{"id":20660,"date":"2008-03-12T15:01:55","date_gmt":"2008-03-12T15:01:55","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20660"},"modified":"2008-03-12T15:01:55","modified_gmt":"2008-03-12T15:01:55","slug":"a-hegemonia-do-privado-sobre-o-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20660","title":{"rendered":"A hegemonia do privado sobre o Estado"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0cm 0cm 0pt\" class=\"MsoNormal\"><span><em>* Reproduzido da revista M&iacute;diaComDemocracia n&ordm; 7, fevereiro\/2008, publica&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC) <\/em><\/span><\/p>\n<p><span><br \/><em>Por Ana Rita Marini<\/p>\n<p><\/em><\/span><span><em>A luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil tem quase tr&ecirc;s d&eacute;cadas e j&aacute; cunhou alguns nomes de express&atilde;o. Um deles &eacute; Murilo C&eacute;sar Ramos &ndash; jornalista, professor da Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia &ndash;, militante das buscas coletivas por pol&iacute;ticas mais justas para as comunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s desde quando, ainda principiante, na faculdade, suas inquieta&ccedil;&otilde;es o levaram a procurar respostas e formula&ccedil;&otilde;es para reverter o que denomina &quot;as distor&ccedil;&otilde;es de poder no jornalismo&quot;. Uma vez nessa &quot;trilha&quot;, participou ativamente dos mais importantes cap&iacute;tulos da hist&oacute;ria da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o brasileira, entre eles a Assembl&eacute;ia Nacional Constituinte e a formula&ccedil;&atilde;o da Lei do Cabo.&nbsp;<\/p>\n<p><\/em><\/span><span><em>Murilo Ramos preocupa-se, hoje, com um novo marco regulat&oacute;rio que resgate o car&aacute;ter p&uacute;blico da radiodifus&atilde;o e almeja uma Confer&ecirc;ncia Nacional ampla e plural, que d&ecirc; conta da agenda pol&iacute;tico-normativa pautada at&eacute; agora pelos movimentos pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. A partir de Bras&iacute;lia, onde trabalha e reside, concedeu por e-mail esta entrevista.<\/p>\n<p><\/em><\/span><span>*** <\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Sua participa&ccedil;&atilde;o na luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil &eacute; destacada. Como foi o in&iacute;cio dessa luta, o que a motivou e a motiva ainda hoje?<br \/><\/strong><\/span><span>Murilo C&eacute;sar Ramos &ndash; Se &eacute; destacada, sinceramente, n&atilde;o sei. Mas &eacute;, com certeza, longa. S&atilde;o 25 anos de participa&ccedil;&atilde;o em movimentos e organiza&ccedil;&otilde;es de luta por mais democracia na comunica&ccedil;&atilde;o brasileira. Sempre a partir da Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia. Foi como professor que canalizei de modo concreto os sentimentos difusos que tinha desde o in&iacute;cio da carreira profissional, no final dos anos 1960, em Curitiba, sobre as distor&ccedil;&otilde;es de poder no jornalismo. Sou grato at&eacute; hoje a um amigo jornalista que, infelizmente, perdi de vista: Geraldo Hasse. Ele me fez ler Ilus&otilde;es Perdidas, de Balzac, livro a que somei, alguns anos depois, Recorda&ccedil;&otilde;es do Escriv&atilde;o Isa&iacute;as Caminha, de Lima Barreto. Nesses livros est&aacute; boa parte da inspira&ccedil;&atilde;o que busquei para, nas lutas coletivas, tentar mudar democraticamente o jornalismo e as institui&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o como um todo. Devo ainda muito, mas muito mesmo, ao meu primeiro orientando de mestrado, na UnB: Daniel Herz. No in&iacute;cio dos anos 1980, foi o Daniel que, ao discutirmos o que poderia ser sua disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado, me descortinou fatos e processos sobre a comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil que at&eacute; ent&atilde;o desconhecia. Na dial&eacute;tica orientador-orientando, que constru&iacute; com Daniel Herz e que derivou para uma amizade fraterna, duradoura at&eacute; a sua morte t&atilde;o prematura, est&aacute; a motiva&ccedil;&atilde;o que me alimenta, na academia e fora dela, a lutar por uma comunica&ccedil;&atilde;o mais democr&aacute;tica em nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Qual sua opini&atilde;o sobre os movimentos pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s?<br \/><\/strong><\/span><span>M. C. R. &ndash; Foi com um amplo movimento que tudo come&ccedil;ou, entre os anos 1960 e 1970, unindo for&ccedil;as sindicais e sociais, partidos pol&iacute;ticos, parlamentares e academia; primeiro na luta contra a ditadura militar e a censura; depois, por elei&ccedil;&otilde;es diretas; e, adiante, por uma Constitui&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Na &eacute;poca do Congresso Constituinte, j&aacute; se tinha uma frente nacional que dominava as propostas democr&aacute;ticas nascidas no &acirc;mbito da Unesco e que propunha uma nova ordem mundial da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o, decorrente de pol&iacute;ticas democr&aacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o. As derrotas e as vit&oacute;rias no processo constituinte (mais derrotas que vit&oacute;rias) levaram ao nascimento, nos anos 1990, do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o. O FNDC, herdeiro do processo de formula&ccedil;&atilde;o e luta vindo dos anos 1960, &eacute;, junto com a radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria, inspirador de movimentos e institui&ccedil;&otilde;es mais recentes, como o Coletivo Intervozes. Constituinte, Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, TV a Cabo, radiodifus&atilde; o comunit&aacute;ria, privatiza&ccedil;&atilde;o do Sistema Telebr&aacute;s, TV Digital, um novo marco regulat&oacute;rio para a radiodifus&atilde;o: todos esses processos t&ecirc;m incrustada neles a marca do movimento pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil, um dos mais importantes em todo o mundo.<\/p>\n<p><\/span><span><br \/><strong>Este governo federal &eacute; criticado freq&uuml;entemente pelos movimentos pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. As propostas da Ancinav, do Conselho Federal dos Jornalistas e o desfecho da TV Digital s&atilde;o apontados como exemplos de uma postura passiva. Os radiodifusores comunit&aacute;rios reclamam de que s&atilde;o mais perseguidos e que aumentaram as dificuldades para se legalizarem. Na sua opini&atilde;o, a que se deve esse comportamento? Trata-se de uma subservi&ecirc;ncia do governo ao mercado? <br \/><\/strong><\/span><span>M. C. R. &ndash; &Eacute; o que parece. Os governos se sucedem, mas n&atilde;o se imp&otilde;em sobre o mercado, sobre as empresas de comunica&ccedil;&otilde;es, em especial sobre as de radiodifus&atilde;o. Iniciativas surgem, da sociedade, de setores do pr&oacute;prio governo, como foi o caso do projeto da Ancinav no primeiro mandato do presidente Lula, mas quando se chega perto de uma decis&atilde;o, voltam a se impor os interesses do patronato da comunica&ccedil;&atilde;o. Nada disso deve nos surpreender muito em uma sociedade capitalista. Mas, no caso da radiodifus&atilde;o, nosso ambiente pol&iacute;tico-normativo est&aacute; entre os mais entregues ao mercado de que tenho not&iacute;cia. Nem na sociedade mais capitalista e consumista do mundo, os Estados Unidos, &eacute; assim. Como n&atilde;o o &eacute; na Gr&atilde;-Bretanha, na Fran&ccedil;a, na Su&eacute;cia, e assim por diante.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Sabendo-se que o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, historicamente, n&atilde;o formula pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o, quem as formula, em sua opini&atilde;o? O governo continua abdicando dessa prerrogativa?<br \/><\/strong><\/span><span>M. C. R. &ndash; Se o governo abre m&atilde;o de formular as pol&iacute;ticas para a comunica&ccedil;&atilde;o, e ele de fato costuma abrir, elas se realizam por meio dos interesses empresariais, das corpora&ccedil;&otilde;es, que t&ecirc;m no lucro seu objetivo quase que exclusivo. S&atilde;o as pol&iacute;ticas dos fatos consumados, sem qualquer participa&ccedil;&atilde;o social mais ampla. &Eacute; a hegemonia privado-comercial sobre o Estado, que compromete a democracia mesmo no liberalismo.<\/p>\n<p><\/span><span><br \/><strong>Com a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, cresceu o debate sobre a cria&ccedil;&atilde;o de um marco regulat&oacute;rio para as comunica&ccedil;&otilde;es. &Eacute; poss&iacute;vel constru&iacute;-lo face &agrave; diversidade de meios e interesses abarcados? Quais os principais itens a constar na &quot;espinha dorsal&quot; desse marco? A Constitui&ccedil;&atilde;o Federal precisa ser revista em seu cap&iacute;tulo V?<br \/><\/strong><\/span><span>M. C. R. &ndash; N&atilde;o tenho d&uacute;vidas de que o Cap&iacute;tulo da Comunica&ccedil;&atilde;o Social precisa ser revisto, embora reconhe&ccedil;a ser essa uma daquelas miss&otilde;es quase imposs&iacute;veis, dada a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as que temos hoje e que n&atilde;o dever&aacute; ser alterada em pouco tempo. Ele &eacute; uma colcha de retalhos mal costurada, com s&eacute;rios problemas conceituais e de arranjos legais, resultantes da batalha perdida pelo movimento de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o durante o processo de elabora&ccedil;&atilde;o constitucional. Qualquer novo marco regulat&oacute;rio para as comunica&ccedil;&otilde;es, que inclua o r&aacute;dio e a televis&atilde;o, precisa resgatar, por exemplo, o car&aacute;ter p&uacute;blico de toda a radiodifus&atilde;o, reconhecendo que a id&eacute;ia de complementaridade entre sistemas privado, p&uacute;blico e estatal &eacute; uma armadilha que tende a tornar o p&uacute;blico e o estatal simples guetos diante de um colossal sistema privado-comercial. Esse resgate inclui o debate das anomalias jur&iacute;dicas que s&atilde;o os institutos da concess&atilde;o e da permiss&atilde;o na radiodifus&atilde;o brasileira. &Eacute; preciso submete r a radiodifus&atilde;o privado-comercial a rela&ccedil;&otilde;es contratuais claras com o Poder P&uacute;blico e a instrumentos regulat&oacute;rios e fiscalizat&oacute;rios eficazes e transparentes. &Eacute; preciso dar cabo de absurdos como a constitucionaliza&ccedil;&atilde;o dos prazos de outorgas de radiodifus&atilde;o. Esse &eacute; um dispositivo que chega a ser c&ocirc;mico. Em suma, pensar um em novo marco regulat&oacute;rio para a comunica&ccedil;&atilde;o sem come&ccedil;ar por uma revis&atilde;o ampla do Cap&iacute;tulo da Comunica&ccedil;&atilde;o Social &eacute; pensar o certo, mas com a estrat&eacute;gia errada. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>A sociedade est&aacute; reivindicando e o governo se comprometeu em realizar a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o em 2008. O que o senhor espera da Confer&ecirc;ncia? Quais as suas sugest&otilde;es para o bom andamento dessa iniciativa?<br \/><\/strong><\/span><span>M. C. R. &ndash; S&oacute; uma Confer&ecirc;ncia nos moldes da que se discute hoje dar&aacute; conta das tarefas que apontei anteriormente, meros exemplos de uma agenda pol&iacute;tico-normativa mais ampla que o movimento pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o discute h&aacute; d&eacute;cadas. Eu espero muito da Confer&ecirc;ncia, mas espero, acima de tudo, e antes de mais nada, que sejamos fortes e coesos o suficiente para realiz&aacute;-la, pois os seus opositores por ora est&atilde;o na muda, mas, se perceberem que de fato ela acontecer&aacute;, se mobilizar&atilde;o e far&atilde;o grande press&atilde;o sobre os poderes Executivo e Legislativo para que ambos se afastem da iniciativa. Se isso acontecer, a Confer&ecirc;ncia poder&aacute; se transformar em um mero evento de protesto c&iacute;vico.<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>A entrada das empresas de telecomunica&ccedil;&atilde;o nos servi&ccedil;os de transmiss&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual sofre oposi&ccedil;&atilde;o acirrada dos radiodifusores. O ingresso das teles na transmiss&atilde;o de conte&uacute;dos n&atilde;o significar&aacute; o fim e\/ou a fragiliza&ccedil;&atilde;o do atual modelo de radiodifus&atilde;o? Como estabelecer crit&eacute;rios que regulem suas novas atividades?<br \/><\/strong><\/span><span>M. C. R. &ndash; N&atilde;o vejo problema na entrada das empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es no mercado de televis&atilde;o por assinatura. Como consultor, tenho trabalhado para que isso aconte&ccedil;a. Mais operadores de televis&atilde;o por assinatura pode significar a amplia&ccedil;&atilde;o do acesso a esse servi&ccedil;o por mais pessoas, ainda que ele v&aacute; manter, por muito tempo, o seu car&aacute;ter essencialmente elitista. J&aacute; a possibilidade de as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es oferecerem televis&atilde;o por assinatura de forma alguma amea&ccedil;a o sistema de radiodifus&atilde;o. Esse &eacute; um argumento engendrado pela Globo para, fundamentalmente, manter o seu dom&iacute;nio quase absoluto sobre a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual brasileira. O Congresso Nacional discute no momento essa quest&atilde;o. E, por mais incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, a radiodifus&atilde;o, ou melhor, a Globo, continua a levar vantagem. Ao mesmo tempo em que ela &quot;concede&quot; &agrave;s teles o direito de distribuir programa&ccedil;&otilde;es audiovisuais mediante assinatura, as impede de sequer financiar produ&ccedil;&otilde;es independentes. A &quot;pol&iacute;tica audiovisual&quot; da Globo &eacute; mais restritiva do que a da pr&oacute;pria Ancine, disfar&ccedil;ada de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; &quot;cultura&quot; nacional, o nome que ela d&aacute; ao seu virtual monop&oacute;lio sobre a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>O Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social est&aacute; parado h&aacute; mais de um ano. O que a comunica&ccedil;&atilde;o (e a sociedade) perde com isso? Como faz&ecirc;-lo atuar novamente &ndash; e com mais poder?<br \/><\/strong><\/span><span>M. C. R. &ndash; Sempre fui e continuo c&eacute;tico quanto ao Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Ele foi aparelhado pelos interesses privado-comerciais e n&atilde;o vejo chance de isso mudar no curto e no m&eacute;dio prazos. Espero, como disse h&aacute; pouco, que a Confer&ecirc;ncia Nacional aconte&ccedil;a e que dela nas&ccedil;a, entre outras medidas, um &oacute;rg&atilde;o regulador eficaz e aut&ocirc;nomo para a radiodifus&atilde;o. &Eacute; disso que precisamos, e n&atilde;o de um in&oacute;cuo &oacute;rg&atilde;o auxiliar do Congresso Nacional.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>As concess&otilde;es em radiodifus&atilde;o no Pa&iacute;s entraram na pauta legislativa no &uacute;ltimo ano, mas o espa&ccedil;o &eacute; reconhecidamente comprometido, com mais de 70 parlamentares propriet&aacute;rios de r&aacute;dios e TVs. Como &eacute; poss&iacute;vel rever a regulamenta&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es? E fiscaliz&aacute;-las?<br \/><\/strong><\/span><span>M. C. R. &ndash; S&oacute; com a ado&ccedil;&atilde;o de um novo marco regulat&oacute;rio, de uma nova lei, que venha acompanhada, como j&aacute; frisei, de instrumentos regulat&oacute;rios aut&ocirc;nomos e eficazes. A radiodifus&atilde;o n&atilde;o pode continuar a ser regulada pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, isso &eacute; tudo o que os radiodifusores querem. E as outorgas de radiodifus&atilde;o precisam deixar de ser submetidas ao escrut&iacute;nio interessado, e interesseiro, do Congresso Nacional.<\/p>\n<p><\/span><span><br \/><strong>Os cursos de Comunica&ccedil;&atilde;o Social no Pa&iacute;s n&atilde;o costumam estender seus curr&iacute;culos em disciplinas que tratem de pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o e mesmo de pol&iacute;tica em geral. O estudante e a academia est&atilde;o despolitizados? Qual &eacute; o perfil dos profissionais que buscam a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea?<br \/><\/strong><\/span><span><span>M. C. R.<\/span> &ndash; Nossos cursos de Comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o esquizofr&ecirc;nicos. Instrumentais e meramente profissionalizantes na gradua&ccedil;&atilde;o; acad&ecirc;micos e voltados para a pesquisa na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Quando selecionamos alunos e alunas para nossos mestrados e doutorados, constatamos, quase sempre, uma tend&ecirc;ncia desanimadora: em competi&ccedil;&atilde;o com estudantes de &aacute;reas afins, como Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica, Sociologia, por exemplo, os estudantes oriundos da Comunica&ccedil;&atilde;o em geral saem-se pior. Na gradua&ccedil;&atilde;o, queremos ser jornalistas, publicit&aacute;rios, e queremos que os curr&iacute;culos se espelhem nas exig&ecirc;ncias do mercado. Na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, queremos ser professores e pesquisadores e preferimos os referenciais te&oacute;ricos cr&iacute;ticos, contestadores do status quo. Por isso, sou favor&aacute;vel a uma mudan&ccedil;a substantiva no perfil acad&ecirc;mico dos cursos de Comunica&ccedil;&atilde;o, na gradua&ccedil;&atilde;o, aproximando-os mais das Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais. Com isso, eles se aproximariam mais dos cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e diminuir&iacute;amos o fosso hoje existente ent re gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Para mim, esse &eacute; o problema central dos nossos cursos, e n&atilde;o a despolitiza&ccedil;&atilde;o do estudantado. N&atilde;o acho que meus alunos e alunas de hoje prezem menos a pol&iacute;tica do que aqueles que tive nos anos 1980. Mais do que eles e elas, mudou a pol&iacute;tica, ap&oacute;s o colapso da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, que abriu caminho para a hegemonia neoliberal dos anos 1990. Resgatar o pensamento cr&iacute;tico &eacute; o nosso maior desafio pol&iacute;tico hoje, na academia e fora dela.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quem &eacute; o vil&atilde;o da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong><\/span><span>M. C. R. &ndash; A hegemonia, que parece eterna, do empresariado da radiodifus&atilde;o sobre a pol&iacute;tica e os pol&iacute;ticos. Sei que esse &eacute; um racioc&iacute;nio que parece simples e simplista demais. Mas, quanto mais estudo, trabalho e milito no campo da comunica&ccedil;&atilde;o, mais me conven&ccedil;o disso.<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><\/span><span><em>* Murilo C&eacute;sar Ramos &eacute; p&oacute;s-doutor em Comunica&ccedil;&atilde;o pela Unicamp, doutor em Comunica&ccedil;&atilde;o pela University of Missouri-Columbia, EUA e professor na Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), onde coordena o Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o (LaPCom).<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;As pol\u00edticas de comunica\u00e7\u00e3o se realizam por meio das corpora\u00e7\u00f5es&#8217;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[673],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20660"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20660"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20660\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}