{"id":20507,"date":"2008-02-22T10:37:51","date_gmt":"2008-02-22T10:37:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20507"},"modified":"2008-02-22T10:37:51","modified_gmt":"2008-02-22T10:37:51","slug":"a-revisao-do-modelo-de-telecom-e-as-contrapartidas-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20507","title":{"rendered":"A revis\u00e3o do modelo de telecom e as contrapartidas \u00e0 sociedade"},"content":{"rendered":"<p>Desta vez, o governo reagiu rapidamente &agrave;s cr&iacute;ticas de que estaria propondo uma altera&ccedil;&atilde;o no Plano Geral de Outorgas apenas para atender a uma demanda pontual de mercado, ou seja, a compra da Brasil Telecom pela Oi, sem levar em conta o interesse p&uacute;blico. O ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, de seu lado, j&aacute; anunciou que ser&aacute; lan&ccedil;ada uma consulta p&uacute;blica, em mar&ccedil;o, para discutir a pol&iacute;tica setorial; e a Anatel, por meio de seu presidente Ronaldo Sardenberg, de outro, j&aacute; avisou que vai avaliar a altera&ccedil;&atilde;o no PGO dentro do conjunto de necessidades de atualiza&ccedil;&atilde;o da regula&ccedil;&atilde;o setorial.<\/p>\n<p>A revis&atilde;o do modelo de telecomunica&ccedil;&otilde;es, mais do que necess&aacute;ria frente &agrave; converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica e &agrave;s novas demandas da sociedade, como a universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga, pode ter come&ccedil;ado por um caminho torto, mas tem tudo para entrar nos trilhos. H&aacute; um consenso de que mudan&ccedil;as s&atilde;o necess&aacute;rias, e que elas t&ecirc;m que ser promovidas a partir de um amplo debate democr&aacute;tico, no qual o interesse empresarial tem de estar subordinado ao interesse p&uacute;blico.<\/p>\n<p><strong>Dada a largada<\/p>\n<p><\/strong>A largada para a revis&atilde;o do modelo, em vigor h&aacute; dez anos, foi dada com o envio &agrave; Anatel, pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, de um documento que recomenda ao regulador a altera&ccedil;&atilde;o no Plano Geral de Outorgas, eliminando o impedimento de que um mesmo acionista ou grupo de acionistas controle concession&aacute;rias que atuem em regi&otilde;es distintas do PGO, e a revis&atilde;o de restri&ccedil;&otilde;es regulat&oacute;rias, constantes de outros atos normativos, que impedem a consolida&ccedil;&atilde;o da opera&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>O documento do Minicom responde formalmente a uma consulta feita pela Anatel sobre as diretrizes para a pol&iacute;tica nacional de telecomunica&ccedil;&otilde;es, a partir de uma demanda de altera&ccedil;&otilde;es regulat&oacute;rias que permitam a consolida&ccedil;&atilde;o de empresas e a oferta, por elas, de m&uacute;ltiplos servi&ccedil;os, que a ag&ecirc;ncia recebeu da Abrafix, a entidade que re&uacute;ne as concession&aacute;rias de telefonia fixa.<\/p>\n<p>No documento de oito p&aacute;ginas onde fundamenta a sua recomenda&ccedil;&atilde;o, o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es diz que o cen&aacute;rio atual das telecomunica&ccedil;&otilde;es no mundo demanda ganhos de escopo e escala, a serem conseguidos com a consolida&ccedil;&atilde;o de empresas, e a oferta, pela mesma infra-estrutura, de servi&ccedil;os de voz, dados e v&iacute;deo. Do ponto de vista do cen&aacute;rio de converg&ecirc;ncia e consolida&ccedil;&atilde;o, as justificativas apresentadas para a mudan&ccedil;a regulat&oacute;ria, s&atilde;o s&oacute;lidas, da mesma forma que tem consist&ecirc;ncia a an&aacute;lise de por que as raz&otilde;es apresentadas, na exposi&ccedil;&atilde;o de motivos que acompanha a LGT, para a divis&atilde;o do pa&iacute;s em tr&ecirc;s &aacute;reas regionais de concess&atilde;o de telefonia local (mais uma de longa dist&acirc;ncia), j&aacute; foram superadas. <\/p>\n<p><strong>Risco &agrave; competi&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p><\/strong>Mas o documento n&atilde;o responde a uma quest&atilde;o que vem sendo levantada seja por especialistas, seja por leigos que temem que a jun&ccedil;&atilde;o das duas concession&aacute;rias, com a cria&ccedil;&atilde;o de uma empresa que vai operar em todo o pa&iacute;s, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo, piore as j&aacute; prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de competi&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o na telefonia local, pois n&atilde;o h&aacute; mais ilus&atilde;o de que ela venha a acontecer de forma relevante &ndash; na voz, a competi&ccedil;&atilde;o &eacute; entre fixo e celular &#8211;, mas na banda larga, acesso pelo qual passam os mais diversos servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>Na vis&atilde;o desses especialistas, o documento n&atilde;o deixa claro qual &eacute; o interesse p&uacute;blico no patroc&iacute;nio dessa mudan&ccedil;a regulat&oacute;ria. Um deles insiste em que o interesse p&uacute;blico n&atilde;o pode estar apenas na cria&ccedil;&atilde;o de uma operadora nacional que possa vir a expandir sua atua&ccedil;&atilde;o para a regi&atilde;o, especialmente para o Mercosul, com destaque para a Argentina. Mas reconhece que a cria&ccedil;&atilde;o da super tele nacional &eacute; importante para o pa&iacute;s, onde vai competir com a espanhola Telef&ocirc;nica e a mexicana Telemex, e para o projeto de integra&ccedil;&atilde;o regional no qual o Brasil, pelo seu peso econ&ocirc;mico, tem papel importante.<\/p>\n<p><strong>Contrapartidas necess&aacute;rias<\/p>\n<p><\/strong>Mas s&oacute; isso n&atilde;o basta e, por isso, o documento do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es deixa a desejar. Muitos querem, especialmente as entidades que representam as operadoras entrantes e &oacute;rg&atilde;os de defesa do consumidor, que esse processo de revis&atilde;o do modelo seja usado para tamb&eacute;m fortalecer a competi&ccedil;&atilde;o, implementando efetivamente medidas previstas do Plano Geral de Competi&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o foram colocadas em pr&aacute;tica pela Anatel. Estamos falando de um unblunding efetivo, de tarifas de interconex&atilde;o baseadas em custo e da regulamenta&ccedil;&atilde;o da revenda, entre outros dispositivos regulat&oacute;rios capazes de garantir espa&ccedil;o para o avan&ccedil;o dos atuais competidores e o surgimento de novos.<\/p>\n<p><span>A falta dessa formula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica sobre os ganhos dos usu&aacute;rios, a n&atilde;o ser os benef&iacute;cios decorrentes da oferta de pacotes de servi&ccedil;os pelo mesmo prestador, deixa d&uacute;vidas no ar sobre o que se quer com a mudan&ccedil;a de modelo. A consulta p&uacute;blica a ser lan&ccedil;ada pelo Minicom e a da Anatel s&atilde;o os espa&ccedil;os onde essas quest&otilde;es ter&atilde;o debatidas e respondidas. Sem d&uacute;vida, as contrapartidas para a sociedade &agrave; permiss&atilde;o para que as empresas prestem m&uacute;ltiplos servi&ccedil;os e se consolidem t&ecirc;m que ir al&eacute;m dos ganhos de escopo e escala.<\/p>\n<p><em>* Lia Ribeiro &eacute;&nbsp;diretora editorial do portal TeleS&iacute;ntese e da revista A Rede.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desta vez, o governo reagiu rapidamente &agrave;s cr&iacute;ticas de que estaria propondo uma altera&ccedil;&atilde;o no Plano Geral de Outorgas apenas para atender a uma demanda pontual de mercado, ou seja, a compra da Brasil Telecom pela Oi, sem levar em conta o interesse p&uacute;blico. 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