{"id":20767,"date":"2008-03-26T14:18:59","date_gmt":"2008-03-26T14:18:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20767"},"modified":"2008-03-26T14:18:59","modified_gmt":"2008-03-26T14:18:59","slug":"istoe-e-condenada-a-indenizar-juiz-ali-mazloum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20767","title":{"rendered":"Isto\u00c9 \u00e9 condenada a indenizar juiz Ali Mazloum"},"content":{"rendered":"<p>Sobrou informa&ccedil;&atilde;o e faltou cautela. As acusa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mai&uacute;sculas, mas as provas min&uacute;sculas. Esse foi o entendimento da Justi&ccedil;a paulista para condenar a Editora Tr&ecirc;s, dona da revista Isto &Eacute;, a pagar indeniza&ccedil;&atilde;o de R$ 100 mil ao juiz federal Ali Mazloum, da 7&ordf; Vara Criminal Federal de S&atilde;o Paulo. A indeniza&ccedil;&atilde;o foi fixada pelo juiz Carlos Ortiz Gomes, da 39&ordf; Vara C&iacute;vel da Capital.<\/p>\n<p>Ele determinou, ainda, a publica&ccedil;&atilde;o da senten&ccedil;a no prazo de 30 dias depois do tr&acirc;nsito em julgado. A multa semanal, em caso de descumprimento, &eacute; de R$ 30 mil. A Editora Tr&ecirc;s j&aacute; recorreu ao Tribunal de Justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo. O caso est&aacute; nas m&atilde;os do desembargador Maur&iacute;cio Vidigal, da 10&ordf; C&acirc;mara de Direito Privado.<\/p>\n<p>A reportagem foi publicada na edi&ccedil;&atilde;o da revista, de 26 de novembro de 2003, com o t&iacute;tulo &ldquo;Conex&atilde;o Libanesa &ndash; Investiga&ccedil;&otilde;es indicam que os ju&iacute;zes Mazloum mandavam d&oacute;lares em malas para o Oriente&rdquo;. Na publica&ccedil;&atilde;o, a Isto &Eacute; tratou da Opera&ccedil;&atilde;o Anaconda, investiga&ccedil;&atilde;o de ju&iacute;zes e delegados federais acusados de corrup&ccedil;&atilde;o, venda de senten&ccedil;as, esquemas de fraudes e forma&ccedil;&atilde;o de quadrilha. A reportagem mencionou os irm&atilde;os Ali Mazloum e Cassem Mazloum.<\/p>\n<p>A primeira inst&acirc;ncia entendeu que a reportagem superou o conceito de direito de informar. O juiz disse que a revista &ldquo;carregou nas tintas&rdquo;. Para ele, apesar de recorrer a &ldquo;um arsenal t&atilde;o pesado de acusa&ccedil;&otilde;es contra o autor&rdquo;, a revista limitou-se a afirmar, em contrapartida, que os ju&iacute;zes negam envolvimento com a quadrilha.<\/p>\n<p>Ora, n&atilde;o houve a m&iacute;nima preocupa&ccedil;&atilde;o ou interesse em se colher a vers&atilde;o dos &ldquo;acusados&rdquo;. Com efeito, h&aacute; enorme desequil&iacute;brio entre as graves acusa&ccedil;&otilde;es de um lado, com um singelo &ldquo;negam envolvimento&rdquo;, de outro lado, o que deixa evidente a inten&ccedil;&atilde;o deliberada de fazer a &ldquo;vers&atilde;o acusat&oacute;ria&rdquo; predominar escandalosamente, sobretudo agregando &agrave; insignificante contrapartida: &ldquo;mas as acusa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o pesadas&rdquo;&rdquo;, afirmou o juiz.<\/p>\n<p>&ldquo;A quest&atilde;o fundamental reside na falta de elementos probat&oacute;rios, com densidade suficiente, para a sustenta&ccedil;&atilde;o das graves acusa&ccedil;&otilde;es feitas pela ISTO &Eacute;&rdquo;, afirmou o juiz Carlos Ortiz. Para ele, o exerc&iacute;cio do jornalismo, no caso em julgamento, exigiria um m&iacute;nimo de fundamento em provas, que respaldem o disparo de informa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&ldquo;Para a constata&ccedil;&atilde;o do poder arrasador da mat&eacute;ria, basta qualquer observador imaginar como seria se ao inv&eacute;s das fotos e dos nomes existentes, constasse a foto e nome do observador, para que se tenha a id&eacute;ia do conte&uacute;do aniquilador da publica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirmou o juiz da 39&ordf; Vara C&iacute;vel da Capital.<\/p>\n<p>No ano passado, a Justi&ccedil;a paulista condenou o jornal O Estado de S. Paulo a pagar o correspondente a 500 sal&aacute;rios m&iacute;nimos de indeniza&ccedil;&atilde;o ao juiz Ali Mazloum. O jornal tamb&eacute;m ficou obrigado a publicar a senten&ccedil;a no jornal e no site, no prazo de 10 dias, depois do tr&acirc;nsito em julgado. Caso contr&aacute;rio, dever&aacute; pagar multa di&aacute;ria de R$ 50 mil. O tema da reportagem que provocou a condena&ccedil;&atilde;o do jornal foi o mesmo da publica&ccedil;&atilde;o da Isto &Eacute;.<\/p>\n<p><strong>O caso<\/p>\n<p><\/strong>Em 2003, Ali Mazloum foi denunciado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal pelos crimes de forma&ccedil;&atilde;o de quadrilha, amea&ccedil;a e abuso de poder. A den&uacute;ncia tornou-se p&uacute;blica depois da Opera&ccedil;&atilde;o Anaconda, em 30 de outubro, quando a Pol&iacute;cia Federal anunciou um esquema de venda de senten&ccedil;as judiciais.<\/p>\n<p>A Anaconda foi deflagrada com base em uma rede de grampos telef&ocirc;nicos, montada com autoriza&ccedil;&atilde;o judicial, para investigar ju&iacute;zes, advogados, delegados e agentes federais. Oito acusados foram condenados. O juiz Ali Mazloum foi inocentado.<\/p>\n<p>O ent&atilde;o ministro Carlos Velloso entendeu que a den&uacute;ncia contra o juiz era, al&eacute;m de inepta, cruel. &ldquo;Ela (den&uacute;ncia) foi formulada contra um magistrado que n&atilde;o tinha contra ele qualquer acusa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; formulada com essa vagueza, que se viu, submeteu o magistrado &mdash; como dito hoje pelos jornais pelo seu ilustre advogado &mdash; a um calv&aacute;rio&rdquo;, afirmou o ministro, que j&aacute; se aposentou.<\/p>\n<p>A 2&ordf; Turma do STF extinguiu a&ccedil;&atilde;o penal que o acusava de abuso de poder. Segundo o ministro Gilmar Mendes, a den&uacute;ncia limitou-se &quot;a reportar, de maneira pouco precisa, os termos da representa&ccedil;&atilde;o formulada pelos policiais rodovi&aacute;rios federais envolvidos. Em outras palavras, a den&uacute;ncia n&atilde;o narra em qualquer instante o ato concreto do paciente que configure amea&ccedil;a ou abuso de autoridade&quot;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobrou informa&ccedil;&atilde;o e faltou cautela. As acusa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mai&uacute;sculas, mas as provas min&uacute;sculas. Esse foi o entendimento da Justi&ccedil;a paulista para condenar a Editora Tr&ecirc;s, dona da revista Isto &Eacute;, a pagar indeniza&ccedil;&atilde;o de R$ 100 mil ao juiz federal Ali Mazloum, da 7&ordf; Vara Criminal Federal de S&atilde;o Paulo. 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