{"id":20423,"date":"2008-02-14T16:26:12","date_gmt":"2008-02-14T16:26:12","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20423"},"modified":"2008-02-14T16:26:12","modified_gmt":"2008-02-14T16:26:12","slug":"tv-publica-os-meritos-de-uma-mp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20423","title":{"rendered":"TV p\u00fablica: os m\u00e9ritos de uma MP"},"content":{"rendered":"<p><span>O jurista Fernando Fortes, no &uacute;ltimo encontro da Abepec (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras P&uacute;blicas e Educativas), realizado em Sergipe, teceu considera&ccedil;&otilde;es oportunas sobre a medida provis&oacute;ria 398, de 10 de outubro de 2007. <\/p>\n<p><\/span><span>Diz o professor de direito constitucional da PUC que, se aprovada, a medida provis&oacute;ria se transformar&aacute; na primeira lei a estabelecer os princ&iacute;pios da TV p&uacute;blica educativa no Brasil. At&eacute; hoje, s&oacute; uma lei trata diretamente do assunto, o decreto-lei 236 de 1967, baixado pelo regime militar para complementar e modificar o C&oacute;digo Brasileiro de Televis&atilde;o, de 1962. Esse vazio legislativo, visto que a lei de 67 caducou com o advento da Constitui&ccedil;&atilde;o, dificulta a consolida&ccedil;&atilde;o da TV p&uacute;blica no Brasil. <\/p>\n<p><\/span><span>A MP funcionar&aacute; como uma regulamenta&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o, e a ela submeter&aacute; toda a cria&ccedil;&atilde;o de TVs p&uacute;blicas pelo Estado. Dessas normas nenhuma delas poder&aacute; se afastar. Incumbir&aacute; &agrave; sociedade fiscalizar o seu cumprimento, independentemente de o instrumento, MP, ter sido o mais adequado ou n&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>Essas virtudes n&atilde;o decorreram do acaso, nem da pressa do Executivo em criar uma nova televis&atilde;o. Decorreram de muitos fatores: o aperfei&ccedil;oamento &eacute;tico e profissional ocorrido na Radiobr&aacute;s na gest&atilde;o de Eugenio Bucci; as melhorias na administra&ccedil;&atilde;o e nas instala&ccedil;&otilde;es da TVE durante o mandato de Beth Carmona; a luta da TV Cultura de S&atilde;o Paulo para manter uma programa&ccedil;&atilde;o de alto n&iacute;vel e sua independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica e intelectual em quase todas as administra&ccedil;&otilde;es. E mais, o esfor&ccedil;o de 21 emissoras estaduais em superar suas prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e financeiras, associado &agrave; a&ccedil;&atilde;o da Abepec. E, al&eacute;m disso, o trabalho conjunto realizado pelas associa&ccedil;&otilde;es representativas do campo p&uacute;blico da televis&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>Se essa &eacute; a g&ecirc;nese da MP, o DNA foi fixado no F&oacute;rum Nacional das Televis&otilde;es P&uacute;blicas. Por nove meses, essas associa&ccedil;&otilde;es, em conjunto com intelectuais e t&eacute;cnicos convidados, reuniram-se em grupos de trabalho com representantes de quatro importantes minist&eacute;rios, Cultura, Comunica&ccedil;&atilde;o, Secom e Casa Civil, produzindo o &quot;Manifesto pela TV P&uacute;blica Independente e Democr&aacute;tica&quot;. <\/p>\n<p><\/span><span>Esse manifesto foi lido pelo presidente da Abepec e entregue pessoalmente ao presidente Lula, em cerim&ocirc;nia p&uacute;blica na qual o presidente falou da magnitude do seu conte&uacute;do e no compromisso de fazer uma TV Brasil fiel aos seus preceitos. <\/p>\n<p><\/span><span>Mais importante do que avalia&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas sobre as inten&ccedil;&otilde;es do governo ao criar uma TV p&uacute;blica &eacute; fazer uma avalia&ccedil;&atilde;o sem qualquer pr&eacute;-julgamento dos efeitos positivos da MP. Al&eacute;m de obrigar o governo a criar televis&otilde;es dentro de uma regra democr&aacute;tica, proposta pela sociedade, a lei constranger&aacute; os Estados a fazerem o mesmo. S&atilde;o Paulo j&aacute; tem uma lei adequada, que comemora 40 anos, inspirando as outras TVs, mas trata-se de uma lei estadual sem alcance federal. <\/p>\n<p><\/span><span>Nos outros Estados, fora o Rio Grande do Sul, as televis&otilde;es p&uacute;blicas educativas s&atilde;o em verdade estatais. <\/p>\n<p><\/span><span>A recente crise com a emissora estatal do Paran&aacute; estaria resolvida se aquela televis&atilde;o observasse os preceitos da MP, que em s&iacute;ntese s&atilde;o os seguintes: &quot;Complementaridade entre os sistemas privado, p&uacute;blico e estatal; promo&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o por meio da pluralidade de fontes de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do; produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o com finalidades art&iacute;sticas, culturais, cient&iacute;ficas e informativas; promo&ccedil;&atilde;o da cultura nacional, est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o regional e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente; autonomia em rela&ccedil;&atilde;o ao governo federal para definir produ&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do no sistema p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil no controle da aplica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios do sistema p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o, respeitando-se a pluralidade da sociedade&quot;. <\/p>\n<p><\/span><span>Qualquer que seja a natureza jur&iacute;dica da institui&ccedil;&atilde;o criada para abrigar a concess&atilde;o da TV p&uacute;blica, ela dever&aacute; ser controlada por um conselho representativo da sociedade, cujos membros, em sua primeira renova&ccedil;&atilde;o dever&atilde;o ser escolhidos pela sociedade e n&atilde;o pelo Executivo. Al&eacute;m desses princ&iacute;pios, a lei enuncia a grande miss&atilde;o de desenvolver a consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica do cidad&atilde;o, em lugar do est&iacute;mulo consumista que preside a programa&ccedil;&atilde;o da TV privada. <\/p>\n<p><\/span><span>Recomendo aos congressistas que prestem muita aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s observa&ccedil;&otilde;es que fa&ccedil;o, pois me sinto isento ao faz&ecirc;-las, na condi&ccedil;&atilde;o de representante do campo p&uacute;blico da televis&atilde;o, pois n&atilde;o estou nem sou deste governo nem dos partidos que o ap&oacute;iam. Apenas acho que se trata de um passo importante e decisivo. &Eacute; claro que a MP pode ser aperfei&ccedil;oada, com a clara defini&ccedil;&atilde;o de recursos e um conselho escolhido pela sociedade. <\/p>\n<p><\/span><span>Se a MP n&atilde;o for aprovada, a tenta&ccedil;&atilde;o ser&aacute; a de se fazer uma TV estatal, com alguma apar&ecirc;ncia de p&uacute;blica, sem um instrumento regulador que d&ecirc; &agrave; sociedade o poder de control&aacute;-la. <\/p>\n<p><\/span><span>(*) Jorge da Cunha Lima &eacute; jornalista e escritor, &eacute; presidente do Conselho Curador da Funda&ccedil;&atilde;o Padre Anchieta.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jurista Fernando Fortes, no &uacute;ltimo encontro da Abepec (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras P&uacute;blicas e Educativas), realizado em Sergipe, teceu considera&ccedil;&otilde;es oportunas sobre a medida provis&oacute;ria 398, de 10 de outubro de 2007. 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