{"id":20370,"date":"2008-02-08T15:26:51","date_gmt":"2008-02-08T15:26:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20370"},"modified":"2008-02-08T15:26:51","modified_gmt":"2008-02-08T15:26:51","slug":"na-luta-pelas-radios-comunitarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20370","title":{"rendered":"Na luta pelas r\u00e1dios comunit\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p><em>Jos&eacute; Luiz do Nascimento S&oacute;ter, eleito diretor executivo da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias (Abra&ccedil;o), durante o sexto Congresso da entidade realizado no final do ano passado, ratifica a import&acirc;ncia das r&aacute;dios comunit&aacute;rias (Radicom) como &ldquo;uma das mais significativas formas pr&aacute;ticas de se fazer comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica no pa&iacute;s&rdquo;. Apesar da forma&ccedil;&atilde;o em T&eacute;cnicas Agr&iacute;colas, desde sua adolesc&ecirc;ncia S&oacute;ter esteve ligado ao processo de a&ccedil;&otilde;es pela democratiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o, em especial, no trabalho junto &agrave; Abra&ccedil;o, &quot;na conquista por espa&ccedil;o de comunidades que vivem afastadas e sem acesso aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&quot;. <\/p>\n<p>Na entrevista concedia a este e-f&oacute;rum, S&oacute;ter assinala os pr&oacute;ximos passos por um caminho que atenda os preceitos estipulados na lei que criou as Radicom. O dirigente fala tamb&eacute;m sobre a nova gest&atilde;o da entidade.<\/em><\/p>\n<p>*&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais s&atilde;o os maiores problemas enfrentados pela Radicom? Como contornar os mesmos? <\/strong><br \/>Continuamos com a mesma pauta requentada a cada semana, a cada m&ecirc;s, que &eacute; a persegui&ccedil;&atilde;o pela Pol&iacute;cia Federal e a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). N&oacute;s tivemos fechamento de diversas emissoras em Minas, Bel&eacute;m e tamb&eacute;m na Para&iacute;ba. E isso faz com essa seja uma pauta constante. Sentamos com a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos &#8211; do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, para discutir como mudar essa pol&iacute;tica. Nesse encontro ficou acertado que iremos fazer um semin&aacute;rio jur&iacute;dico com a participa&ccedil;&atilde;o da Secretaria, da Abra&ccedil;o, do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, com a Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (Secom) da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e os parlamentares que tenham atua&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea comunit&aacute;ria. Esse evento visa tratar essa quest&atilde;o com a finalidade de ver quais s&atilde;o os n&oacute;s na legisla&ccedil;&atilde;o que propiciam a exist&ecirc;ncia dessa a&ccedil;&atilde;o repressora do Estado com as Radicom.<\/p>\n<p><strong><br \/>Atualmente h&aacute; um grande n&uacute;mero de r&aacute;dios em m&atilde;os de Igreja e pol&iacute;ticos, como a Abra&ccedil;o v&ecirc; isso? <\/strong><br \/>A Abra&ccedil;o faz um mea culpa. Na verdade, quem participou ativamente da conceitua&ccedil;&atilde;o de radiofonia comunit&aacute;ria\/p&uacute;blica &ndash; que inclusive resultou num c&oacute;digo de &eacute;tica &ndash; desde a cria&ccedil;&atilde;o e regulamenta&ccedil;&atilde;o desse servi&ccedil;o, n&atilde;o teve for&ccedil;as e compet&ecirc;ncia para poder tamb&eacute;m capacitar as comunidades para que elas pudessem ocupar e se apropriar desse espa&ccedil;o. Resultou na falta de estrutura para estarmos fazendo essa capacita&ccedil;&atilde;o e consultoria &agrave;s comunidades, orientando qual o melhor processo e caminho para chegar a uma concess&atilde;o\/autoriza&ccedil;&atilde;o perante o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es (Minicom). <\/p>\n<p>Assim, abriu espa&ccedil;o para que comunidades &quot;bem assessoradas&quot; sa&iacute;ssem &agrave; frente e obtivessem permiss&atilde;o para &ldquo;trabalhar&rdquo; em detrimento do nosso pessoal. Grande parte dos lugares onde existe uma emissora de baixa potencia nas m&atilde;os de um &ldquo;picareta&rdquo;, seja ele, religioso, pol&iacute;tico ou econ&ocirc;mico, existe uma comunit&aacute;ria que n&atilde;o conseguiu sua autoriza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A nossa proposta &eacute; dar luz para a quest&atilde;o da entidade sem fins lucrativos, aberta &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de toda comunidade, o que foi sacramentado na norma complementar n&ordm; 01\/2004, que especifica que todos os cidad&atilde;os residentes na &aacute;rea de abrang&ecirc;ncia de uma determinada emissora tenham o direito de se filiar &agrave; mesma. Tendo o direto de voz e voto. Esse &eacute; um elemento que n&oacute;s vamos utilizar, a partir de agora, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s emissoras que j&aacute; foram autorizadas. E vamos capacitar as comunidades. Para isso, estamos elaborando projetos como um programa de capacita&ccedil;&atilde;o das comunidades para que, utilizando a legisla&ccedil;&atilde;o, elas possam se apropriar dessas emissoras que foram usurpadas por esses segmentos.<\/p>\n<p><strong><br \/>Como tornar mais vi&aacute;vel a exist&ecirc;ncia das radicom perante as barreiras perante as concess&otilde;es? <\/strong><br \/>Para contornar essa quest&atilde;o conceitual e de princ&iacute;pios, o caminho mais f&aacute;cil e educativo &eacute; o de capacitar as comunidades. Atuar em v&aacute;rias frentes, como na Secretaria dos Diretos Humanos, do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, para que ajudem, dando apoio pol&iacute;tico para uma mudan&ccedil;a na legisla&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m h&aacute; outra a&ccedil;&atilde;o conjunta com as for&ccedil;as organizadas da sociedade, para que se fa&ccedil;a uma press&atilde;o e se convoque a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, onde, com certeza, todos esses embr&oacute;glios na comunica&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o tratados e apontadas solu&ccedil;&otilde;es a curto, m&eacute;dio e longo prazo.<\/p>\n<p>Nosso objetivo &eacute; que todos os munic&iacute;pios tenham os seus avisos de habilita&ccedil;&atilde;o editados. Tamb&eacute;m queremos que sejam atendidos aqueles que est&atilde;o exclu&iacute;dos do meio de comunica&ccedil;&atilde;o, exemplo: povoados, aldeias ind&iacute;genas, quilombolas, totalmente desassititidos de meios de comunica&ccedil;&atilde;o, queremos que seja ampliado o espectro de aviso de habilita&ccedil;&otilde;es para atender a esses nichos.<\/p>\n<p><strong><br \/>Quais os principais pontos e desdobramentos resultantes do 6&ordm; Congresso?<\/strong><br \/>N&oacute;s tivemos, logo ap&oacute;s o congresso, um per&iacute;odo de recesso, mas mesmo durante ele, a nova diretoria come&ccedil;ou a se mobilizar para atender a agenda que foi defendida no encontro, que &eacute; a reorganiza&ccedil;&atilde;o da entidade. Para isso, estamos revendo as secretarias junto com a coordena&ccedil;&atilde;o executiva. Estamos tamb&eacute;m elaborando um semin&aacute;rio de planejamento para o in&iacute;cio de mar&ccedil;o no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Os coordenadores regionais est&atilde;o criando seus planos de luta para esse planejamento. A secretaria de comunica&ccedil;&atilde;o est&aacute; construindo um portal para Abra&ccedil;o e estamos discutimos algumas a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, como a quest&atilde;o do Conselho Consultivo da Anatel, a Comiss&atilde;o pr&oacute;-Confer&ecirc;ncia e a participa&ccedil;&atilde;o efetiva das Abra&ccedil;os estaduais e radicoms nessa convoca&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><strong><br \/>Quais os rumos para os pr&oacute;ximos anos da Abra&ccedil;o?<\/strong><br \/>A meta principal &eacute; criar uma estrutura forte em todas as pontas do sistema &ndash;regional, estadual e municipal. Para isso, fizemos uma reforma estatut&aacute;ria, onde se enxugou a diretoria para uma executiva com oito pessoas. Criamos cinco regionais que n&atilde;o fazem parte dessa executiva e instituir&atilde;o quatro &oacute;rg&atilde;os vinculados, que atuar&atilde;o na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os para liberar a entidade enquanto representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Esses &oacute;rg&atilde;os ser&atilde;o constitu&iacute;dos em uma rede que lincar&aacute; todas as r&aacute;dios comunit&aacute;rias filiadas &agrave; institui&ccedil;&atilde;o, uma ag&ecirc;ncia de not&iacute;cia para produzir os conte&uacute;dos que alimentar&atilde;o nossas emissoras, uma ag&ecirc;ncia de publicidade e propaganda para captar os recursos, visando garantir a sustentabilidade, e a escola de forma&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria para capacitar o nosso pessoal e a comunidade.<\/p>\n<p><strong><br \/>Diante das transforma&ccedil;&otilde;es do modelo radiof&ocirc;nico, com a converg&ecirc;ncia de sinais e surgimento de espectros p&uacute;blicos, quais as considera&ccedil;&otilde;es a se fazer em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Radicom?<\/strong><br \/>Para n&oacute;s, as r&aacute;dios comunit&aacute;rias constituem a ess&ecirc;ncia de uma radiodifus&atilde;o p&uacute;blica, &eacute; a express&atilde;o desse segmento e estaremos trabalhando na defesa da mesma, buscando a uni&atilde;o daqueles que se colocam no campo de defesa desse modelo de radiodifus&atilde;o. Temos que construir uma interface que interligue os integrantes da luta para fazer uma comunica&ccedil;&atilde;o s&eacute;ria no Brasil. <\/p>\n<p>A respeito da radiodifus&atilde;o digital, conseguimos barrar a implanta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, para dar mais prazo ao debate. &Eacute; essencial que tenhamos um padr&atilde;o digital aberto, e que a tecnologia adotada seja de f&aacute;cil assimila&ccedil;&atilde;o, porque se for nos moldes que estavam sendo trilhados, ir&iacute;amos ficar totalmente exclu&iacute;dos, pelo custo dos equipamentos e demais gastos que inviabilizariam a radio publica e comunit&aacute;ria.<\/p>\n<p>Outra quest&atilde;o &eacute; que, se h&aacute; novos produtos, tem de haver a abertura de novos processos, n&atilde;o pode simplesmente transferir um canal digital para os s&atilde;o detentores de um anal&oacute;gico. Sem isso, voc&ecirc; vai agregar mais canais para aqueles que j&aacute; possuem o monop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A possibilidade de voc&ecirc; democratizar &eacute; justamente abrir esses canais para atender todos os segmentos da sociedade. E essa democratiza&ccedil;&atilde;o no espectro poderia solucionar uma parte dos problemas das radicom, visto que elas s&atilde;o invadidas por outros que n&atilde;o tem servi&ccedil;o destinado ao seu segmento e se apropriam do nome usando o servi&ccedil;o que deveria ser comunit&aacute;rio. <\/p>\n<p><strong><br \/>Como e quando voc&ecirc; iniciou a luta pelas radicom? <\/strong><br \/>Comecei atuando em outras &aacute;reas de democratiza&ccedil;&atilde;o na adolesc&ecirc;ncia. Participei do movimento estudantil, de movimentos culturais e ecol&oacute;gicos. Sempre lutando pela democratiza&ccedil;&atilde;o de alguma coisa no pa&iacute;s. E a comunica&ccedil;&atilde;o veio no bojo dessa discuss&atilde;o, da regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cultural, art&iacute;stica e jornal&iacute;stica. Constituindo a ponte entre esses movimentos para a obten&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o, uma vez que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o se centralizam em pequenos e fechados grupos. Um processo que come&ccedil;ou em outras batalhas e que foi se transformando at&eacute; chegar &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, e dentro dela a defini&ccedil;&atilde;o de uma radiodifus&atilde;o p&uacute;blica e de r&aacute;dio comunit&aacute;ria. <\/p>\n<p><strong>Destaque desses 11 anos de atua&ccedil;&atilde;o da Abra&ccedil;o? <\/strong><br \/>O principal destaque &eacute; que a Abra&ccedil;o conseguiu que o movimento chegasse a diversos os munic&iacute;pios em pouco tempo. Em todas as regi&otilde;es do Brasil que tomaram conhecimento da possibilidade de construir um meio comunit&aacute;rio esteve ou est&aacute; a Abra&ccedil;o. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Persegui\u00e7\u00e3o continua, diz novo diretor-executivo da Abra\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[641,642],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20370"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20370\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}