{"id":20644,"date":"2008-03-11T11:47:43","date_gmt":"2008-03-11T11:47:43","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20644"},"modified":"2008-03-11T11:47:43","modified_gmt":"2008-03-11T11:47:43","slug":"jornalistas-reunem-se-para-combater-hegemonia-conservadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20644","title":{"rendered":"Jornalistas re\u00fanem-se para combater hegemonia conservadora"},"content":{"rendered":"<p><em>Encontro realizado em S&atilde;o Paulo reuniu mais de quarenta pessoas, entre jornalistas, professores e ativistas na &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o. Em debate, a luta contra a hegemonia conservadora na constru&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. Nova reuni&atilde;o dever&aacute; ser realizada no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><\/em>S&Atilde;O PAULO &#8211; Das 10 horas da manh&atilde; &agrave;s 18h30 aproximadamente, estiveram reunidos na sala Minas Gerais do Hotel Maksoud Plaza, em S&atilde;o Paulo, 42 jornalistas, professores ou simplesmente pessoas atuantes na &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es, de alguma forma ligados todos e todas ao campo da chamada &ldquo;imprensa ou m&iacute;dia alternativas&rdquo;. A qualifica&ccedil;&atilde;o &ldquo;alternativa&rdquo; &eacute; contestada por muitos, e essa contesta&ccedil;&atilde;o apareceu na pr&oacute;pria reuni&atilde;o. Houve reivindica&ccedil;&atilde;o de que ao inv&eacute;s de &ldquo;imprensa alternativa&rdquo; se falasse de uma &ldquo;imprensa de esquerda&rdquo;.<\/p>\n<p>Como n&atilde;o houve delibera&ccedil;&atilde;o neste sentido (ali&aacute;s, n&atilde;o houve propriamente &ldquo;delibera&ccedil;&atilde;o&rdquo; na reuni&atilde;o, embora haja pontos consensuais que apontam para futuras a&ccedil;&otilde;es comuns), este relat&oacute;rio continuar&aacute; a usar os termos &ldquo;imprensa ou m&iacute;dia alternativas&rdquo;, por serem eles que presidiram o esp&iacute;rito da convoca&ccedil;&atilde;o. E por &ldquo;alternativa&rdquo; entendia-se uma imprensa ou m&iacute;dia de resist&ecirc;ncia ao esfor&ccedil;o da m&iacute;dia que se auto-proclama &ldquo;grande imprensa&rdquo; (outro termo contestado seguidamente) por impor uma hegemonia conservadora na constru&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o no Brasil (na Am&eacute;rica Latina e no restante do mundo), hegemonia esta que se identifica hoje com o pensamento neo-liberal consagrado no Consenso de Washington.<\/p>\n<p>Todas as falas ressaltaram a import&acirc;ncia hist&oacute;rica do encontro, que reunia numa mesma sala dezenas de peri&oacute;dicos, p&aacute;ginas de internet, iniciativas no campo do r&aacute;dio e da tv (muitos poucos, conforme v&aacute;rias observa&ccedil;&otilde;es) e dezenas de comunicadores, alguns envolvidos na &ldquo;guerra da informa&ccedil;&atilde;o&rdquo; no Brasil h&aacute; quatro ou cinco d&eacute;cadas. Foram relembradas experi&ecirc;ncias valiosas, como as da cadeia de jornais &ldquo;&Uacute;ltima Hora&rdquo;, as da imprensa alternativa de oposi&ccedil;&atilde;o ao regime de 1964 (quando, inclusive, aquele termo surgiu, como alternativa ao termo, tamb&eacute;m comum, de &ldquo;imprensa nanica&rdquo;), mas a preocupa&ccedil;&atilde;o de todas e todos era muito mais com o presente e com o futuro. <\/p>\n<p>Ressaltou-se a aus&ecirc;ncia de gente &ldquo;mais jovem&rdquo;, pois com poucas exce&ccedil;&otilde;es, todos os presentes passavam dos trinta anos de idade, sendo que a maioria ficava na casa dos quarenta e na dos cinq&uuml;enta. <\/p>\n<p>A import&acirc;ncia dada &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o da reuni&atilde;o vinha da constata&ccedil;&atilde;o de que ali est&aacute;vamos em t&atilde;o grande n&uacute;mero, buscando formas comuns de a&ccedil;&atilde;o e de consenso, mas reconhecendo e celebrando tamb&eacute;m a nossa diversidade e multiplicidade e, ali&aacute;s, partindo delas. Isso poderia abrir uma nova tradi&ccedil;&atilde;o nesse tipo de reuni&atilde;o, pois a tradi&ccedil;&atilde;o vigente rezava que quando se reunia tanta gente era para promover algum tipo de &ldquo;racha&rdquo; iminente. <\/p>\n<p>Houve falas no sentido de que essa tradi&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;rachas&rdquo; provinha da &ldquo;partidariza&ccedil;&atilde;o&rdquo; anterior desse tipo de imprensa (num tempo, nunca &eacute; bom esquecer, em que os partidos eram proibidos, exceto os criados pela ditadura de 64) para que, n&atilde;o raras vezes, convergiam experi&ecirc;ncias e milit&acirc;ncias condenadas &agrave; clandestinidade.<\/p>\n<p>Todas as falas tocaram no tema da &ldquo;Forma&ccedil;&atilde;o&rdquo; como algo essencial a ser permanentemente discutido e rediscutido, indo al&eacute;m do tratamento de uma &ldquo;imprensa corporativa&rdquo; como alvo de mercado a ser perseguido pelos alunos, em favor da discuss&atilde;o de uma &ldquo;cultura de resist&ecirc;ncia&rdquo;. Prop&ocirc;s-se tamb&eacute;m a valoriza&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o fora das universidades, em semin&aacute;rios e outras iniciativas semelhantes feitas, por exemplo, nas periferias das grandes cidades, sindicatos, associa&ccedil;&otilde;es, etc.<\/p>\n<p>Insistiu-se na necessidade da cria&ccedil;&atilde;o de pontos, portais e\/ou materiais de refer&ecirc;ncia de um jornalismo alternativo ou de esquerda. Tal objetivo visava lutar contra o esquecimento em v&aacute;rias frentes. Por exemplo, citou-se que num curso de jornalismo os estudantes n&atilde;o conheciam mais quem era ou fora Leonel Brizola. Falou-se muito da exist&ecirc;ncia de &ldquo;n&atilde;o-fatos&rdquo;, aqueles que s&atilde;o sistematicamente esquecidos, postos de lado ou simplesmente censurados por orienta&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica. Lembrou-se de que na &ldquo;grande imprensa&rdquo; passou a ser t&atilde;o ou mais importante do que pautar o que deve ser exposto, pautar o que deve ser oculto ou s&oacute; mencionado em &uacute;ltimo caso. <\/p>\n<p>Foi consenso tamb&eacute;m a amplia&ccedil;&atilde;o constante dos campos de conex&atilde;o, sinergia e integra&ccedil;&atilde;o entre os projetos (incluindo mais sistematicamente as experi&ecirc;ncias de r&aacute;dios, r&aacute;dios comunit&aacute;rias e tev&ecirc;s) alternativos ou de esquerda, estabelecendo redes mediante uma l&oacute;gica colaborativa e n&atilde;o centralizadora.<\/p>\n<p>Todas as falas ressaltaram a necessidade de se manter a perspectiva da diversidade, de estimula-la, de valorizar as diferen&ccedil;as, n&atilde;o s&oacute; porque essa era a condi&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia da reuni&atilde;o, mas porque esse &eacute; um conceito fundamental diante da cada vez maior indiferencia&ccedil;&atilde;o da &ldquo;grande imprensa&rdquo;, que, no Brasil, possui um epicentro cada vez mais atuante no grande conglomerado formado pela tev&ecirc;, em particular a rede Globo. A tev&ecirc;, mais o r&aacute;dio, e tamb&eacute;m a internet, s&atilde;o respons&aacute;veis pela consolida&ccedil;&atilde;o do notici&aacute;rio do dia. Numa fun&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, esse notici&aacute;rio &eacute; comentado &agrave; noite, em programas de tev&ecirc;. E numa fun&ccedil;&atilde;o terci&aacute;ria, a imprensa escrita organiza um &ldquo;relat&oacute;rio comentado&rdquo; no dia seguinte dirigido aos agentes &ldquo;formadores da opini&atilde;o&rdquo;, em geral conservadora, do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&ldquo;Valorizar as diferen&ccedil;as&rdquo; como elemento decisivo da informa&ccedil;&atilde;o democraticamente constru&iacute;da n&atilde;o significa valorizar ou submeter-se &agrave; dispers&atilde;o. Deve-se estimular a colabora&ccedil;&atilde;o concreta entre os projetos, sob a forma de links, pautas comuns, encontros parciais ou novos encontros desse tipo ou grupo, ampliando seu espectro para todas as regi&otilde;es do pa&iacute;s e tamb&eacute;m da Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>Ressaltou-se muito a quest&atilde;o do espa&ccedil;o latino-americanos, n&atilde;o s&oacute; como &aacute;rea onde se busquem novos parceiros, mas como tema central da luta pela informa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Houve v&aacute;rias men&ccedil;&otilde;es &agrave; cobertura parcial na &ldquo;grande imprensa&rdquo;, com vistas &agrave; demoniza&ccedil;&atilde;o ou desqualifica&ccedil;&atilde;o dos presidentes Correa e Ch&aacute;vez, e a absolvi&ccedil;&atilde;o velada de Uribe, ainda que se condenasse em quase todos os ve&iacute;culos a invas&atilde;o de um territ&oacute;rio soberano, que foi o do Equador. Embora condenada, a agress&atilde;o de Uribe era invariavelmente apresentada como &ldquo;defesa&rdquo;, diante de uma Farc j&aacute; demonizada desde sempre.<\/p>\n<p>A Am&eacute;rica Latina &eacute; tema complicado para a &ldquo;grande imprensa&rdquo;, uma vez que a maioria dos seus comentaristas a t&ecirc;m desqualificado sistematicamente como espa&ccedil;o pol&iacute;tico. Houve coment&aacute;rios na reuni&atilde;o de que neste sentido a &ldquo;grande imprensa&rdquo; n&atilde;o &eacute; s&oacute; de direita, mas tamb&eacute;m guarda um esp&iacute;rito colonizado, provinciano e anacr&ocirc;nico diante das novas realidades da geopol&iacute;tica mundial, e que esse esp&iacute;rito se estende, por exemplo, &agrave; articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do PSDB e do DEM, cujo retorno ao governo federal poderia representar um enorme retrocesso estrat&eacute;gico na pol&iacute;tica externa brasileira. De resto, destaco, como relator, que esta foi a &uacute;nica refer&ecirc;ncia diretamente partid&aacute;ria feita na reuni&atilde;o.<\/p>\n<p>Outro tema largamente abordado foi a quest&atilde;o da sustentabilidade e da viabiliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica dos projetos, destacando-se a necessidade de se reivindicar uma reorienta&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es, no sentido de diversificar sua abrang&ecirc;ncia, seu alcance e a natureza dos projetos subsidiados mediante patroc&iacute;nio, publicidade ou financiamento atrav&eacute;s de ag&ecirc;ncias estatais (como o BNDES), rompendo o quase monop&oacute;lio dos chamados &ldquo;crit&eacute;rios de mercado&rdquo;.<\/p>\n<p>Discutiu-se a necessidade de levar essa e outras reivindica&ccedil;&otilde;es, como a de colocar os Correios de alguma forma &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da imprensa alternativa, pessoalmente ou mediante comiss&atilde;o &agrave;s autoridades p&uacute;blicas envolvidas. Dever-se-ia reivindicar tamb&eacute;m que as sinopses p&uacute;blicas, como as da Radiobr&aacute;s, que s&atilde;o inclusive distribu&iacute;das internacionalmente por embaixadas brasileiras, abram espa&ccedil;o para ve&iacute;culos alternativos. Essa discuss&atilde;o se deu na moldura de destacar o papel relevante do Estado numa pol&iacute;tica de democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Esse papel &eacute; destacado mediante a considera&ccedil;&atilde;o de que existe uma &ldquo;guerra da informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, e que essa guerra &eacute; assim&eacute;trica, pois de um lado h&aacute; um quase cartel da informa&ccedil;&atilde;o, formado por grandes corpora&ccedil;&otilde;es que tocam afinadas entre si apesar da eventual concorr&ecirc;ncia por espa&ccedil;os de mercado, e uma mir&iacute;ade de iniciativas pequenas e dispersas, que necessitam de espa&ccedil;os de aglutina&ccedil;&atilde;o para preservarem, inclusive, a pr&oacute;pria especificidade.<\/p>\n<p>Na vis&atilde;o dos participantes o centro da disputa entre os diferentes tipos de m&iacute;dia se d&aacute; na disputa pela agenda social, cultural, pol&iacute;tica que se prop&otilde;e (ou se imp&otilde;e) &agrave; sociedade e &agrave;s ag&ecirc;ncias de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em todos os campos. Um exemplo significativo dessa luta se deu nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006: derrotada na sua campanha contra a reelei&ccedil;&atilde;o de Lula, a &ldquo;grande m&iacute;dia&rdquo; continuou na refrega tentando impor, atrav&eacute;s de seus ve&iacute;culos, a pauta de seu candidato preferencial (ou emergencial&#8230;). Conseguiram, pelo menos inicialmente, pois dentro do pr&oacute;prio governo e dos partidos de sua aglutina&ccedil;&atilde;o permanece hegem&ocirc;nica a vis&atilde;o que privilegia essa m&iacute;dia como espa&ccedil;o de refer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Essa luta prossegue hoje porque, uma vez que iniciativas como as do PAC promoveram um deslocamento de refer&ecirc;ncias, existe a tentativa correlata de ignora-las ou distorce-las, em favor da pauta de heran&ccedil;a neo-liberal que continua animando aquela m&iacute;dia. Como essa pauta est&aacute; em crise, gra&ccedil;as ao fracasso das pol&iacute;ticas neoliberais na Am&eacute;rica Latina e no mundo (at&eacute; na Europa e nos Estados Unidos isso come&ccedil;a a aparecer de modo dram&aacute;tico), um esfor&ccedil;o consider&aacute;vel do pensamento conservador expresso na &ldquo;grande m&iacute;dia&rdquo; &eacute; o de esconder esse fracasso, apresentando-o continuamente como resultado, quando o apresenta, da aplica&ccedil;&atilde;o apenas parcial ou descuidada da Receita, quero dizer, do Consenso de Washington.<\/p>\n<p>Insistiu-se na amplia&ccedil;&atilde;o da pauta dos projetos &ldquo;alternativos&rdquo;, que, junto com os &ldquo;n&atilde;o-fatos&rdquo; ocultados pela &ldquo;grande m&iacute;dia&rdquo;, devem discutir mais e melhor o pr&oacute;prio tema das comunica&ccedil;&otilde;es e outros conexos. Entre esses temas est&aacute; o atual da TV p&uacute;blica, reivindicando que ela tamb&eacute;m propicie um espa&ccedil;o de aglutina&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia alternativa. Sugeriu-se que nessa amplia&ccedil;&atilde;o de pautas se d&ecirc; especial aten&ccedil;&atilde;o a temas que implicam conflitos como os colocados entre o jornalista Luis Nassif e a revista Veja; ou a Igreja Universal e a Globo e a Folha de S. Paulo; ou o governo do Paran&aacute; e a m&iacute;dia conservadora, que o mant&eacute;m sob uma esp&eacute;cie de cerco e ass&eacute;dio constantes; ou &agrave;s lutas das r&aacute;dios comunit&aacute;rias, freq&uuml;entemente cerceadas em sua liberdade de exist&ecirc;ncia, e com uma situa&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria de subsist&ecirc;ncia, o que, ali&aacute;s, compartilha como situa&ccedil;&atilde;o com toda a &ldquo;m&iacute;dia alternativa&rdquo;.<\/p>\n<p>O encontro encaminhou-se para a conclus&atilde;o discutindo diferentes temas ligados &agrave; id&eacute;ia da sua continuidade. Discutiu-se longamente sobre a conveni&ecirc;ncia e a oportunidade de se lan&ccedil;ar uma carta como conclus&atilde;o dele, sobre se essa carta deveria ter a forma de uma carta &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, de uma carta &agrave; sociedade, ou de uma carta aberta dirigida ao Presidente. Tamb&eacute;m sobre se ela deveria apresentar reivindica&ccedil;&otilde;es ou apontar um diagn&oacute;stico ou an&aacute;lise, uma agenda de discuss&atilde;o ao inv&eacute;s de demandas diretas. Houve v&aacute;rias manifesta&ccedil;&otilde;es a favor da id&eacute;ia da agenda, mas houve tamb&eacute;m a apresenta&ccedil;&atilde;o &agrave; mesa de propostas de cartas com reivindica&ccedil;&otilde;es gerais e espec&iacute;ficas. Ao final, neste sentido, prevaleceu a id&eacute;ia de uma comiss&atilde;o, formada por mim, Fl&aacute;vio Aguiar, por Mauro Santayana,&nbsp;Renato Rovai e Bernardo Kucinski, que formalize uma proposta de carta e a envie aos demais para amadurecimento da discuss&atilde;o, sem perder de vista &agrave; id&eacute;ia de que n&atilde;o deva haver demora nisso. <\/p>\n<p>Em princ&iacute;pio, fixou-se a necessidade de uma nova reuni&atilde;o desse grupo, provavelmente ampliada, no futuro pr&oacute;ximo. A reuni&atilde;o seria realizada no Rio de Janeiro, na UFRJ, e nomeou-se uma &ldquo;Comiss&atilde;o Executiva&rdquo; para tratar de seu encaminhamento e da natureza dessa amplia&ccedil;&atilde;o, se, por exemplo, j&aacute; incluiria jornalistas de outros pa&iacute;ses, e tamb&eacute;m da data de realiza&ccedil;&atilde;o. Houve sugest&otilde;es de que ela fosse realizada em abril, o que foi considerado prematuro por alguns; que ela acontecesse no come&ccedil;o de maio, o que se viu como mais vi&aacute;vel, ou at&eacute; mesmo junho.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m se discutiu uma intensifica&ccedil;&atilde;o das conex&otilde;es entre essa &ldquo;m&iacute;dia alternativa&rdquo; e as universidades, seja como frente de disputa de mercado, seja como abertura para a forma&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia mais cr&iacute;tica e aberta n&atilde;o s&oacute; entre os estudantes mas tamb&eacute;m entre os educadores e os jornalistas. Essa vis&atilde;o se deu no &acirc;mbito da id&eacute;ia de que se &eacute; verdade que o poder da &ldquo;grande m&iacute;dia&rdquo; permanece muito grande, as frinchas em sua buscada hegemonia s&atilde;o hoje mais vis&iacute;veis, n&atilde;o s&oacute; pela exist&ecirc;ncia de novas tecnologias que facilitam outras iniciativas nas comunica&ccedil;&otilde;es, mas pela consci&ecirc;ncia crescente de que o problema central do jornalismo n&atilde;o &eacute; tecnol&oacute;gico, mas &eacute;tico, e fica mais e mais evidente o fracasso &eacute;tico das grandes corpora&ccedil;&otilde;es em desenhar uma perspectiva democr&aacute;tica para as comunica&ccedil;&otilde;es e a sociedade.<\/p>\n<p>Houve v&aacute;rias manifesta&ccedil;&otilde;es em torno da id&eacute;ia de que os conflitos sociais centrais permanecem sendo os de classe, e que o que op&otilde;e essa &ldquo;grande m&iacute;dia&rdquo; e a &ldquo;m&iacute;dia alternativa&rdquo; &eacute; a quest&atilde;o da transforma&ccedil;&atilde;o social e de suas implica&ccedil;&otilde;es, ainda que hoje se tenha maior consci&ecirc;ncia de que essa tamb&eacute;m &eacute; uma quest&atilde;o a ser encarada com pluralidade e diversidade no campo &ldquo;alternativo&rdquo; ou &ldquo;de esquerda&rdquo;.<\/p>\n<p>Nada mais havendo a discutir no momento, encerrou-se a reuni&atilde;o com uma foto comemorativa e a indica&ccedil;&atilde;o deste relator para elaborar o presente relato.<\/p>\n<p>* Fl&aacute;vio Aguiar &eacute; editor chefe da Ag&ecirc;ncia Carta Maior<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontro realizado em SP reuniu mais de quarenta pessoas, entre jornalistas, professores e ativistas da \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o. 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