{"id":20449,"date":"2008-02-18T15:56:36","date_gmt":"2008-02-18T15:56:36","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20449"},"modified":"2008-02-18T15:56:36","modified_gmt":"2008-02-18T15:56:36","slug":"tv-publica-e-tv-mercantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20449","title":{"rendered":"TV P\u00fablica e TV Mercantil"},"content":{"rendered":"<p>A polariza&ccedil;&atilde;o imposta pelo neoliberalismo &ndash; estatal x privado &#8211; como acontece com quem reparte, fica com a melhor parte &ndash; a esfera privada &ndash;, mas para isso tem que fazer desaparecer o essencial &ndash; a esfera p&uacute;blica. A primeira armadilha montada pelo neoliberalismo &eacute; a camuflagem do verdadeiro sentido da esfera de que eles promovem a hegemonia : a esfera mercantil. Afinal de contas, esse &eacute; o objetivo das suas pol&iacute;ticas: transformar tudo em mercadoria &ndash; direitos, &aacute;gua, empresas, informa&ccedil;&atilde;o. Privatizar &eacute; submeter ao mercado, mercantilizar.<\/p>\n<p>Por outro lado, o p&oacute;lo oposto ao mercantil n&atilde;o &eacute; o estatal. O Estado pode ser dominado por interesses mercantis &ndash; como costuma acontecer &ndash; ou representar interesses p&uacute;blicos. Portanto, a esfera estatal, em si mesma, n&atilde;o tem uma determina&ccedil;&atilde;o precisa. O que se contrap&otilde;e &agrave; esfera mercantil &eacute; a esfera p&uacute;blica, aquela que, ao contrario da mercantil, expressa os interesses gerais, enquanto a mercantil reflete sempre interesses particulares &ndash; de empresas, de indiv&iacute;duos, de capitais. Os maiores embates contempor&acirc;neos ocorrem entre a esfera mercantil e a esfera p&uacute;blica. Quanto &agrave; esfera estatal permanece espa&ccedil;o de disputa entre as duas.<\/p>\n<p>Quando tratamos de m&iacute;dia &ndash; e, no caso espec&iacute;fico do Brasil, hoje &ndash; de TV, a mesma polariza&ccedil;&atilde;o se reproduz, sob formas espec&iacute;ficas. Um dos p&oacute;los foi ocupado pela TV mercantil, que se orienta por crit&eacute;rios comerciais, suportada pelas ag&ecirc;ncias de publicidade &ndash; intermedi&aacute;rias do seu financiamento pelas empresas privadas &ndash; e voltada para a conquista de audi&ecirc;ncia &ndash; suporte da publicidade. Esta tv se dirige aos consumidores que, em grande parte, ela mesma produz. &Eacute; formada por empresas que visam o lucro, que se financiam atrav&eacute;s da publicidade. S&atilde;o empresas que competem entre si em busca de mais espectadores, mais publicidade, mais lucros.<\/p>\n<p>No outro p&oacute;lo est&aacute; a m&iacute;dia p&uacute;blica &#8211; neste caso, a TV p&uacute;blica &#8211; que se ap&oacute;ia na esfera estatal, que lhe d&aacute; o suporte fundamental, procura defender os interesses gerais da maioria, especialmente aqueles que n&atilde;o est&atilde;o no cerne da m&iacute;dia mercantil. Sua audi&ecirc;ncia &eacute; dada pela grande maioria que n&atilde;o &eacute; visada pelos crit&eacute;rios comerciais da m&iacute;dia. S&atilde;o espectadores interpelados &ndash; e, de certa forma, constitu&iacute;dos &#8211; como cidad&atilde;os e n&atilde;o como consumidores.<\/p>\n<p>Hoje, uma TV p&uacute;blica precisa lutar contra o pensamento &uacute;nico da m&iacute;dia mercantil, monoc&oacute;rdia, repetitiva, cinzenta, mera reprodutora das pautas da imprensa produzidas nos grandes centros da globaliza&ccedil;&atilde;o. Cada jornal parece repetir os demais e cada articulista quase se limita a oferecer uma nova vers&atilde;o aos editoriais do mesmo jornal. As grandes id&eacute;ias, os grandes debates, os grandes temas contempor&acirc;neos n&atilde;o est&atilde;o nessa m&iacute;dia ou s&oacute; aparecem para serem desqualificados. &Eacute; uma m&iacute;dia antidemocr&aacute;tica, propriedade de algumas fam&iacute;lias, cuja dire&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; eleita, mas herdada por crit&eacute;rios de transmiss&atilde;o familiar, da qual os jornalistas s&atilde;o assalariados, contratados e descontratados segundo as decis&otilde;es de uma dire&ccedil;&atilde;o que se sucede de gera&ccedil;&atilde;o a gera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; uma m&iacute;dia antidemocr&aacute;tica porque se dirige ao seleto grupo da alta esfera do mercado, aos assinantes e leitores de grande poder aquisitivo, que as ag&ecirc;ncias de publicidade querem atingir. Seus temas s&atilde;o aqueles da agenda desta elite. O tema principal &eacute; o da suposta carga excessiva dos impostos. Setores que n&atilde;o usam educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, nem sa&uacute;de p&uacute;blica, nem seguran&ccedil;a p&uacute;blica, nem transporte p&uacute;blico, s&atilde;o os que preferem pagar menos impostos para poder gastar mais nos servi&ccedil;os privados, para ampliar seu consumo consp&iacute;cuo e crescentemente escandaloso, para suas viagens ao exterior, etc. Desprovidos de qualquer sentimento de solidariedade social com as grandes maiorias &ndash; no pais mais injusto do mundo &ndash; , pouco lhes importa que uma parte da carga fiscal esteja destinada &agrave;s despesas sociais <\/p>\n<p>A m&iacute;dia mercantil, ou seja, fundada no mercado, demoniza o Estado e, com ele, as despesas atrav&eacute;s das quais o Estado atende, ou deveria atender &ndash; e o mercado, certamente n&atilde;o atende, n&atilde;o quer e nem poderia atender &#8211; &agrave;s muitas dezenas de milh&otilde;es de pessoas que precisam da educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, da sa&uacute;de p&uacute;blica, de saneamento b&aacute;sico, de transporte p&uacute;blico, de cultura p&uacute;blica. Em suma, a m&iacute;dia mercantil privilegia os consumidores e o seu poder de compra. A m&iacute;dia p&uacute;blica precisa privilegiar os cidad&atilde;os e seus direitos.<\/p>\n<p>Para isso, ela necessita quebrar a vis&atilde;o totalit&aacute;ria que desqualifica o Estado em fun&ccedil;&atilde;o do mercado, cujos interesses representa. Precisa produzir um outro discurso segundo o qual n&atilde;o cabe ao Estado subsidiar o grande capital privado &ndash; que j&aacute; goza de tantos privil&eacute;gios -, mas universalizar direitos. Um discurso que privilegia a democratiza&ccedil;&atilde;o da sociedade e n&atilde;o incentivar o mercado, que s&oacute; concentra renda e patrim&ocirc;nio. A TV p&uacute;blica precisa ser o instrumento intransigente da democratiza&ccedil;&atilde;o da sociedade e do Estado brasileiro. E s&oacute; h&aacute; um caminho: conseguir quebrar o reinado do pensamento &uacute;nico na m&iacute;dia mercantil brasileira.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio enfatizar as diferen&ccedil;as existentes entre a TV p&uacute;blica e a TV estatal. Em primeiro lugar, &eacute; preciso dizer que um governo, eleito e reeleito pela maioria dos brasileiros, tem a necessidade e a obriga&ccedil;&atilde;o de se dirigir constantemente aos cidad&atilde;os, para informar suas pol&iacute;ticas, explic&aacute;-las, debat&ecirc;-las. Mais do que qualquer pesquisa de audi&ecirc;ncia &#8211; esta que a m&iacute;dia mercantil utiliza para manter privil&eacute;gios da publicidade governamental -, a mais ampla e democr&aacute;tica pesquisa &eacute; aquela das pr&oacute;prias elei&ccedil;&otilde;es e elas deram ao governo um mandato pelo qual est&aacute; obrigado a responder cotidianamente diante da cidadania. Portanto, n&atilde;o &eacute; crime, mas sua obriga&ccedil;&atilde;o utilizar todos os espa&ccedil;os poss&iacute;veis para informar, explicar e debater com os cidad&atilde;os. Ali&aacute;s, a m&iacute;dia mercantil se comporta como se fosse sua propriedade um espa&ccedil;o que, de fato, &eacute; concess&atilde;o do Estado.<\/p>\n<p>Por outro lado, mais do que se diferenciar de uma TV estatal, a TV p&uacute;blica precisa se distinguir das TVs mercantis. Elas est&atilde;o submetidas a l&oacute;gicas diferentes, e at&eacute; contraditoras, Gra&ccedil;as a esta diferen&ccedil;a substantiva, seus horizontes s&atilde;o diversos: uma visa o lucro e, a outra, quer a democracia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A polariza&ccedil;&atilde;o imposta pelo neoliberalismo &ndash; estatal x privado &#8211; como acontece com quem reparte, fica com a melhor parte &ndash; a esfera privada &ndash;, mas para isso tem que fazer desaparecer o essencial &ndash; a esfera p&uacute;blica. 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