{"id":20833,"date":"2008-04-02T13:02:46","date_gmt":"2008-04-02T13:02:46","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20833"},"modified":"2014-09-07T02:55:16","modified_gmt":"2014-09-07T02:55:16","slug":"livros-produzidos-com-recursos-publicos-nao-sao-socializados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20833","title":{"rendered":"Livros produzidos com recursos p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o socializados"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Estudo realizado por pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o da Universidade de S&atilde;o Paulo (GPOPAI) demonstra em cifras a forte presen&ccedil;a do subs&iacute;dio estatal nas v&aacute;rias etapas de produ&ccedil;&atilde;o de livros t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos no Brasil. Mas apesar da elevada soma de dinheiro p&uacute;blico investida tanto no financiamento da elabora&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do, como da publica&ccedil;&atilde;o dos livros em si, o conhecimento registrado nestas obras n&atilde;o est&aacute; sendo de fato partilhado pelos brasileiros. <\/p>\n<p><\/span><span>Um indicador de que o acesso &agrave;s obras que re&uacute;nem boa parte do conhecimento cient&iacute;fico circulante no pa&iacute;s segue sendo restrito &eacute; o descompasso entre o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria e os n&uacute;meros do setor de livros t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos. Enquanto o grupo de &ldquo;consumidores por excel&ecirc;ncia&rdquo; destas obras cresce de forma consistente ano a ano, tanto o n&uacute;mero de t&iacute;tulos publicados (cerca de 12 mil) como de exemplares vendidos (cerca de 24 mil) pouco muda.<\/p>\n<p><\/span><span>No estudo, os pesquisadores levantam dados sobre as caracter&iacute;sticas do mercado de livros t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos e o valor dos subs&iacute;dios por incentivo fiscal. Outro dado importante &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o direta de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas na produ&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do e na edi&ccedil;&atilde;o dos livros. A grande maioria da bibliografia usada como refer&ecirc;ncia em v&aacute;rios cursos de Ensino Superior &eacute; resultado de pesquisas realizadas em universidades e centros de pesquisas p&uacute;blicos. Outra parte significante &eacute; publicada por editoras p&uacute;blicas.<\/p>\n<p><\/span><span>Diante destes dados, os pesquisadores apontam uma incongru&ecirc;ncia de fundo no mercado editorial. Enquanto mais de um ter&ccedil;o do faturamento do setor &eacute; garantido por incentivos fiscais, as editoras n&atilde;o se disp&otilde;em a oferecer contrapartidas ao p&uacute;blico que as financia. Ao contr&aacute;rio, empenham-se em um forte lobby para restringir as formas alternativas de circula&ccedil;&atilde;o, especialmente as fotoc&oacute;pias.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Na pesquisa, mostramos que se os estudantes da USP fossem comprar os livros exigidos na bibliografia b&aacute;sica de alguns cursos, gastariam a renda inteira da fam&iacute;lia. E, ao mesmo tempo, temos uma associa&ccedil;&atilde;o de editoras, empresas altamente subsidiadas, que fazem uma interpreta&ccedil;&atilde;o bastante restritiva da lei de direitos autorais, proibindo c&oacute;pias e fechando lojas que as fazem&rdquo;, destaca um dos coordenadores do estudo, Pablo Ortellado.<\/p>\n<p><\/span><span>O subs&iacute;dio p&uacute;blico &agrave; ind&uacute;stria do livro por imunidade tribut&aacute;ria (a Constitui&ccedil;&atilde;o impede a imposi&ccedil;&atilde;o de impostos para n&atilde;o constranger a liberdade de express&atilde;o) e ren&uacute;ncia fiscal somou R$ 978 milh&otilde;es em 2006. Segundo os respons&aacute;veis pelo estudo, a conta &eacute; conservadora. Considera al&iacute;quotas m&eacute;dias de IPI, ICMS e PIS\/Cofins sobre o faturamento do setor, desconsiderando, por exemplo, a isen&ccedil;&atilde;o de tributos sobre a importa&ccedil;&atilde;o de papel. Ainda assim, o valor representa 34% do faturamento do mercado editorial.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Este quase R$ 1 bilh&atilde;o &eacute; um valor muito superior ao or&ccedil;amento inteiro do Minist&eacute;rio da Cultura&rdquo;, chama a aten&ccedil;&atilde;o Ortellado. &ldquo;N&atilde;o somos contra a isen&ccedil;&atilde;o, que &eacute; um est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o de conhecimento e cultura. Mas este valor, t&atilde;o superior a tudo que &eacute; investido em outras &aacute;reas, n&atilde;o &eacute; alvo de nenhuma contrapartida.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>Os pesquisadores afirmam nas conclus&otilde;es que &ldquo;cabe ao poder p&uacute;blico criar marcos legais que garantam que esse subs&iacute;dio p&uacute;blico ao setor tenha como contrapartida garantias de acesso a conte&uacute;dos, em particular para fins did&aacute;ticos e cient&iacute;ficos&rdquo;. Ou seja, para fazer valer o investimento no setor editorial, seria preciso revisar o marco regulat&oacute;rio dos direitos autorais, de maneira que sejam flexibilizadas as regras para o uso de c&oacute;pias e outras formas de compartilhamento das obras.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Financiamento direto<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Na outra ponta do problema, est&aacute; a inexist&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas que garantam que o conte&uacute;do diretamente financiado pelos cofres p&uacute;blicos esteja &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico. Entre as formas de incentivo direto, a pesquisa aponta o financiamento de pesquisadores ou projetos de pesquisa, al&eacute;m da produ&ccedil;&atilde;o das editoras p&uacute;blicas.<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo o levantamento, 86% dos livros de autores nacionais usados como refer&ecirc;ncia bibliogr&aacute;fica nos cursos superiores considerados de excel&ecirc;ncia s&atilde;o escritos por professores ou pesquisadores de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas em regime de dedica&ccedil;&atilde;o exclusiva. &ldquo;O livro &eacute; uma conseq&uuml;&ecirc;ncia direta do investimento do p&uacute;blico no professor, no pesquisador, mas mesmo assim o estudante muitas vezes n&atilde;o tem como acessar a obra&rdquo;, diz Ortellado.<\/p>\n<p><\/span><span>No estudo do GPOPAI, outras formas de financiamento &agrave; pesquisa cient&iacute;fica n&atilde;o foram levantadas. Por exemplo, o investimento p&uacute;blico em programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o de universidades privadas ou em projetos espec&iacute;ficos. &ldquo;Se consider&aacute;ssemos isso, chegar&iacute;amos certamente a um percentual pr&oacute;ximo de 100%&rdquo;, comenta.<\/p>\n<p><\/span><span>Uma das sugest&otilde;es dos pesquisadores &eacute; a inclus&atilde;o de uma cl&aacute;usula nos contratos com professores e pesquisadores que recebem algum tipo de financiamento p&uacute;blico para que todo conte&uacute;do produzido a partir do seu trabalho recebesse um tipo de licen&ccedil;a que permitisse o livre acesso por parte dos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p><\/span><span>J&aacute; as obras publicadas por editoras p&uacute;blicas (ligadas a universidades ou centros de pesquisa) representam cerca de 10% da bibliografia utilizada na maioria dos cursos pesquisados. Segundo Ortellado, estas editoras poderiam ter pol&iacute;ticas mais efetivas de incentivo ao livre acesso. Ele ressalta que h&aacute; disposi&ccedil;&atilde;o de uma boa parte destas institui&ccedil;&otilde;es em promover, por exemplo, a digitaliza&ccedil;&atilde;o de obras esgotadas ou daquelas em dom&iacute;nio p&uacute;blico.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18261\">Para ter acesso a &iacute;ntegra da pesquisa, clique aqui.<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo realizado por pesquisadores da USP demonstra que a forte presen\u00e7a do subs\u00eddio estatal na produ\u00e7\u00e3o de livros no Brasil n\u00e3o faz com que o conhecimento produzido seja compartilhado com a sociedade.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[317],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20833"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20833"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20833\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27828,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20833\/revisions\/27828"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}