Conselho Nacional do Minist&eacute;rio P&uacute;blico reverteu a decis&atilde;o do MP paulista e determinou o afastamento de Schoedl de suas fun&ccedil;&otilde;es. Por liminar, suspendeu ainda o seu vitaliciamento. Com isso, ele perdeu o foro privilegiado e poder&aacute; ser julgado pelo Tribunal do J&uacute;ri. Mas pode ser por pouco tempo. O m&eacute;rito da quest&atilde;o ainda ser&aacute; julgado pelo CNMP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Emissora de televis&atilde;o n&atilde;o pode mostrar imagens da vida privada sem o conhecimento ou consentimento do personagem, mesmo que esta pessoa seja r&eacute;u em um crime de grande repercuss&atilde;o p&uacute;blica. O entendimento &eacute; da ju&iacute;za Laura de Mattos Almeida, da 12&ordf; Vara C&iacute;vel de S&atilde;o Paulo. 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