{"id":20334,"date":"2008-01-31T15:07:17","date_gmt":"2008-01-31T15:07:17","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20334"},"modified":"2008-01-31T15:07:17","modified_gmt":"2008-01-31T15:07:17","slug":"o-jornalismo-esgoto-da-revista-veja-estilo-neocon-politica-e-negocios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20334","title":{"rendered":"O &#8216;jornalismo esgoto&#8217; da revista Veja: estilo neocon, pol\u00edtica e neg\u00f3cios"},"content":{"rendered":"<p>O maior fen&ocirc;meno de anti-jornalismo dos &uacute;ltimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja.&nbsp; Gradativamente, o maior seman&aacute;rio brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas p&aacute;ginas e sites abrigassem mat&eacute;rias e colunas do mais puro esgoto jornal&iacute;stico.<\/p>\n<p>Para entender o que se passou com a revista nesse per&iacute;odo, &eacute; necess&aacute;rio juntar um conjunto de pe&ccedil;as.<\/p>\n<p>O primeiro, s&atilde;o as mudan&ccedil;as estruturais que a m&iacute;dia vem atravessando em todo mundo.<\/p>\n<p>O segundo, a maneira como esses processos se refletiram na crise pol&iacute;tica brasileira e nas grandes disputas empresariais, a partir do advento dos banqueiros de neg&oacute;cio que sobem &agrave; cena pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica na &uacute;ltima d&eacute;cada..<\/p>\n<p>A terceira, as caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas da revista Veja, e as mudan&ccedil;as pelas quais passou nos &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p><strong>O estilo neocon<br \/><\/strong><br \/>De um lado, h&aacute; fen&ocirc;menos gerais, que modificaram profundamente a imprensa mundial nos &uacute;ltimos anos. A linguagem ofensiva, heran&ccedil;a dos &ldquo;neocons&rdquo; americanos foi adotada por parte da imprensa brasileira, como se fosse a &uacute;ltima moda.<\/p>\n<p>Durante todos os anos 90, Veja havia desenvolvido um estilo jornal&iacute;stico onde campeavam alus&otilde;es a defeitos f&iacute;sicos, agress&otilde;es e manipula&ccedil;&atilde;o de declara&ccedil;&otilde;es de fonte. Quando o estilo &ldquo;neocon&rdquo; ganhou espa&ccedil;o nos EUA, n&atilde;o foi dif&iacute;cil &agrave; revista radicalizar seu pr&oacute;prio estilo.<\/p>\n<p>Um segundo fen&ocirc;meno desse per&iacute;odo foi a identifica&ccedil;&atilde;o de uma profunda antipatia da chamada classe m&eacute;dia m&iacute;diatica em rela&ccedil;&atilde;o ao governo Lula, fruto dos esc&acirc;ndalos do &ldquo;mensal&atilde;o&rdquo;, do deslumbramento inicial dos petistas que ascenderam ao poder, agravado por um forte preconceito de classe. Esse sentimento combinava com a catarse proporcionada pelo estilo &ldquo;neocon&rdquo;. Outros colunistas utilizaram com talento &ndash; como Arnaldo Jabor -, nenhum com a f&uacute;ria grosseira com que Veja enveredou pelos novos caminhos jornal&iacute;sticos.<\/p>\n<p><strong>O jornalismo e os neg&oacute;cios<\/p>\n<p><\/strong>Outro fen&ocirc;meno recorrente &ndash; esse ainda nos anos 90 &#8212; foi o da terceiriza&ccedil;&atilde;o das den&uacute;ncias e o uso de notas como ferramenta para disputas empresariais e jur&iacute;dicas. <\/p>\n<p>A marketiniza&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia, a falta de estrutura e de talento para a reportagem tornaram muitos jornalistas meros receptadores de dossi&ecirc;s preparados por lobistas. <\/p>\n<p>Ao longo de toda a d&eacute;cada, esse tipo de jogo criou uma promiscuidade perigosa entre jornalistas e lobistas. Havia um c&iacute;rculo f&eacute;rreo, que afetou em muitos as revistas semanais. E um personagem que passou a cumprir, nas reda&ccedil;&otilde;es, o papel sujo antes desempenhado pelos rep&oacute;rteres policiais: os chamados rep&oacute;rteres de dossi&ecirc;s.<\/p>\n<p>Consistia no seguinte:<\/p>\n<p>O lobista procurava o rep&oacute;rter com um dossi&ecirc; que interessava para seus neg&oacute;cios.<\/p>\n<p>O jornalista levava a mat&eacute;ria &agrave; dire&ccedil;&atilde;o, e, com a repercuss&atilde;o da den&uacute;ncia, ganhava status profissional.<\/p>\n<p>Com esse status ele ganhava liberdade para novas den&uacute;ncias. E a&iacute; passava a entrar no mundo de interesses do lobista.<\/p>\n<p>O caso mais exemplar ocorreu na pr&oacute;pria Veja, com o lobista APS (Alexandre Paes Santos). <\/p>\n<p>Durante muito tempo abasteceu a revista com esc&acirc;ndalos. Tempos depois, a Policia Federal deu uma batida em seu escrit&oacute;rio e apreendeu uma agenda com telefones de muitos pol&iacute;ticos. Resultou em uma capa escandalosa na pr&oacute;pria Veja em 24 de janeiro de 2001 (clique aqui) em que se acusavam desde assessores do Ministro da Sa&uacute;de Jos&eacute; Serra de tentar achacar o presidente da Novartis, at&eacute; o banqueiro Daniel Dantas e o empres&aacute;rio Nelson Tanure de atuarem atrav&eacute;s do lobista.<\/p>\n<p>Na edi&ccedil;&atilde;o seguinte, todos os envolvidos na capa enviaram cartas negando os epis&oacute;dios mencionados. As cartas foram publicadas sem que fossem contestadas.<\/p>\n<p>O que a mat&eacute;ria deixou de relatar &eacute; que, na agenda do lobista, aparecia o nome de uma editora da revista &#8211; a mesma que publicara as maiores den&uacute;ncias fornecidas por ele. A informa&ccedil;&atilde;o acabou vazando atrav&eacute;s do Correio Braziliense, em mat&eacute;ria dos rep&oacute;rteres Ugo Brafa e Ricardo Leopoldo.<\/p>\n<p>A editora foi demitida no dia 9 de novembro, mas s&oacute; ap&oacute;s o esc&acirc;ndalo ter se tornado p&uacute;blico. <\/p>\n<p>Antes disso, em 27 de junho de 2001(clique aqui) Veja produziu uma capa com a transcri&ccedil;&atilde;o de grampos envolvendo Nelson Tanure. Um dos &ldquo;grampeados&rdquo; era o jornalista Ricardo Boechat. O grampo chegou &agrave; revista atrav&eacute;s de lobistas e custou o emprego de Boechat, apesar do grampo n&atilde;o ter revelado nenhuma irregularidade de sua parte. <\/p>\n<p>Gra&ccedil;as ao esc&acirc;ndalo, o editor respons&aacute;vel pela mat&eacute;ria ganhou prest&iacute;gio profissional na editora e foi nomeado diretor da revista Exame. Tempos depois foi afastado, ap&oacute;s a Abril ter descoberto que a revista passou a ser utilizada para notas que n&atilde;o seguiam crit&eacute;rios estritamente jornal&iacute;sticos.<\/p>\n<p>Um dos boxes da mat&eacute;ria falava sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre jornalismo e judici&aacute;rio.<\/p>\n<p>O box refletia, com exatid&atilde;o, as rela&ccedil;&otilde;es que, anos depois, juntariam Dantas e a revista, sob nova dire&ccedil;&atilde;o: notas plantadas servindo como ferramenta para guerras empresariais, policiais e disputas jur&iacute;dicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maior fen&ocirc;meno de anti-jornalismo dos &uacute;ltimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja.&nbsp; Gradativamente, o maior seman&aacute;rio brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas p&aacute;ginas e sites abrigassem mat&eacute;rias e &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20334\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">O &#8216;jornalismo esgoto&#8217; da revista Veja: estilo neocon, pol\u00edtica e neg\u00f3cios<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[633],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20334"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20334"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20334\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}