{"id":20884,"date":"2008-04-07T15:10:34","date_gmt":"2008-04-07T15:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20884"},"modified":"2008-04-07T15:10:34","modified_gmt":"2008-04-07T15:10:34","slug":"jornalista-demitido-acusa-planalto-de-interferir-na-tv-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20884","title":{"rendered":"Jornalista demitido acusa Planalto de interferir na TV Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Primeiro &acirc;ncora da TV Brasil, o jornalista Luiz Lobo, 42, afirma que o Pal&aacute;cio do Planalto interfere no jornalismo praticado pela TV p&uacute;blica federal, lan&ccedil;ada pelo governo Lula, em dezembro, com a promessa de que n&atilde;o seria uma emissora chapa-branca. &quot;Existe, sim, interfer&ecirc;ncia do Planalto l&aacute; dentro. H&aacute; um cuidado que vai al&eacute;m do jornal&iacute;stico&quot;, afirma.<\/p>\n<p>Lobo foi demitido na &uacute;ltima sexta-feira, segundo ele, por ter resistido &agrave;s interfer&ecirc;ncias. Afirma que o Planalto controla o conte&uacute;do das reportagens por meio da jornalista Jaqueline Paiva, mulher do tamb&eacute;m jornalista Nelson Breve, assessor de imprensa da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Lobo era tamb&eacute;m editor-chefe do &quot;Rep&oacute;rter Brasil&quot;, primeiro e &uacute;nico, at&eacute; agora, programa da TV Brasil. Jaqueline ocupa o cargo de coordenadora de telejornais.<\/p>\n<p>Lobo diz que a &quot;press&atilde;o&quot; aumentou nas &uacute;ltimas duas semanas, quando a crise dos cart&otilde;es corporativos atingiu a ministra Dilma Rousseff, com o vazamento de um dossi&ecirc;, elaborado pela Casa Civil, de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, Ruth Cardoso.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o pod&iacute;amos falar em dossi&ecirc;, mas em &quot;levantamento sobre uso dos cart&otilde;es&quot;. Depois, a orienta&ccedil;&atilde;o era falar &quot;suposto dossi&ecirc;&#39;&quot;, relata Lobo.<\/p>\n<p><strong>Autonomia<\/p>\n<p><\/strong>&quot;Todo texto sobre Planalto, Presid&ecirc;ncia, pol&iacute;tica e economia tem que passar por ela [Jaqueline Paiva]. &Eacute; ela quem edita, faz as cabe&ccedil;as [a introdu&ccedil;&atilde;o das reportagens de televis&atilde;o, lida pelo apresentador]. Existe um poder dentro daquela reda&ccedil;&atilde;o. Eu era editor-chefe, mas perdi autonomia at&eacute; para fazer a escalada [as manchetes de um telejornal]. A Jaqueline muda os textos dos rep&oacute;rteres freq&uuml;entemente. H&aacute; muita insatisfa&ccedil;&atilde;o entre os jornalistas&quot;, afirma.<\/p>\n<p>Outro exemplo de interfer&ecirc;ncia, de acordo com Lobo, foi a orienta&ccedil;&atilde;o para, nas reportagens sobre defici&ecirc;ncias da sa&uacute;de p&uacute;blica, informar que o setor sofreu um corte or&ccedil;ament&aacute;rio devido ao fim da CPMF (Contribui&ccedil;&atilde;o Provis&oacute;ria sobre Movimenta&ccedil;&atilde;o Financeira). A derrubada da CPMF foi uma vit&oacute;ria da oposi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Fizemos uma reportagem falando que a verba do SUS [Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de] acabaria antes do fim do ano. A Helena [Chagas, diretora de jornalismo da TV Brasil] me chamou na sala dela e disse que era um absurdo uma mat&eacute;ria daquelas ir ao ar, porque em nenhum momento mencionava a falta dos bilh&otilde;es da CPMF&quot;, diz.<\/p>\n<p>Lobo e Jaqueline Paiva travavam embates quase di&aacute;rios na reda&ccedil;&atilde;o de Bras&iacute;lia da TV Brasil. Para o jornalista, a fun&ccedil;&atilde;o de Jaqueline deveria ser a de dar direcionamento ao telejornal, n&atilde;o a de edit&aacute;-lo. &quot;Nunca gravei nem uma nota que ela [Jaqueline Paiva] n&atilde;o revisasse. N&atilde;o vou dizer que fui um editor-chefe de faz-de-conta porque lutei muito&quot;, afirma.<\/p>\n<p>Para Lobo, o espa&ccedil;o dado &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o na TV Brasil &eacute; um disfarce. &quot;A forma que se encontrou para mostrar que a TV n&atilde;o era chapa-branca foi ouvir os dois lados. Mas isso &eacute; obrigat&oacute;rio no jornalismo.&quot;<\/p>\n<p>A demiss&atilde;o de Lobo ocorreu dois dias depois de ele, como conta, ter relatado interfer&ecirc;ncias a Orlando Senna, diretor-geral da TV Brasil.<\/p>\n<p>O jornalista, que trabalhou durante seis anos na PBS (TV p&uacute;blica americana), afirma que continua acreditando no projeto: &quot;Sou defensor da TV Brasil. Ainda acredito no projeto de uma TV p&uacute;blica. Mas de dom&iacute;nio p&uacute;blico, n&atilde;o estatal&quot;.<\/p>\n<p><strong>&#39;O que a gente faz &eacute; jornalismo&#39;, diz Helena Chagas<\/p>\n<p><\/strong>&quot;Tudo o que est&aacute; ali [no telejornal] &eacute; responsabilidade minha. Jaqueline [Paiva] n&atilde;o &eacute; interventora. N&oacute;s demos mat&eacute;rias sobre o dossi&ecirc; todos os dias. Levo muita cr&iacute;tica por ser muito chapa-preta. Mas o que a gente faz n&atilde;o &eacute; chapa-preta nem branca. &Eacute; jornalismo&quot;, diz. Helena afirma que a decis&atilde;o de contratar Jaqueline foi dela. &quot;A Jaqueline trabalhava comigo no SBT, est&aacute; acostumada a trabalhar comigo.&quot;<\/p>\n<p>A diretora diz que demitiu Luiz Lobo, principalmente, por &quot;incompatibilidade&quot; com a fun&ccedil;&atilde;o de editor-chefe. Conta que ele, desde dezembro, se recusava a assinar contrato. A jornada prevista era de 30 horas semanais e ele s&oacute; se dispunha a trabalhar das 16h &agrave;s 22h.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o d&aacute; para ser editor-chefe de jornal entrando &agrave;s 16h. &Eacute; incompat&iacute;vel. Como Jaqueline &eacute; chefe de telejornais, portanto acima dele [Lobo], e como ele n&atilde;o comparecia, &eacute; claro que os textos passavam por ela&quot;, afirma.<\/p>\n<p>Lobo contesta. Diz que chegava &agrave; TV Brasil &agrave;s 10h30, sa&iacute;a &agrave;s 13h30 e retornava &agrave;s 16h. Apenas nas &uacute;ltimas semanas, quando a &quot;press&atilde;o se tornou insuport&aacute;vel&quot;, &eacute; que passou a entrar &agrave;s 16h, diz.<\/p>\n<p>Helena confirma a cobran&ccedil;a da informa&ccedil;&atilde;o do fim da CPMF em reportagem sobre sa&uacute;de p&uacute;blica. &quot;Eu cheguei e falei que faltava um detalhe na mat&eacute;ria: faltam os R$ 30 bilh&otilde;es da CPMF, em nome do bom jornalismo. N&atilde;o foi um epis&oacute;dio pol&iacute;tico, mas um reparo jornal&iacute;stico&quot;, diz.<\/p>\n<p>A diretora tamb&eacute;m confirma a orienta&ccedil;&atilde;o para o uso de &quot;suposto dossi&ecirc;&quot;. &quot;O tempo todo eu pedi &quot;suposto dossi&ecirc;.&quot; Acho que &eacute; mais correto do ponto de vista jornal&iacute;stico.&quot;<\/p>\n<p>Para Helena Chagas, Luiz Lobo resolveu acusar interfer&ecirc;ncia no jornalismo da TV Brasil porque &quot;est&aacute; ressentido&quot; por ter sido demitido.<\/p>\n<p>Jaqueline Paiva tamb&eacute;m se defende da acusa&ccedil;&atilde;o de &quot;interventora&quot;. &quot;Sou uma mulher de televis&atilde;o. O que mais gosto &eacute; de not&iacute;cia&quot;, diz, lembrando seus dez anos de Record, um de Globo e um de SBT, al&eacute;m de um mestrado na UnB. &quot;Tenho vida profissional em Bras&iacute;lia que me habilita para o cargo&quot;, afirma.<\/p>\n<p>A jornalista nega que tenha assumido fun&ccedil;&otilde;es de editor-chefe. Diz que sua fun&ccedil;&atilde;o era a de discutir com os editores o conte&uacute;do do telejornal. &quot;Jamais fechei um texto sem o editor junto.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro &acirc;ncora da TV Brasil, o jornalista Luiz Lobo, 42, afirma que o Pal&aacute;cio do Planalto interfere no jornalismo praticado pela TV p&uacute;blica federal, lan&ccedil;ada pelo governo Lula, em dezembro, com a promessa de que n&atilde;o seria uma emissora chapa-branca. &quot;Existe, sim, interfer&ecirc;ncia do Planalto l&aacute; dentro. 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