{"id":20536,"date":"2008-02-26T11:32:17","date_gmt":"2008-02-26T11:32:17","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20536"},"modified":"2008-02-26T11:32:17","modified_gmt":"2008-02-26T11:32:17","slug":"minc-e-independentes-defendem-cotas-para-producao-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20536","title":{"rendered":"Minc e independentes defendem cotas para produ\u00e7\u00e3o nacional"},"content":{"rendered":"<p><span>A cria&ccedil;&atilde;o de cotas para a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual nacional e independente &eacute; o mecanismo mais imediato para reverter a sobre-representa&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do estrangeiro na televis&atilde;o. Defendida por produtores independentes e pelo Minist&eacute;rio da Cultura como forma de est&iacute;mulo real &agrave; abertura de um mercado hoje bastante restrito, as cotas est&atilde;o previstas no relat&oacute;rio do deputado Jorge Bittar (PT-RJ) sobre o Projeto de Lei 29, que regulamenta os servi&ccedil;os de acesso condicionado, como a TV por assinatura.<\/p>\n<p><\/span><span>Apesar de o relat&oacute;rio sequer ter sido votado, a campanha contr&aacute;ria &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de reserva de tempo nas programa&ccedil;&otilde;es e de canais dentro dos pacotes para produ&ccedil;&atilde;o nacional j&aacute; &eacute; forte. Desde dezembro, a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) veicula pe&ccedil;as publicit&aacute;rias afirmando que as cotas restringem a liberdade de escolha dos assinantes. Demonstrando disposi&ccedil;&atilde;o para bancar a aprova&ccedil;&atilde;o das cotas, Bittar diz que a campanha da ABTA &eacute; anti&eacute;tica e mentirosa. <\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;Nunca houve ruptura do di&aacute;logo com nenhum setor da sociedade. Est&aacute;vamos em pleno di&aacute;logo quando a campanha foi lan&ccedil;ada&rdquo;, diz o deputado. &ldquo;Al&eacute;m disso, a campanha &eacute; mentirosa. Diz que n&oacute;s vamos tolher o direito de escolha do assinante do servi&ccedil;o quando hoje &eacute; que n&atilde;o h&aacute; direito de escolha, pois o assinante compra um pacote previamente estabelecido pelo programador.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span>Para o secret&aacute;rio do Audiovisual do Minist&eacute;rio da Cultura, Silvio Da-Rin, &eacute; importante que os atores organizados do setor fa&ccedil;am uma discuss&atilde;o p&uacute;blica do tema. &ldquo;No entanto &eacute; preciso n&atilde;o confundir a necess&aacute;ria regula&ccedil;&atilde;o do setor com o cerceamento de liberdade. No campo cinematogr&aacute;fico, por exemplo, j&aacute; existem mecanismos de cota para assegurar espa&ccedil;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o nacional, a exemplo da cota de tela&rdquo;, lembrou<\/span><span>.<\/p>\n<p><\/span><span>Em geral, as programa&ccedil;&otilde;es oferecidas aos assinantes privilegiam a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual estrangeira, especialmente nos canais de filmes e entretenimento. Segundo dados da Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema, menos de 2% da programa&ccedil;&atilde;o destes canais &eacute; destinada a filmes nacionais e apenas 0,5% das obras exibidas s&atilde;o brasileiras.<\/p>\n<p><\/span><span>Para Marco Altberg, conselheiro legislativo da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Produtoras Independentes de Televis&atilde;o (ABPI-TV), esta situa&ccedil;&atilde;o remete ao modo como a TV foi constitu&iacute;da no pa&iacute;s. &ldquo;A TV por assinatura &eacute; apenas um reflexo de um problema maior que &eacute; a forma como a TV aberta comercial se desenvolveu no pa&iacute;s, especialmente no tocante ao conte&uacute;do independente, na aus&ecirc;ncia da regionaliza&ccedil;&atilde;o e, em muitos casos, na aus&ecirc;ncia de compromisso com a cidadania e com a qualidade. De outro lado, precisamos considerar a hist&oacute;ria de privatiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico no Brasil e a aus&ecirc;ncia de ambiente economicamente democr&aacute;tico,&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p><\/span><span>A avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; corroborada por Da-Rin: &ldquo;Esse modelo da TV aberta, que tem como uma de suas balizas a concentra&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e da difus&atilde;o de conte&uacute;do nas mesmas empresas, restringiu o desenvolvimento da produ&ccedil;&atilde;o independente de televis&atilde;o no Brasil, ao contr&aacute;rio do que se deu em outros pa&iacute;ses, como os EUA, no qual a maior parte do conte&uacute;do televisivo vem de produtores independentes.&rdquo;<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Produ&ccedil;&atilde;o e demanda<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Apesar das restri&ccedil;&otilde;es, a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual brasileira cresce em quantidade e qualidade, na avalia&ccedil;&atilde;o de Silvio Da-Rin. Ele destaca o lan&ccedil;amento, em 2007, de 82 longas-metragens e o progressivo aumento das co-produ&ccedil;&otilde;es entre canais por assinatura e a produ&ccedil;&atilde;o independente brasileira, incentivada atrav&eacute;s do art. 39 da Lei do Audiovisual.<\/p>\n<p><\/span><span>Este incentivo, segundo Altberg, tem feito da TV por assinatura uma melhor parceira da produ&ccedil;&atilde;o independente. No entanto, a composi&ccedil;&atilde;o dos pacotes de canais ofertados hoje &ndash; &ldquo;com uma enxurrada de canais estrangeiros&rdquo; &ndash; impede avan&ccedil;os. &ldquo;Existe um incentivo &agrave; co-produ&ccedil;&atilde;o, mas isso ainda n&atilde;o representa algo consider&aacute;vel como est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o aqui no Brasil&rdquo;, disse o consultor da ABPITV.<\/p>\n<p><\/span><span>Do lado da demanda, a avalia&ccedil;&atilde;o de Da-Rin &eacute; de que ela &eacute; evidente. &ldquo;Basta observarmos os &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia dos programas da televis&atilde;o aberta&rdquo;, disse o secret&aacute;rio, acrescentando que mesmo os &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia na TV paga mostram esta prefer&ecirc;ncia. No levantamento feito pela Ancine, comparando apenas canais por assinatura, os primeiros colocados no ranking do n&uacute;mero de espectadores por dia s&atilde;o ou canais nacionais, ou aqueles em que a programa&ccedil;&atilde;o &eacute; dublada.<\/p>\n<p><\/span><span>Para o secret&aacute;rio, assim como para Altberg, o problema est&aacute; em fazer a produ&ccedil;&atilde;o encontrar esta demanda. &ldquo;A quest&atilde;o que se imp&otilde;e &eacute; a mesma: a dificuldade de levar conte&uacute;do independente ao p&uacute;blico brasileiro, tanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica nacional, que anualmente produz uma quantidade consider&aacute;vel de horas de programa&ccedil;&atilde;o, quanto &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente de televis&atilde;o, que necessita justamente de espa&ccedil;o para se desenvolver&rdquo;, afirmou Da-Rin.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Quais cotas?<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>A sa&iacute;da estaria na cria&ccedil;&atilde;o das cotas. A proposta de Jorge Bittar para o PL-29 cria cotas em dois n&iacute;veis: na programa&ccedil;&atilde;o dos canais e nos pacotes de canais. H&aacute; ainda um terceiro tipo de exig&ecirc;ncia cruzada.<\/p>\n<p><\/span><span>A primeira cota &eacute; a de 10% para a produ&ccedil;&atilde;o nacional independente em todos os canais distribu&iacute;dos no pa&iacute;s. Segundo Altberg, esta deve ter maior impacto para o mercado dos produtores. Isso porque fortalece as produtoras independentes, ou seja, aquelas que n&atilde;o t&ecirc;m liga&ccedil;&atilde;o com os canais ou as programadoras. At&eacute; hoje, o modelo de neg&oacute;cio de TV no Brasil privilegia a produ&ccedil;&atilde;o interna.<\/p>\n<p><\/span><span>A segunda estabelece que metade dos canais oferecidos em um pacote tem de ser nacionais. H&aacute;, ainda, a exig&ecirc;ncia de que no m&iacute;nimo 30% destes sejam canais independentes, ou seja, n&atilde;o sejam programa&ccedil;&otilde;es montadas por empresas ligadas nem &agrave; empacotadora (a empresa que monta os pacotes de canais), nem &agrave; distribuidora (que &eacute; a dona da infra-estrutura de distribui&ccedil;&atilde;o e compra os pacotes para vender aos assinantes). Os canais independentes podem produzir todos os programas que vai colocar na sua grade.<\/p>\n<p><\/span><span>A terceira cota cruza exig&ecirc;ncias quanto &agrave; caracter&iacute;stica dos canais e tamb&eacute;m da produ&ccedil;&atilde;o dos programas. A proposta &eacute; que 30% dos canais ofertados em um pacote devem ter pelo menos 50% de produ&ccedil;&atilde;o nacional, sendo a metade desta (ou seja, 15% do total) realizada por produtores independentes. <\/p>\n<p><\/span><span>A previs&atilde;o do relator &eacute; que o PL-29 seja apreciado pela Comiss&atilde;o de Comunica&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e Informa&ccedil;&atilde;o no m&ecirc;s de mar&ccedil;o.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Outros incentivos<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Marco Altberg e o deputado Jorge Bittar concordam que a cria&ccedil;&atilde;o das cotas n&atilde;o pode ser a &uacute;nica medida para promover a diversidade no mercado audiovisual. &ldquo;A id&eacute;ia da cota n&atilde;o pode ser vista como um fim em si mesmo. &Eacute; uma forma de est&iacute;mulo, mas certamente precisamos ali&aacute;-las ao fomento e ao desenvolvimento da produ&ccedil;&atilde;o nacional. Por isso, agregamos ao projeto um fundo de R$ 350 milh&otilde;es anuais&rdquo;, explicou Bittar.<\/p>\n<p><\/span><span>O dinheiro viria do deslocamento das taxas que comp&otilde;e o Fundo de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fistel), pagas pelas empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es e radiodifus&atilde;o, para o Fundo Setorial do Audiovisual.<\/p>\n<p><\/span><span>O conselheiro da ABPITV lembra que, em outros pa&iacute;ses, h&aacute; exig&ecirc;ncias quanto &agrave; regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e incentivos reais &agrave; co-produ&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Na Europa e no Canad&aacute;, a TV por assinatura acaba sendo uma parceira do cinema&rdquo;, disse. Assinalando que tamb&eacute;m n&atilde;o se pode deixar de pensar na TV aberta, Altberg comenta que, em muitos pa&iacute;ses, as TVs p&uacute;blicas s&atilde;o alternativas ao modelo de TV comercial. <\/p>\n<p><\/span><span>No Brasil, no que diz respeito &agrave; TV aberta, a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal prev&ecirc; a promo&ccedil;&atilde;o da regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e a valoriza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o independente. Por&eacute;m, estes artigos constitucionais jamais foram regulamentados.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espa\u00e7o para produ\u00e7\u00e3o independente na TV serviria para superar o gargalo da distribui\u00e7\u00e3o do conte\u00fado produzido no Brasil; proposta de regulamenta\u00e7\u00e3o para TV paga inclui cotas para programa\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[120],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20536"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20536"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20536\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20536"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20536"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20536"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}