{"id":20642,"date":"2008-03-11T10:57:07","date_gmt":"2008-03-11T10:57:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20642"},"modified":"2008-03-11T10:57:07","modified_gmt":"2008-03-11T10:57:07","slug":"a-tv-digital-e-o-novo-celular-do-presidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20642","title":{"rendered":"A TV digital e o novo celular do presidente"},"content":{"rendered":"<p><span>O presidente Lula foi na ter&ccedil;a-feira (4\/3) &agrave; f&aacute;brica da Samsung, em Campinas (SP). Saiu de l&aacute; com um celular V820L, preparado para receber o sinal da TV digital. O telefone ser&aacute; colocado &agrave; venda em abril, inicialmente s&oacute; em S&atilde;o Paulo. Ele est&aacute; apto a receber o conte&uacute;do das sete principais redes de televis&atilde;o do pa&iacute;s. Quem tiver dinheiro para comprar o aparelho dentro de um m&ecirc;s (em um ano o seu pre&ccedil;o cair&aacute; pela metade) vai acessar a TV aberta da mesma forma com que hoje o faz em casa. &Eacute; a primeira propriedade da TV digital terrestre que pode fazer sentido para o consumidor brasileiro. <\/p>\n<p><\/span><span>Quando o presidente sintonizar seu receptor, no entanto, corre o risco de se decepcionar. A imagem ser&aacute; boa, mas o conte&uacute;do n&atilde;o ser&aacute; diferente do que ele j&aacute; deve estar cansado de ver no Pal&aacute;cio da Alvorada. &Eacute; a&iacute; que mora o perigo.<\/p>\n<p><\/span><span>A verdade &eacute; que a TV, tal como a conhecemos agora, est&aacute; perdendo relev&acirc;ncia com espantosa velocidade. Envelheceu sem se dar conta disso. Quando tenta ser &quot;jovem&quot; torna-se com freq&uuml;&ecirc;ncia pat&eacute;tica. Os &quot;nativos digitais&quot; n&atilde;o querem saber dela h&aacute; muito tempo. Perceberam que t&ecirc;m o direito de escolha, o que era impens&aacute;vel para seus pais. <\/p>\n<p><\/span><span>H&aacute; controv&eacute;rsias, &eacute; claro. O ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Helio Costa, por exemplo, acredita que a televis&atilde;o brasileira &eacute; um modelo para o mundo. Falando na quarta-feira (5\/3), no Acel Expo F&oacute;rum, em Bras&iacute;lia, ele revelou que &quot;a televis&atilde;o na Europa &eacute; ruim; &eacute; horr&iacute;vel. O povo europeu odeia televis&atilde;o. E isso n&atilde;o acontece no Brasil. A nossa televis&atilde;o &eacute; muito boa&quot;. E sentenciou: &quot;O nosso conte&uacute;do como est&aacute; hoje &eacute; muito atrativo&quot;.<\/p>\n<p><\/span><span>N&atilde;o &eacute; o que acham os jovens e, em escala crescente, o resto da popula&ccedil;&atilde;o. Por isso a internet consolida-se rapidamente como o principal meio de informa&ccedil;&atilde;o da sociedade. O Brasil tem hoje 40 milh&otilde;es de internautas. A eles se somar&atilde;o mais 5 milh&otilde;es at&eacute; dezembro. Isso est&aacute; bem longe do pequeno nicho ao qual at&eacute; ontem a internet era associada. Cerca de 40% dessas pessoas est&aacute; na classe C. A internet deixou de ser coisa da elite. Chegou aonde s&oacute; a televis&atilde;o e o r&aacute;dio chegavam. A televis&atilde;o n&atilde;o tem op&ccedil;&otilde;es. Ela e todas as formas de distribui&ccedil;&atilde;o de produto audiovisual t&ecirc;m que suportar uma conviv&ecirc;ncia inc&ocirc;moda.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>180 graus<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>N&atilde;o &eacute; a substitui&ccedil;&atilde;o de um receptor de TV por um monitor de computador que estabelece a diferen&ccedil;a entre a televis&atilde;o de ontem e a televis&atilde;o de amanh&atilde;. &Eacute; a maneira como o usu&aacute;rio &eacute; capaz de interagir com a tela que est&aacute; na sua frente, de encontrar nela o que efetivamente est&aacute; procurando. As pessoas aprenderam a procurar &ndash; o que &eacute; muito diferente de escolher entre o que lhes &eacute; oferecido.<\/p>\n<p><\/span><span>Temos que admitir que, no s&eacute;culo 21, n&atilde;o &eacute; muito normal que uma pessoa saud&aacute;vel esteja procurando o Faust&atilde;o, o Gugu ou assemelhados. O p&uacute;blico mostra isso todos os dias, empurrando a programa&ccedil;&atilde;o tradicional para patamares de audi&ecirc;ncia muito inferiores aos que ela operava h&aacute; menos de cinco anos. Transmitir essa mesma programa&ccedil;&atilde;o em alta defini&ccedil;&atilde;o n&atilde;o vai fazer muita diferen&ccedil;a. O p&uacute;blico tamb&eacute;m sinalizou isso. As transmiss&otilde;es digitais, que come&ccedil;aram em dezembro no ano passado, simplesmente n&atilde;o decolaram.<\/p>\n<p><\/span><span>O que pode faz&ecirc;-las decolar? No topo da lista est&aacute; a mobilidade e a portabilidade. Se o presidente Lula fosse de &ocirc;nibus para o trabalho, j&aacute; poderia ver televis&atilde;o enquanto se acotovelasse entre os outros passageiros. Isso faz um bocado de diferen&ccedil;a. O momento de ver televis&atilde;o n&atilde;o &eacute; mais o espa&ccedil;o entre a hora que um trabalhador chega em casa e a que ele vai dormir. &Eacute; o tempo em que ele est&aacute; no transporte ou fazendo um lanche. Tal possibilidade representa uma guinada de 180 graus no que o p&uacute;blico e o mercado entendem por &quot;hor&aacute;rio nobre&quot; &ndash; que gera 80% da receita de qualquer rede de televis&atilde;o aberta.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Anseios diferentes<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A televis&atilde;o aberta, a televis&atilde;o fechada e, agora, todos os mecanismos emergentes de distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual falam com segmentos distintos da sociedade &ndash; e o que falam &eacute; bastante diferente. N&atilde;o h&aacute; nada de errado nisso. Na verdade, o que as emissoras mais temem &eacute; justamente o que poder&aacute; salva-las: a transforma&ccedil;&atilde;o do modelo de neg&oacute;cios praticado h&aacute; 60 anos. Durante todo esse tempo, a televis&atilde;o domesticou sua audi&ecirc;ncia. As novas gera&ccedil;&otilde;es disseram que n&atilde;o querem ser parte disso. O que elas est&atilde;o demonstrando &eacute; que p&uacute;blicos plurais demandam modelos plurais de constru&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do.<\/p>\n<p><\/span><span>A capacidade de transmiss&atilde;o para receptores m&oacute;veis e port&aacute;teis &eacute; um exemplo paradigm&aacute;tico. Demanda novas formas de conte&uacute;do, mas vai al&eacute;m disso. Exige fontes bastante diversificadas de produ&ccedil;&atilde;o e mecanismos que atendam a elas. &Eacute; um sintoma do que acontece com todas as outras possibilidades de provimento de conte&uacute;do audiovisual.<\/p>\n<p><\/span><span>O novo celular que o presidente tem no bolso &eacute; semelhante aos gadgets que todos os brasileiros ter&atilde;o. S&atilde;o brasileiros de idades diferentes, n&iacute;veis educacionais diferentes, classes sociais diferentes, anseios diferentes. Diante da possibilidade de op&ccedil;&atilde;o, eles n&atilde;o t&ecirc;m raz&atilde;o alguma para estar querendo consumir a mesma coisa. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente Lula foi na ter&ccedil;a-feira (4\/3) &agrave; f&aacute;brica da Samsung, em Campinas (SP). Saiu de l&aacute; com um celular V820L, preparado para receber o sinal da TV digital. O telefone ser&aacute; colocado &agrave; venda em abril, inicialmente s&oacute; em S&atilde;o Paulo. 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