{"id":20542,"date":"2008-02-26T19:30:17","date_gmt":"2008-02-26T19:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20542"},"modified":"2008-02-26T19:30:17","modified_gmt":"2008-02-26T19:30:17","slug":"visita-ao-maior-veiculo-de-jornalismo-colaborativo-na-coreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20542","title":{"rendered":"Visita ao maior ve\u00edculo de jornalismo colaborativo, na Cor\u00e9ia"},"content":{"rendered":"<p><em>Dissemina&ccedil;&atilde;o da web e conservadorismo dos jornais fazem brotar na Cor&eacute;ia o maior ve&iacute;culo cidad&atilde;o do mundo.<\/em><\/p>\n<p>Quando o Link chega ao OhMyNews, situado em uma &aacute;rea nobre de Seul, 65 jornalistas est&atilde;o compenetrados diante de seus PCs. Parece uma reda&ccedil;&atilde;o como tantas outras, mas a sensa&ccedil;&atilde;o de &lsquo;mais do mesmo&rsquo; muda assim que o cordial diretor de comunica&ccedil;&atilde;o, Jean K. Min, come&ccedil;a a conversar com a reportagem. &ldquo;Aqui publicamos as informa&ccedil;&otilde;es que as pessoas comuns nos passam&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>O intrigante OhMyNews ganhou espa&ccedil;o em tudo quanto &eacute; ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o do mundo, do The New York Times ao The Guardian, por um motivo: quem faz o jornal n&atilde;o s&atilde;o jornalistas, mas testemunhas oculares &#8211; ou rep&oacute;rteres cidad&atilde;os &#8211; espalhados mundo afora. Se na reda&ccedil;&atilde;o h&aacute; pouco mais de meia centena de jornalistas, nas ruas h&aacute; 60 mil &ldquo;colaboradores&rdquo; que enviam textos via web e, se o material for publicado, ainda levam uma graninha.<\/p>\n<p>O OhMyNews &eacute; o precursor e maior expoente mundial do fen&ocirc;meno do jornalismo cidad&atilde;o, espalhado hoje por sites como Digg e WikiNews e em canais virtuais criados por jornais para estimular a participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Fundado em 2000, o endere&ccedil;o <a href=\"http:\/\/www.ohmynews.com\/\">www.ohmynews.com<\/a> &eacute; visitado por 700 mil coreanos diariamente. N&atilde;o chega a bater a imprensa tradicional como o maior jornal local, The Chosun Ilbo, com 2,3 milh&otilde;es de leitores, mas &eacute; um dos principais sites de not&iacute;cias do pa&iacute;s e se diferencia pela independ&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O slogan &ldquo;cada cidad&atilde;o &eacute; um rep&oacute;rter&rdquo; resume a filosofia de que qualquer pessoa que estiver no lugar certo e na hora certa de um determinado acontecimento pode, com o aux&iacute;lio da tecnologia, registrar o fato e divulg&aacute;-lo. Segundo Min, o OhMyNews com freq&uuml;&ecirc;ncia consegue ser um contraponto ao que &eacute; publicado pelas m&iacute;dias de massa.<\/p>\n<p>&ldquo;Na sociedade moderna as corpora&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m interesses pr&oacute;prios, que &agrave;s vezes se refletem na forma como publicam as not&iacute;cias. O controle est&aacute; nas m&atilde;os de poucos, o que exclui a popula&ccedil;&atilde;o do processo&rdquo;, afirma. &ldquo;O OhMyNews busca justamente dar a oportunidade para que a voz de todos seja ouvida.&rdquo;<\/p>\n<p>Para entender melhor as declara&ccedil;&otilde;es de Min, vale fazer um retrospecto da hist&oacute;ria sul-coreana. At&eacute; 1987, e por mais de 25 anos, a Cor&eacute;ia do Sul viveu sob uma ditadura militar que instituiu a censura na imprensa. Ap&oacute;s 1987, mesmo com o fim da censura oficial, diversos ve&iacute;culos locais mantiveram la&ccedil;os com o governo e seguiram praticando um jornalismo &ldquo;chapa branca&rdquo;, em que fatos de interesse p&uacute;blico, mas que poderiam comprometer membros do poder, n&atilde;o s&atilde;o devidamente divulgados.<\/p>\n<p>Desse cen&aacute;rio de conservadorismo surgiu o OhMyNews. &ldquo;Junte a alta conectividade da popula&ccedil;&atilde;o ao fato de ela, com poder cr&iacute;tico elevado, estar cansada de ver a m&iacute;dia ignorar assuntos importantes e temos a receita do sucesso do OhMyNews&rdquo;, explica a pesquisadora brasileira Ana Maria Brambilla, que &eacute; rep&oacute;rter cidad&atilde; e fez o seu projeto de mestrado sobre o site coreano.<\/p>\n<p>Uma amostra dessa independ&ecirc;ncia ocorreu nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2002. Enquanto a maioria dos jornais alinhou-se ao governo, defendendo o candidato da situa&ccedil;&atilde;o, o OhMyNews noticiava a ascend&ecirc;ncia de Roh Moo-hyun, tido como irrelevante pela grande imprensa. Moo-hyun acabou eleito e concedeu a sua primeira entrevista justamente ao OhMyNews, o que trouxe prest&iacute;gio ao site.<\/p>\n<p>E d&aacute; para confiar em not&iacute;cias enviadas por &ldquo;qualquer&rdquo; pessoa? Ana Maria diz que sim: &ldquo;Todas as not&iacute;cias s&atilde;o checadas pelos jornalistas da reda&ccedil;&atilde;o. &Eacute; para isso que eles est&atilde;o l&aacute;.&rdquo; Esses mesmos jornalistas escrevem cerca de 20% do que vai ao ar no site: s&atilde;o reportagens sobre assuntos importantes, mas que n&atilde;o foram tratados em textos enviados por colaboradores.<\/p>\n<p>Nem todo o material &eacute; aproveitado. E, quando &eacute;, nem sempre o internauta &eacute; pago por isso. Mas, se a not&iacute;cia vai parar na p&aacute;gina principal do site, ele pode ganhar at&eacute; US$ 55. O valor &eacute; baseado na reputa&ccedil;&atilde;o de quem envia, na qualidade do texto e em sua repercuss&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;A quantia &eacute; simb&oacute;lica, mas descobrimos que pode ser muito dinheiro em alguns pa&iacute;ses&rdquo;, diz Min. &ldquo;Em Camar&otilde;es um rep&oacute;rter cidad&atilde;o abandonou seu emprego para se dedicar ao OhMyNews. Ele manda mat&eacute;rias muito boas. Em seis meses ganhou mais de US$ 400. &Eacute; uma soma de dinheiro substancial por l&aacute;.&rdquo;<\/p>\n<p>Para bancar a remunera&ccedil;&atilde;o dos colaboradores e os custos da estrutura da reda&ccedil;&atilde;o, o OhMyNews conta com uma fonte de recursos bem tradicional: publicidade. &ldquo;O jornal &eacute; bancado por investidores e alguns anunciantes&rdquo;, diz Min. &ldquo;Atualmente o neg&oacute;cio &eacute; totalmente sustent&aacute;vel. As maiores empresas da Cor&eacute;ia do Sul anunciam conosco, pois enxergam o poder do nosso meio.&rdquo;<\/p>\n<p>O sucesso comercial e de p&uacute;blico do OhMyNews rendeu frutos. Al&eacute;m do site, h&aacute; uma vers&atilde;o impressa, distribu&iacute;da semanalmente na Cor&eacute;ia, com tiragem de 150 mil exemplares. Tamb&eacute;m h&aacute; vers&otilde;es do site em ingl&ecirc;s e japon&ecirc;s &#8211; embora esse &uacute;ltimo n&atilde;o tenha feito sucesso &#8211; e planos de lan&ccedil;ar um endere&ccedil;o s&oacute; para a Europa. Foi montada ainda uma escola de jornalismo colaborativo, que ensina t&eacute;cnicas de m&iacute;dia cidad&atilde;.<\/p>\n<p>O &ecirc;xito chamou a aten&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos de outros pa&iacute;ses. Sites como MyNews (<a href=\"http:\/\/www.mynews.in\/\">www.mynews.in<\/a>), da &Iacute;ndia, e Orato (<a href=\"http:\/\/www.orato.com\/\">www.orato.com<\/a>), dos EUA, inspiraram-se no site coreano. Mesmo em ve&iacute;culos tradicionais espalham-se ferramentas de contribui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O Estad&atilde;o tem o FotoRep&oacute;rter, por meio do qual qualquer internauta pode enviar fotos com interesse jornal&iacute;stico para a reda&ccedil;&atilde;o, com chance de ser publicada e remunerada.<\/p>\n<p>Jornais como The Guardian, El Pa&iacute;s e O Globo aceitam contribui&ccedil;&otilde;es em texto, assim como portais como os da CNN, BBC, Terra e IG, entre outros.<\/p>\n<p>E pensar que tudo come&ccedil;ou na Cor&eacute;ia do Sul. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dissemina&ccedil;&atilde;o da web e conservadorismo dos jornais fazem brotar na Cor&eacute;ia o maior ve&iacute;culo cidad&atilde;o do mundo. Quando o Link chega ao OhMyNews, situado em uma &aacute;rea nobre de Seul, 65 jornalistas est&atilde;o compenetrados diante de seus PCs. 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