{"id":20308,"date":"2008-01-28T19:50:13","date_gmt":"2008-01-28T19:50:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20308"},"modified":"2008-01-28T19:50:13","modified_gmt":"2008-01-28T19:50:13","slug":"a-artigo-19-e-a-liberdade-de-expressao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20308","title":{"rendered":"A Artigo 19 e a liberdade de express\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span><em>Os militares voltaram aos quart&eacute;is e&nbsp;a censura &agrave; imprensa, em tese,&nbsp;foi abolida. Entretanto, prevalecem no Brasil outras formas de censura, como a autocensura dos jornalistas, a concentra&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e a censura &agrave; documentos e informa&ccedil;&otilde;es de interesse p&uacute;blico, conforme alerta Paula Martins, coordenadora da Artigo 19 no Brasil, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental&nbsp;internacional com sede em S&atilde;o Paulo que&nbsp;atua na promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o&nbsp;da liberdade de express&atilde;o.<\/em><\/p>\n<p><em>Nesta entrevista, Paula Martins avalia a liberdade de&nbsp;express&atilde;o no Brasil.<\/em><br \/><\/span><span><br \/>*<\/p>\n<p><strong>Qual &eacute; a avalia&ccedil;&atilde;o que a senhora faz da liberdade de express&atilde;o no Brasil? <br \/><\/strong><\/span><span>Em princ&iacute;pio temos uma m&iacute;dia livre e uma sociedade civil bastante ativa. N&atilde;o se pode comparar nossa situa&ccedil;&atilde;o atual com um contexto de ditadura ou um contexto de viol&ecirc;ncia expl&iacute;cita contra a m&iacute;dia e seus profissionais como ocorre, por exemplo, em algumas regi&otilde;es do M&eacute;xico. No entanto, ainda existem s&eacute;rios obst&aacute;culos ao pleno exerc&iacute;cio da liberdade de express&atilde;o, obst&aacute;culos que v&atilde;o al&eacute;m da restri&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade de imprensa. <\/p>\n<p><\/span><span>Dentre esses obst&aacute;culos ressaltamos um arcabou&ccedil;o legal defasado e deficiente, a falta de incentivo &agrave; radiodifus&atilde;o p&uacute;blica e comunit&aacute;ria, a aus&ecirc;ncia de um verdadeiro pluralismo e diversidade na m&iacute;dia, press&otilde;es sobre o exerc&iacute;cio do jornalismo decorrentes de a&ccedil;&otilde;es judiciais muitas vezes abusivas, e ainda, alguns casos de viol&ecirc;ncia, seja ela na forma de amea&ccedil;as ou agress&otilde;es. <\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>O que fazer diante desse quadro?<br \/><\/strong><\/span><span>&Eacute;&nbsp;importante ressaltar que essa situa&ccedil;&atilde;o demonstra inobserv&acirc;ncia dos padr&otilde;es e mesmo obriga&ccedil;&otilde;es internacionais assumidas pelo Brasil em tratados e f&oacute;runs internacionais. <\/p>\n<p><\/span><span>A revis&atilde;o do marco legal aplic&aacute;vel &agrave; mat&eacute;ria nos parece uma medida urgente e fundamental. Isso inclui a revis&atilde;o da Lei de Imprensa e do C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (e suas altera&ccedil;&otilde;es posteriores), de forma a adotar normas que garantam a liberdade de express&atilde;o e os demais direitos humanos, em um ambiente efetivamente democr&aacute;tico, num novo per&iacute;odo crucial que &eacute; o da converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica. <\/p>\n<p><\/span><span>Para garantir que isso ocorra, &eacute; important&iacute;ssimo colocar em pr&aacute;tica mecanismos que garantam que a revis&atilde;o do marco legal seja feita de forma participativa e democr&aacute;tica, por exemplo, com a realiza&ccedil;&atilde;o da confer&ecirc;ncia nacional de comunica&ccedil;&otilde;es, j&aacute; prometida pelo governo federal. <\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>Por que a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira que rege a liberdade de express&atilde;o est&aacute; incompleta?<br \/><\/strong><\/span><span>Porque diversos artigos, principalmente as garantias constitucionais, carecem de norma adicional e infraconstitucional que explicite e detalhe seu conte&uacute;do. O direito de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, por exemplo, at&eacute; hoje n&atilde;o foi regulamentado &#8211; n&atilde;o existe determina&ccedil;&atilde;o de prazos, responsabilidades e recursos para os requerimentos de informa&ccedil;&atilde;o apresentados a &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos. Em termos operacionais, embora o direito j&aacute; exista hoje de forma inequ&iacute;voca, seu pleno exerc&iacute;cio pode ser comprometido pelo sil&ecirc;ncio da lei.<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>Quais s&atilde;o os dispositivos mais repressivos na legisla&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong><\/span><span>Alguns exemplos s&atilde;o a possibilidade de censura a espet&aacute;culos e divers&otilde;es p&uacute;blicas; &nbsp;a inadmiss&atilde;o da prova da verdade em acusa&ccedil;&otilde;es de crime de cal&uacute;nia praticada contra Presidente da Rep&uacute;blica, o Presidente do Senado Federal, o Presidente da C&acirc;mara dos Deputados, os Ministros do Supremo Tribunal Federal, Chefes de Estado ou de Governo estrangeiro, ou seus representantes diplom&aacute;ticos;&nbsp; a possibilidade de proibi&ccedil;&atilde;o em alguns casos da entrada no pa&iacute;s de jornais, peri&oacute;dicos, livros e outros impressos estrangeiros (nos termos do artigo 60);&nbsp; a possibilidade de apreens&atilde;o de impressos que incitem &ldquo;&agrave; subvers&atilde;o da ordem pol&iacute;tica e social&rdquo;;&nbsp; ou a possibilidade de determinar a suspens&atilde;o da impress&atilde;o, circula&ccedil;&atilde;o ou distribui&ccedil;&atilde;o de jornal ou peri&oacute;dico, inclusive sem autoriza&ccedil;&atilde;o judicial. &nbsp;<\/span><span>&nbsp;<\/span><span>A maioria destes artigos n&atilde;o tem sido aplicada pela Justi&ccedil;a, mas ainda assim fica a pergunta: porque ent&atilde;o n&atilde;o os revogamos definitivamente?<\/p>\n<p><\/span><span><br \/><strong>Como a senhora v&ecirc; a concentra&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o em poucos grupos empresariais?<br \/><\/strong><\/span><span>A concentra&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia &eacute; uma tend&ecirc;ncia mundial, al&eacute;m de ser uma tend&ecirc;ncia brasileira. De acordo com pesquisa do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (Os Donos da M&iacute;dia) seis empresas de m&iacute;dia controlam o mercado de TV no Brasil, um mercado que gira mais de 3 bilh&otilde;es de d&oacute;lares por ano. Estas seis principais empresas de m&iacute;dia controlam, em conjunto com seus 138 grupos afiliados, um total de 668 ve&iacute;culos midi&aacute;ticos (TVs, r&aacute;dios e jornais) e 92% da audi&ecirc;ncia televisiva (em um pa&iacute;s em que 81% da popula&ccedil;&atilde;o assiste &agrave; TV todos os dias, numa m&eacute;dia de 3,5 horas por dia). <\/p>\n<p><\/span><span>Neste contexto &eacute; imprescind&iacute;vel que as concess&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o observem crit&eacute;rios democr&aacute;ticos que garantam a igualdade de oportunidades de acesso para todos os indiv&iacute;duos. E mais, que sejam processadas com total transpar&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><\/span><span><br \/><strong>Como a ARTIGO 19 v&ecirc; a iniciativa do governo federal em lan&ccedil;ar uma TV P&uacute;blica?<br \/><\/strong><\/span><span>A exist&ecirc;ncia e mesmo a necessidade de um sistema p&uacute;blico de radiodifus&atilde;o s&atilde;o reconhecidas por diversos pa&iacute;ses em suas legisla&ccedil;&otilde;es nacionais e tamb&eacute;m no &acirc;mbito internacional como forma de garantir o pluralismo e a diversidade na m&iacute;dia. Juntamente com o sistema privado e o comunit&aacute;rio, o sistema p&uacute;blico &eacute; essencial para o pleno fluxo de informa&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es que caracteriza as verdadeiras democracias, sem restri&ccedil;&otilde;es discriminat&oacute;rias ou excludentes de determinados grupos. <\/p>\n<p><\/span><span>A nova TV Brasil &eacute; um important&iacute;ssimo passo na dire&ccedil;&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o de um sistema publico de radiodifus&atilde;o, ainda inexistente em nosso pa&iacute;s, e que acreditamos ser um imperativo imediato. No entanto, a TV Brasil ainda n&atilde;o cria este sistema. <\/p>\n<p><\/span><span>O futuro sistema dever&aacute; atender os princ&iacute;pios-base de um sistema p&uacute;blico, ou seja: (i) a cria&ccedil;&atilde;o de estruturas apropriadas que assegurem sua independ&ecirc;ncia, como Conselhos plurais e aut&ocirc;nomos; (ii) a ado&ccedil;&atilde;o de esquemas de financiamento que garantam o livre fluxo de informa&ccedil;&otilde;es e id&eacute;ias e a promo&ccedil;&atilde;o do interesse p&uacute;blico; e finalmente, (iii) processos de presta&ccedil;&atilde;o de contas que tornem os radiodifusores p&uacute;blicos respons&aacute;veis perante o p&uacute;blico, tanto em rela&ccedil;&atilde;o ao conte&uacute;do transmitido como em rela&ccedil;&atilde;o aos recursos gastos.<\/p>\n<p><\/span><span><br \/><strong>A ARTIGO 19 tamb&eacute;m se manifestou sobre o elevado n&uacute;mero de indeniza&ccedil;&otilde;es por danos morais no Brasil. O que foi identificado?<br \/><\/strong><\/span><span>A ARTIGO 19 est&aacute; bastante preocupada com o alto n&uacute;mero de casos de indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais contra jornalistas e ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o social e com a natureza destes casos. <\/p>\n<p><\/span><span>Pesquisa realizada pela revista jur&iacute;dica Consultor Jur&iacute;dico indicou que hoje existe cerca de uma a&ccedil;&atilde;o judicial para cada jornalista trabalhando nos 5 principais grupos de comunica&ccedil;&atilde;o do pais. Propor&ccedil;&atilde;o que nos foi confirmada pela percep&ccedil;&atilde;o de jornalistas, representantes de classe e associa&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia, embora inexistam n&uacute;meros mais totais e precisos. O Consultor Jur&iacute;dico tamb&eacute;m indicou que o valor das indeniza&ccedil;&otilde;es vem crescendo bastante nos &uacute;ltimos anos. Essa situa&ccedil;&atilde;o pode indicar uma tend&ecirc;ncia preocupante. <\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; importante que existam mecanismos que possibilitem a repara&ccedil;&atilde;o de danos causados por mat&eacute;rias irrespons&aacute;veis ou mentirosas. Mas &eacute; tamb&eacute;m fundamental que estes mecanismos n&atilde;o sejam utilizados para manuten&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de abuso de poder. Al&eacute;m disso, as indeniza&ccedil;&otilde;es devem obedecer sempre padr&otilde;es de proporcionalidade. &Eacute; importante que pequenos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sejam obrigados a fechar suas portas em raz&atilde;o dos montantes indenizat&oacute;rios fixados em ju&iacute;zo; do contr&aacute;rio, as a&ccedil;&otilde;es judiciais podem vir a representar verdadeira repress&atilde;o &agrave; liberdade de imprensa. <\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>H&aacute; ainda relatos de censura pr&eacute;via no Brasil? <br \/><\/strong><\/span><span>Identificamos um n&uacute;mero de liminares contendo determina&ccedil;&otilde;es que, a nosso ver, constituem censura pr&eacute;via. <\/p>\n<p><\/span><span>Veja que a censura &eacute; em absoluto proibida pelo nosso sistema legal. Pode existir sim responsabiliza&ccedil;&atilde;o por abusos, mas a posteriori. No entanto identificamos casos em que a circula&ccedil;&atilde;o de jornais foi proibida, sites foram obrigados a se manter parcialmente &ldquo;fora do ar&rdquo;, foi imposto sigilo absoluto em rela&ccedil;&atilde;o a certos nomes, de forma antecipada&#8230; <\/p>\n<p><\/span><span>&Eacute; importante que essas inst&acirc;ncias de censura pr&eacute;via cessem o quanto antes, ao mesmo tempo em que mecanismos sejam adotados para incentivar o jornalismo respons&aacute;vel. <\/p>\n<p><\/span><span>Perceba que n&atilde;o estamos incentivando um jornalismo sensacionalista, superficial e sem padr&otilde;es de qualidade e veracidade. Pelo contrario. No entanto, acreditamos que a censura pr&eacute;via n&atilde;o pode ser considerada uma forma de coibir tal situa&ccedil;&atilde;o ou ser utilizada como controle de qualidade &ndash; se assim for, a maior prejudicada ser&aacute; a democracia, com poucas vantagens efetivas para as v&iacute;timas de abuso.<\/p>\n<p><\/span><span><br \/><strong>Muitos casos reportados referem-se a decis&otilde;es de ju&iacute;zes de primeira inst&acirc;ncia. Quais seriam as raz&otilde;es para este quadro?&nbsp;<br \/><\/strong><\/span><span>Duas possibilidades existem: h&aacute; um entendimento equ&iacute;voco por parte de alguns ju&iacute;zes sobre quais seriam as restri&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas &agrave; liberdade de express&atilde;o; a outra seria a forte press&atilde;o sofrida por ju&iacute;zes de primeira inst&acirc;ncia. <\/p>\n<p><\/span><span>Se o segundo caso se mostrasse verdadeiro, o pr&oacute;ximo passo seria identificar de onde vem tal press&atilde;o, como ela &eacute; exercida e como anul&aacute;-la &#8211; nossa organiza&ccedil;&atilde;o, no entanto, ainda n&atilde;o tem dados para ir t&atilde;o longe na an&aacute;lise neste momento; pretendemos lan&ccedil;ar uma pesquisa para aprofundar nossa an&aacute;lise desta situa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span><strong>Os ju&iacute;zes conhecem os limites da liberdade de express&atilde;o?<br \/><\/strong><\/span><span>Enquanto jornalistas e associa&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia reconhecem que a aus&ecirc;ncia de treinamento e qualifica&ccedil;&atilde;o adequada podem resultar em um jornalismo de baixa qualidade, eles apontam tamb&eacute;m para o fato de que a maioria dos casos de danos morais \/ difama&ccedil;&atilde;o divulgados dizem respeito a situa&ccedil;&otilde;es de abuso de poder. Isso deve ser analisado com seriedade pelos ju&iacute;zes; o interesse p&uacute;blico na divulga&ccedil;&atilde;o e cobertura de certos temas tamb&eacute;m deve ser levado em considera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><\/span><span>A id&eacute;ia de que alguns ju&iacute;zes t&ecirc;m demonstrado um entendimento equivocado sobre os limites da liberdade de express&atilde;o parece ser confirmado pelo grande n&uacute;mero de decis&otilde;es modificadas em grau de recurso. De acordo com advogados que t&ecirc;m monitorado casos de indeniza&ccedil;&otilde;es por danos morais contra a m&iacute;dia, inst&acirc;ncias superiores revogam ou modificam cerca de 80% das decis&otilde;es julgadas procedentes em inst&acirc;ncias inferiores. Al&eacute;m disso, &eacute; importante considerar que quando um caso finalmente chega ao STF, muito do preju&iacute;zo &agrave; liberdade de express&atilde;o j&aacute; se materializou, uma vez que um caso pode levar 10 anos para ser analisado em recurso &agrave; referida corte.<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>A falta de qualifica&ccedil;&atilde;o dos jornalistas explicaria o aumento de processos por danos morais e difama&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong><\/span><span>Sim, tamb&eacute;m. Al&eacute;m da pressa muitas vezes a eles imposta na cobertura de certos temas. Neste sentido, gostar&iacute;amos de incentivar a m&iacute;dia a desenvolver e estabelecer, no interior dos pr&oacute;prios ve&iacute;culos e no meio do setor, sistemas e procedimentos efetivos de auto-regula&ccedil;&atilde;o, como treinamentos profissionais, padr&otilde;es para reportagens, ombudsman, mecanismos de reclama&ccedil;&atilde;o, um comit&ecirc; de &eacute;tica, etc. Essa iniciativa seguiria boas pr&aacute;ticas adotadas pela m&iacute;dia em diversos pa&iacute;ses ao redor do mundo.<\/p>\n<p><\/span><span><strong><br \/>Qual seria a melhor solu&ccedil;&atilde;o para toda essa situa&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong><\/span><span>Acredito que seria importante retomar as discuss&otilde;es sobre os limites leg&iacute;timos &agrave; liberdade de express&atilde;o e sobre a import&acirc;ncia do banimento da censura. Veja que censura e monitoramento social da m&iacute;dia &#8211; para que cumpra suas obriga&ccedil;&otilde;es legais e contratuais &#8211; s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es distintas. Uma deve ser banida e a outra priorizada. Mas elas s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es complementares na luta pela realiza&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o no Brasil.<\/p>\n<p><\/span><span>No caso das indeniza&ccedil;&otilde;es, acreditamos tamb&eacute;m que solu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-pecuni&aacute;rias devam ter prioridade. Nossa posi&ccedil;&atilde;o &eacute; a de que as indeniza&ccedil;&otilde;es devem ser utilizadas para repara&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o para puni&ccedil;&atilde;o. Quando outras formas de repara&ccedil;&atilde;o &#8211; que remediem efetivamente o dano causado pelas declara&ccedil;&otilde;es difamat&oacute;rias &#8211; estiverem dispon&iacute;veis, elas deveriam ser preferidas aos pagamentos de montantes indenizat&oacute;rios. Al&eacute;m disso, o valor das indeniza&ccedil;&otilde;es deveria obedecer a um teto a ser aplicado unicamente nos casos mais graves. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Ainda existem s\u00e9rios obst\u00e1culos ao exerc\u00edcio da liberdade de express\u00e3o&#8217;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[629,628],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20308"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20308"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20308\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}