{"id":20464,"date":"2008-02-19T14:18:42","date_gmt":"2008-02-19T14:18:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20464"},"modified":"2008-02-19T14:18:42","modified_gmt":"2008-02-19T14:18:42","slug":"as-consequencias-do-monopolio-na-tv-paga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20464","title":{"rendered":"As conseq\u00fc\u00eancias do monop\u00f3lio na TV paga"},"content":{"rendered":"<p><span>O Par&aacute;grafo 5&ordm; do artigo 220 da Constitui&ccedil;&atilde;o reza que &quot;os meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monop&oacute;lio ou oligop&oacute;lio&quot;. Esta, no entanto, &eacute; apenas uma das muitas normas do &quot;Cap&iacute;tulo V &ndash; Da Comunica&ccedil;&atilde;o Social&quot; que nunca foram regulamentados por lei e, portanto, n&atilde;o s&atilde;o observadas. <\/p>\n<p><\/span><span>Nas diferentes legislaturas dos &uacute;ltimos 20 anos &ndash; a idade da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 &ndash; n&atilde;o houve n&uacute;mero suficiente de deputados federais e senadores que reunisse a for&ccedil;a pol&iacute;tica necess&aacute;ria para regulamentar a norma. Nem o Poder Executivo, no mesmo per&iacute;odo, tomou qualquer iniciativa para enviar ao Congresso Nacional projeto de lei regulamentando o assunto. <\/p>\n<p><\/span><span>Ningu&eacute;m conhece melhor as conseq&uuml;&ecirc;ncias diretas do descumprimento dessa norma constitucional do que os consumidores dos servi&ccedil;os de TV por assinatura no pa&iacute;s.<\/p>\n<p><\/span><span>Na quinta-feira (14\/2), o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) mostrou &quot;ao vivo&quot; do plen&aacute;rio da C&acirc;mara dos Deputados como funcionam os servi&ccedil;os de atendimento ao consumidor das concession&aacute;rias de telefonia celular e TV a cabo. Ele esperou 25 minutos para agendar a presta&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o na operadora de TV a cabo NET, que monopoliza esse servi&ccedil;o em algumas das principais cidades brasileiras.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p>Aparentemente, a espera foi grande. A m&eacute;dia de espera para liga&ccedil;&otilde;es desse tipo, no entanto, &eacute; maior do que 30 minutos. O deputado chamou tamb&eacute;m aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que essas longas liga&ccedil;&otilde;es s&atilde;o pagas pelo consumidor e n&atilde;o pela operadora. (Ali&aacute;s, o assinante paga at&eacute; mesmo a emiss&atilde;o do &quot;boleto banc&aacute;rio&quot; atrav&eacute;s do qual a sua assinatura &eacute; quitada mensalmente!).<\/p>\n<p><\/span><span><strong>Clubes insatisfeitos<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Os problemas do consumidor, todavia, n&atilde;o se limitam &agrave; demora no atendimento, ao pre&ccedil;o pago pelas liga&ccedil;&otilde;es e pelo boleto banc&aacute;rio. Um servi&ccedil;o de pay-per-view, por exemplo, contratado &ndash; e pago &ndash; pode simplesmente n&atilde;o estar dispon&iacute;vel no dia e na hora que deveria ir ao ar. Os assinantes de Bras&iacute;lia que compraram o pacote de futebol que inclui o Campeonato Mineiro s&oacute; conseguiram ver alguma partida deste campeonato a partir da segunda rodada e, assim mesmo, depois de in&uacute;meras e longas liga&ccedil;&otilde;es, agendamento n&atilde;o cumprido de visitas t&eacute;cnicas e muito aborrecimento. <\/p>\n<p><\/span><span>A tentativa de resolver o assunto utilizando o atendimento via e-mail chega a ser c&ocirc;mica: al&eacute;m da demora de dois dias para se obter uma resposta, um pedido de informa&ccedil;&otilde;es sobre o cancelamento do contrato pode ser respondido anonimamente com um texto padr&atilde;o que diz: &quot;Ficamos felizes em saber que o Sr. aprecia o nosso trabalho&quot; (sic)!<\/p>\n<p><\/span><span>Se o consumidor consegue finalmente assistir aos jogos do campeonato que ele contratou, se defronta com outro problema: a aus&ecirc;ncia de profissionalismo das transmiss&otilde;es. Um exemplo: no jogo entre Cruzeiro e Guarani de Divin&oacute;polis, realizado no s&aacute;bado (16\/2), o locutor passou quase todo o primeiro tempo identificando o zagueiro L&eacute;o Fortunato do Cruzeiro como sendo Giovanny Espinoza, o equatoriano que n&atilde;o havia entrado em campo e n&atilde;o constava da escala&ccedil;&atilde;o fornecida pelo pr&oacute;prio locutor antes do in&iacute;cio da partida.<\/p>\n<p><\/span><span>Ali&aacute;s, sobre transmiss&otilde;es esportivas o jornalista Daniel Castro revelou, na Folha de S.Paulo (11\/2), que o governo federal reabriu em outubro passado as investiga&ccedil;&otilde;es iniciadas em 1997 na Secretaria de Direito Econ&ocirc;mico, do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, para apurar ind&iacute;cios de pr&aacute;ticas anticoncorrenciais por parte da Rede Globo na compra do Campeonato Brasileiro de Futebol. <\/p>\n<p><\/span><span>Nada mais oportuno. A grande m&iacute;dia noticiou recentemente a insatisfa&ccedil;&atilde;o de clubes do porte de Flamengo, S&atilde;o Paulo e Cruzeiro com os contratos de exclusividade de transmiss&atilde;o que vem sendo celebrados, h&aacute; anos, com a Globo. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Passou da hora<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span>Para os assinantes da NET interessados em acompanhar o Campeonato Brasileiro n&atilde;o h&aacute; outra alternativa a n&atilde;o ser se tornarem &quot;s&oacute;cios&quot; do PFC (Premiere Futebol Clube) e pagar as mensalidades mesmo nos intervalos entre campeonatos, isto &eacute;, quando n&atilde;o h&aacute; jogos para serem transmitidos.<\/p>\n<p><\/span><span>A &uacute;ltima da operadora NET com seus assinantes foi enviar, junto com a conta do m&ecirc;s de fevereiro, um novo contrato de Presta&ccedil;&atilde;o de Servi&ccedil;os, impresso em tr&ecirc;s p&aacute;ginas de letras de corpo min&uacute;sculo. Perdido no meio do texto do longo contrato est&aacute; uma cl&aacute;usula de perman&ecirc;ncia m&iacute;nima de 3 a 24 meses, a crit&eacute;rio da operadora. E, mais escondida ainda, est&aacute; um nota de p&eacute; de p&aacute;gina que informa &quot;para sua conveni&ecirc;ncia, ao pagar a pr&oacute;xima fatura este novo contrato entra em vigor automaticamente&quot; (sic). Que falta faz a concorr&ecirc;ncia!<\/p>\n<p><\/span><span>A (des)regula&ccedil;&atilde;o do setor de comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil e a aus&ecirc;ncia hist&oacute;rica de um marco regulat&oacute;rio abrangente que inclua e contemple a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica &eacute; fato por demais sabido. As conseq&uuml;&ecirc;ncias do monop&oacute;lio est&atilde;o a&iacute; e j&aacute; passou da hora para que os consumidores desses servi&ccedil;os p&uacute;blicos reivindiquem seus direitos. <\/p>\n<p><\/span><span>O Par&aacute;grafo 5&ordm; do artigo 220 da Constitui&ccedil;&atilde;o precisa ser regulamentado e a Secretaria de Direito Econ&ocirc;mico e o Conselho Administrativo de Defesa Econ&ocirc;mica (Cad&ecirc;) devem tomar medidas urgentes para garantir a concorr&ecirc;ncia no servi&ccedil;o p&uacute;blico de comunica&ccedil;&otilde;es.<\/span><span>&nbsp;<\/p>\n<p><em><br \/>* Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia e autor\/organizador, entre outros, de A m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006 (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007) <\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Par&aacute;grafo 5&ordm; do artigo 220 da Constitui&ccedil;&atilde;o reza que &quot;os meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monop&oacute;lio ou oligop&oacute;lio&quot;. 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