{"id":20380,"date":"2008-02-11T12:53:53","date_gmt":"2008-02-11T12:53:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20380"},"modified":"2008-02-11T12:53:53","modified_gmt":"2008-02-11T12:53:53","slug":"fusao-oibrt-um-beneficio-as-avessas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20380","title":{"rendered":"Fus\u00e3o Oi\/BrT: um benef\u00edcio \u00e0s avessas"},"content":{"rendered":"<p><span>O GRUPO Oi teria chegado a um acordo sobre a aquisi&ccedil;&atilde;o da BrT (Brasil Telecom), opera&ccedil;&atilde;o que depende de mudan&ccedil;a no marco legal do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es. A aquisi&ccedil;&atilde;o justificar-se-ia pela preserva&ccedil;&atilde;o de uma empresa de capital nacional, amea&ccedil;ada pela for&ccedil;a das teles estrangeiras. <\/p>\n<p><\/span><span>Em 1998, na privatiza&ccedil;&atilde;o do setor, foi editado o Plano Geral de Outorgas, decreto que dividiu o pa&iacute;s em quatro regi&otilde;es: uma (todo o Brasil) s&oacute; para os servi&ccedil;os de liga&ccedil;&otilde;es de longa dist&acirc;ncia e tr&ecirc;s regi&otilde;es para o servi&ccedil;o local. <\/span><span>Leiloada a infra-estrutura de telecomunica&ccedil;&otilde;es, uma concession&aacute;ria assumiu cada regi&atilde;o (com metas de universaliza&ccedil;&atilde;o), ficando proibida de atuar sob concess&atilde;o nas demais &aacute;reas. <\/p>\n<p><\/span><span>Na pr&aacute;tica, o modelo buscava impedir justamente o que hoje se discute: a aquisi&ccedil;&atilde;o de uma empresa por outra. <\/p>\n<p><\/span><span>Na regi&atilde;o 3 (SP), opera a espanhola Telef&ocirc;nica. No resto do Brasil, atuam Oi (1) e BrT (2). Para incentivar a competi&ccedil;&atilde;o, esperava-se a cria&ccedil;&atilde;o de empresas-espelho, as quais prestariam o servi&ccedil;o sem obriga&ccedil;&otilde;es de universaliza&ccedil;&atilde;o. Ap&oacute;s cumprir suas metas de universaliza&ccedil;&atilde;o, cada concession&aacute;ria poderia &quot;invadir&quot; a regi&atilde;o das outras mediante autoriza&ccedil;&atilde;o. O objetivo era claro: possibilitar alguma concorr&ecirc;ncia entre as empresas. <\/p>\n<p><\/span><span>O modelo aumentou a disponibilidade de linhas, mas a competi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o vingou e a universaliza&ccedil;&atilde;o visualizada est&aacute; longe de ser atingida. Sem competi&ccedil;&atilde;o, as tarifas ficaram impeditivas para a maioria da popula&ccedil;&atilde;o e, desde 2002, o setor de telefonia fixa estacionou em 39 milh&otilde;es de linhas ativas, enquanto a telefonia celular cresceu impulsionada pelo servi&ccedil;o pr&eacute;-pago, que corresponde a 80,66% dos atuais 120 milh&otilde;es de celulares. <\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; uma universaliza&ccedil;&atilde;o &agrave;s avessas: o pr&eacute;-pago m&oacute;vel tem tarifas muito superiores &agrave;s do fixo (o consumidor tem o telefone, mas n&atilde;o pode us&aacute;-lo); as empresas que prestam o servi&ccedil;o m&oacute;vel n&atilde;o t&ecirc;m obriga&ccedil;&otilde;es de universaliza&ccedil;&atilde;o; e, ainda, s&atilde;o quase todas controladas pelas pr&oacute;prias concession&aacute;rias de telefonia fixa. Com a aquisi&ccedil;&atilde;o da BrT pela Oi, o quadro tende a se agravar. <\/p>\n<p><\/span><span>Na telefonia fixa, estar&aacute; definitivamente enterrada a possibilidade de que a Oi venha a disputar os clientes da BrT na regi&atilde;o 2 e vice-versa. Na m&oacute;vel, a &uacute;nica empresa controlada apenas parcialmente por uma concession&aacute;ria (TIM) pode fundir-se com a Vivo (da Telef&ocirc;nica) em uma medida de compensa&ccedil;&atilde;o &agrave; operadora espanhola. <\/p>\n<p><\/span><span>E, no que diz respeito &agrave; internet, a principal estrutura (telefonia fixa) utilizada para o brasileiro se conectar (77% dos internautas em 2006) ter&aacute; menos um competidor. <\/p>\n<p><\/span><span>Antes de levar adiante essa opera&ccedil;&atilde;o, portanto, &eacute; preciso que o governo federal demonstre claramente qual o interesse p&uacute;blico que procura atender, bem como qual o risco caso as empresas n&atilde;o se unam. <\/span><span>Para o Idec, a possibilidade de competir no exterior com uma empresa de capital nacional, por exemplo, n&atilde;o beneficiar&aacute; verdadeiramente o consumidor brasileiro. <\/p>\n<p><\/span><span>Dessa forma, na apresenta&ccedil;&atilde;o da proposta &agrave; sociedade, governo e Anatel ter&atilde;o que apresentar medidas que compensem a inexist&ecirc;ncia de competi&ccedil;&atilde;o, adotando regula&ccedil;&atilde;o mais forte e vetando, a qualquer custo, outras fus&otilde;es. Dever&atilde;o insistir em medidas que criem condi&ccedil;&otilde;es para a entrada de competidores no mercado residencial, como a desagrega&ccedil;&atilde;o das redes, e que impe&ccedil;am que as concession&aacute;rias controlem o acesso &agrave; internet por outras vias (como cabo e WiMax). <\/p>\n<p><\/span><span>E, muito importante para os consumidores, dever&atilde;o adotar provid&ecirc;ncias e impor obriga&ccedil;&otilde;es que evitem problemas comuns em opera&ccedil;&otilde;es dessa natureza, como a queda na qualidade do servi&ccedil;o e modifica&ccedil;&otilde;es unilaterais de contratos. A Anatel ter&aacute; que se mostrar um regulador forte e presente para proteger os consumidores, algo que ela ainda n&atilde;o &eacute;. <\/p>\n<p><\/span><span>Acima de tudo, tais medidas devem ser debatidas em consulta p&uacute;blica, com prazos e condi&ccedil;&otilde;es razo&aacute;veis, para que todos os interessados possam participar. Do contr&aacute;rio, a aquisi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o atender&aacute; os interesses da coletividade, mas somente os dos particulares envolvidos na opera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><em><span>* MARILENA LAZZARINI, 59, &eacute; coordenadora-executiva do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). <br \/><\/span><span>* LUIZ FERNANDO MONCAU, 25, &eacute; advogado do Idec.<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O GRUPO Oi teria chegado a um acordo sobre a aquisi&ccedil;&atilde;o da BrT (Brasil Telecom), opera&ccedil;&atilde;o que depende de mudan&ccedil;a no marco legal do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es. A aquisi&ccedil;&atilde;o justificar-se-ia pela preserva&ccedil;&atilde;o de uma empresa de capital nacional, amea&ccedil;ada pela for&ccedil;a das teles estrangeiras. 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