{"id":20848,"date":"2008-04-03T13:42:36","date_gmt":"2008-04-03T13:42:36","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20848"},"modified":"2008-04-03T13:42:36","modified_gmt":"2008-04-03T13:42:36","slug":"massificacao-da-banda-larga-muito-discurso-e-pouca-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20848","title":{"rendered":"Massifica\u00e7\u00e3o da banda larga: muito discurso e pouca a\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span>Apesar do grande volume de discuss&otilde;es sobre a massifica&ccedil;&atilde;o da banda larga no Brasil, o assunto permanece pendente em uma eterna queda-de-bra&ccedil;o entre os players, como operadoras e fabricantes, e o governo. Isso ficou muito claro durante o 13&ordm; Encontro Tele.S&iacute;ntese, realizado nesta segunda-feira em S&atilde;o Paulo, que contou com a participa&ccedil;&atilde;o de representantes dos dois lados. Mesmo com todos adotando o discurso de trabalho conjunto entre as iniciativas privada e p&uacute;blica, no final as empresas colocam a responsabilidade no colo do governo, e vice-versa.<\/p>\n<p><\/span><span>As principais exig&ecirc;ncias pelo lado das operadoras e fabricantes dizem respeito a impostos e regulamenta&ccedil;&atilde;o. &quot;Para promovermos a massifica&ccedil;&atilde;o da banda larga, ou seja, para que todos os usu&aacute;rios do Pa&iacute;s tenham acesso ao servi&ccedil;o, o impacto do governo &eacute; importante, principalmente em rela&ccedil;&atilde;o aos tributos. Na banda larga m&oacute;vel os impostos s&atilde;o 20% superiores aos da fixa. E a tributa&ccedil;&atilde;o sobre as novas redes &eacute; uma arrecada&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o existe, ent&atilde;o, se o governo quer mesmo massificar o acesso, n&atilde;o deveria falar em tribut&aacute;-lo&quot;, defendeu Marcelo Pereira, diretor da receita da Claro Brasil. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s licita&ccedil;&otilde;es e aos contratos de concess&atilde;o, os empres&aacute;rios cobram mais garantias e prote&ccedil;&atilde;o aos investimentos. &quot;Quando uma empresa analisa investimentos pesados, como &eacute; o caso de aumento e melhoria de redes, quer garantias, como por exemplo, de que n&atilde;o haver&aacute; desagrega&ccedil;&atilde;o pelo menos no curto prazo&quot;, comentou Rodrigo Uchoa, diretor da Cisco do Brasil.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Patinhos feios<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>O grande desafio continua sendo levar o acesso r&aacute;pido de forma acess&iacute;vel &agrave;s regi&otilde;es consideradas pouco interessantes pelas operadoras, onde predominam principalmente as classes C e D, como o Norte e Nordeste do Pa&iacute;s. Um passo considerado importante j&aacute; est&aacute; sendo dado pelo governo, que dever&aacute; assinar agora no come&ccedil;o de abril o aditivo aos contratos de concess&atilde;o das telefonias fixas que substitui a obriga&ccedil;&atilde;o de instalar os chamados PSTs (Postos de Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es) pela implanta&ccedil;&atilde;o de um backhaul para a inclus&atilde;o digital. <\/p>\n<p>No entanto, o problema da &uacute;ltima milha continua. &quot;Nas &aacute;reas mais densamente populadas ainda n&atilde;o h&aacute; um modelo de neg&oacute;cios para levar a banda larga para as classes mais baixas, como aconteceu com a telefonia m&oacute;vel. Penso que um caminho seria a publicidade, mas os atores desse setor ainda n&atilde;o foram envolvidos na discuss&atilde;o. No entanto, nas &aacute;reas com a popula&ccedil;&atilde;o mais pulverizada o problema &eacute; maior, pois n&atilde;o h&aacute; demanda batendo &agrave; porta para justificar os i nvestimentos. At&eacute; h&aacute; uma potencial demanda por parte do governo, mas nada muito certo. <\/p>\n<p>Vai ser preciso achar uma combina&ccedil;&atilde;o&quot;, avaliou Jo&atilde;o de Deus Macedo, diretor de planejamento executivo da Oi. Pereira, da Claro, complementou o racioc&iacute;nio: &quot;no Brasil temos um mercado grande, com potencial. No entanto, precisamos de escala para investir, o que n&atilde;o acontece em todas as regi&otilde;es. Essa &eacute; uma equa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil de resolver&quot;. &quot;H&aacute; uma camada da popula&ccedil;&atilde;o que as empresas n&atilde;o v&atilde;o conseguir atender, e precisamos trabalhar com essa realidade. No entanto, devemos nos esfor&ccedil;ar para trabalhar com a maior parcela poss&iacute;vel&quot;, concordou Eduardo Navarro, diretor de estrat&eacute;gia e desenvolvimento de neg&oacute;cios da Telef&ocirc;nica para a Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Otimismo governamental<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Apesar de todos os obst&aacute;culos, o governo permanece animado. &quot;Sou otimista. Creio que em oito anos 60% das pequenas cidades ter&atilde;o acesso 3G. Tamb&eacute;m acredito que em dez anos 30% do Pa&iacute;s ter&aacute; acesso atrav&eacute;s de fibra&quot;, disse Pl&iacute;nio de Aguiar J&uacute;nior, conselheiro da Anatel. O especialista passou grande parte de sua apresenta&ccedil;&atilde;o defendendo o controle do governo sobre a oferta de banda larga, por se tratar, segundo ele, de um benef&iacute;cio social. &quot;Para que haja mais investimentos nesta &aacute;rea &eacute; preciso haver mais competi&ccedil;&atilde;o. Um caso que devemos olhar &eacute; o da Europa, que atrav&eacute;s de multas fez os incumbents se adequarem ao modelo pensado pelo governo para o desenvolvimento do mercado&quot;, comentou. No entanto, Aguiar admitiu que ainda h&aacute; muitos trope&ccedil;os regulat&oacute;rios a serem solucionados, como a exig&ecirc;ncia sobre propriedade de rede. &quot;H&aacute; regras a estabelecer e o mercado &eacute; complicado&quot;.<\/p>\n<p><\/span><span>J&aacute; Cezar Alvarez, coordenador de inclus&atilde;o digital do governo federal, comemorou a iminente assinatura do acordo relativo aos PSTs, vendo a&iacute; a semente para o desenvolvimento de um plano nacional de banda larga. &quot;N&atilde;o podemos subestimar o processo. Se vamos fazer a banda larga chegar a mais de 5.500 munic&iacute;pios, a iniciativa privada e a p&uacute;blica precisam trabalhar juntas para que esse recurso atenda toda a popula&ccedil;&atilde;o, desde o prefeito at&eacute; o padeiro&quot;, comentou. No entanto, ele n&atilde;o poupou cr&iacute;ticas &agrave;s empresas que, segundo ele, adotaram uma atitude muito unilateral. &quot;A Abinee, por exemplo, nos diz que se construirmos a infra-estrutura eles entram com a oferta de servi&ccedil;os. Assim &eacute; f&aacute;cil&quot;, criticou.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Esperan&ccedil;a<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Mesmo com toda a dificuldade da situa&ccedil;&atilde;o e com interesses t&atilde;o divergentes, muitos especialistas consideram os pequenos passos dados at&eacute; agora muito importantes, tendo em vista a dificuldade de se colocar em pr&aacute;tica um plano com as propor&ccedil;&otilde;es da inclus&atilde;o digital no Brasil. &Eacute; o caso do consultor Mario Ripper, organizador do evento, para quem a&ccedil;&otilde;es como a troca dos PSTs e os leil&otilde;es de 3G representam um grande avan&ccedil;o para a capilaridade da banda larga no Pa&iacute;s. &quot;No caso da substitui&ccedil;&atilde;o dos PSTs, por exemplo, mesmo sendo uma banda pequena, j&aacute; &eacute; importante, porque pelo menos teremos uma estrutura chegando a essas localidades&quot;, considerou.<\/p>\n<p><\/span><span>O especialista disse estar com esperan&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; entrada mais efetiva do BNDES no desenvolvimento do plano de inclus&atilde;o digital brasileiro. &quot;Eles t&ecirc;m uma estrutura boa, com mais pessoas capazes de dar suporte ao assunto&quot;, avaliou. Margarida Baptista, assessora da presid&ecirc;ncia do BNDES presente no evento, confirmou o interesse. &quot;Temos o objetivo de dar apoio &agrave; inova&ccedil;&atilde;o e &agrave; melhoria da infra-estrutura do Pa&iacute;s. Dentro dessa miss&atilde;o, ajudar nos programas de inclus&atilde;o digital &eacute; um desafio que temos&quot;, afirmou. A assessora explicou que atualmente o Banco est&aacute; estudando muitas id&eacute;ias neste sentido, tentando combinar suas linhas de cr&eacute;dito atuais no sentido de otimizar as iniciativas do governo. &quot;Um mesmo projeto pode ser financiado com v&aacute;rias linhas, inclusive com a participa&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria. Estamos muito receptivos a novos projetos que propulsionem a inclus&atilde;o digital&quot;, convidou Baptista.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar do grande volume de discuss&otilde;es sobre a massifica&ccedil;&atilde;o da banda larga no Brasil, o assunto permanece pendente em uma eterna queda-de-bra&ccedil;o entre os players, como operadoras e fabricantes, e o governo. 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