{"id":20856,"date":"2008-04-03T20:43:51","date_gmt":"2008-04-03T20:43:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20856"},"modified":"2008-04-03T20:43:51","modified_gmt":"2008-04-03T20:43:51","slug":"o-caso-isabella-nardoni-e-uma-nova-escola-base","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20856","title":{"rendered":"O caso Isabella Nardoni \u00e9 uma nova Escola Base?"},"content":{"rendered":"<p><em>O Di&aacute;rio de S.Paulo apostou todas as suas fichas em uma hip&oacute;tese, a de que o pai de Isabella est&aacute; envolvido na morte da filha. Se ele de fato estiver, o jornal tripudiou sobre um assassino. Se n&atilde;o estiver, acabou com a vida de um homem inocente. O bom jornalismo poderia evitar este tipo de atitude intempestiva. Ao que parece, a li&ccedil;&atilde;o da Escola Base j&aacute; come&ccedil;ou a ser esquecida.<\/em> <\/p>\n<h1><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/img_upload\/capa_diario.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"320\" \/><br \/><\/h1>\n<div id=\"artigo\">\n<p>O epis&oacute;dio da morte da menina Isabella Oliveira Nardoni, de 5 anos, que est&aacute; comovendo o pa&iacute;s, e &eacute; um desses casos policiais repletos de mist&eacute;rios e que pode at&eacute; ter um final surpreendente. A partir da hist&oacute;ria contada pelo pai e pela madrasta da menina &agrave; pol&iacute;cia, as suspeitas se voltaram justamente contra o casal, especialmente o pai: segundo o relato, ele teria subido para o apartamento com Isabella j&aacute; adormecida, colocado ela na cama, trancado a porta e retornado para a garagem a fim de ajudar sua mulher a subir com os dois filhos do casal, meio-irm&atilde;os da garota. Quando enfim os dois voltaram ao apartamento com as crian&ccedil;as, a porta estaria aberta, a luz do quarto dos irm&atilde;os de Isabella acesa, e a rede de prote&ccedil;&atilde;o, cortada. Por ali a menina teria sido jogada para a morte.<\/p>\n<p>Uma s&eacute;rie de ind&iacute;cios, por&eacute;m, colocaram em xeque a vers&atilde;o do pai e da madrasta: havia vest&iacute;gios de sangue no apartamento, Isabella parece ter morrido por asfixia e quebrou apenas um pulso na queda. H&aacute; tamb&eacute;m o relato de vizinhos que teriam ouvido a menina gritar &quot;P&aacute;ra, pai! P&aacute;ra, pai!&quot;. Tudo isto deu motivo para que uma delegada que acompanha o caso tenha chamado o pai de Isabella de assassino na sa&iacute;da do depoimento &agrave; pol&iacute;cia. Segundo informa&ccedil;&atilde;o publicada nos jornais, h&aacute; entre os investigadores quem acredite que Isabella sequer foi jogada pela janela.<\/p>\n<p>A soma dos ind&iacute;cios sem d&uacute;vida pode levar o p&uacute;blico a desconfiar da hist&oacute;ria contada pelo pai e pela madrasta da crian&ccedil;a morta, mas n&atilde;o pode de maneira alguma permitir que os respons&aacute;veis pela publica&ccedil;&atilde;o das reportagens sobre o caso tratem o casal como culpados ou mesmo suspeitos em um momento t&atilde;o inicial das investiga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Condenado a priori<\/p>\n<p><\/strong>Quando estourou o caso da Escola Base, hoje um exemplo estudado nas faculdades sobre o que n&atilde;o deve ser feito em mat&eacute;ria de jornalismo policial, um &uacute;nico jornal desconfiou da hist&oacute;ria e se recusou a dar uma linha sobre a cascata. Quando o caso foi elucidado e a inoc&ecirc;ncia dos donos da escola restou provada, houve quem sugerisse que o hoje extinto Di&aacute;rio Popular recebesse, naquele ano, o Pr&ecirc;mio Esso de jornalismo pela n&atilde;o publica&ccedil;&atilde;o das mat&eacute;rias. <\/p>\n<p>Tempos depois, o Di&aacute;rio Popular foi vendido para as Organiza&ccedil;&otilde;es Globo e mudou de nome para Di&aacute;rio de S.Paulo. Pelo visto, mudou tamb&eacute;m de car&aacute;ter: a primeira p&aacute;gina reproduzida abaixo, da edi&ccedil;&atilde;o de ter&ccedil;a-feira (1\/4), configura um verdadeiro crime contra o bom jornalismo. N&atilde;o se trata aqui de defender o pai de Isabella &ndash; ele pode at&eacute; ser culpado pela morte da filha &ndash;, mas de constatar que a capa do Di&aacute;rio fere os princ&iacute;pios mais b&aacute;sicos da &eacute;tica jornal&iacute;stica e da presun&ccedil;&atilde;o da inoc&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Um c&iacute;nico pode alegar que tudo que est&aacute; na manchete do jornal &eacute; verdadeiro, o Di&aacute;rio n&atilde;o veiculou informa&ccedil;&atilde;o falsa nem acusou peremptoriamente o pai de Isabella de assassinato. Sim, e provavelmente esta capa passou pelo departamento jur&iacute;dico do jornal para avaliar se ela poderia ser objeto de processo. A manchete certamente tamb&eacute;m cumpriu o objetivo de fazer o jornal vender mais. Os respons&aacute;veis pela publica&ccedil;&atilde;o sabem, tamb&eacute;m, que esta manchete destruiu a reputa&ccedil;&atilde;o do pai de Isabella. Ainda que no final das investiga&ccedil;&otilde;es o assassino seja outra pessoa, como bem observou na ter&ccedil;a-feira (2\/4) o jornalista Cl&oacute;vis Rossi na Folha de S.Paulo, o pai de Isabella j&aacute; foi condenado pela imprensa. No caso do Di&aacute;rio de S.Paulo, foi condenado e exposto com requintes de crueldade.<\/p>\n<p><strong>Li&ccedil;&atilde;o esquecida<\/p>\n<p><\/strong>Para o advogado do casal, a menina realmente gritou, mas foi por ajuda: teria sido algo como &quot;P&aacute;ra, p&aacute;ra! Pai, pai!&quot;, o que tamb&eacute;m faz sentido se ele estivesse sendo atacada por uma terceira pessoa. A quem mais ela poderia recorrer sen&atilde;o ao pai?<\/p>\n<p>O Di&aacute;rio de S.Paulo apostou todas as suas fichas em uma hip&oacute;tese, a de que o pai de Isabella est&aacute; envolvido na morte da filha. Se ele de fato estiver, o jornal tripudiou sobre um assassino. Se n&atilde;o estiver, acabou com a vida de um homem inocente. O bom jornalismo poderia evitar este tipo de atitude intempestiva. Ao que parece, a li&ccedil;&atilde;o da Escola Base j&aacute; come&ccedil;ou a ser esquecida.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Di&aacute;rio de S.Paulo apostou todas as suas fichas em uma hip&oacute;tese, a de que o pai de Isabella est&aacute; envolvido na morte da filha. Se ele de fato estiver, o jornal tripudiou sobre um assassino. Se n&atilde;o estiver, acabou com a vida de um homem inocente. 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