{"id":20677,"date":"2008-03-13T14:53:09","date_gmt":"2008-03-13T14:53:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20677"},"modified":"2008-03-13T14:53:09","modified_gmt":"2008-03-13T14:53:09","slug":"otavio-afonso-deixa-livro-como-legado-em-direitos-autorais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20677","title":{"rendered":"Ot\u00e1vio Afonso deixa livro como legado em direitos autorais"},"content":{"rendered":"<p><span><em>Direitos Autorais: Conceitos Essenciais. Assim quis o autor que se chamasse sua &uacute;ltima contribui&ccedil;&atilde;o em vida para o direito autoral brasileiro, um livro a ser lan&ccedil;ado no primeiro semestre de 2008. Otavio Afonso faleceu no &uacute;ltimo dia 05, deixando o legado de seu pensamento e de sua experi&ecirc;ncia de tr&ecirc;s d&eacute;cadas na gest&atilde;o p&uacute;blica dos direitos autorais. <\/p>\n<p><\/em><\/span><span>Otavio Afonso afastou-se durante quase dois anos da coordena&ccedil;&atilde;o-geral de direitos autorais do Minist&eacute;rio da Cultura (MinC) para o tratamento de um c&acirc;ncer. Nesse tempo, foi procurado pelo Instituto Pensarte que lhe sugeriu a produ&ccedil;&atilde;o do livro, sua &uacute;nica obra espec&iacute;fica em direito autoral, que ser&aacute; publicada pela Editora Manole.<\/p>\n<p><\/span><span>Sistematizado em 12 cap&iacute;tulos, Direitos Autorais: Conceitos Essenciais faz um retrospecto hist&oacute;rico do direito autoral no Brasil e no mundo, traz defini&ccedil;&otilde;es de assuntos elementares, como os direitos conexos e a gest&atilde;o coletiva de direitos, sendo esta &uacute;ltima a &aacute;rea em que &eacute; tido como maior refer&ecirc;ncia no Brasil. <\/p>\n<p><\/span><span>Al&eacute;m disso, o livro aponta novas tend&ecirc;ncias, como a prote&ccedil;&atilde;o do software e o cap&iacute;tulo dedicado &agrave; sua vis&atilde;o sobre pirataria. Sempre com o olhar de quem foi protagonista das principais transforma&ccedil;&otilde;es dos direitos autorais no Brasil.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;A publica&ccedil;&atilde;o do livro chega a ser uma homenagem a este grande gestor, um dos maiores expoentes do direito autoral no campo do poder p&uacute;blico&rdquo;, afirma o advogado F&aacute;bio de S&aacute; Cesnik, s&oacute;cio da Cesnik, Quintino e Salinas Advogados, e um dos maiores incentivadores de Ot&aacute;vio na produ&ccedil;&atilde;o da obra. &ldquo;&Eacute; um marco para o nosso direito autoral: a heran&ccedil;a de um defensor incans&aacute;vel dos direitos autorais no pa&iacute;s&rdquo;, conclui.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Direitos e Autores <\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Primeiro poeta, depois jornalista e funcion&aacute;rio p&uacute;blico de carreira. Assim se auto-intitulava Otavio Afonso, que traz nessa obra uma vis&atilde;o n&atilde;o propriamente jur&iacute;dica do direito de autor, mas oriunda da pr&aacute;xis do direito autoral, resultado de uma milit&acirc;ncia hist&oacute;rica pela valoriza&ccedil;&atilde;o do autor nas rela&ccedil;&otilde;es multifacetadas da propriedade intelectual.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span>Para o advogado autoralista Eduardo Salles Pimenta, o livro traz em si, al&eacute;m de t&eacute;cnica e experi&ecirc;ncia, o ponto de vista humanista de Otavio Afonso sobre o direito autoral. &ldquo;Ele nunca admitiu que considerassem o autor uma pessoa jur&iacute;dica em qualquer tipo de negocia&ccedil;&atilde;o. &lsquo;Autor &eacute; pessoa f&iacute;sica. Eu sou autor!&rsquo;, ele me dizia. Sua luta sempre foi pela prote&ccedil;&atilde;o do autor&rdquo;, relata. <\/p>\n<p><\/span><span>Pimenta organizou uma colet&acirc;nea de artigos jur&iacute;dicos em homenagem a Ot&aacute;vio Afonso, lan&ccedil;ada no in&iacute;cio de 2008 pela editora Revista dos Tribunais. O livro Estudos em Homenagem a Otavio Afonso dos Santos contou com a participa&ccedil;&atilde;o dos maiores especialistas em direito autoral do Brasil, que reverteram todos os direitos autorais para auxiliar no custeio do tratamento do homenageado.<\/p>\n<p><\/span><span>Uma iniciativa que demonstra o respeito e a admira&ccedil;&atilde;o dos mais diferentes segmentos do direito autoral brasileiro, com quem Afonso mantinha um di&aacute;logo &ldquo;aberto e democr&aacute;tico&rdquo;, de acordo com o secret&aacute;rio de Pol&iacute;ticas Culturais do MinC Alfredo Manevy.<\/p>\n<p><\/span><span>Segundo Priscila Beltrami, advogada autoralista que acompanhou Ot&aacute;vio Afonso em muitas negocia&ccedil;&otilde;es, a raz&atilde;o disso &eacute; &ldquo;o amplo conhecimento que Ot&aacute;vio Afonso tinha da complexa arquitetura de rela&ccedil;&otilde;es que envolvem o direito autoral&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Habilidade que o ergueu &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de principal &ndash; e durante muito tempo &uacute;nico &#8211; representante do Brasil nas negocia&ccedil;&otilde;es internacionais. O exerc&iacute;cio da diplomacia e da articula&ccedil;&atilde;o internacional era cumprida &agrave; risca por Ot&aacute;vio Afonso, &ldquo;grande respons&aacute;vel pela recupera&ccedil;&atilde;o do protagonismo e do reconhecimento do Brasil no cen&aacute;rio internacional&rdquo;, segundo o secret&aacute;rio Alfredo Manevy. <\/p>\n<p><\/span><span>Negociador do Brasil na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) e na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Comercial (OMC), Afonso se utilizava desse tr&acirc;nsito para angariar adeptos &agrave;s suas posi&ccedil;&otilde;es, como a de afirmar o direito autoral como elemento estrat&eacute;gico para os pa&iacute;ses em desenvolvimento. Jos&eacute; Vaz, com quem trabalhou na coordena&ccedil;&atilde;o-geral de direitos autorais do Minist&eacute;rio, exemplifica: &ldquo;Ele n&atilde;o aceitava que em hip&oacute;tese alguma se usasse o direito autoral como trade-off [moeda de troca] para outras negocia&ccedil;&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Guerreiro solit&aacute;rio<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Em sua nota de pesar, o Ministro da Cultura Gilberto Gil declarou: &ldquo;na seara do direito autoral, o pa&iacute;s deve muito a esse guerreiro que, durante as &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, quase solitariamente, manteve acesa essa discuss&atilde;o&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><span>E de fato, desde o in&iacute;cio de suas atividades na gest&atilde;o p&uacute;blica, como coordenador de comunica&ccedil;&atilde;o do antigo Conselho Nacional de Direito Autoral (CNDA), em 1979, Otavio Afonso teve grande import&acirc;ncia tanto para a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para os direitos autorais como para a preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio nacional nessa &aacute;rea. <\/p>\n<p><\/span><span>Apaixonado pelo assunto, foi o respons&aacute;vel pela recupera&ccedil;&atilde;o dos arquivos do CNDA, jogados no lixo ap&oacute;s sua extin&ccedil;&atilde;o pelo ent&atilde;o Presidente Fernando Collor de Melo, em 1990. Jos&eacute; Carlos Costa Netto, presidente do CNDA que convidou Otavio Afonso para o cargo, relembra o fato: &ldquo;Lembro que o Ot&aacute;vio andava muito triste e sempre passava em frente ao CNDA. Certa vez viu uma ca&ccedil;amba de lixo com todas as atas e livros do Conselho. Fez v&aacute;rias viagens com seu carrinho durante aquela noite toda. Conseguiu recuperar o que p&ocirc;de do arquivo.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>Quando houve a retomada da Secretaria de Cultura na d&eacute;cada de 90, Ot&aacute;vio voltou &agrave;s atividades na ger&ecirc;ncia de direitos autorais, sendo praticamente o &uacute;nico representante do governo na &aacute;rea. Situa&ccedil;&atilde;o que o levou a ser tamb&eacute;m o representante internacional do governo brasileiro em todas as viagens internacionais para tratar do assunto.&nbsp; <\/p>\n<p><\/span><span>Na gest&atilde;o Gil, ele assumiu a coordena&ccedil;&atilde;o-geral de direitos autorais, que ganhou maior respaldo e contribui para o fortalecimento do Estado na regula&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o dos direitos autorais, papel imprescind&iacute;vel na sua opini&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span>Para o secret&aacute;rio Alfredo Manevy, o Minist&eacute;rio herda de sua atua&ccedil;&atilde;o &ldquo;uma agenda extremamente estrat&eacute;gica do direito autoral, sem a qual &eacute; imposs&iacute;vel discutir a pr&oacute;pria agenda da cultura. Um patrim&ocirc;nio muito s&oacute;lido e consistente&rdquo;. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Portando mastros e bandeiras*<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Manevy ressalta ainda a import&acirc;ncia da op&ccedil;&atilde;o de Otavio Afonso pelo sentido p&uacute;blico dos direitos autorais. Sentido que permeia todo o livro a ser lan&ccedil;ado. Otavio Afonso foi hist&oacute;rico defensor do Estado como supervisor das rela&ccedil;&otilde;es que circundam o direito autoral. Por serem estrat&eacute;gicas, tais rela&ccedil;&otilde;es deveriam ser tratadas no &acirc;mbito do direito p&uacute;blico, e n&atilde;o privado, com os bens em negocia&ccedil;&atilde;o chancelados pelo Estado. <\/p>\n<p><\/span><span>Defendia em suas falas e artigos &#8211; muitos deles postados em seu blog <\/span><span><a href=\"http:\/\/ocmasr.blogspot.com\/\">http:\/\/ocmasr.blogspot.com\/<\/a><\/span><span> &#8211; a cria&ccedil;&atilde;o de um &oacute;rg&atilde;o do Executivo espec&iacute;fico para os direitos autorais. Especialista em gest&atilde;o coletiva de direitos, propunha um modelo alternativo ao extinto CNDA, cuja composi&ccedil;&atilde;o servia muitas vezes para acomodar interesses de diversos segmentos, formando, em suas palavras, um &ldquo;sindicat&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>Nesse ramo ainda, era cr&iacute;tico &agrave; falta de transpar&ecirc;ncia de alguns &oacute;rg&atilde;os arrecadadores de direitos autorais, como o Escrit&oacute;rio Central de Arrecada&ccedil;&atilde;o de Direitos (ECAD). Al&eacute;m de ser cr&iacute;tico tamb&eacute;m, no outro vi&eacute;s da quest&atilde;o, &agrave; vis&atilde;o autoralista que d&aacute; muito poder aos intermedi&aacute;rios e &ldquo;empresas da ind&uacute;stria cultural&rdquo;, em detrimento dos pr&oacute;prios autores, na maioria n&atilde;o beneficiados com o produto econ&ocirc;mico de suas obras. <\/p>\n<p><\/span><span>Nesse sentido ainda, refor&ccedil;ava a quest&atilde;o do Estado, defendendo um modelo de radiodifus&atilde;o p&uacute;blica para beneficiar a veicula&ccedil;&atilde;o das obras autorais com o devido reconhecimento e financiamento dos autores. <\/p>\n<p><\/span><span>No &acirc;mbito internacional, era cr&iacute;tico ferrenho da uniformiza&ccedil;&atilde;o dos tratados internacionais, como os da OMPI. Para ele, antes de uma ades&atilde;o desmedida de modelos-padr&atilde;o, era preciso que os pa&iacute;ses, principalmente os subdesenvolvidos, tivessem muito bem regulada a sua legisla&ccedil;&atilde;o interna, de modo que os seus problemas espec&iacute;ficos fossem antes solucionados. E citava como exemplo os tratados internacionais de internet, acatados por pa&iacute;ses que mal possu&iacute;am energia el&eacute;trica todos os dias.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Otavio Afonso, poeta.<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Antes de tudo, poeta. Autor e poeta. Assim foi sua primeira apari&ccedil;&atilde;o em um &oacute;rg&atilde;o p&uacute;blico. Um jovem de barbas longas vendendo livros artesanais de poesia. Costa Netto lembra que antes de um gestor &nbsp;p&uacute;blico, contratou um poeta para os quadros do CNDA, nos idos da d&eacute;cada de 70.<\/p>\n<p><\/span><span>Otavio Afonso tinha na poesia uma outra vertente do seu trabalho. E mesmo nela, era fiel aos seus princ&iacute;pios autoralistas. Como conta Jos&eacute; Vaz, deixou de publicar muitos livros prontos por n&atilde;o se submeter aos termos propostos pelas editoras. Participou de algumas colet&acirc;neas de poesias, mas publicou apenas um livro autoral: Cidade Morta, de 1980, vencedor do pr&ecirc;mio Casa de Las Am&eacute;ricas, de Havana, Cuba.<\/p>\n<p><\/span><span>Mantinha at&eacute; o seu falecimento o blog Ch&atilde;o do Adeus (<\/span><span><a href=\"http:\/\/ocmas.blogspot.com\/\">http:\/\/ocmas.blogspot.com\/<\/a><\/span><span>), seu &ldquo;local de degusta&ccedil;&atilde;o de poesias, textos sem outras presun&ccedil;&otilde;es, mini-contos e lances desconexos do cotidiano que nos habita a alma.&rdquo;. Esse era Otavio Afonso. Poeta, jornalista e funcion&aacute;rio p&uacute;blico.<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>*<\/p>\n<p>Li&ccedil;&atilde;o<br \/><\/strong><\/span><span><br \/>por todas as coisas aprendidas<br \/><\/span><span>inutilmente<\/p>\n<p><\/span><span>por todas as coisas<br \/><\/span><span>guardadas no improviso da dor<br \/><\/span><span><br \/>agora recolho meu pr&oacute;prio vulto<br \/><\/span><span>no que permite a solid&atilde;o<br \/><\/span><span>neste duro ch&atilde;o humano<\/p>\n<p><\/span><span>mas me falta o suor<br \/><\/span><span>do teu corpo<br \/><\/span><span>e a dire&ccedil;&atilde;o dos ventos<\/p>\n<p><\/span><em><span>(&Uacute;ltimo poema postado por Otavio Afonso, em 13.05.08, no blog Ch&atilde;o do Adeus)<\/p>\n<p><\/span><\/em><span>*verso do poema Desencanto, do blog Ch&atilde;o do Adeus.<\/span> <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direitos Autorais: Conceitos Essenciais. Assim quis o autor que se chamasse sua &uacute;ltima contribui&ccedil;&atilde;o em vida para o direito autoral brasileiro, um livro a ser lan&ccedil;ado no primeiro semestre de 2008. 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