{"id":20880,"date":"2008-04-07T13:09:59","date_gmt":"2008-04-07T13:09:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20880"},"modified":"2008-04-07T13:09:59","modified_gmt":"2008-04-07T13:09:59","slug":"a-nova-cara-da-cctci","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20880","title":{"rendered":"A nova cara da CCTCI"},"content":{"rendered":"<p><em>A Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o deve acontecer a partir de uma grande constru&ccedil;&atilde;o que, ao final, dir&aacute; ao governo qual &eacute; a cara do Brasil. A partir da&iacute;, o deputado baiano Walter Pinheiro (quatro mandatos na C&acirc;mara Federal) imagina que &eacute; poss&iacute;vel elaborar uma nova regula&ccedil;&atilde;o capaz de incluir regras democratizantes para o setor e reduzir &quot;a grande desigualdade social&quot; no Pa&iacute;s. Para isso, o parlamentar dever&aacute; se manter firme em suas proposi&ccedil;&otilde;es e enfrentar, entre outros desafios, uma lideran&ccedil;a sobre os deputados &quot;donos da m&iacute;dia&quot; na CCTCI.<\/p>\n<p>A democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, a inclus&atilde;o social e a converg&ecirc;ncia digital est&atilde;o entre as lutas assumidas no mandato do deputado federal pelo Estado da Bahia Walter Pinheiro (PT). Desde mar&ccedil;o, o parlamentar responde pela presid&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) da C&acirc;mara Federal, onde s&atilde;o debatidos projetos que, segundo ele, visam garantir o acesso igualit&aacute;rio dos cidad&atilde;os &agrave; realidade produzida com a entrada das novas tecnologias. O deputado enfrenta o desafio de manter na pauta da CCTCI a discuss&atilde;o sobre as concess&otilde;es em radiodifus&atilde;o, num ambiente compartilhado com parlamentares que s&atilde;o propriet&aacute;rios de meios de comunica&ccedil;&atilde;o (<\/em><a href=\"http:\/\/www.fndc.org.br\/internas.php?p=noticias&amp;cont_key=236850\"><em>leia mat&eacute;ria<\/em><\/a><em>).<\/p>\n<p>Nesta entrevista exclusiva ao e-F&oacute;rum, Walter Pinheiro fala da necessidade de se realizar a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o e garante que, &agrave; frente da CCTCI, manter&aacute; a &ldquo;bandeira&rdquo; das lutas populares em nome da democracia, liberdade, cidadania e a inclus&atilde;o social.<\/em> <\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>Qual a import&acirc;ncia de se realizar uma Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o nesse ano?<br \/>Walter Pinheiro<\/strong> &mdash; O Brasil esta vivendo uma explos&atilde;o enorme de rela&ccedil;&atilde;o com as novas ferramentas de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o. Diante disso, temos a necessidade muito clara de mexer no marco legal do setor. A id&eacute;ia de realizar a confer&ecirc;ncia &eacute; de que ela seja um instrumento capaz de fazer a leitura dessa explos&atilde;o e de como isso pode ser processado num pa&iacute;s imenso e desigual como o Brasil. A confer&ecirc;ncia pode ser o canal de escuta para os pontos mais long&iacute;nquos do pa&iacute;s, pode sensibilizar a C&acirc;mara dos Deputados a trabalhar uma legisla&ccedil;&atilde;o onde a prioridade &eacute; a universaliza&ccedil;&atilde;o dos meios. <\/p>\n<p>Portanto, a confer&ecirc;ncia n&atilde;o pode ser vista como uma coisa advers&aacute;ria, algo que trama contra a comunica&ccedil;&atilde;o, ou contra esse ou aquele grupo. N&oacute;s queremos a confer&ecirc;ncia para discutir o uso da comunica&ccedil;&atilde;o como ferramenta de democratiza&ccedil;&atilde;o, de equaliza&ccedil;&atilde;o das oportunidades nos mercados de produ&ccedil;&atilde;o, cultural e da distribui&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso entender que esse pa&iacute;s n&atilde;o est&aacute; centrado em dois ou tr&ecirc;s estados, mas em de 27 unidades que precisam ter oportunidades nesse cen&aacute;rio de interatividade. A confer&ecirc;ncia, em seu resultado mais amplo, dever&aacute; ser uma esp&eacute;cie de grande constru&ccedil;&atilde;o para dizer ao governo: essa &eacute; a cara do Brasil. Isso &eacute; o que pensa e deseja o brasileiro. Portanto, precisamos construir regras que contemplem essa grande desigualdade e n&atilde;o os interesses localizados nos grandes centros, ou dos grupos de interesse, principalmente na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>&Eacute; poss&iacute;vel tirar da confer&ecirc;ncia um novo marco regulat&oacute;rio para o setor?<br \/><\/strong>Walter Pinheiro &mdash; A id&eacute;ia &eacute; usar a confer&ecirc;ncia como um espa&ccedil;o de elabora&ccedil;&atilde;o de um marco regulat&oacute;rio para contribuir com o governo nesse sentido, pois a legisla&ccedil;&atilde;o que existe j&aacute; ficou velha, n&atilde;o pelo fato do tempo, mas pela acelera&ccedil;&atilde;o dos processos. A lei de radiodifus&atilde;o vem da d&eacute;cada de 60 e est&aacute; obsoleta. A confer&ecirc;ncia pode elaborar o material que posteriormente o Executivo transformar&aacute; em projeto a ser enviado ao Congresso Nacional e da&iacute; gerar, quem sabe, a nova legisla&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o social e eletr&ocirc;nica para o Pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>Quais os pontos mais urgentes a serem tratados no Pa&iacute;s, em termos de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o? <br \/><\/strong>Walter Pinheiro &mdash; Em minha opini&atilde;o, a quest&atilde;o do acesso &ndash; a inclus&atilde;o digital &ndash; traduz muito bem os pontos urgentes. A gente fala de um pa&iacute;s onde a venda de computador cresceu. Mas todo mundo que comprou pode acessar a internet? O pre&ccedil;o &eacute; acess&iacute;vel a todos? Mesmo que voc&ecirc; diga que o computador barateou, quem o adquiriu vai poder continuar pagando uma conta mensal superior a 30, 40 reais para poder usar essa &agrave; internet e se comunicar? Essa quest&atilde;o &eacute; importante.<\/p>\n<p>E mais. A grande car&ecirc;ncia do Brasil era s&oacute; voz? Era levar o telefone p&uacute;blico para tudo quanto &eacute; lugar? J&aacute; est&aacute; todo mundo universalizado s&oacute; porque conseguimos colocar telefone numa aldeia? Isso &eacute; muito pouco, se levarmos em considera&ccedil;&atilde;o que o pa&iacute;s est&aacute; discutindo temas de ponta. <\/p>\n<p>Um exemplo: TV digital com interatividade. Para quem? S&oacute; para quem est&aacute; nas avenidas de classe m&eacute;dia dos grandes centros. Mas estamos falando de interatividade para todos e quaisquer brasileiros espalhados pelo Pa&iacute;s. Por isso, a quest&atilde;o do acesso &eacute; um tema central, um direito universal. A comunica&ccedil;&atilde;o deve ser como o direito de ir e vir. <\/p>\n<p><strong>Como garantir esse acesso, diante da desigualdade social?<br \/><\/strong>Walter Pinheiro &mdash; &Eacute; importante o governo construir determinados n&iacute;veis de obriga&ccedil;&atilde;o. Estamos discutindo universaliza&ccedil;&atilde;o com as empresas que ganharam concess&atilde;o para explorar a terceira gera&ccedil;&atilde;o na telefonia. Elas t&ecirc;m a obriga&ccedil;&atilde;o de fazer chegar a cada canto do Pa&iacute;s os servi&ccedil;os e a infra-estrutura. Agora, por exemplo, teremos 55 mil escolas linkadas no Brasil, mas n&atilde;o basta chegar s&oacute; nelas. Se os servi&ccedil;os j&aacute; chegam &agrave;s escolas, por que n&atilde;o disponibilizar para toda a cidade, transform&aacute;-las em cidades digitais?<\/p>\n<p>Para obter isso, temos que ir criando obriga&ccedil;&otilde;es, utilizando recursos extra&iacute;dos de fundos como o Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico das Telecomunica&ccedil;&otilde;es), o Fust (Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es) e tamb&eacute;m o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico), na expectativa de permitir a consolida&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os essenciais que atendam a popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Qual a proposta da subcomiss&atilde;o de radiodifus&atilde;o (recentemente criada)?<br \/><\/strong>Walter Pinheiro &mdash; A subcomiss&atilde;o tentar&aacute; trabalhar alguns temas pol&ecirc;micos que foram esquecidos. Fruto da concentra&ccedil;&atilde;o e do direcionamento do debate &agrave; TV digital, o r&aacute;dio digital, por exemplo, ficou completamente esquecido no Brasil. Padr&otilde;es e medidas foram sendo adotados sem que tiv&eacute;ssemos a oportunidade de promover um debate, uma avalia&ccedil;&atilde;o de mercado, de marco regulat&oacute;rio, de interesses e, principalmente, a quest&atilde;o do conte&uacute;do. <\/p>\n<p>A Anatel [Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es], por exemplo, est&aacute; discutindo atualmente o espectro de freq&uuml;&ecirc;ncia, mas n&oacute;s, aqui na CCTCI, n&atilde;o temos acompanhado isso. As freq&uuml;&ecirc;ncias que eram utilizadas por servi&ccedil;o anal&oacute;gico, que passar&atilde;o a ser digitais, est&atilde;o sendo devolvidas e a ag&ecirc;ncia faz a dissimula&ccedil;&atilde;o do uso dessas freq&uuml;&ecirc;ncias sem levar em considera&ccedil;&atilde;o a quest&atilde;o da radiodifus&atilde;o. Isso prejudica as r&aacute;dios comunit&aacute;rias, na medida em que o espectro &eacute; sempre distribu&iacute;do para servir as telecomunica&ccedil;&otilde;es, faltando freq&uuml;&ecirc;ncia para atender &agrave; necessidade crescente de instalar r&aacute;dios comunit&aacute;rias no pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m h&aacute; a quest&atilde;o da auto-regula&ccedil;&atilde;o. Agora mesmo, aqui no Congresso Nacional, existe a pol&ecirc;mica sobre uma audi&ecirc;ncia que trata da proibi&ccedil;&atilde;o de publicidade de bebidas. H&aacute; pessoas que levantam discuss&otilde;es sobre a proibi&ccedil;&atilde;o da propaganda que explora a nudez e acirra a libido sexual, que trama contra a moral e outras. Existem v&aacute;rias propostas encaminhadas. <\/p>\n<p>Se n&atilde;o for feita uma discuss&atilde;o mais qualificada, a gente termina no falso moralismo, numa seara de completa falta de qualidade para ajustar o que significaria uma programa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Um problema hoje muito s&eacute;rio &eacute; o fato de a Anatel ter determinadas atribui&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o termos uma legisla&ccedil;&atilde;o que trate disso no Brasil. Ent&atilde;o, a id&eacute;ia da subcomiss&atilde;o &eacute; tratar esses temas, n&atilde;o deixar eles se tornarem perif&eacute;ricos e sucumbir.<\/p>\n<p><strong>A CCTCI tem em sua composi&ccedil;&atilde;o parlamentares que s&atilde;o donos de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o. Isso dificulta tratar de temas como as concess&otilde;es, por exemplo. Na presid&ecirc;ncia da comiss&atilde;o, como o senhor pretende ultrapassar essa barreira?<br \/><\/strong>Walter Pinheiro &mdash; Essa &eacute; uma pol&ecirc;mica que extrapola a comiss&atilde;o. &Eacute; um debate que a comiss&atilde;o, por si s&oacute;, n&atilde;o tem capacidade de resolver, por&eacute;m, tem a obriga&ccedil;&atilde;o de suscitar. A quest&atilde;o precisa ser sempre provocada, at&eacute; porque, uma das condi&ccedil;&otilde;es para que o sujeito vire deputado &eacute; que ele se desvincule daquilo que &eacute; considerado concess&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos. Ent&atilde;o, &eacute; importante que a gente possa dar o exemplo. <\/p>\n<p><strong>A subcomiss&atilde;o discutir&aacute; as radicom?<br \/><\/strong>Walter Pinheiro &mdash; N&oacute;s at&eacute; j&aacute; abrimos esse debate, come&ccedil;amos a fazer a aprecia&ccedil;&atilde;o de um projeto de anistia a pessoas punidas por terem aberto r&aacute;dios comunit&aacute;rias no Brasil. Levando-se em considera&ccedil;&atilde;o que diversos pedidos feitos at&eacute; hoje sequer foram analisados e muitos deles foram arquivados como impr&oacute;prios, esse debate &eacute; fundamental. E n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s radicom, mas tamb&eacute;m referente &agrave; TV comunit&aacute;ria, aos quiosques p&uacute;blicos, ao acesso comunit&aacute;rio.<\/p>\n<p><em>*Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Fabiana Reinholz<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parlamentar defende Confer\u00eancia Nacional como espa\u00e7o de elabora\u00e7\u00e3o do novo marco regulat\u00f3rio do setor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[710],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20880"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20880\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}