{"id":20303,"date":"2008-01-28T13:10:23","date_gmt":"2008-01-28T13:10:23","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20303"},"modified":"2008-01-28T13:10:23","modified_gmt":"2008-01-28T13:10:23","slug":"o-que-nossos-jornais-tem-a-aprender-com-o-new-york-times","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20303","title":{"rendered":"O que nossos jornais t\u00eam a aprender com o &#8216;New York Times&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Onze dias antes do que os americanos chamam Super-Ter&ccedil;a, ou Ter&ccedil;a-Tsunami &#8211; as elei&ccedil;&otilde;es prim&aacute;rias numa vintena de estados para a escolha dos delegados democratas e republicanos &agrave;s conven&ccedil;&otilde;es nacionais que indicar&atilde;o os respectivos candidatos &agrave; Casa Branca, em novembro deste ano -, o New York Times p&otilde;e hoje (25) as cartas na mesa.<\/p>\n<p>Anuncia que endossa as candidaturas da senadora Hillary Clinton (democrata) e do senador John McCain (republicano). Explica por que em dois textos &#8211; o primeiro com 1.147 palavras, o outro com 737.<\/p>\n<p>N&atilde;o, aparentemente, que McCain mere&ccedil;a menos espa&ccedil;o que Hillary &#8211; as raz&otilde;es do apoio, em cada caso, ocuparam o que tinham de ocupar. Dois textos de igual tamanho, o jornal parece dizer, configurariam uma igualdade abstrata.<\/p>\n<p>O interessante, para o observador de m&iacute;dia, &eacute; que em nenhum momento se l&ecirc; que &quot;o jornal&quot; &eacute; que ap&oacute;ia a mulher do ex-presidente Clinton e o ex-prisioneiro de guerra no Vietn&atilde;. <\/p>\n<p>Numa prova de escr&uacute;pulo, o endosso vem do editorial board do NYT &#8211; o seu comit&ecirc; editorial ou editoria de editoriais. Presumivelmente, os respons&aacute;veis pelas opini&otilde;es do jornal t&ecirc;m afinidades pol&iacute;ticas e outras tantas com os controladores da empresa que o edita, em especial com o publisher Arthur Ochs Sulzberger Jr, filho do publisher anterior, Arthur Ochs Sulzberger, por sua vez filho do publisher anterior, Arthur Hays Sulzberger &#8211; tudo em fam&iacute;lia desde 1896.<\/p>\n<p>Mas os editorial boards dos grandes jornais dos Estados Unidos e de outros pa&iacute;ses com a mesma tradi&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m uma autonomia de dar inveja ao pessoal das p&aacute;ginas editoriais brasileiras &#8211; pago em primeiro lugar para p&ocirc;r em letra de forma o que o dono do jornal acha da vida e de suas implica&ccedil;&otilde;es, como se diz. Da r&eacute;dea curta n&atilde;o escapam nem os seus editores, que operam mais como principais redatores e fechadores do espa&ccedil;o.<\/p>\n<p>Perde com isso o leitor porque o resultado peca pela falta de matiz, m&atilde;o leve e diversidade. Com as proverbiais raras exce&ccedil;&otilde;es, na m&iacute;dia brasileira editorial &eacute; monolito.<\/p>\n<p>Por exemplo. Se estiv&eacute;ssemos em 2010 e os dois principais partidos brasileiros estivessem escolhendo &agrave; americana os seus candidatos &agrave; sucess&atilde;o de Lula, e um dos grandes jornais achasse que era o caso de endossar um de cada lado, n&atilde;o seria um &quot;comit&ecirc; editorial&quot; que escolheria os seus preferidos e assumiria o apoio. Seria o dono da publica&ccedil;&atilde;o, sob o eufemismo &quot;n&oacute;s&quot;, ou o nome do jornal.<\/p>\n<p>Sem falar que o apoio manifesto dos jornais americanos (ou brit&acirc;nicos) a candidatos a cargos eletivos &#8211; pr&aacute;tica tradicional por ali &#8211; pouco tende a influir no notici&aacute;rio eleitoral: as reda&ccedil;&otilde;es continuariam a ir atr&aacute;s dos podres dos candidatos e suas campanhas.<\/p>\n<p>O caso cl&aacute;ssico &eacute; o do Wall Street Journal (pelo menos at&eacute; ser comprado pelo megaempres&aacute;rio de m&iacute;dia Rupert Murdoch). Invariavelmente, o seu &quot;comit&ecirc; editorial&quot; ap&oacute;ia candidatos republicanos ou o mais conservador dos candidatos democratas.<\/p>\n<p>Mas ningu&eacute;m que se interesse de perto por pol&iacute;tica nos Estados Unidos pode acompanhar uma disputa presidencial sem ler, com alguma freq&uuml;&ecirc;ncia, o Journal &#8211; pela isen&ccedil;&atilde;o, qualidade e desassombro do seu notici&aacute;rio pol&iacute;tico.<\/p>\n<p>Aqui, a norma n&atilde;o escrita dos jornal&otilde;es manda tratar diferentemente os pol&iacute;ticos &#8211; colher de ch&aacute; para os &quot;nossos&quot;, pimenta malagueta para os outros. &Eacute; uma vers&atilde;o simplificada de como as coisas funcionam na imprensa brasileira. Mas n&atilde;o &eacute; uma inven&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Onze dias antes do que os americanos chamam Super-Ter&ccedil;a, ou Ter&ccedil;a-Tsunami &#8211; as elei&ccedil;&otilde;es prim&aacute;rias numa vintena de estados para a escolha dos delegados democratas e republicanos &agrave;s conven&ccedil;&otilde;es nacionais que indicar&atilde;o os respectivos candidatos &agrave; Casa Branca, em novembro deste ano -, o New York Times p&otilde;e hoje (25) as cartas na mesa. 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