{"id":20653,"date":"2008-03-12T10:05:44","date_gmt":"2008-03-12T10:05:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20653"},"modified":"2008-03-12T10:05:44","modified_gmt":"2008-03-12T10:05:44","slug":"congresso-aprova-mp-que-cria-a-tv-brasil-lula-deve-vetar-artigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20653","title":{"rendered":"Congresso aprova MP que cria a TV Brasil; Lula deve vetar artigo"},"content":{"rendered":"<p>O Senado Federal aprovou na madrugada desta quarta-feira, 12, o Projeto de Lei de Convers&atilde;o (PLV) 02\/2008, que cria a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC) e a TV Brasil. A sess&atilde;o foi conturbada e a vota&ccedil;&atilde;o ocorreu apenas &agrave;s 2h30, aprovando a mat&eacute;ria em vota&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica. &Agrave;s 2h, quando a lideran&ccedil;a do governo confirmou o encaminhamento da vota&ccedil;&atilde;o da TV Brasil, boa parte dos parlamentares da oposi&ccedil;&atilde;o deixou o Plen&aacute;rio em protesto.<\/p>\n<p>Como o relat&oacute;rio do senador Renato Casagrande (PSB\/ES) n&atilde;o alterou o texto encaminhado pelos deputados, a proposta n&atilde;o precisar&aacute; retornar ao Plen&aacute;rio da C&acirc;mara dos Deputados para nova vota&ccedil;&atilde;o e ir&aacute; direto &agrave; san&ccedil;&atilde;o presidencial. Apenas senadores da base aliada governista se pronunciaram antes da an&aacute;lise da Medida Provis&oacute;ria e todos apoiaram a iniciativa de cria&ccedil;&atilde;o da TV p&uacute;blica. Tamb&eacute;m elogiaram as jornalistas Tereza Cruvinel, presidente da EBC, e Helena Chagas, diretora de jornalismo da TV Brasil, pelo condu&ccedil;&atilde;o das negocia&ccedil;&otilde;es nos bastidores do Congresso. Ambas permaneceram no Plen&aacute;rio do Senado durante toda a vota&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Sugest&otilde;es ao governo<br \/><\/strong><br \/>Em sua apresenta&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio da TV p&uacute;blica votado hoje, o senador Renato Casagrande esclareceu a quem s&atilde;o as recomenda&ccedil;&otilde;es de altera&ccedil;&otilde;es no texto presentes em seu parecer: ao governo. &quot;Estou encaminhando as propostas ao governo, que depois poder&aacute; mandar um projeto de lei. E se n&atilde;o encaminhar, n&oacute;s podemos fazer um projeto de lei com essas quest&otilde;es&quot;, declarou o relator.<\/p>\n<p>As altera&ccedil;&otilde;es sugeridas por Casagrande atingem a cota de produ&ccedil;&atilde;o independente que ser&aacute; veiculada obrigatoriamente pela TV Brasil; as regras para o carregamento dos canais p&uacute;blicos pelas TVs por assinatura; o m&eacute;todo de nomea&ccedil;&atilde;o dos diretores, com a inclus&atilde;o de sabatinas; e a obriga&ccedil;&atilde;o de repasse da transmiss&atilde;o de jogos desportivos &agrave; nova TV p&uacute;blica. Todas quest&otilde;es importantes que o pr&oacute;prio relator admite n&atilde;o ter podido alterar por conta da falta de termpo antes que a MP expirasse.<\/p>\n<p><strong>Tens&atilde;o no Senado<\/p>\n<p><\/strong>A sess&atilde;o que terminou com a aprova&ccedil;&atilde;o da medida que cria a EBC foi marcada pela tens&atilde;o entre governo e oposi&ccedil;&atilde;o. Ao longo das duas vota&ccedil;&otilde;es que antecederam a an&aacute;lise da proposta &#8211; existiam uma MP e outro PLV que tinham prioridade no Plen&aacute;rio -, os senadores tiveram diversos embates, na maioria das vezes por conta da insist&ecirc;ncia do governo em votar ainda naquela sess&atilde;o a TV p&uacute;blica. Ao todo, a sess&atilde;o durou 12 horas e meia.<\/p>\n<p>O embate chegou a tal ponto que o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB\/RN), chegou a fazer um desabafo em que colocava em d&uacute;vida sua perman&ecirc;ncia no comando da Casa por conta da dificuldade de acordo entre as lideran&ccedil;as. Enquanto Alves Filho queixava-se, os senadores da oposi&ccedil;&atilde;o se retiraram e a vota&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica foi conclu&iacute;da de forma bastante tranq&uuml;ila. Antes de deixar o Plen&aacute;rio, o l&iacute;der do PSDB no Senador, Arthur Virg&iacute;lio (AM), criticou a condu&ccedil;&atilde;o da vota&ccedil;&atilde;o pela lideran&ccedil;a do governo e amea&ccedil;ou com retalia&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Consequ&ecirc;ncias para TV paga<\/p>\n<p><\/strong>Uma vez sancionado pelo presidente da Rep&uacute;blica, o projeto de lei de convers&atilde;o estar&aacute; em vigor, implicando, para os operadores de TV por assinatura (de qualquer tecnologia) a obrigatoriedade de levar o sinal da TV Brasil e um outro canal com programa&ccedil;&atilde;o do Poder Executivo. Apenas a Anatel pode dispensar os operadores desta obriga&ccedil;&atilde;o, em caso de comprovada limita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica. <\/p>\n<p><strong>Veto presidencial<\/strong><\/p>\n<p>Uma das quest&otilde;es mais pol&ecirc;micas na lei de cria&ccedil;&atilde;o da TV p&uacute;blica aprovada na madrugada desta quarta-feira, 12, ser&aacute; extirpada do texto em sua promulga&ccedil;&atilde;o. O l&iacute;der do governo no Senado Federal, Romero Juc&aacute; (PMDB\/RR), anunciou aos parlamentares durante a vota&ccedil;&atilde;o que a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica vetar&aacute; o artigo 31&ordm;, que trata da cess&atilde;o de jogos desportivos &agrave; TV Brasil. &quot;O governo se compromete a vetar o artigo 31&ordm;. Ent&atilde;o os senadores podem votar tranquilamente porque este artigo ser&aacute; vetado na san&ccedil;&atilde;o&quot;, declarou o l&iacute;der. A principal oposi&ccedil;&atilde;o ao artigo, inclu&iacute;do pelo relator da MP na C&acirc;mara, deputado Walter Pinheiro (PT\/BA), vinha justamente dos grupos detentores destes direitos, especialmente dos radiodifusores.<\/p>\n<p>O an&uacute;ncio pr&eacute;vio de Juc&aacute; foi necess&aacute;rio porque existiam senadores da base aliada que estavam dispostos a votar contra a aprova&ccedil;&atilde;o da Medida Provis&oacute;ria por conta deste trecho da proposta. Um dos que se pronunciou nesse sentido foi Francisco Dornelles (PP\/RJ), que disse em pronunciamento que acreditava que o artigo era inconstitucional ao interferir em contratos privados.<\/p>\n<p><strong>Pol&ecirc;mica<\/p>\n<p><\/strong>O artigo que ser&aacute; vetado obrigava as TVs comerciais donas de contratos de exclusividade para a transmiss&atilde;o de jogos desportivos, em que o Brasil estivesse representado, cedesse o direito gratuitamente &agrave; TV Brasil caso n&atilde;o veiculasse as competi&ccedil;&otilde;es na TV aberta. O texto n&atilde;o sofreu qualquer contesta&ccedil;&atilde;o na vota&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara dos Deputados, mas gerou rea&ccedil;&otilde;es imediatas t&atilde;o logo a proposta chegou ao Senado Federal. O senador Ant&ocirc;nio Carlos Magalh&atilde;es J&uacute;nior (DEM\/BA) foi um dos primeiros a protestar, questionando a legalidade do artigo.<\/p>\n<p>Em seu parecer, o senador-relator Renato Casagrande (PSB\/ES) ressaltou o artigo pol&ecirc;mico, apesar de n&atilde;o ter feito nenhuma altera&ccedil;&atilde;o estrutural na proposta aprovada pela C&acirc;mara. Casagrande recomendou ao governo mudar a reda&ccedil;&atilde;o do texto, preservando ao menos a remunera&ccedil;&atilde;o da detentora do contrato de exclusividade nos casos em que, por qualquer motivo, decida n&atilde;o veicular o jogo na TV aberta.<\/p>\n<p>A proposta de Casagrande seria permitir que, nestes casos, a dona do direito de veicula&ccedil;&atilde;o possa revender a outros interessados a transmiss&atilde;o. Somente se nenhuma outra emissora tivesse interesse na transmiss&atilde;o, o direto seria cedido, gratuitamente, &agrave; TV Brasil.<br \/>Mesmo com o veto, a pol&ecirc;mica pode voltar &agrave; tona na C&acirc;mara dos Deputados. Tr&ecirc;s projetos tramitam em conjunto na Comiss&atilde;o de Turismo e Desporto sobre este tema e podem ganhar f&ocirc;lego com a discuss&atilde;o aberta pela TV Brasil. A tramita&ccedil;&atilde;o destes projetos est&aacute; paralisada desde julho de 2007, aguardando parecer dos deputados. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sess\u00e3o conturbada, senadores aprovam proposta que cria a EBC. Como o relat\u00f3rio n\u00e3o alterou o texto encaminhado pelos deputados, a proposta n\u00e3o precisar\u00e1 retornar \u00e0 C\u00e2mara e ir\u00e1 direto \u00e0 san\u00e7\u00e3o presidencial. 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