{"id":20445,"date":"2008-02-18T11:48:47","date_gmt":"2008-02-18T11:48:47","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20445"},"modified":"2008-02-18T11:48:47","modified_gmt":"2008-02-18T11:48:47","slug":"a-discriminacao-das-mulheres-pelos-paparazzi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20445","title":{"rendered":"A discrimina\u00e7\u00e3o das mulheres pelos paparazzi"},"content":{"rendered":"<div id=\"artigo\">\n<p>Um v&iacute;deo que mostra o ator Heath Ledger numa festa embalada por drogas, dois anos antes de sua morte, normalmente seria um material obrigat&oacute;rio para um programa de TV em estilo tabl&oacute;ide. Mas quando o v&iacute;deo chegou &agrave;s m&atilde;os dos produtores do Entertainment Tonight, o programa se recusou a exibi-lo, disse uma assessora de imprensa, &quot;em respeito &agrave; fam&iacute;lia de Heath Ledger&quot;. O ator de 28 anos morreu em 22 de janeiro v&iacute;tima do que os m&eacute;dicos chamaram de uma overdose acidental de rem&eacute;dios.<\/p>\n<p>Amy Winehouse n&atilde;o mereceu a mesma discri&ccedil;&atilde;o. Imagens de um v&iacute;deo que mostrava a cantora fumando o que o tabl&oacute;ide ingl&ecirc;s The Sun descreveu como &quot;um cachimbo de crack&quot;, e tamb&eacute;m usando coca&iacute;na e admitindo ter tomado &quot;uns seis&quot; Valium, foram vastamente disseminadas na m&iacute;dia na mesma &eacute;poca. <\/p>\n<p>Quando Owen Wilson foi hospitalizado em agosto depois de uma aparente tentativa de suic&iacute;dio, seu caso foi o principal assunto de capa da US Weekly. Mas n&atilde;o fez tanto alarde quanto Britney Spears, recentemente confinada em um hospital psiqui&aacute;trico, que j&aacute; inspirou seis hist&oacute;rias de capa da revista durante o mesmo per&iacute;odo. <\/p>\n<p>Quando Kiefer Sutherland foi solto da pris&atilde;o em Glendale, Calif&oacute;rnia, depois de cumprir uma senten&ccedil;a de 48 dias por dirigir b&ecirc;bado, o evento mereceu um pouco mais do que algumas notas escondidas na imprensa.<\/p>\n<p>Em contraste, est&aacute; a hist&oacute;ria de Paris Hilton, que voltou &agrave; pris&atilde;o no ano passado, depois de ter sido solta por alguns dias, para cumprir o resto de sua senten&ccedil;a de 45 dias depois de violar a condicional por dirigir b&ecirc;bada. O evento atraiu tanta aten&ccedil;&atilde;o que lembrou o julgamento de O.J.Simpson. Hordas de c&acirc;meras circularam a limosine que levou a herdeira chorosa &agrave; cadeia.<\/p>\n<p>Sim, as mulheres s&atilde;o quase que os &uacute;nicos alvos de escrut&iacute;nio das not&iacute;cias de fofoca -basta perguntar a Mel Gibson. Meses de incidentes paralelos como esse parecem demonstrar os padr&otilde;es d&iacute;spares da cobertura jornal&iacute;stica. Os homens com problemas pessoais s&atilde;o tratados com gravidade e distanciamento, enquanto mulheres nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o objeto de rid&iacute;culo, piadas e humor negro.<\/p>\n<p>Algumas celebridades e seus assessores est&atilde;o dizendo &agrave;s claras que a m&iacute;dia de not&iacute;cias tem dois pesos e duas medidas. &quot;Sem d&uacute;vida, as mulheres recebem um tratamento mais agressivo, menos sens&iacute;vel, mais ultrajante&quot;, disse Ken Sunshine, rela&ccedil;&otilde;es-p&uacute;blicas cujos clientes incluem Ben Affleck e Barbra Streisand. &quot;Represento alguns homens bem bonitos, e sempre reclamo sobre a forma com que eles s&atilde;o tratatos e cobertos pela m&iacute;dia. Mas &eacute; muito mais dif&iacute;cil para as mulheres que eu represento.&quot;<\/p>\n<p>Liz Rosenberg, rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas da Warner Bros.\/Reprise Records, que representa Madonna entre outros, tamb&eacute;m acha que h&aacute; sexismo. &quot;Voc&ecirc; por acaso v&ecirc; a m&iacute;dia seguindo Owen Wilson de manh&atilde;, de tarde e de noite?&quot;, questiona. <\/p>\n<p>Alguns editores confirmaram tratar as celebridades femininas diferentemente. Mas a raz&atilde;o, dizem, n&atilde;o est&aacute; enraizada no sexismo, mas nos n&uacute;meros demogr&aacute;ficos de sua audi&ecirc;ncia. Os leitores da US Weekly, por exemplo, s&atilde;o 70% mulheres; da People, mais de 90%, de acordo com os editores das revistas.<\/p>\n<p>&quot;Quase nenhuma revista feminina coloca um homem sozinho na capa&quot;, diz Janice Min, editora-chefe da US Weekly. &quot;Voc&ecirc; simplesmente n&atilde;o faz isso. &Eacute; a morte da capa. As mulheres n&atilde;o querem ler sobre homens a menos que eles estejam associados a uma mulher: um casamento, um beb&ecirc;, o t&eacute;rmino de um relacionamento.&quot;<\/p>\n<p>Assim, a cobertura da morte de Ledger deu vez a hist&oacute;rias sobre Michelle Williams, a ex-namorada do ator e m&atilde;e de sua filha; a US Weekly, por exemplo, sa&iacute;u com os t&iacute;tulos &quot;A dor de uma m&atilde;e&quot; e &quot;Meu cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; partido&quot; no topo de uma mat&eacute;ria de quatro p&aacute;ginas. Mary-Kate Olsen, que recebeu v&aacute;rios telefonemas da pessoa que descobriu o corpo de Ledger, tamb&eacute;m virou assunto: &quot;O que Mary-Kate sabe&quot; foi anunciado pela Touch Weekly. <\/p>\n<p>De fato, enquanto uma das edi&ccedil;&otilde;es mais bem vendidas da People no ano passado foi a hist&oacute;ria de capa com a tentativa de suic&iacute;dio de Wilson, uma capa seguinte falando sobre sua recupera&ccedil;&atilde;o foi uma das que menos vendeu, disse Larry Hackett, editor administrativo. <\/p>\n<p>Por outro lado, diz ele, a hist&oacute;ria de Spears continua a render exatamente por que as mulheres s&atilde;o fascinadas pelos desafios que uma jovem m&atilde;e enfrenta. &quot;Se Britney n&atilde;o fosse m&atilde;e, essa hist&oacute;ria n&atilde;o conseguiria um d&eacute;cimo da aten&ccedil;&atilde;o que recebe&quot;, diz Hackett. &quot;O fato de que a cust&oacute;dia de seus filhos est&aacute; em jogo &eacute; o motor dessa narrativa. Se ela fosse uma m&atilde;e solteira, fazendo sucesso e dirigindo seu carro seguida por paparazzi, n&atilde;o seria a mesma coisa.&quot;<\/p>\n<p>Outros, como Roger Friedman, rep&oacute;rter de entretenimento da FoxNews.com, dizem que celebridades femininas tendem a render hist&oacute;rias que chamam mais a aten&ccedil;&atilde;o porque as mulheres &quot;s&atilde;o mais emotivas e mais abertas&quot; em rela&ccedil;&atilde;o a seus problemas. Os homens, disse ele, tendem a ser &quot;circunspectos&quot;.<\/p>\n<p>Rebecca Roy, uma psicoterapeuta de Beverly Hills, Calif&oacute;rnia, que tem v&aacute;rios clientes na ind&uacute;stria de entretenimento, diz que os homens conseguem com freq&uuml;&ecirc;ncia se esquivar dos problemas com a indiferen&ccedil;a elegante t&iacute;pica dos &quot;bad-boy&quot;. Por outro lado, segundo ela, o duplo tratamento da imprensa pode refor&ccedil;ar o comportamento destrutivo das celebridades femininas, empurrando-as ainda mais fundo no abuso de drogas e comportamento inst&aacute;vel.<\/p>\n<p>Roy diz que celebridas masculinas problem&aacute;ticas como Robert Downey Jr. s&atilde;o encorajadas a superar seus problemas e seguirem adiante para um segundo ato em suas carreiras, enquanto as batalhas pessoais de mulheres como Lindsay Lohan ou da j&aacute; falecida Anna Nicole Smith s&atilde;o freq&uuml;entemente exploradas ao m&aacute;ximo do ponto de vista do entretenimento.<\/p>\n<p>&quot;Com os homens, existe uma &ecirc;nfase na atitude &#39;ele teve o problema, mas est&aacute; superando&#39;&quot;, disse Roy. &quot;Mas com as mulheres, a atitude &eacute; &#39;elas continuam mal, continuam mal&#39;. &Eacute; quase como arrancar as asas de uma mosca.&quot;<\/p>\n<p>Min reconhece que sua revista n&atilde;o foi dura em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cobertura de Wilson e Ledger. Em parte, diz ela, porque as leitoras tendem a ser simp&aacute;ticas em rela&ccedil;&atilde;o aos homens em crise. &quot;Com Heath Ledger, as pessoas estavam andando sobre ovos para tentar encontrar o tom adequado&quot;, disse Min, acrescentando que &quot;o sentimento do p&uacute;blico em rela&ccedil;&atilde;o a Heath Ledger contou muito em nossa cobertura&quot;.<\/p>\n<p>Edna Herrmann, uma psic&oacute;loga cl&iacute;nica de Los Angeles, diz que, apesar de o sadismo ser o pre&ccedil;o do trabalho dos famosos, as mulheres, especialmente, respondem &agrave;s celebridades femininas como verdadeiros dem&ocirc;nios. &quot;O sofrimento gosta de companhia&quot;, disse Herrmann. <\/p>\n<p>Mas alguns acreditam que o poder de um agente de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas tem mais influ&ecirc;ncia na cobertura da imprensa do que o g&ecirc;nero da celebridade. Entertainment Tonight desistiu de seus planos de mostrar o v&iacute;deo de Ledger depois de receber protestos de estrelas como Natalie Portman e Josh Brolin, organizdos pela ag&ecirc;ncia ID, que representava Ledger e ainda representa Williams (a namorada do ator). <\/p>\n<p>Em alguns casos, as celebridades podem se tornar v&iacute;timas de seu pr&oacute;pria apetite pela aten&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia. &quot;Na minha opini&atilde;o, ningu&eacute;m que pe&ccedil;a por privacidade, que espere ter sua privacidade respeitada desde o come&ccedil;o, tem essa privacidade negada&quot;, disse Stan Rosenfield, rela&ccedil;&otilde;es-p&uacute;blicas que representa George Clooney. <\/p>\n<p>E Harvey Levin, editor administrativo do web site de fofocas TMZ.com, diz que oferece todas as oportunidades para que as celebridades femininas passem por cima dos seus erros, desde que melhorem seu comportamento. &quot;Nicole Richie, que j&aacute; esteve em baixa por viver criando confus&atilde;o, deu uma virada, e agora todos est&atilde;o torcendo por ela&quot;, disse Levin sobre a antiga amiga de Hilton e figurinha de tabl&oacute;ide, hoje m&atilde;e de uma menina de um m&ecirc;s. <\/p>\n<p>Mesmo que a cobertura noticiosa da m&iacute;dia esteja a seu favor, as celebridades masculinas n&atilde;o se sentem exatamente imunes &agrave; bisbilhotagem agressiva. &quot;Com certeza h&aacute; argumentos para mostrar que a m&iacute;dia &eacute; incrivelmente sexista, a aten&ccedil;&atilde;o dada &agrave;s mulheres e toda a ca&ccedil;a &agrave;s celebridadas femininas&quot;, disse o ator Colin Farrel em uma festa recente para o lan&ccedil;amento de seu novo filme, In Bruges. <\/p>\n<p>Farrell, que tamb&eacute;m j&aacute; teve sua dose de persegui&ccedil;&atilde;o por parte da imprensa, disse que essa tend&ecirc;ncia sexista n&atilde;o faz com que ele deixe de ser alvo de not&iacute;cias. &quot;Se eles me pegam por a&iacute;&quot;, diz ele, &quot;n&atilde;o t&ecirc;m d&uacute;vida do que fazer&quot;. Farrell n&atilde;o bebericou nem uma cerveja enquanto falava numa sala cheia de jornalistas e fot&oacute;grafos.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um v&iacute;deo que mostra o ator Heath Ledger numa festa embalada por drogas, dois anos antes de sua morte, normalmente seria um material obrigat&oacute;rio para um programa de TV em estilo tabl&oacute;ide. 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