{"id":20516,"date":"2008-02-22T19:24:25","date_gmt":"2008-02-22T19:24:25","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20516"},"modified":"2014-09-07T02:55:08","modified_gmt":"2014-09-07T02:55:08","slug":"decisao-do-stf-deve-reabrir-debate-sobre-novo-marco-legal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20516","title":{"rendered":"Decis\u00e3o do STF deve reabrir debate sobre novo marco legal"},"content":{"rendered":"<p><span>A decis&atilde;o do Supremo Tribunal Federal de revogar 20 artigos da chamada Lei de Imprensa deve abrir o debate sobre um novo marco legal que regulamente as rela&ccedil;&otilde;es entre sociedade e jornalismo. Pelo menos &eacute; o que esperam representantes dos jornalistas, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil e especialistas em regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia.<\/p>\n<p><\/span><span>&ldquo;A revoga&ccedil;&atilde;o, nesse momento, &eacute; boa, mas n&atilde;o podemos concordar que o processo desregulat&oacute;rio que assistimos h&aacute; pelo menos duas d&eacute;cadas chegue ao jornalismo&rdquo;, comenta o diretor da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas, Jos&eacute; Carlos Torves. Para Ven&iacute;cio Lima, pesquisador do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica da UnB, &ldquo;a imprensa n&atilde;o pode ser um setor acima de qualquer regula&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>A Lei de Imprensa foi sancionada em 1967 e &eacute;, na avalia&ccedil;&atilde;o de todos os setores ligados &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, um resqu&iacute;cio da ditadura que precisa ser superado. Esta tamb&eacute;m foi a justificativa principal apresentada pelo deputado federal Miro Teixeira na a&ccedil;&atilde;o movida por seu partido, o PDT, junto ao STF. A liminar concedida pelo ministro Carlos Ayres Britto respondeu ao pedido do partido de suspender, de imediato, os processos baseados nos artigos controversos da lei.<\/p>\n<p><\/span><span>Em boa parte, a decis&atilde;o do STF responde ao rebuli&ccedil;o criado pela abertura de dezenas de processos contra jornalistas por fi&eacute;is da Igreja Universal do Reino de Deus. H&aacute; ind&iacute;cios, por conta da semelhan&ccedil;a entre os textos das a&ccedil;&otilde;es apresentadas, de que fariam parte de uma estrat&eacute;gia da Iurd para constranger diversos &oacute;rg&atilde;os de imprensa.<\/p>\n<p><\/span><span>A Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais, segundo um dos seus diretores, Paulo Tonet de Carvalho, saudou &ldquo;efusivamente a iniciativa do deputado Miro Teixeira e a decis&atilde;o do STF&rdquo;. &ldquo;A decis&atilde;o remove um entulho autorit&aacute;rio&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Artigos superados<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Os artigos revogados, no entanto, j&aacute; eram considerados superados pela legisla&ccedil;&atilde;o mais recente e, principalmente, pela nova ordem legal criada ap&oacute;s a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988. &ldquo;&Eacute; mais uma decis&atilde;o que normatiza algo que, na pr&aacute;tica j&aacute; estava acontecendo. O problema &eacute; que deixa a descoberto uma regula&ccedil;&atilde;o que possa situar os casos de coberturas jornal&iacute;sticas mentirosas, parciais, de m&aacute;-f&eacute;&rdquo;, aponta Ven&iacute;cio Lima.<\/p>\n<p><\/span><span>Entre os trechos temporariamente revogados pela liminar do STF est&atilde;o os que permitem censura a espet&aacute;culos e divers&otilde;es, permitem a apreens&atilde;o e fechamento de empresas de comunica&ccedil;&atilde;o por mero ato do Executivo, sob o argumento de &quot;subvers&atilde;o da ordem pol&iacute;tica e social&quot;, e o que imp&otilde;em limites &agrave; indeniza&ccedil;&atilde;o por dano moral. Tamb&eacute;m foram extintas as penas de pris&atilde;o para jornalistas.<\/p>\n<p><\/span><span>Todas estas medidas j&aacute; se encontram superadas pela jurisprud&ecirc;ncia ou revisadas por legisla&ccedil;&atilde;o posterior &#8211; caso da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa de espet&aacute;culos, que supera a quest&atilde;o da censura. Outro caso de legisla&ccedil;&atilde;o j&aacute; revisada &eacute; a que trata sobre a propriedade de empresas de comunica&ccedil;&atilde;o por estrangeiros, que &eacute; regulada por um artigo constitucional.<\/p>\n<p><\/span><span>Para Fernando Paulino, pesquisador da UnB (Universidade de Bras&iacute;lia) e membro da Comiss&atilde;o de &Eacute;tica do Sindicato dos Jornalistas de Bras&iacute;lia, o fato deve ser classificado como &ldquo;surreal&rdquo;. &ldquo;&Eacute; surreal que estejamos discutindo a revoga&ccedil;&atilde;o de artigos de uma lei que n&atilde;o foram recepcionados pela Constitui&ccedil;&atilde;o ao inv&eacute;s de tratarmos da aprova&ccedil;&atilde;o de uma nova legisla&ccedil;&atilde;o&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p><\/span><span>Reconhecendo os interesses das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o na desregualmenta&ccedil;&atilde;o do setor, Paulino faz uma compara&ccedil;&atilde;o mais &aacute;cida: &ldquo;J&aacute; que est&aacute; na moda questionar artigos de leis da d&eacute;cada de 60, vamos questionar tamb&eacute;m um a um os artigos do C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es&rdquo;. O CBT data de 1962 e at&eacute; hoje rege os processos de concess&atilde;o de r&aacute;dio e televis&atilde;o, que v&ecirc;m sendo questionados pela sociedade civil organizada e pelos movimentos sociais.<\/p>\n<p><\/span><span><strong>No Congresso<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Em nota, a diretora-executiva da ONG Artigo 19, Agn&egrave;s Callamard, afirma que a organiza&ccedil;&atilde;o &ldquo;vem apontando repetidamente os problemas dessa legisla&ccedil;&atilde;o ultrapassada, e comemora o fato de que sua revis&atilde;o est&aacute; em debate tanto nos tribunais quanto no Congresso&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>No Congresso, por enquanto, tudo segue como antes. Um projeto de substitutivo da Lei de Imprensa (PL 3.232\/92), aprovado na Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a da C&acirc;mara dos Deputados, est&aacute; parado na mesa diretora. S&atilde;o mais de dez anos aguardando que o projeto seja colocado na pauta de vota&ccedil;&atilde;o da casa legislativa.<\/p>\n<p><\/span><span>O representante da Fenaj, Jos&eacute; Carlos Torves, ressalta que o conte&uacute;do do projeto que est&aacute; no Congresso precisa ser revisado, o que significa necessariamente reabrir o debate com a sociedade sobre a regulamenta&ccedil;&atilde;o da atividade de imprensa. J&aacute; para o diretor da ANJ, &eacute; preciso &ldquo;aperfei&ccedil;oar&rdquo; o projeto, mas a associa&ccedil;&atilde;o das empresas jornal&iacute;sticas acha que &ldquo;n&atilde;o h&aacute; necessidade de uma Lei de Imprensa&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><span>O projeto esquecido nos escaninhos do Congresso inclui a responsabiliza&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria entre jornalista, diretor e empresa no caso de mat&eacute;rias consideradas injuriosas, caluniosas ou difamat&oacute;rias. Estipula como penalidade o servi&ccedil;o comunit&aacute;rio para os profissionais envolvidos e multa calculada de acordo com crit&eacute;rios como alcance do ve&iacute;culo e extens&atilde;o da mat&eacute;ria. N&atilde;o h&aacute; limites para a multa, o que gera reclama&ccedil;&otilde;es do lado de patr&otilde;es e empregados.<\/p>\n<p><\/span><span>Os donos de jornais dizem que a inexist&ecirc;ncia de um teto para as multas vai gerar uma &ldquo;ind&uacute;stria de indeniza&ccedil;&atilde;o&rdquo; que inviabilizaria o trabalho jornal&iacute;stico. A Fenaj acredita que as multas poderiam exorbitar os sal&aacute;rios recebidos pelos jornalistas, constituindo tamb&eacute;m um constrangimento excessivo. Hoje, valendo apenas os artigos do C&oacute;digo Penal que tratam dos crimes de cal&uacute;nia, inj&uacute;ria e difama&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; limites para as multas. A jurisprud&ecirc;ncia, no entanto, tem limitado as indeniza&ccedil;&otilde;es em 100 sal&aacute;rios m&iacute;nimos, o que significa, na pr&aacute;tica, o custo de um an&uacute;ncio de uma p&aacute;gina em diversas publica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span><span>O projeto parado na C&acirc;mara garante, ainda, o direito de sigilo da fonte, o que &ldquo;n&atilde;o exclui as responsabilidades civis e penais e nem o &ocirc;nus da prova&rdquo;. Regulamenta o direito de resposta, impondo novos prazos para tramita&ccedil;&atilde;o e impedindo a empresa de publicar qualquer outro texto falado ou impresso em conjunto com a resposta que se caracterize como tr&eacute;plica.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=20506\">Para ver os artigos revogados temporariamente pela liminar, clique aqui.<\/a><\/span><\/p>\n<p><span><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18254\">Para&nbsp;acessar a decis&atilde;o do ministro Carlos Ayres Britto, clique aqui.<\/a>&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para representantes dos jornalistas, especialistas e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, suspens\u00e3o de artigos da velha Lei de Imprensa n\u00e3o pode servir de brecha para deixar setor sem regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[656],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20516"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20516"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27820,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20516\/revisions\/27820"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}