{"id":20797,"date":"2008-03-28T20:00:22","date_gmt":"2008-03-28T20:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20797"},"modified":"2014-09-07T02:55:14","modified_gmt":"2014-09-07T02:55:14","slug":"radios-comunitarias-se-organizam-apos-acao-da-pf-e-anatel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20797","title":{"rendered":"R\u00e1dios comunit\u00e1rias se organizam ap\u00f3s a\u00e7\u00e3o da PF e Anatel"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 10pt\" class=\"MsoNormal\"><span>Recife &#8211; Pouco mais de uma semana ap&oacute;s a a&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal que fechou 30 r&aacute;dios consideradas &ldquo;ilegais&rdquo; em Pernambuco, o movimento de r&aacute;dios comunit&aacute;rias no estado d&aacute; in&iacute;cio a uma contra-ofensiva ao que consideram a criminaliza&ccedil;&atilde;o da atividade. Mais de 70 pessoas, incluindo representantes de 34 emissoras comunit&aacute;rias, participaram nesta quinta (27) da audi&ecirc;ncia p&uacute;blica convocada pela Federa&ccedil;&atilde;o de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias de Pernambuco (Fercom-PE), pela Associa&ccedil;&atilde;o de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias Pernambucanas e pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias (Abra&ccedil;o).<\/p>\n<p><\/span><span>No evento, realizado na C&acirc;mara dos Vereadores do Recife, as tr&ecirc;s organiza&ccedil;&otilde;es decidiram promover uma passeata pelo centro da capital. A data ainda n&atilde;o foi definida, mas o ato deve ocorrer nos pr&oacute;ximos dias. As emissoras pernambucanas tamb&eacute;m aventam a possibilidade de uma marcha a Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p><\/span><span>A a&ccedil;&atilde;o da PF, intitulada de &ldquo;Seguran&ccedil;a no ar&rdquo; [<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=20732\">ver aqui<\/a>], tentou cumprir mandados de busca e apreens&atilde;o dos equipamentos de 56 r&aacute;dios que funcionam sem outorga no Recife e em outras cidades da regi&atilde;o metropolitana. N&atilde;o faltaram recursos para isso: foram mobilizados 60 policiais federais, distribu&iacute;dos em 18 equipes.<\/p>\n<p><\/span><span>No entanto, a Ag&ecirc;ncia Nacional das Telecomunica&ccedil;&otilde;es, respons&aacute;vel pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o conseguiu fechar todas as r&aacute;dios. Duas funcionavam com liminar concedida pela Justi&ccedil;a e outras 24 estavam fechadas no momento da apreens&atilde;o, algumas desde a realiza&ccedil;&atilde;o de outras a&ccedil;&otilde;es da PF com a Anatel. Quatro pessoas foram levadas para a sede da Pol&iacute;cia Federal no Recife e tiveram que prestar depoimento sobre as atividades que desenvolviam nas r&aacute;dios.<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo a Anatel, a opera&ccedil;&atilde;o foi feita para garantir a seguran&ccedil;a no Aeroporto Internacional dos Guararapes, que funciona no Recife, e que, de acordo com a ag&ecirc;ncia, estava sofrendo com a interfer&ecirc;ncia dos sinais das r&aacute;dios, denominada por eles de piratas. &ldquo;A &uacute;nica coisa que as r&aacute;dios comunit&aacute;rias derrubam &eacute; a audi&ecirc;ncia das r&aacute;dios comerciais&rdquo;, gritou uma pessoa durante a audi&ecirc;ncia, sendo aplaudida pelos demais.<\/p>\n<p><\/span><span>De acordo com Manina Aguiar, do F&oacute;rum Pernambucano de Comunica&ccedil;&atilde;o, a argumenta&ccedil;&atilde;o da Anatel &eacute; uma fal&aacute;cia. Ela cita inclusive pesquisas do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunica&ccedil;&otilde;es (CPqD) que desmistificam esta acusa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Quero ouvir apenas um caso de acidente causado pela dita interfer&ecirc;ncia das r&aacute;dios comunit&aacute;rias&rdquo;, desafiou Manina. &ldquo;Se de fato houvesse interfer&ecirc;ncia n&atilde;o haveria o processo de legaliza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios, porque as outorgadas tamb&eacute;m interfeririam. Mal d&aacute; para ouvir no nosso raio de atua&ccedil;&atilde;o e nas &aacute;reas de morro o alcance &eacute; ainda menor.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Comunit&aacute;rias de verdade<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Para H&eacute;lio Oliveira, membro da Fercom e presidente da R&aacute;dio Guabiraba FM, as r&aacute;dios comunit&aacute;rias n&atilde;o devem se inibir com a a&ccedil;&atilde;o da Anatel e da PF. Segundo ele, a melhor forma de garantir que uma emissora n&atilde;o seja fechada &eacute; ser, de fato, comunit&aacute;ria, tornando-a parte integrante e indispens&aacute;vel da comunidade. &ldquo;Teve muita r&aacute;dio que conseguiu fechar as portas e esconder os transmissores antes da a&ccedil;&atilde;o porque a comunidade mesmo defendeu a r&aacute;dio. Eles despistaram a pol&iacute;cia e avisaram &agrave;s r&aacute;dios da a&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>Oliveira demonstrou a disposi&ccedil;&atilde;o das comunit&aacute;rias de fazer frente &agrave; criminaliza&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Podem fechar dez vezes e n&oacute;s vamos reabrir outras dez. Nosso lema &eacute; ocupar, resistir e transmitir&rdquo;, disse.<\/p>\n<p><\/span><span>Fazer frente &agrave;s r&aacute;dios &ldquo;pseudo-comunit&aacute;rias&rdquo; &eacute; um tema caro ao movimento pernambucano. Em v&aacute;rios momentos, a exist&ecirc;ncia destas emissoras, muitas delas outorgadas a laranjas de pol&iacute;ticos e tamb&eacute;m apropriada por grupos religiosos, torna-se um tipo de concorr&ecirc;ncia desleal. Algumas dessas r&aacute;dios &ldquo;apadrinhadas&rdquo; t&ecirc;m seus pedidos avaliados e liberados com maior agilidade, contudo n&atilde;o contam com a representatividade e funcionam na maioria das vezes como os grandes ve&iacute;culos comerciais.<\/p>\n<p><\/span><span>Por esta raz&atilde;o, os radialistas populares buscam maneiras de fazer com que as pessoas saibam diferenciar o que &eacute; uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria de verdade e o que &eacute; uma r&aacute;dio pseudo-comunit&aacute;ria. David Moreno, da Alternativa FM,&nbsp;de Paulista, falou da import&acirc;ncia de esclarecer o papel das r&aacute;dios para a comunidade. &ldquo;N&oacute;s al&eacute;m de falarmos durante toda a programa&ccedil;&atilde;o sobre o papel que deve ter uma r&aacute;dio que se prop&otilde;e comunit&aacute;ria de verdade, falamos tamb&eacute;m que n&oacute;s n&atilde;o derrubamos avi&atilde;o nenhum e que a campanha que eles fazem contra a gente &eacute; porque n&atilde;o querem democratizar a comunica&ccedil;&atilde;o. Isso tamb&eacute;m &eacute; tarefa nossa.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>A falta de informa&ccedil;&atilde;o sobre como funcionam as r&aacute;dios verdadeiramente comunit&aacute;rias atrelada &agrave;s campanhas de criminaliza&ccedil;&atilde;o, levada a cabo pelas r&aacute;dios comerciais e tamb&eacute;m setores do governo, dificulta a legaliza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios e marginaliza seus operadores. <\/p>\n<p>Segundo Ivan Moraes Filho, do Centro de Cultura Luiz Freire, falta vontade do governo federal para legalizar a situa&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias. &ldquo;Muitas delas passam anos esperando resposta do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o recebem as suas outorgas. Algumas se articulam e conseguem uma liminar para funcionar, mas a maioria continua na clandestinidade e trabalhando sem saber quando vai chegar a Pol&iacute;cia Federal&rdquo;, afirmou. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Legalizadas, ou quase<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Representantes de r&aacute;dios comunit&aacute;rias que j&aacute; passaram por persegui&ccedil;&atilde;o e que hoje s&atilde;o legalizadas, a maioria do interior, demonstram que a briga vai muito al&eacute;m das quest&otilde;es jur&iacute;dicas. Segundo Valter Cruz, da R&aacute;dio Feira Nova, que fica no munic&iacute;pio de mesmo nome, &eacute; preciso manter a articula&ccedil;&atilde;o entre as organiza&ccedil;&otilde;es. &ldquo;A luta n&atilde;o acaba quando conseguimos a outorga. Estamos aqui porque sabemos das dificuldades e somos solid&aacute;rios a esta luta. Estamos dispostos a ajudar no que for preciso e fortalecer essa importante articula&ccedil;&atilde;o que se forma aqui&rdquo;, pontuou.<\/p>\n<p>E<\/span><span>m situa&ccedil;&atilde;o legal &ldquo;intermedi&aacute;ria&rdquo;, a Alternativa FM foi uma das duas r&aacute;dios que n&atilde;o foi fechada na opera&ccedil;&atilde;o por ter conseguido uma liminar que garante o direito de funcionar at&eacute; que o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es d&ecirc; uma resposta sobre o pedido de legaliza&ccedil;&atilde;o encaminhado pela r&aacute;dio. A advogada que encaminhou o processo e que acompanha o caso da Alternativa, Renata Rolim, diz que &eacute; muito dif&iacute;cil atualmente legalizar uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria por conta da lentid&atilde;o do Minist&eacute;rio em analisar os milhares de pedido que chegam anualmente.<\/p>\n<p><\/span><span>Ainda segundo a advogada, apenas 16 pessoas do minist&eacute;rio trabalhavam no setor de avalia&ccedil;&atilde;o de outorgas, ao passo que o n&uacute;mero de processos esperando para avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; superior a sete mil. &ldquo;S&oacute; h&aacute; aplica&ccedil;&atilde;o da lei no que diz respeito &agrave; repress&atilde;o. O dinheiro que a&nbsp; Anatel tem para fiscaliza&ccedil;&atilde;o em geral vai toda para a fiscaliza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Logo, n&atilde;o h&aacute; interesse em legalizar e sim em reprimir.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>Um dos entraves encontrados pelas r&aacute;dios &eacute; a pr&oacute;pria Lei da Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria, que completa dez anos em 2008 e que continua sendo apontada como extremamente ineficaz no sentido de permitir e principalmente de garantir a exist&ecirc;ncia deste tipo de comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>Durante a audi&ecirc;ncia a legisla&ccedil;&atilde;o do setor foi muitas vezes criticada e, em contrapartida, foi defendida a realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional das Comunica&ccedil;&otilde;es para ainda este ano. Segundo os participantes da audi&ecirc;ncia, um dos grandes desafios para a radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria se apresentar coesa nesta confer&ecirc;ncia &eacute; a defesa das r&aacute;dios verdadeiramente da comunidade.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s fechamento de 30 emissoras, organiza\u00e7\u00f5es preparam passeata no Recife. Em audi\u00eancia p\u00fablica, representantes das r\u00e1dios reclamam da criminaliza\u00e7\u00e3o e da concorr\u00eancia com emissoras \u201cpseudo-comunit\u00e1rias\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[607],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20797"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20797"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20797\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27825,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20797\/revisions\/27825"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}