{"id":20495,"date":"2008-02-21T16:14:26","date_gmt":"2008-02-21T16:14:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20495"},"modified":"2008-02-21T16:14:26","modified_gmt":"2008-02-21T16:14:26","slug":"igreja-universal-usa-meio-legal-para-alcancar-objetivo-ilegal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20495","title":{"rendered":"Igreja Universal usa meio legal para alcan\u00e7ar objetivo ilegal"},"content":{"rendered":"<p>N&atilde;o h&aacute; ant&iacute;doto contra a m&aacute;-f&eacute; no uso da Justi&ccedil;a. Mas existe um mecanismo civil de puni&ccedil;&atilde;o: a multa por litig&acirc;ncia indevida ou abuso de direito. Ele deve ser aplicado quando o juiz que aprecia o processo reconhece que ele foi ajuizado para atingir um &uacute;nico objetivo: o da retalia&ccedil;&atilde;o. Apesar da possibilidade de puni&ccedil;&atilde;o, a pr&aacute;tica de usar o Poder Judici&aacute;rio apenas para incomodar um desafeto persiste.<\/p>\n<p>N&atilde;o se pode impedir que avi&otilde;es continuem voando s&oacute; porque terroristas resolveram lan&ccedil;ar dois deles contra as torres g&ecirc;meas de Nova York, no dia 11 de setembro de 2001. Da mesma forma, n&atilde;o se pode impedir que quem quer que seja, tendo motivo, recorra &agrave; Justi&ccedil;a s&oacute; porque alguns fan&aacute;ticos religiosos resolveram mover uma bateria de a&ccedil;&otilde;es judiciais contra jornais que supostamente os teriam ofendido ao discorrer sobre as atividades comerciais da Igreja Universal do Reino de Deus.<\/p>\n<p>At&eacute; esta ter&ccedil;a-feira (19\/2), 96 fi&eacute;is moviam a&ccedil;&atilde;o contra a imprensa &mdash; processos ajuizados em cidades do interior dos estados (estrat&eacute;gia usada para dificultar a defesa dos jornais e jornalistas). A maioria &mdash; 56 &mdash; &eacute; contra o jornal Folha de S. Paulo e a jornalista Elvira Lobato. A s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es de fi&eacute;is come&ccedil;ou depois que a Folha publicou a reportagem Universal chega aos 30 anos como imp&eacute;rio empresarial, em 15 de dezembro. Tamb&eacute;m respondem a&ccedil;&otilde;es de indeniza&ccedil;&otilde;es por danos morais o jornal Extra, e seu diretor de reda&ccedil;&atilde;o, Bruno Thys, do Rio de Janeiro; e A Tarde e o jornalista Valmar Hupsel Filho, de Salvador.<\/p>\n<p><strong>Morda&ccedil;a pela Justi&ccedil;a<\/p>\n<p><\/strong>Apesar de toda a pol&ecirc;mica levantada, os fi&eacute;is da Universal n&atilde;o foram os primeiros a estrear a&ccedil;&otilde;es orquestradas contra a imprensa, s&oacute; para causar inc&ocirc;modo. A TV Globo, entre 1997 e 1998, sofreu uma avalanche de a&ccedil;&otilde;es movidas por policiais militares depois que o programa Casseta e Planeta satirizou as situa&ccedil;&otilde;es ocorridas na Favela Naval, onde dez policiais foram filmados agredindo moradores em uma blitz. Foram 132 processos, todos movidos por policiais. O argumento era o de que eles se sentiram ofendidos s&oacute; pelo fato de trabalhar na Pol&iacute;cia.<\/p>\n<p>De acordo com o advogado Luiz Camargo de Aranha Neto, que defende a emissora, todos os pedidos de indeniza&ccedil;&atilde;o foram negados. A Justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo entendeu que os policiais n&atilde;o tinham legitimidade para propor a&ccedil;&atilde;o porque eles n&atilde;o apareceram nas cenas gravadas, nem seus nomes foram citados no programa de humor.<\/p>\n<p>Aranha, apesar de reconhecer como legal o ajuizamento das a&ccedil;&otilde;es, acredita que todas beiram a m&aacute;-f&eacute;. &ldquo;As iniciais s&atilde;o id&ecirc;nticas e a reportagem n&atilde;o mencionou o nome de um fiel sequer. &Eacute; imposs&iacute;vel que um fiel do Amazonas tenha ouvido as mesmas chacotas ditas para um fiel do Rio Grande do Sul&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>O advogado Djair Rosa, que faz a defesa da Editora Rickdan, respons&aacute;vel pela publica&ccedil;&atilde;o revista Sexy, afirma que neste caso quem tem direito de pedir indeniza&ccedil;&atilde;o &eacute; o &oacute;rg&atilde;o de imprensa. &ldquo;Cabe processo por perdas e danos. Essa &eacute; a melhor arma jur&iacute;dica para evitar que isto se repita. Apesar da roupagem legal, a estrat&eacute;gia &eacute; claramente ilegal&rdquo;, defende o advogado.<\/p>\n<p>A Editora Abril tamb&eacute;m j&aacute; teve de se desdobrar para administrar dezenas de processos sobre o mesmo caso. Em 2002, a editora respondeu 40 a&ccedil;&otilde;es movidas por freq&uuml;entadores do Centro Esp&iacute;rita Beneficente Uni&atilde;o do Vegetal, por causa da reportagem Barato Legal, publicada em setembro pela revista Veja. No texto, era dito que o ch&aacute; ayahuasca, consumido durante as reuni&otilde;es do centro esp&iacute;rita, era &ldquo;droga como qualquer outra&rdquo;, por provocar surtos psic&oacute;ticos e, se fosse combinada com outras subst&acirc;ncias, seria capaz de provocar morte s&uacute;bita.<\/p>\n<p>&ldquo;Se um brasileiro fundar uma religi&atilde;o que utilize em seu ritual maconha, coca&iacute;na, ecstasy, LSD ou crack, ter&aacute; a aprova&ccedil;&atilde;o do secret&aacute;rio nacional antidrogas. Afinal de contas, &lsquo;religi&atilde;o &eacute; religi&atilde;o&rsquo;&rdquo;, dizia o texto. Os seguidores do centro esp&iacute;rita alegaram que foram ofendidos pelo conte&uacute;do da reportagem. O nome de nenhum deles foi citado no texto. Por causa da ilegitimidade, as 40 a&ccedil;&otilde;es foram julgadas improcedentes.<\/p>\n<p>Em outro caso, a Editora Abril respondeu 105 a&ccedil;&otilde;es por causa da reportagem A cidade goiana das espanholas, publicada na revista Veja em 2 de mar&ccedil;o de 2005. A jornalista Solano Nascimento escreveu que a economia na cidade de Urua&ccedil;u (GO) era fruto do trabalho das mulheres da cidade que se prostituem na Espanha.<\/p>\n<p>As autoras da a&ccedil;&atilde;o, moradoras do munic&iacute;pio, afirmavam que al&eacute;m de a reportagem colocar Urua&ccedil;u como a cidade das prostitutas, dava a entender que se voc&ecirc; n&atilde;o fosse prostituta seria filha de prostituta ou m&atilde;e de prostituta. Tamb&eacute;m por ilegitimidade das partes, a Abril ganhou todas as a&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Tudo indica que a tradi&ccedil;&atilde;o ser&aacute; mantida nas a&ccedil;&otilde;es da Universal. At&eacute; agora, Folha e jornalista n&atilde;o perderam nenhum caso, no m&eacute;rito, dos cinco analisados at&eacute; agora. O &uacute;nico pedido indeferido foi o de centralizar todas as a&ccedil;&otilde;es em apenas um ju&iacute;zo. No caso do jornal A Tarde, uma a&ccedil;&atilde;o j&aacute; foi julgada extinta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N&atilde;o h&aacute; ant&iacute;doto contra a m&aacute;-f&eacute; no uso da Justi&ccedil;a. Mas existe um mecanismo civil de puni&ccedil;&atilde;o: a multa por litig&acirc;ncia indevida ou abuso de direito. Ele deve ser aplicado quando o juiz que aprecia o processo reconhece que ele foi ajuizado para atingir um &uacute;nico objetivo: o da retalia&ccedil;&atilde;o. 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