{"id":20595,"date":"2008-03-04T11:32:59","date_gmt":"2008-03-04T11:32:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20595"},"modified":"2008-03-04T11:32:59","modified_gmt":"2008-03-04T11:32:59","slug":"a-imprensa-e-os-antidotos-contra-o-assassinato-de-reputacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20595","title":{"rendered":"A imprensa e os ant\u00eddotos contra o assassinato de reputa\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"art_texto\">O site Consultor Jur&iacute;dico (13\/2) informa que o juiz da 4&ordf; Vara C&iacute;vel de Bras&iacute;lia, Robson Barbosa de Azevedo, condenou a TV Globo e o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) a pagar 100 mil reais de indeniza&ccedil;&atilde;o ao assessor parlamentar Luiz Carlos da Silva por associar, indevidamente, o seu nome com o chamado &quot;esc&acirc;ndalo do mensal&atilde;o&quot; [<a href=\"http:\/\/observatorio.ultimosegundo.ig.com.br\/artigos.asp?cod=474ASP007\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">ver aqui<\/a>]. Al&eacute;m disso, a TV Globo dever&aacute; &quot;divulgar o inteiro teor da senten&ccedil;a nos mesmos programas nos quais foi publicada a lista que originou o dano moral, no prazo de 60 dias, sob pena de multa de R$ 50 mil por dia de descumprimento da ordem judicial&quot; (Processo: 2005.01.1.107480-8).<\/p>\n<p>[Caro leitor(a): voc&ecirc; soube dessa not&iacute;cia em algum jornal, revista, emissora de r&aacute;dio ou televis&atilde;o?]<\/p>\n<p>O nome do assessor parlamentar apareceu em mat&eacute;rias veiculadas no Jornal Nacional da Rede Globo nos dias 14, 15 e 19 de julho de 2005. Essas mat&eacute;rias foram, &agrave; &eacute;poca, objeto de artigo neste OI sob o t&iacute;tulo &quot;<a href=\"http:\/\/observatorio.ultimosegundo.ig.com.br\/artigos.asp?cod=338IMQ001\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">Jornal Nacional: Edi&ccedil;&atilde;o no limite da irresponsabilidade<\/a>&quot;. <\/p>\n<p>Luiz Carlos da Silva foi inclu&iacute;do numa lista de pessoas que estiveram na ag&ecirc;ncia do Banco Rural do Bras&iacute;lia Shopping a servi&ccedil;o de 9 (nove) deputados do PT, que se tornaram tamb&eacute;m suspeitos. Nessa ag&ecirc;ncia, como se sabe, foram feitos saques destinados a deputados acusados de envolvimento com a corrup&ccedil;&atilde;o. A lista era resultado de um cruzamento feito pela lideran&ccedil;a do ent&atilde;o PFL entre nomes que surgiram na investiga&ccedil;&atilde;o conduzida pela CPMI dos Correios e rela&ccedil;&atilde;o de funcion&aacute;rios e ex-funcion&aacute;rios da C&acirc;mara dos Deputados, tendo sido encaminhada &agrave; Rede Globo pelo deputado Rodrigo Maia, hoje presidente do DEM.<\/p>\n<p><strong>Como avan&ccedil;ar?<\/p>\n<p><\/strong>Ao final da CPMI, comprovou-se que apenas 3 (tr&ecirc;s) dos 9 (nove) deputados denunciados nas mat&eacute;rias do JN tiveram algum tipo de envolvimento com os saques feitos na referida ag&ecirc;ncia do Banco Rural. O &quot;Luiz Carlos da Silva&quot; que estivera na ag&ecirc;ncia banc&aacute;ria era um hom&ocirc;nimo do assessor parlamentar do deputado Wasny de Roure (PT-DF) que, &agrave; &eacute;poca dos saques, sequer era deputado federal.<\/p>\n<p>Para o juiz Robson Barbosa de Azevedo, &quot;o interesse p&uacute;blico e o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem subsidiar informa&ccedil;&otilde;es inver&iacute;dicas e tendenciosas&quot;. Para ele, a divulga&ccedil;&atilde;o apressada da lista de nomes sem a verifica&ccedil;&atilde;o dos motivos da presen&ccedil;a das pessoas na ag&ecirc;ncia banc&aacute;ria, que &eacute; local p&uacute;blico, caracteriza dano de natureza extra-patrimonial.<\/p>\n<p>No momento em que o Supremo Tribunal Federal decide manter a liminar do ministro Carlos Ayres Britto (27\/2) sobre a suspens&atilde;o de 22 dos 77 artigos da velha Lei de Imprensa do regime militar, a decis&atilde;o do juiz Robson Barbosa de Azevedo (para a qual ainda cabe recurso) merece a reflex&atilde;o de legisladores e integrantes do Judici&aacute;rio.<\/p>\n<p>Qual a melhor forma de avan&ccedil;ar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s garantias constituc dos direitos fundamentais &ndash; tanto do cidad&atilde;o, quanto dos jornalistas profissionais e das empresas de m&iacute;dia?<\/p>\n<p><strong>Previamente culpado<\/p>\n<p><\/strong>Embora a decis&atilde;o do STF permita aos ju&iacute;zes o uso de regras dos C&oacute;digos Penal e Civil para julgarem a&ccedil;&otilde;es que versem sobre os 22 artigos temporariamente revogados, existem direitos do cidad&atilde;o que n&atilde;o est&atilde;o inteiramente contemplados nestes c&oacute;digos. Refiro-me especificamente aos (1) direito &agrave; presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia; (2) direito de resposta e (3) direito de imagem.<\/p>\n<p>A &quot;presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia&quot; &eacute; uma das mais importantes garantias constitucionais. O princ&iacute;pio, que tem sua origem na Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa do s&eacute;culo 18, est&aacute; consagrado no art. 5&ordm;, inciso LVII: &quot;Ningu&eacute;m ser&aacute; considerado culpado at&eacute; o tr&acirc;nsito em julgado de senten&ccedil;a penal condenat&oacute;ria&quot;. A obedi&ecirc;ncia a este princ&iacute;pio, portanto, deveria ser parte da conduta profissional e &eacute;tica de qualquer jornalista, independente das informa&ccedil;&otilde;es que obtiver e de sua convic&ccedil;&atilde;o pessoal. N&atilde;o importa que em data futura, uma presun&ccedil;&atilde;o de culpa venha, eventualmente, a se confirmar correta. O que importa &eacute; o direito dos acusados de serem tratados como inocentes at&eacute; que a Justi&ccedil;a prove o contr&aacute;rio. No entanto, n&atilde;o &eacute; esse o comportamento freq&uuml;ente na grande m&iacute;dia.<\/p>\n<p>De que forma ser&atilde;o reparados os danos causados a algu&eacute;m que foi considerado previamente culpado na cobertura de um &quot;esc&acirc;ndalo&quot; e que, com o tempo, as investiga&ccedil;&otilde;es e a Justi&ccedil;a revelam ser inocente? H&aacute; repara&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel para uma reputa&ccedil;&atilde;o destru&iacute;da publicamente?<\/p>\n<p><strong>Consolidar a democracia<\/p>\n<p><\/strong>Da mesma forma, o direito de resposta garantido no inciso V do mesmo artigo 5&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o &ndash; &quot;&eacute; assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, al&eacute;m da indeniza&ccedil;&atilde;o por dano moral ou &agrave; imagem&quot; &ndash; n&atilde;o tem sido observado, na maioria das vezes, pela grande m&iacute;dia. Acusa&ccedil;&otilde;es feitas na primeira p&aacute;gina de um jornal, de uma revista ou reiteradas nas chamadas de abertura de um telejornal, quando comprovadamente desmentidas por aqueles que as sofrem, costumam ser (se, afinal, o s&atilde;o) objeto de uma pequena nota escondida em p&aacute;gina par interna do jornal ou revista, ou em pequena nota lida por apresentador(a) de telejornal.<\/p>\n<p>Por fim, ao direito de imagem &ndash; considerado inviol&aacute;vel, juntamente com a intimidade, a vida privada e a honra das pessoas pelo inciso X do mesmo artigo 5&ordm; &ndash; aplicam-se as considera&ccedil;&otilde;es j&aacute; feitas em rela&ccedil;&atilde;o ao direito de resposta.<\/p>\n<p>N&atilde;o se discute que a atual Lei de Imprensa foi um instrumento do per&iacute;odo autorit&aacute;rio e que suas normas est&atilde;o &ndash; felizmente &ndash; superadas pela Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988. Tamb&eacute;m n&atilde;o se discute que a liberdade de express&atilde;o e o direito universal &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o precisam ser consolidados e preservados. O que &eacute; importante agora &eacute; avan&ccedil;ar no sentido de garantir os direitos constitucionais fundamentais, tanto para os cidad&atilde;os comuns quanto para os cidad&atilde;os jornalistas e as empresas de m&iacute;dia. <\/p>\n<p>O direito &agrave; presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia, o direito de resposta e o direito de imagem devem ser assegurados aos cidad&atilde;os e, portanto, observados pelos jornalistas e pelas empresas de m&iacute;dia. Ali&aacute;s, a pr&oacute;pria m&iacute;dia estaria cumprindo seu papel e servindo ao interesse p&uacute;blico se promovesse o debate livre e amplo dessas quest&otilde;es, criando as condi&ccedil;&otilde;es para que normas e procedimentos reguladores desses direitos fundamentais fossem democraticamente elaborados e aprovados pelo Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Somente dessa forma estaremos dando um passo adiante no sentido da consolida&ccedil;&atilde;o de nossa democracia. N&atilde;o existe alternativa.<\/p>\n<p>* Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia e autor\/organizador, entre outros, de <em>A m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006<\/em> (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007)<\/p>\n<p>** <a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=475JDB002\">Para ter acesso ao texto no Observat&oacute;rio da Imprensa, clique aqui.<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O site Consultor Jur&iacute;dico (13\/2) informa que o juiz da 4&ordf; Vara C&iacute;vel de Bras&iacute;lia, Robson Barbosa de Azevedo, condenou a TV Globo e o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) a pagar 100 mil reais de indeniza&ccedil;&atilde;o ao assessor parlamentar Luiz Carlos da Silva por associar, indevidamente, o seu nome com o chamado &quot;esc&acirc;ndalo do &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20595\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">A imprensa e os ant\u00eddotos contra o assassinato de reputa\u00e7\u00f5es<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[665],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20595"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20595"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20595\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}