{"id":20737,"date":"2008-03-20T13:19:57","date_gmt":"2008-03-20T13:19:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20737"},"modified":"2008-03-20T13:19:57","modified_gmt":"2008-03-20T13:19:57","slug":"pf-fecha-30-radios-em-pernambuco-midia-corporativa-deita-e-rola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20737","title":{"rendered":"PF fecha 30 r\u00e1dios em Pernambuco; m\u00eddia corporativa deita e rola"},"content":{"rendered":"<p>Manh&atilde; de segunda-feira. Um grupo de cerca de sessenta policiais federais (de acordo com a assessoria de imprensa da corpora&ccedil;&atilde;o) preparam-se para uma a&ccedil;&atilde;o da maior import&acirc;ncia. Mobilizam-se em 18 equipes (tamb&eacute;m de acordo com a informa&ccedil;&atilde;o oficial) e espalham-se pelo estado. O objetivo? Fechar 56 r&aacute;dios que funcionavam sem a autoriza&ccedil;&atilde;o formal do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es em todo o estado de Pernambuco. E assim foi feito. Acompanhados por agentes da Anatel (Ag&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o), os homens da lei, pelo menos naquele dia, n&atilde;o iriam prender bandidos. Mas impedir que cidad&atilde;os e cidad&atilde;s usufru&iacute;ssem de seu direito de comunicar-se livremente.<\/p>\n<p>Dos 56 &#39;alvos&#39; da opera&ccedil;&atilde;o &quot;Seguran&ccedil;a no Ar&quot;, como foi ironicamente chamada a a&ccedil;&atilde;o policial, 24 j&aacute; n&atilde;o estavam mais no ar. Quer dizer, claro que poderiam (legitimamente) ter utilizado alguma estrat&eacute;gia para esquivar-se da PF. A maioria, porr&eacute;m, possivelmente havia sido &#39;lacrada&#39; talvez pela falta de dinheiro para a conta de energia ou telefone. Talvez at&eacute; pela falta de articula&ccedil;&atilde;o e legitimidade dentro de suas comunidades. Enfim, por algum motivo que &#8212; embora n&atilde;o pare&ccedil;a &#8212; tem&nbsp;rela&ccedil;&atilde;o com as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas&nbsp;(ou a falta delas) que deveriam ser respons&aacute;veis pela garantia do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.<\/p>\n<p>Duas das r&aacute;dios tinham liminares obtidas na justi&ccedil;a para funcionar. Articuladas, acionaram o poder judici&aacute;rio com o argumento que poderia ser da maioria das comunit&aacute;rias. Haviam pedido, h&aacute; anos, a outorga ao MiniCom. O minist&eacute;rio, por&eacute;m, n&atilde;o havia dado nenhuma resposta. Nem que sim, nem que n&atilde;o. Pela morosidade do processo, a comunidade ganha o direito (liminarmente) de comunicar-se at&eacute; que uma decis&atilde;o seja tomada &#39;no andar de cima&#39;.<\/p>\n<p>Trinta r&aacute;dios foram fechadas. Diversos equipamentos, entre transmissores, microfones, computadores e outros foram apreendidos. Quatro comunicadores apreendidos deram seus depoimentos constrangidos ap&oacute;s serem vergonhosamente expostos &agrave; m&iacute;dia como sendo os &#39;infratores&#39;, os &#39;piratas&#39;, os &#39;clandestinos&#39;. Os bandidos. Os foras-da-lei.<\/p>\n<p>O que fizeram os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o corporativos, que ocupam boa parte do espetro radiof&ocirc;nico e televisivo? Que, com seu poder aquisitivo, controlam o mercado de impressos?<\/p>\n<p><strong>Deitar e rolar<\/strong><\/p>\n<p>A cada apreens&atilde;o, um agente da pol&iacute;cia entrava no ar e dava seu depoimento nas (poucas e robustas) r&aacute;dios comerciais com programas locais. Nos notici&aacute;rios, apontaram-se dedos, louvou-se o &#39;papel da pol&iacute;cia&#39;. Imagens de alguns comunicadores eram divulgadas e utilizou-se at&eacute; velho (e ultrapassado) argumento de que as r&aacute;dios n&atilde;o autorizadas podem derrubar avi&otilde;es. <\/p>\n<p>Nos jornais, ningu&eacute;m ousou indicar um acidente aerovi&aacute;rio que tenha sido causado por r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Por que&nbsp;nunca houve&nbsp;um que seja.&nbsp;Mas abusou-se de insinua&ccedil;&otilde;es, meias-verdades e os velhos termos &#39;pirata&#39;, &#39;clandestino&#39;, etc. Dois di&aacute;rios (Jornal do Commercio e Folha de Pernambuco), ambos pertencentes a empresas que tamb&eacute;m controlam r&aacute;dios comerciais (embora a outorga da R&aacute;dio Folha seja a de emissora educativa), trouxeram o assunto para a capa. As manchetes, iguais: &quot;PF fecha 30 r&aacute;dios piratas&quot;. Letras garrafais.<\/p>\n<p>Para n&atilde;o dizer que esqueceu o &#39;outro lado&#39;, o JC saiu com uma mat&eacute;ria vinculada colocando algumas falas de representantes do movimento de r&aacute;dios. Mas faltou muito. Faltou dizer quanto tempo as r&aacute;dios costumam esperar por uma autoriza&ccedil;&atilde;o para funcionar. Faltou falar que esse ano a lei que regulamenta as radcom faz 10 anos e que nesse tempo todo o n&uacute;mero de apreens&otilde;es supera &#8212; em muito &#8212; o de concess&atilde;o de outorgas. Faltou falar que a legisla&ccedil;&atilde;o praticamente n&atilde;o prev&ecirc; fontes de financiamento para as r&aacute;dios. Faltou falar um pouco do trabalho feito por algumas dessas r&aacute;dios, que promovem suas comunidades, que d&atilde;o vozes a seus moradores e suas moradoras. Que mostram o que boa parte da m&iacute;dia comercial esconde.<\/p>\n<p>Faltou&nbsp;&#8211; porque ser&aacute;?&nbsp;&#8211; uma an&aacute;lise completa do uso do nosso espectro, ocupado em sua quase totalidade por r&aacute;dios afiliadas a grandes redes, em que a maior parte da programa&ccedil;&atilde;o vem via sat&eacute;lite, com outro sotaque, outra cultura. Com uma linha editorial que n&atilde;o contempla nossas cidades&nbsp;&nbsp;e em que o n&uacute;mero de funcion&aacute;rios muitas vezes pode ser contado em apenas uma das m&atilde;os. <\/p>\n<p>Se &eacute; para se discutir legisla&ccedil;&atilde;o, faltou principalmente um relato s&eacute;rio sobre a falta de regulamenta&ccedil;&atilde;o do artigo 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal:<\/p>\n<p><em>Art. 221. A produ&ccedil;&atilde;o e a programa&ccedil;&atilde;o das emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o atender&atilde;o aos seguintes princ&iacute;pios:&nbsp;&nbsp;&nbsp; <br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; I &#8211;&nbsp; prefer&ecirc;ncia a finalidades educativas, art&iacute;sticas, culturais e informativas;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; II &#8211;&nbsp; promo&ccedil;&atilde;o da cultura nacional e regional e est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente que objetive sua divulga&ccedil;&atilde;o;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; III &#8211;&nbsp; regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cultural, art&iacute;stica e jornal&iacute;stica, conforme percentuais estabelecidos em lei;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; IV &#8211;&nbsp; respeito aos valores &eacute;ticos e sociais da pessoa e da fam&iacute;lia.<\/em>&nbsp; <\/p>\n<p>Ser&aacute; que &eacute; isso que as empresas fazem ao ocupar nossos canais?<\/p>\n<p>* O OmbudsPE &eacute; uma iniciativa do Centro de Cultura Luiz Freire.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manh&atilde; de segunda-feira. 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