{"id":20772,"date":"2008-03-26T14:39:47","date_gmt":"2008-03-26T14:39:47","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20772"},"modified":"2008-03-26T14:39:47","modified_gmt":"2008-03-26T14:39:47","slug":"movimento-nos-eua-busca-garantir-a-neutralidade-da-rede-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20772","title":{"rendered":"Movimento nos EUA busca garantir a neutralidade da rede na Internet"},"content":{"rendered":"<p>As grandes empresas de cabo e telecomunica&ccedil;&otilde;es querem se transformar em guardi&atilde;s que gravam com um &ldquo;imposto&rdquo; os provedores de conte&uacute;dos para garantir uma conex&atilde;o r&aacute;pida para seus dados. Tamb&eacute;m querem acelerar o acesso dos seus pr&oacute;prios websites e atrasar o acesso de seus concorrentes. <\/p>\n<p>Um crescente movimento em prol da &quot;neutralidade da Rede&quot; &mdash;fator chave para preservar uma Internet livre e aberta&mdash; deu um passo significativo, no dia 13 de fevereiro, quando o representante democrata de Massachussets, Edward Markey, apresentou na C&acirc;mara de Representantes um projeto de lei destinado a impedir que os provedores de servi&ccedil;os de Internet de banda larga possam retardar o tr&aacute;fego da Internet ou cobrar tarifas adicionais aos provedores de conte&uacute;do para diferenciar a velocidade de acesso aos websites. O representante republicano Chip Pickering, do Missouri, &eacute; co-patrocinador do projeto de lei.<\/p>\n<p>O &quot;Internet Freedom Preservation Act&quot; (projeto de lei de preserva&ccedil;&atilde;o da liberdade da Internet) seria uma emenda &agrave; Lei de Comunica&ccedil;&otilde;es de 1934, que define o marco jur&iacute;dico das telecomunica&ccedil;&otilde;es norte-americanas. Segundo o resumo do projeto de lei: &quot;O Internet Freedom Preservation Act tem como prop&oacute;sito avaliar e promover a liberdade da Internet para os consumidores e os provedores de conte&uacute;dos. A liberdade da Internet abrange, de modo geral, a no&ccedil;&atilde;o de que os consumidores e os provedores de conte&uacute;do deveriam ter a liberdade de enviar, receber, ter acesso e usar as aplica&ccedil;&otilde;es legais, conte&uacute;dos, e servi&ccedil;os que eles escolham nas redes de banda larga&#8230; e que os produtores de conte&uacute;do n&atilde;o tenham que pagar tarifas adicionais nem discriminat&oacute;rias aos provedores de acesso de banda larga. Estes princ&iacute;pios gerais tamb&eacute;m s&atilde;o freq&uuml;entemente conhecidos como &#39; neutralidade da rede&#39;&quot;.<\/p>\n<p>O projeto de lei tamb&eacute;m disp&otilde;e que a Comiss&atilde;o Federal de Comunica&ccedil;&otilde;es &mdash;FCC na sua sigla em ingl&ecirc;s&mdash; convoque pelo menos oito &quot;c&uacute;pulas de banda larga&quot; em todo o pa&iacute;s. Timothy Karr, de Free Press, comenta: &quot;Este projeto de lei leva o tema para fora de Washington &mdash;e longe das influ&ecirc;ncias corruptoras do lobby das telecomunica&ccedil;&otilde;es&mdash; e permite envolver comunidades do pa&iacute;s que desejam usufruir das enormes vantagens econ&ocirc;micas e sociais de uma Internet aberta&quot;.<\/p>\n<p>A neutralidade da Rede remete ao princ&iacute;pio de que todo o tr&aacute;fego da Internet deve ser tratado com igualdade, descartando que os provedores de Internet possam interferir ou discriminar o tr&aacute;fego na Web por crit&eacute;rios como origem, destinat&aacute;rio, conte&uacute;do ou propriedade. O movimento pela neutralidade da Rede &eacute; liderado pela coaliz&atilde;o Save the Internet (Salvar a Internet), coordenada pelo grupo de direitos midi&aacute;ticos Free Press. Save the Internet argumenta que &quot;com a neutralidade da internet, a &uacute;nica fun&ccedil;&atilde;o da rede &eacute; movimentar dados e n&atilde;o escolher quais dados s&atilde;o privilegiados com um servi&ccedil;o de mais alta qualidade&quot;.<\/p>\n<p>As grandes empresas de cabo e telecomunica&ccedil;&otilde;es querem se transformar em guardi&atilde;s que gravam com um &ldquo;imposto&rdquo; os provedores de conte&uacute;dos (por exemplo, websites, ou seu blog) para garantir uma conex&atilde;o r&aacute;pida para seus dados. Tamb&eacute;m querem acelerar o acesso dos seus pr&oacute;prios websites e atrasar o acesso de seus concorrentes. De acordo com Save the Internet, elas t&ecirc;m um novo enfoque sobre a auto-estrada da informa&ccedil;&atilde;o: &quot;desejam reservar as vias r&aacute;pidas para seus pr&oacute;prios conte&uacute;dos e servi&ccedil;os &mdash;ou para as grandes corpora&ccedil;&otilde;es, que podem se permitir o luxo de pagar os caros ped&aacute;gios&mdash; deixando o resto de n&oacute;s em um prec&aacute;rio caminho de pedras&quot;.<\/p>\n<p>Save the Internet &eacute; uma coaliz&atilde;o composta por uma surpreendente gama de organiza&ccedil;&otilde;es e setores, que v&atilde;o desde o ACLU (Uni&atilde;o Americana de Liberdades Civis) at&eacute; a Coaliz&atilde;o Crist&atilde; &mdash;profundamente conservadora; desde sindicatos como SEIU e Teamsters at&eacute; associa&ccedil;&otilde;es de jogadores na Internet. A coaliz&atilde;o tamb&eacute;m incorpora grupos progressistas &mdash;feministas, ambientalistas e grupos de direitos civis ou de educa&ccedil;&atilde;o-.<\/p>\n<p>O trabalho organizativo de Save the Internet e de outros grupos de consumidores conseguiu, inclusive, introduzir o tema da neutralidade da Rede na campanha presidencial. A maioria dos democratas ap&oacute;ia a proposta e a maioria dos republicanos op&otilde;e-se a qualquer nova &quot;regulamenta&ccedil;&atilde;o governamental&quot;, como gostam de cham&aacute;-la. Barack Obama &eacute; quem mais claramente ap&oacute;ia a neutralidade da Rede e j&aacute; ofereceu dar ao tema uma alta prioridade em sua administra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os grandes grupos empresariais que se op&otilde;em &agrave; neutralidade da Rede argumentam que Save the Internet e outros tentam &quot;regulamentar&quot; a Internet. Os defensores respondem que s&atilde;o as empresas como Comcast e outras gigantes da banda larga que est&atilde;o tentando controlar a Internet e que tentam operar uma reengenharia da atual &ldquo;arquitetura aberta&rdquo; da Internet, para transformar este meio em um feudo privado de acesso r&aacute;pido. Segundo Save the Internet, &quot;apesar de todo o seu discurso sobre a &ldquo;desregulamenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;, os gigantes do cabo e das telecomunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o desejam uma concorr&ecirc;ncia real. Desejam regras especiais escritas a seu favor&quot;.<\/p>\n<p>Um sistema escalonado n&atilde;o &eacute; nenhuma eventualidade long&iacute;nqua. O Washington Post aponta: &quot;William L. Smith, chefe de tecnologia da BellSouth Corp., com sede em Atlanta, disse a jornalistas e analistas que um provedor de servi&ccedil;os de Internet, tal como sua empresa, deveria poder, por exemplo, cobrar mais do Yahoo Inc. pela oportunidade de que seu website de buscas seja carregado mais rapidamente que o do Google Inc.&quot; Mais do que isso, dado que grande parte do tr&aacute;fego mundial da Internet passa pelos EUA, os consumidores de todo o mundo tamb&eacute;m sofreriam as conseq&uuml;&ecirc;ncias de um sistema escalonado.<\/p>\n<p>Para lutar contra a neutralidade da Rede, as empresas de cabo e telecomunica&ccedil;&otilde;es v&ecirc;m investindo milh&otilde;es de d&oacute;lares em esfor&ccedil;os de lobby no Congresso e, inclusive, criaram e financiaram organiza&ccedil;&otilde;es &quot;Astroturf&quot; (ou seja, grupos de &quot;base&quot; artificiais, financiados por grupos industriais), como Hands Off the Internet (M&atilde;os Fora da Internet) e NetCompetition.org. Scott Cleland, representante deste &uacute;ltimo e consultor em telecomunica&ccedil;&otilde;es, apresentou recentemente o estranho argumento de que os defensores da neutralidade da Rede s&atilde;o &quot;antipropriedade&quot;: &quot;Todo o mundo se vangloria da palavra &#39;aberto&#39;; dizem que o que &eacute; aberto &eacute; maravilhoso. Mas &#39;aberto&#39; significa comunit&aacute;rio. Significa sem propriet&aacute;rios&quot;. Cleland n&atilde;o explicou por que as grandes empresas de cabo e telecomunica&ccedil;&otilde;es deveriam ter um controle exclusivo sobre uma propriedade que durante muito tempo esteve em m&atilde;os de pessoas, no mundo todo.<\/p>\n<p>Uma Internet de &ldquo;velocidade paga&rdquo; teria um impacto particularmente negativo para as organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de base, muitas das quais aproveitam a Internet para difundir suas mensagens. Segundo Save the Internet, &ldquo;aumentar&atilde;o rapidamente os custos para colocar e compartilhar v&iacute;deos e clips de &aacute;udio; seriam silenciados os bloggers e cresceriam as grandes empresas midi&aacute;ticas. As atividades de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica poderiam ser dilatadas, devido ao punhado de provedores dominantes de Internet que pedem aos grupos promotores dos candidatos o pagamento de uma tarifa para utilizar a &#39;via r&aacute;pida&#39;&quot;.<\/p>\n<p>Outra not&iacute;cia relacionada, &eacute; que os defensores dos consumidores j&aacute; arquivaram queixas contra Comcast, diante da FCC, alegando que este gigante da banda larga provoca atrasos ou bloqueia certos tipos de conte&uacute;do, como a troca de arquivos &quot;peer-to-peer&quot; (entre pares). Em seus coment&aacute;rios &agrave; FCC, na ter&ccedil;a-feira passada (12), Comcast argumenta que o manejo do tr&aacute;fego da rede exige certas a&ccedil;&otilde;es razo&aacute;veis, para garantir que os usu&aacute;rios de programas de troca de arquivos, como BitTorrent, n&atilde;o retardem o acesso de outros usu&aacute;rios. As pol&iacute;ticas da FCC ap&oacute;iam a neutralidade da Rede, mas este ser&aacute; o primeiro caso que ponha a prova sua atua&ccedil;&atilde;o na mat&eacute;ria. Sendo que a maioria dos votos na FCC est&aacute; em m&atilde;os de republicanos designados por Bush, este caso estar&aacute; na mira, tanto dos partid&aacute;rios, quanto dos opositores da neutralidade da Rede.<\/p>\n<p>Em conjunto, a lei proposta e a queixa apresentada &agrave; FCC s&atilde;o um indicador de que o movimento pela neutralidade da Rede tomou a ofensiva. Mas para que ele tenha sucesso, todos aqueles nos beneficiamos de uma Internet livre precisamos estar unidos e fazer ouvir nossas vozes. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As grandes empresas de cabo e telecomunica&ccedil;&otilde;es querem se transformar em guardi&atilde;s que gravam com um &ldquo;imposto&rdquo; os provedores de conte&uacute;dos para garantir uma conex&atilde;o r&aacute;pida para seus dados. Tamb&eacute;m querem acelerar o acesso dos seus pr&oacute;prios websites e atrasar o acesso de seus concorrentes. 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