{"id":20358,"date":"2008-02-07T15:12:05","date_gmt":"2008-02-07T15:12:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20358"},"modified":"2008-02-07T15:12:05","modified_gmt":"2008-02-07T15:12:05","slug":"current-tv-uma-televisao-participativa-e-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20358","title":{"rendered":"Current TV: uma televis\u00e3o participativa e contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\">Recentemente, assisti aos v&iacute;deos promocionais da Current TV, emissora gerenciada por <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Joel_Hyatt\">Joel Hyatt e ideologicamente comandada pelo ex-candidato &agrave; presid&ecirc;ncia dos EUA e pr&ecirc;mio Nobel da Paz <\/a><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Al_Gore\">Al Gore<\/a>. A empresa foi criada h&aacute; dois anos e se tornou no ano passado o ve&iacute;culo mais jovem a vencer um Emmy (o principal pr&ecirc;mio da TV americana). <\/p>\n<p>Fiquei muito bem impressionado com o foco, aparentemente acertado, da programa&ccedil;&atilde;o. Porque a Current &eacute; uma televis&atilde;o contempor&acirc;nea. Utiliza a internet para se alimentar e alimenta a internet com sua produ&ccedil;&atilde;o. Um ter&ccedil;o do que exibe prov&eacute;m dos pr&oacute;prios internautas, em algo que eles chamam de VC2 (Viewer Created Content &#8211; &quot;telespectador criou o conte&uacute;do&quot;). <\/p>\n<p>Fascinou-me, por exemplo, ver a contraposi&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deos extra&iacute;dos do site gerando um di&aacute;logo virtual de pessoas que nem sequer se conhecem pelo cyberespa&ccedil;o, apenas &quot;freq&uuml;entam&quot; a mesma m&iacute;dia. Um rapaz posta um v&iacute;deo dizendo algo. Uma garota refuta com outro v&iacute;deo. Tudo online. E tudo isso vai parar na grade de programa&ccedil;&atilde;o participativa e interativa da emissora. <\/p>\n<p><strong>Funcionamento<\/p>\n<p><\/strong>A Current opera em duas m&atilde;os. Tem um site 2.0 e um canal de Broadcast tradicional, o qual o cliente acessa por meio de assinatura (DTH ou cabo) nos Estados Unidos e no Reino Unido. O plano, no entanto, &eacute; expandir o trabalho para todo o planeta. <\/p>\n<p>Seu p&uacute;blico &eacute; o que eles chamam de Young Adults (jovens adultos). Ou seja: pessoas entre 18 e 34 anos. N&atilde;o &eacute; o mesmo p&uacute;blico que a MTV ou a Play TV no Brasil, voltados para teenagers ou old teens (pessoas que esqueceram que a adolesc&ecirc;ncia um dia acaba). Isso faz da Current um produto bastante raro no mercado de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, eles desenvolveram estrat&eacute;gias para obten&ccedil;&atilde;o de publicidade menos invasivas que as tradicionais, inspirados pelos ads da internet (um mecanismo que aproxima a oferta e a demanda). Tamb&eacute;m optaram por se relacionar com as marcas por meio de patroc&iacute;nios &agrave; programa&ccedil;&atilde;o. Como &eacute; interessante estar na Current, o mercado topou.<\/p>\n<p>No fim do ano, por exemplo, o Radiohead, a banda que &eacute; sin&ocirc;nimo de inova&ccedil;&atilde;o (principalmente depois de ter lan&ccedil;ado seu &uacute;ltimo disco inteiro pela internet para que os f&atilde;s pudessem baixar suas m&uacute;sicas pelo pre&ccedil;o que bem entendessem) fez uma apresenta&ccedil;&atilde;o exclusiva para a Current. O Robert&atilde;o Carlos Especial deles &eacute; o Radiohead. Isso d&aacute; a dimens&atilde;o de quem eles querem atrair para suas ondas digitais. <\/p>\n<p>No Brasil, o projeto da <a href=\"http:\/\/www.fiztv.com.br\/\">FIZTV<\/a> da Editora Abril prop&otilde;e sistema semelhante. N&atilde;o chega aos p&eacute;s, mas caminha nesse sentido, de capturar conte&uacute;dos na web, produzidos pelos interatores, e lev&aacute;-los ao broadcast.<\/p>\n<p>Esse &eacute; um dos caminhos poss&iacute;veis para a fus&atilde;o internet-TV, mas na minha avalia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; o que ir&aacute; sobreviver no cen&aacute;rio de converg&ecirc;ncia total. De qualquer forma, a inova&ccedil;&atilde;o passa por a&iacute;.<\/p>\n<p><strong>Um exemplo bem legal<\/p>\n<p><\/strong>Em um dos v&iacute;deos promocionais aos quais tive acesso, a Current exibe um trabalho como o exemplo mais bem acabado da intera&ccedil;&atilde;o entre a emissora e os interatores. &Eacute; o clipe <a href=\"http:\/\/www.current.com\/theshins\">All Eyes on The Shins<\/a>, produzido por Alex simmons e Douglas Caballero, durante o Austin City Limits Festival. <\/p>\n<p>De fato, eles usaram muito do que a net pode oferecer para fazer um trabalho colaborativo. <\/p>\n<p>Veja o filme <a href=\"http:\/\/vids.myspace.com\/index.cfm?fuseaction=vids.showvids&amp;friendID=73870853&amp;n=73870853&amp;MyToken=9745737c-bf39-44c1-8d1f-e731a379bcb7\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Depois que voc&ecirc; assistiu ao filme, explico como eles fizeram isso:<\/p>\n<p>1. Eles propuseram &agrave; banda The Shins que os f&atilde;s pudesses filmar uma das m&uacute;sicas de seu show. Os caras n&atilde;o s&oacute; autorizaram a brincadeira como disseram que iam fazer campanha pela id&eacute;ia. <\/p>\n<p>2. Eles iniciaram, ent&atilde;o, por meio de panfletagem durante o festival e distribui&ccedil;&atilde;o de camisetas, a divulgar a id&eacute;ia entre o p&uacute;blico. Tamb&eacute;m fizeram uma campanha por meio do My Space, a rede social que &eacute; sin&ocirc;nimo de m&uacute;sica nos dias de hoje.<\/p>\n<p>3. O pedido ao p&uacute;blico era bem simples: voc&ecirc;, f&atilde;, use seu celular, c&acirc;mera fotogr&aacute;fica, filmadora, o que for, para filmar a apresenta&ccedil;&atilde;o do The Shins. Depois, deposite seu filme no site da Current. A contrapartida? Participar da brincadeira.<\/p>\n<p>4. Para p&ocirc;r mais tempero no cozido, o The Shins ofereceu uma m&uacute;sica in&eacute;dita, Phantom Limb. Puseram no roda o primeiro single do novo &aacute;lbum, que nem sequer fora lan&ccedil;ado. <\/p>\n<p>5. No dia marcado, na hora marcada, os m&uacute;sicos conclamaram os f&atilde;s a ligarem seus aparelhos e gravarem a apresenta&ccedil;&atilde;o. Quem quis, e p&ocirc;de, fez isso.<\/p>\n<p>Resultado: mais de 200 v&iacute;deos foram enviados &agrave; Current. Eles deram origem a um clipe editado por Simmons e Caballero. Pelo menos um frame de cada v&iacute;deo enviado pelo p&uacute;blico foi utilizado na colagem feita pela emissora. Al&eacute;m disso, todos os trabalhos permanecem no site &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios. <\/p>\n<p>A convocat&oacute;ria no corpo-a-corpo real e virtual mais a credibilidade do ve&iacute;culo forjaram ou n&atilde;o forjaram uma equa&ccedil;&atilde;o bem interessante? O que seria poss&iacute;vel fazer com um m&eacute;todo desses? Quais s&atilde;o as pontes para interligar TV e web de forma eficiente e atraente para o p&uacute;blico de hoje em dia? Que experi&ecirc;ncias semelhantes a essa ser&atilde;o desenvolvidas no Brasil? O que &eacute; preciso para uma experi&ecirc;ncia dessa dar certo?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, assisti aos v&iacute;deos promocionais da Current TV, emissora gerenciada por Joel Hyatt e ideologicamente comandada pelo ex-candidato &agrave; presid&ecirc;ncia dos EUA e pr&ecirc;mio Nobel da Paz Al Gore. 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