{"id":20744,"date":"2008-03-24T10:42:11","date_gmt":"2008-03-24T10:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20744"},"modified":"2008-03-24T10:42:11","modified_gmt":"2008-03-24T10:42:11","slug":"jornalistas-negras-nao-estao-nas-redacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20744","title":{"rendered":"Jornalistas negras n\u00e3o est\u00e3o nas reda\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><span>Apenas seis das cem jornalistas no mercado de trabalho da Baixada Santista s&atilde;o negras. Esse foi o resultado do Trabalho de Conclus&atilde;o de Curso (TCC) &quot;A Inser&ccedil;&atilde;o da Jornalista Negra nos Meios de Comunica&ccedil;&atilde;o da Baixada Santista&quot;, realizado pelas jornalistas Carolina Ferreira dos Santos, Elys Paula Santiago da Costa e Vera L&uacute;cia Oscar Alves da Silva, rec&eacute;m-formadas. O TCC, uma grande reportagem em formato de revista, foi apresentado ao final de 2007 no Centro Universit&aacute;rio Monte Serrat (Unimonte), de Santos, SP, e orientado por mim.<\/p>\n<p><\/span><span>O recorte de g&ecirc;nero e ra&ccedil;a para constatar se h&aacute; igualdade de oportunidades dentro da profiss&atilde;o &eacute; in&eacute;dito. At&eacute; ent&atilde;o, havia apenas levantamentos sobre a quest&atilde;o de g&ecirc;nero ou de ra&ccedil;a, sem levar em conta a possibilidade de dupla discrimina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>A pesquisa, foco do trabalho, constata que dos 200 profissionais que trabalham nos 12 ve&iacute;culos da Baixada Santista que responderam &agrave; pesquisa, 100 s&atilde;o mulheres e apenas 6% dessas mulheres s&atilde;o negras. Foram enviados e-mails para 17 reda&ccedil;&otilde;es com perguntas referentes ao n&uacute;mero de jornalistas que trabalham nesses ve&iacute;culos, dentre eles, quantidade de mulheres, dessas mulheres, quantas s&atilde;o negras e se entre as afro-descendentes, alguma ocupa cargos de chefia.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Definindo conceitos<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>O tema do trabalho foi escolhido um ano antes da apresenta&ccedil;&atilde;o. &quot;Sou militante dos movimentos negro e feminista e as minhas duas colegas de trabalho, simpatizantes&quot;, diz Vera Oscar. &quot;Foi entre conversas ligadas a essas quest&otilde;es que decidimos o tema do nosso TCC&quot;, conta. Ainda segundo ela, o principal objetivo das estudantes era responder &agrave; quest&atilde;o: a aus&ecirc;ncia de mulheres negras que ocorre em diversas profiss&otilde;es tamb&eacute;m acontece no jornalismo?<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Carolina Ferreira conta como foram feitas as grandes reportagens que embasaram a pesquisa. &quot;Foram entrevistadas especialistas na quest&atilde;o de g&ecirc;nero e racial, como a ex-ministra da Secretaria Especial de Pol&iacute;ticas de Promo&ccedil;&atilde;o da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, e a psic&oacute;loga Edna Roland, que foi relatora da ONU na Confer&ecirc;ncia Mundial Contra o Racismo na &Aacute;frica do Sul em 2001.&quot;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m das especialistas, seis jornalistas negras que se formaram ou trabalham na regi&atilde;o contaram suas hist&oacute;rias de vida. Textos de apoio contando a trajet&oacute;ria da mulher negra no Brasil e definindo conceitos como feminismo, ra&ccedil;a e etnia tamb&eacute;m serviram para complementar a grande reportagem.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Mecanismo de luta<\/strong><\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>A revista recebeu o nome de Dandara, que significa &quot;a mais bela&quot;, em homenagem a uma hero&iacute;na brasileira. &quot;Embora os historiadores estejam ainda concluindo as pesquisas sobre a personagem, o que se sabe &eacute; que Dandara foi uma mulher negra, esposa de Ganga Zumba, rei do Quilombo dos Palmares antes de Zumbi&quot;, explica a terceira componente do grupo, Elys Santiago. &quot;Dizem que ela lutou ao seu lado, escondeu escravos e se suicidou para n&atilde;o voltar &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de escrava.&quot;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Ao comentar o que representou o trabalho para suas autoras, Carolina Ferreira diz que, al&eacute;m de se tornarem jornalistas com consci&ecirc;ncia social, as rec&eacute;m-formadas est&atilde;o disponibilizando &quot;mais um mecanismo para a luta pela democracia racial e de g&ecirc;nero no pa&iacute;s&quot;.<\/p>\n<p>* Adelto Gon&ccedil;alves &eacute; doutor em Letras (Literatura Portuguesa) pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), &eacute; autor de <em>Bocage: o perfil perdido<\/em> (Lisboa, Caminho, 2003) e <em>Gonzaga, um poeta do Iluminismo<\/em> (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999) <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas seis das cem jornalistas no mercado de trabalho da Baixada Santista s&atilde;o negras. 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