{"id":20399,"date":"2008-02-12T17:03:15","date_gmt":"2008-02-12T17:03:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20399"},"modified":"2008-02-12T17:03:15","modified_gmt":"2008-02-12T17:03:15","slug":"potencialidades-para-uma-nova-tv-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20399","title":{"rendered":"Potencialidades para uma nova TV brasileira"},"content":{"rendered":"<p><em>A migra&ccedil;&atilde;o da TV anal&oacute;gica para a digital, bem como o interesse do Governo Federal em promover a televis&atilde;o p&uacute;blica como motor de uma cidadania mais informada e participante, t&ecirc;m trazido in&uacute;meras discuss&otilde;es sobre o potencial da TV para al&eacute;m do entretenimento. Em tempos de mudan&ccedil;as e expectativas, Tadao Takahashi, diretor geral do Instituto Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o (ISI) e Presidente do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o de Comunica&ccedil;&atilde;o Educativa Roquette Pinto ACERP\/TVE Brasil), fala ao SESCTV sobre novos rumos, desafios e possibilidades de uma televis&atilde;o interativa, de qualidade e democr&aacute;tica.<\/em><\/p>\n<p>*<\/p>\n<p><strong>Quais as implica&ccedil;&otilde;es sociais, econ&ocirc;micas e culturais mais significativas trazidas pela mudan&ccedil;a do sistema de TV anal&oacute;gico para o digital?<\/strong><br \/>Do ponto de vista tecnol&oacute;gico, a televis&atilde;o digital terrestre n&atilde;o &eacute; muito novidadeira, pois boa parte das fun&ccedil;&otilde;es que ela embute ou voc&ecirc; tem na internet, ou na TV por assinatura de sinal fechado. O interessante da TV digital terrestre &eacute; a possibilidade de juntar essas fun&ccedil;&otilde;es em uma coisa s&oacute; e ser de sinal aberto. Assim, 90% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira teriam acesso a um meio tecnol&oacute;gico bidirecional (o espectador recebe informa&ccedil;&otilde;es, mas pode tamb&eacute;m interagir com elas), tanto para entretenimento quanto como para servi&ccedil;os p&uacute;blicos e assim por diante. Ent&atilde;o, h&aacute; um potencial de democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, da possibilidade de buscar informa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o apenas ficar sentado recebendo. A combina&ccedil;&atilde;o de interatividade com recep&ccedil;&atilde;o de som e imagem em alta qualidade d&aacute; para a pessoa, ou para a resid&ecirc;ncia, a possibilidade de ser uma esp&eacute;cie de passageiro inicial do mundo globalizado, da internet, sem o custo que a internet atualmente acarreta.<\/p>\n<p><strong>Quais as perspectivas da TV digital se tornar uma ferramenta de amplo alcance para combate &agrave; exclus&atilde;o digital?<\/strong><br \/>A fun&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o da internet tende a ser cada vez mais forte. Acredito que, em 2015 ou 2020, todo mundo vai ter acesso &agrave; rede. Se n&atilde;o diretamente, via celular. Ent&atilde;o, creio que o grande ve&iacute;culo de inclus&atilde;o digital dos pr&oacute;ximos cinco ou dez anos em pa&iacute;ses como o Brasil tende a ser o celular evolu&iacute;do, e n&atilde;o a televis&atilde;o com Internet ou a internet com a televis&atilde;o. Por outro lado, mesmo o celular evolu&iacute;do continuar&aacute; tendo algumas limita&ccedil;&otilde;es em fun&ccedil;&atilde;o de sua caracter&iacute;stica primeira, que &eacute; facilidade de carregar. A tela continuar&aacute; pequena, a capacidade de mem&oacute;ria tende a ser menor do que um computador, dentre outros detalhes que v&atilde;o acabar incentivando a televis&atilde;o como meio de combinar transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e interatividade. Em um horizonte de dez anos, vai ter atividades que remetem &agrave; inclus&atilde;o digital do ponto de vista de televis&atilde;o digital com intera&ccedil;&atilde;o, computador e Internet com banda larga, e certamente o celular tamb&eacute;m. Teremos uma combina&ccedil;&atilde;o dessas tr&ecirc;s coisas.<\/p>\n<p><strong>Quais os impactos da TV Digital e da interatividade sobre a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do?<\/strong><br \/>Vai mudar muita coisa na programa&ccedil;&atilde;o. O primeiro ponto &eacute; que o custo de produ&ccedil;&atilde;o possivelmente vai baixar, porque a infra-estrutura passa a ser digital. A produ&ccedil;&atilde;o daqui a dez anos tende a ser mais barata e tecnologicamente mais sofisticada, o que &eacute; muito interessante, porque uma pequena produtora de televis&atilde;o vai conseguir produzir pequenos filmes e conte&uacute;dos de excelente qualidade. Por outro lado, a emiss&atilde;o propriamente dita tende a encarecer, porque se a emissora quer proporcionar algum tipo de interatividade, em 2015 ela precisar&aacute; ser uma mistura de TV, call center e servidor de internet. Esse canal de retorno interativo vai demandar recursos tecnol&oacute;gicos e humanos que s&atilde;o caros. Ent&atilde;o a coisa tende a ser muito interessante para pequenos produtores por um lado, e muito complexa e cara para grandes emissoras.<\/p>\n<p><strong>Mas essas novas fontes de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do, independentes das grandes emissoras, teriam espa&ccedil;o, de fato, no modelo de TV digital que est&aacute; sendo discutido?<\/strong><br \/>Teria espa&ccedil;o sim. Uma das id&eacute;ias b&aacute;sicas da iniciativa do Governo Federal de implantar uma televis&atilde;o p&uacute;blica de alcance nacional &eacute; que nos canais ditos educacionais voc&ecirc; n&atilde;o teria propaganda, teria uma ambi&ccedil;&atilde;o pela qualidade, pela veicula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos educacionais e culturais. Uma das coisas interessantes nesse modelo &eacute; justamente incentivar a produ&ccedil;&atilde;o independente descentralizada.<\/p>\n<p>A id&eacute;ia &eacute; que se voc&ecirc; tiver uma pequena produtora, voc&ecirc; pode fazer coisas com muita qualidade entrando em algum tipo de recurso ou programa do governo e teria espa&ccedil;o na grade de programa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; local, mas em escala nacional. Se a TV comercial continuar nesse modelo, e se uma televis&atilde;o p&uacute;blica realmente come&ccedil;ar a desafiar emissoras comerciais em termos de qualidade, mudan&ccedil;as poder&atilde;o ocorrer. Por exemplo, programas culturais e educacionais como os do canal Futura, que hoje s&atilde;o veiculados apenas em sinal fechado, poder&atilde;o migrar para o sinal aberto, no caso a Globo.<\/p>\n<p>Ou seja, se todos esses fatores &ndash; TV p&uacute;blica, TV digital, p&uacute;blico, pequenas produtoras &ndash; forem bem orquestrados e bem trabalhados, &eacute; poss&iacute;vel pensarmos em uma revolu&ccedil;&atilde;o em termos de conte&uacute;do e em termos de mentalidade em rela&ccedil;&atilde;o ao que &eacute; a TV.<\/p>\n<p><strong>Por que as discuss&otilde;es sobre uma TV p&uacute;blica de qualidade, que teoricamente j&aacute; poderia ter sido implantada, t&ecirc;m estado t&atilde;o interligadas &agrave;s discuss&otilde;es sobre a TV digital?<\/strong><br \/>Eu diria que por um lado h&aacute; uma raz&atilde;o hist&oacute;rica e por outro h&aacute; um senso de oportunidade. Quando olhamos a BBC ou a NHK japonesa, ficamos espantados com a qualidade de alguns programas. Claro, h&aacute; coisas comerciais, mas n&atilde;o s&atilde;o a regra, como aqui no Brasil. Na verdade, essas emissoras foram estruturadas sob a &eacute;gide do poder p&uacute;blico antes dos canais comerciais. No caso do Brasil, o modelo foi o oposto: perseguimos o modelo americano. O primeiro canal a entrar no ar em 1950 foi a TV Tupi e o modelo era basicamente comercial. Embora tenhamos tido v&aacute;rias iniciativas de r&aacute;dio, televis&atilde;o educativa etc., elas nunca conseguiram nem os recursos nem a estabilidade nem a popularidade que os canais comerciais rapidamente ganharam. Essa &eacute; a raz&atilde;o hist&oacute;rica. Quanto ao senso de oportunidade, a TV digital cria espa&ccedil;o para se fazer uma campanha em torno de canais p&uacute;blicos, voltados para a qualidade e n&atilde;o para o entretenimento, que d&ecirc;em lugar para novas produ&ccedil;&otilde;es. Se o governo n&atilde;o aproveitar a televis&atilde;o digital que ele mesmo est&aacute; implantando para criar de fato uma TV p&uacute;blica que mude a estrutura da programa&ccedil;&atilde;o televisiva no pa&iacute;s, vai fazer isso quando?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador aponta as oportunidades da migra\u00e7\u00e3o para a TV digital<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[637],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20399"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20399\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}