{"id":20804,"date":"2008-03-31T11:51:51","date_gmt":"2008-03-31T11:51:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20804"},"modified":"2008-03-31T11:51:51","modified_gmt":"2008-03-31T11:51:51","slug":"comunicacao-o-desafio-da-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20804","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o, o desafio da esquerda"},"content":{"rendered":"<p>Por que jornais e revistas de esquerda penam para decolar no Brasil? Boicote dos anunciantes? Sabotagem dos distribuidores? Incompet&ecirc;ncia dos profissionais? Falta do que dizer ou n&atilde;o saber como dizer? E, se for um pouco de tudo isso, como superar? O volume deses jornais e revistas hoje &eacute; insuficiente &ndash; em circula&ccedil;&atilde;o ou tiragem &ndash; para fazer frente &agrave; imprensa conservadora. &Eacute; verdade que poucas atividades s&atilde;o t&atilde;o arriscadas quanto o jornalismo. Ainda mais em tempos de revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Anunciantes pesados desaparecem de um dia para o outro. Basta lembrar casos como Varig, Banco Santos, BRA. Os donos do dinheiro n&atilde;o investem no jornalismo impresso pela taxa de lucro, que &eacute; baixa; entram pelo prest&iacute;gio, para fazer pol&iacute;tica, ou para mamar em verbas de publicidades governamentais.<\/p>\n<p>Mesmo assim, tr&ecirc;s dos maiores jornais brasileiros quebraram na &uacute;ltima d&eacute;cada. O Estad&atilde;o virou ref&eacute;m de bancos credores. Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil foram comprados por um empres&aacute;rio especializado em arrematar empresas na bacia das almas.<\/p>\n<p>A maior central sindical brasileira, a CUT,&nbsp;com milhares de sindicatos filiados, em 24 anos de exist&ecirc;ncia nunca conseguiu lan&ccedil;ar um jornal ou revista de express&atilde;o nacional ou mesmo regional. O PT, um dos maiores partidos pol&iacute;ticos do mundo, com 27 anos de vida e mais de 800 mil filiados, s&oacute; mant&eacute;m uma an&ecirc;mica revista, Teoria &amp; Debate, de 6 mil exemplares bimestrais.<\/p>\n<p>No Chile, as dificuldades do mercado jornal&iacute;stico devem ser ainda maiores, porque a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; muito menor, mas o Partido Comunista chileno, com menos de 5% dos votos, leva &agrave;s bancas seu jornal, toda semana. Na Bol&iacute;via, na Venezuela, na Argentina, em pa&iacute;ses da Europa, circulam jornais de diversos matizes de esquerda, que contestam as pol&iacute;ticas dominantes. No Brasil, h&aacute; meia d&uacute;zia de revistas de baixa circula&ccedil;&atilde;o e nenhum jornal di&aacute;rio. A esquerda brasileira parece n&atilde;o atinar para a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica da comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Uma das raz&otilde;es do fracasso de jornais e revistas declaradamente de esquerda &eacute; a dificuldade que bons projetos encontram para n&atilde;o sucumbir ao sectarismo ou a disputas internas. Essa caracter&iacute;stica enterrou quase toda a imprensa alternativa nos anos 70 e contribuiu para a crise do Jornal dos Trabalhadores e do Brasil Agora, duas tentativas de vida curta de fazer circular um &oacute;rg&atilde;o oficial de informa&ccedil;&atilde;o do PT.<\/p>\n<p>Outro motivo dos fracassos &eacute; a linguagem, doutrin&aacute;ria, distante do cotidiano do pov&atilde;o. Muitos slogans, poucos fatos e pouca reportagem. &Eacute; o que acontece, por exemplo, com o jornal do MST, o Brasil de Fato. A linguagem tem de ser contempor&acirc;nea, aberta, e n&atilde;o refletir pensamentos que n&atilde;o se renovam. O novo Pasquim e a revista Bundas, por exemplo, que n&atilde;o eram de esquerda, mas de contesta&ccedil;&atilde;o, fracassaram porque seu humor envelheceu.<\/p>\n<p>No mundo sindical, em que o lan&ccedil;amento de um jornal nacional poderia at&eacute; mesmo economizar recursos, ao consolidar grande universo noticioso, ainda predominam a atomiza&ccedil;&atilde;o, o atrelamento da comunica&ccedil;&atilde;o aos interesses pol&iacute;ticos do grupo dirigente ou, na melhor hip&oacute;tese, &agrave;s lutas locais da categoria. S&atilde;o centenas de ve&iacute;culos que influenciam a base social, mas n&atilde;o conseguem romper o monop&oacute;lio dos grandes ve&iacute;culos olig&aacute;rquicos de comunica&ccedil;&atilde;o de massa.<\/p>\n<p><strong>Focos de resist&ecirc;ncia<\/p>\n<p><\/strong>Hoje, o barateamento dos custos levou a uma explos&atilde;o de revistas de pequena circula&ccedil;&atilde;o, inclusive revistas tem&aacute;ticas de alto padr&atilde;o editorial, em todos os campos do conhecimento e da atividade humana. Nos &uacute;ltimos dez anos, de 1996 a 2006, o n&uacute;mero de t&iacute;tulos de revistas aumentou em quase 80%, apesar da circula&ccedil;&atilde;o total ter ca&iacute;do 12%. A tecnologia tornou vi&aacute;veis revistas de menor circula&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a fragmenta&ccedil;&atilde;o do mercado. Mesmo assim &eacute; &iacute;nfimo o n&uacute;mero de revistas novas de esquerda, centro-esquerda.<\/p>\n<p>Algumas formas desse tipo de jornalismo, embora de circula&ccedil;&atilde;o pequena, conseguem incomodar a grande imprensa. S&atilde;o empreendimentos diferentes, mas liderados por personalidades jornal&iacute;sticas fortes, que n&atilde;o entregam os pontos facilmente. Esse era o tra&ccedil;o comum dos condutores dos jornais alternativos dos anos 70. Tr&ecirc;s desses integrantes da &ldquo;velha guarda&rdquo; alternativa que permanecem ativos s&atilde;o Raimundo Pereira, fundador de Opini&atilde;o e Movimento, que hoje dirige o projeto Retratos do Brasil; Elmar Bones, um dos fundadores do Coojornal e atualmente diretor do mensal J&aacute; e de seu associado Jornal do Bairro, em Porto Alegre ; e S&eacute;rgio de Souza, fundador do Bondinho, que h&aacute; dez anos est&aacute; &agrave; frente da revista mensal Caros Amigos.<\/p>\n<p>Caros Amigos, mesmo com sua imagem consolidada e indiscut&iacute;vel prest&iacute;gio, recebe pouqu&iacute;ssima publicidade e n&atilde;o sobreviveria se dependesse dela. A solu&ccedil;&atilde;o &eacute; diversificar. O site tem alguns an&uacute;ncios e lojinha virtual. A editora, Casa Amarela, publica um fasc&iacute;culo paradid&aacute;tico e livros que &ldquo;ajudam um pouco&rdquo; a manter a empreitada, diz S&eacute;rgio de Souza. O site promove a revista, que por sua vez promove o site, ambos vendendo livros e assinaturas.<\/p>\n<p>Outro ingrediente forte de Caros Amigos, sua linha editorial, evita o ran&ccedil;o doutrin&aacute;rio e trata das quest&otilde;es mais pela &oacute;tica da contracultura e dos valores. Tamb&eacute;m valoriza a reportagem. A edi&ccedil;&atilde;o de novembro, por exemplo, traz uma entrevista in&eacute;dita com Harry Shibata, o m&eacute;dico que assinava atestados de &oacute;bitos fajutos das v&iacute;timas da ditadura. Nos &uacute;ltimos anos a revista assumiu mais claramente uma posi&ccedil;&atilde;o &agrave; esquerda, em sintonia com o que vem se passando no Brasil e na Am&eacute;rica Latina. Tira 40 mil exemplares e tem 10 mil assinaturas.<\/p>\n<p>Quase no extremo oposto, Retrato do Brasil &eacute; assumidamente doutrin&aacute;rio, embora n&atilde;o panflet&aacute;rio. S&atilde;o fasc&iacute;culos tem&aacute;ticos de qualidade que j&aacute; circularam em banca e hoje s&atilde;o vendidos agrupados, na forma de enciclop&eacute;dia. J&aacute; foram vendidas 6 mil cole&ccedil;&otilde;es para bibliotecas. Est&aacute; na segunda edi&ccedil;&atilde;o, revista, de 5 mil exemplares. &Eacute; uma mostra da m&aacute; vontade do sistema em rela&ccedil;&atilde;o a uma imprensa de contesta&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Apesar de sua qualidade editorial ter sido reconhecida por dirigentes do MEC, nunca foi inclu&iacute;da nas compras do governo para distribuir a professores e alunos&rdquo;, reclama Raimundo Pereira. A muito custo, vende cole&ccedil;&otilde;es para algumas prefeituras, como as de S&atilde;o Paulo e Belo Horizonte, e governos estaduais, como Paran&aacute; e Pernambuco.<\/p>\n<p>No final de novembro, Raimundo foi surpreendido pela decis&atilde;o da revista Carta Capital &ndash; a mais independente e progressista das semanais &ndash; de romper um conv&ecirc;nio patrocinado pela Petrobras para publicar dez encartes tem&aacute;ticos de Retratos do Brasil. Estavam no quarto encarte. Raimundo atribui essa decis&atilde;o a uma diverg&ecirc;ncia editorial &ndash; ter &ldquo;pegado pesado&rdquo; em Al Gore e na moda das grandes empresas de se apresentarem como socialmente respons&aacute;veis, em conluio com a grande imprensa. Resultado: come&ccedil;a a passar por novo teste nas bancas, lan&ccedil;ando 20 mil exemplares.<\/p>\n<p><strong>Viabilidade comercial<\/p>\n<p><\/strong>Dois projetos totalmente diferentes, o de Elmar Bones, em Porto Alegre , e o coordenado pelo jornalista Celso Horta, no ABC paulista, t&ecirc;m em comum a identifica&ccedil;&atilde;o com comunidades bem definidas. No entanto, ambos acabam de ter surpresas desagrad&aacute;veis, o que mostra os perigos que rondam a imprensa alternativa. Celso Horta valeu-se do apoio de prefeituras numa regi&atilde;o com forte presen&ccedil;a de esquerda lan&ccedil;ando o ABCD Maior, jornal que come&ccedil;ou mensal e logo se tornou o quinzenal de maior circula&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o, com 70 mil exemplares. Quando o jornal fazia planos para virar semanal, diverg&ecirc;ncias pol&iacute;ticas em torno das elei&ccedil;&otilde;es municipais, em 2008, afetaram a publicidade. &ldquo;Projetos n&atilde;o podem depender de apoio pol&iacute;tico&rdquo;, reclama Celso Horta. &ldquo;Ou se montam os projetos com base comercial, ou n&atilde;o sobrevivem.&rdquo; A mesma advert&ecirc;ncia &eacute; feita por Elmar Bones, do jornal J&aacute;, de Porto Alegre: &ldquo;O que menos vale &eacute; contar com apoio do governo&rdquo;, alerta. &ldquo;A Caixa, por exemplo, de um contrato de publicidade de 100 mil reais, at&eacute; hoje s&oacute; pagou 20 mil.&rdquo;<\/p>\n<p>Al&eacute;m do alternativo mensal J&aacute;, com 21 anos de exist&ecirc;ncia e vencedor de v&aacute;rios pr&ecirc;mios jornal&iacute;sticos, ele tem outra publica&ccedil;&atilde;o perto tamb&eacute;m dos 20 anos. O Jornal do Bairro tirava quatro edi&ccedil;&otilde;es distintas, mas o Zero Hora, do grupo monopolista RBS, passou a publicar cadernos de bairro, solapando seu mercado. Hoje tira s&oacute; uma edi&ccedil;&atilde;o de 10 mil exemplares, distribu&iacute;dos gratuitamente em dez bairros centrais de Porto Alegre, em que vivem 250 mil pessoas. Sobrevive de pequenos an&uacute;ncios.<\/p>\n<p>Com a recente aquisi&ccedil;&atilde;o do controle acion&aacute;rio da petroqu&iacute;mica Copesul (60%) pela Braskem, foi suspensa toda a publicidade das duas empresas no J&aacute;. O J&aacute; vinha tirando 5 mil exemplares, dos quais vendia 2.500. Elmar tamb&eacute;m publica livros, com 30 t&iacute;tulos j&aacute; lan&ccedil;ados, e se vale da Lei Rouanet, de incentivo &agrave; cultura. Para sobreviver aos &uacute;ltimos golpes lan&ccedil;ou o J&aacute; na forma de revista tem&aacute;tica, com tiragem de 6 mil exemplares em banca e mais 6 mil por mailing &ndash; remessa para cadastro de interessados. O modelo facilita a capta&ccedil;&atilde;o de an&uacute;ncios e de apoio institucional, alem de ser mais dur&aacute;vel. A publica&ccedil;&atilde;o sai em formato de jornal, mais barato, mas sem periodicidade definida, s&oacute; quando surge algum assunto mais &ldquo;quente&rdquo;. Uma esp&eacute;cie de &ldquo;guerrilha jornal&iacute;stica&rdquo;.<\/p>\n<p>Um caso interessante de revista que teve de negar parte da identidade para sobreviver &eacute; o da Ra&ccedil;a Brasil, mensal, que vende quase 700 mil exemplares. &Eacute; um sucesso, mas j&aacute; passou pelo pior, quando anunciantes n&atilde;o queriam associar sua imagem &agrave; dos negros. A revista abandonou sua linha editorial de contesta&ccedil;&atilde;o, virando revista de moda e cosm&eacute;ticos para consumo de uma nova pequena burguesia negra. Lentamente, segundo seu fundador, Big Richard, an&uacute;ncios come&ccedil;aram a chegar. Dez anos depois de lan&ccedil;ada, repleta de an&uacute;ncios dedicados &agrave; beleza, Ra&ccedil;a Brasil s&oacute; se distingue das revistas convencionais da Abril pela cor dos corpos que enaltece.<\/p>\n<p><strong>Furar o bloqueio<\/p>\n<p><\/strong>Um dos problemas da imprensa alternativa dos anos 70 era a distribui&ccedil;&atilde;o. Para ter alcance nacional, como era o projeto pol&iacute;tico dos partidos que sustentavam alguns jornais, era preciso imprimir 20 mil exemplares. Se vendia menos, como acontecia com a maioria, era preju&iacute;zo certo. Em rea&ccedil;&atilde;o &agrave; internet, os grandes grupos editoriais tentam manter o dom&iacute;nio de mercado atrav&eacute;s do controle dos canais de comercializa&ccedil;&atilde; o, como acaba de acontecer com a compra da segunda maior distribuidora brasileira, a Fernando Chinaglia, que tinha 30% do mercado, pela Dinap, do grupo Abril, ent&atilde;o dona dos outros 70%. A Abril, que j&aacute; concentra maioria esmagadora da publicidade em ve&iacute;culos impressos, criou agora um monop&oacute;lio na distribui&ccedil;&atilde;o aos pontos-de-venda e ganhou muito mais poder para complicar a vida dos concorrentes.<\/p>\n<p>Para o jornalista Renato Rovai, fundador da revista F&oacute;rum, j&aacute; complicou: a nova empresa, Tree Log, exige agora tiragem m&iacute;nima de 30 mil exemplares para distribui&ccedil;&atilde;o nacional. F&oacute;rum nasceu do F&oacute;rum Social Mundial. Produto de uma gera&ccedil;&atilde;o de jornalistas contestadores formada ap&oacute;s a redemocratiza&ccedil;&atilde; o do pa&iacute;s, &eacute; assumidamente de esquerda e com muito custo e perseveran&ccedil;a completou seis anos. Mas n&atilde;o tira ainda 30 mil exemplares. Os preju&iacute;zos s&atilde;o habituais. Quase sem publicidade, sobrevive gra&ccedil;as &agrave; venda de cotas a entidades ligadas ao movimento e &agrave; receita obtida por outros produtos e servi&ccedil;os de sua editora, a Publisher Brasil.<\/p>\n<p>Raimundo Pereira minimiza o problema da circula&ccedil;&atilde;o, dizendo que algumas minidistribuidoras fazem o servi&ccedil;o mi&uacute;do de coleta e devolu&ccedil;&atilde;o do encalhe que as grandes rejeitam. Custa mais, mas &eacute; uma alternativa ao obst&aacute;culo. Elmar Bones tamb&eacute;m enfrentou problemas em banca. O papel do J&aacute; amarelava rapidamente e os jornaleiros tiravam da exposi&ccedil;&atilde;o. A tiragem de Caros Amigos est&aacute; acima do m&iacute;nimo, mas abaixo da escala em que ganharia mercado das revistas convencionais. Ajuda a boa base de assinantes.<\/p>\n<p>Nilson Viana, do MST, est&aacute; assustado com a forma&ccedil;&atilde;o do monop&oacute;lio de distribui&ccedil;&atilde;o. Em entrevista ao site Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o, ele diz que h&aacute; um m&ecirc;s a Fernando Chinaglia come&ccedil;ou a impor uma s&eacute;rie de exig&ecirc;ncias novas como parte da nova gest&atilde;o, inclusive &ldquo;metas de venda&rdquo;. &Eacute; um caso claro de amea&ccedil;a potencial &agrave; livre circula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. A fus&atilde;o deveria ser impedida liminarmente pelo Conselho Administrativo de Defesa Econ&ocirc;mica (Cade), autarquia subordinada ao Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. Mas quem confia no Cade? Renato Rovai considera que uma solu&ccedil;&atilde;o seria acionar os Correios. Para ele, o governo deveria instruir a estatal a criar um servi&ccedil;o pr&oacute;prio de distribui&ccedil;&atilde;o de revistas, para combater o monop&oacute;lio ou ao menos servir de par&acirc;metro para as tarifas cobradas.<\/p>\n<p>O problema &eacute; que o governo nem sequer tem uma pol&iacute;tica que estimule a produ&ccedil;&atilde;o alternativa de comunica&ccedil;&atilde;o. Adormece em Bras&iacute;lia h&aacute; quatro anos uma proposta de distribui&ccedil;&atilde;o mais equilibrada das verbas de publicidade, de modo a garantir uma cota que minimamente assegure os ve&iacute;culos alternativos &ndash; em respeito ao seu enorme p&uacute;blico potencial e &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m de deter o monop&oacute;lio da audi&ecirc;ncia e da distribui&ccedil;&atilde;o, as grandes emissoras de r&aacute;dio e TV e a m&iacute;dia conservadora comercial ainda absorvem quase toda a receita publicit&aacute;ria dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e das estatais. O monop&oacute;lio na distribui&ccedil;&atilde;o amea&ccedil;a principalmente as revistas que almejam circula&ccedil;&atilde;o ampla, capazes de competir em escala com revistas da pr&oacute;pria Abril, como &eacute; o caso desta Revista do Brasil, que j&aacute; tira 360 mil exemplares distribu&iacute;dos pelas entidades sindicais que a criaram e est&aacute; come&ccedil;ando a chegar &agrave;s bancas (leia mais sobre o projeto no editorial, &agrave; pagina 5).<\/p>\n<p><strong>A solu&ccedil;&atilde;o na internet<\/p>\n<p><\/strong>Se eu fosse hoje fazer um projeto de um jornal de influ&ecirc;ncia nacional, optaria por um site na internet, de alto padr&atilde;o jornal&iacute;stico, capaz de gerar sua pr&oacute;pria reportagem, com colunas anal&iacute;ticas e interpretativas e uma janela de TV Web, para debates. Uma esp&eacute;cie de UOL de esquerda.<\/p>\n<p>O UOL anuncia que tem 1,7 milh&atilde;o de assinantes e 9 milh&otilde;es de visitantes. Quase tanto quanto a tiragem total de todos os di&aacute;rios brasileiros. A internet &eacute; comunica&ccedil;&atilde;o de massa e &eacute; a grande chance do campo popular, pelo seu baixo custo de produ&ccedil;&atilde;o, modernidade, facilidade de circula&ccedil;&atilde;o e acesso. E n&atilde;o precisa de concess&atilde;o do governo. H&aacute; no Brasil 40 milh&otilde;es de internautas e 866 mil dom&iacute;nios, ou seja, sites, jornais e blogs com o final &ldquo;br&rdquo;. No mundo s&atilde;o 110 milh&otilde;es de blogs. &Eacute; um universo de comunica&ccedil;&atilde;o totalmente interativo, dotado de grande capacidade de articula&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais.<\/p>\n<p>Carta Maior, um dos mais importantes sites de debate pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico no Brasil, &eacute; internet pura. Debates ao vivo pela sua TV Web atraem milhares de internautas numa &uacute;nica transmiss&atilde;o. Rep&oacute;rter Brasil &eacute; outro projeto internet pura. Quando foi lan&ccedil;ado por Leonardo Sakamoto, dedicava-se &agrave; den&uacute;ncia de trabalho escravo e degradante. Hoje conta com 30 jornalistas, uma grande diversidade de projetos e muitas fontes de patroc&iacute;nio. Um sucesso.<\/p>\n<p>O site do ABCD Maior j&aacute; &eacute; t&atilde;o importante quanto o jornal impresso e se tornou o carro-chefe do projeto local, que tem tamb&eacute;m um programa di&aacute;rio de r&aacute;dio de 30 minutos, permitindo ao p&uacute;blico intensa participa&ccedil;&atilde;o nos debates dos problemas da regi&atilde;o. A esquerda j&aacute; descobriu a internet, mas ainda falta entender seu potencial revolucion&aacute;rio.<\/p>\n<p><em>* Bernardo Kucinski &eacute; professor titular do Departamento de Jornalismo e Editora&ccedil;&atilde;o da ECA\/USP. Foi produtor e locutor no servi&ccedil;o brasileiro da BBC de Londres e assistente de dire&ccedil;&atilde;o na televis&atilde;o BBC. &Eacute; autor de v&aacute;rios livros sobre jornalismo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que jornais e revistas de esquerda penam para decolar no Brasil? Boicote dos anunciantes? Sabotagem dos distribuidores? Incompet&ecirc;ncia dos profissionais? Falta do que dizer ou n&atilde;o saber como dizer? E, se for um pouco de tudo isso, como superar? 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