{"id":20301,"date":"2008-01-28T13:00:40","date_gmt":"2008-01-28T13:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20301"},"modified":"2008-01-28T13:00:40","modified_gmt":"2008-01-28T13:00:40","slug":"big-brother-brasil-nada-como-uma-dose-extra-de-baixaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20301","title":{"rendered":"&#8216;Big Brother Brasil&#8217;: nada como uma dose extra de baixaria"},"content":{"rendered":"<p>Al&eacute;m de principal fonte de receita publicit&aacute;ria da TV Globo nesse per&iacute;odo meio morto que antecede o Carnaval, o Big Brother deve estar se constituindo como um importante bal&atilde;o de ensaio para a emissora testar a recep&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico ao que se chama de baixaria.<\/p>\n<p>&quot;Baixaria&quot; &eacute; daqueles voc&aacute;bulos muito flex&iacute;veis da linguagem coloquial brasileira que s&atilde;o, ao mesmo tempo, gen&eacute;ricos e espec&iacute;ficos. A generalidade se d&aacute; pela variedade de situa&ccedil;&otilde;es em que se aplica. Fala-se de baixaria em rela&ccedil;&atilde;o a costumes sexuais, a comportamentos sociais, a conflitos entre pessoas.<\/p>\n<p>Basicamente, qualquer situa&ccedil;&atilde;o de intera&ccedil;&atilde;o humana est&aacute; sujeita &agrave; baixaria. Ao mesmo tempo, quando se fala em baixaria, h&aacute; uma sinaliza&ccedil;&atilde;o clara de que algum limite do socialmente aceit&aacute;vel foi ultrapassado.<\/p>\n<p>Assistir &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o alheia excita a curiosidade &#8211; e boa parte da l&oacute;gica do espet&aacute;culo &eacute; regida por essa curiosidade humana sobre as formas da decad&ecirc;ncia. Quando tudo o mais se mostra ineficiente, nada como uma dose extra de baixaria e mis&eacute;ria para reconectar o p&uacute;blico (e n&atilde;o s&oacute; o da TV, diga-se). S&oacute; que o tamanho, a regularidade e a composi&ccedil;&atilde;o exata da dose n&atilde;o s&atilde;o f&aacute;ceis de definir -se de menos, n&atilde;o fazem efeito, se em excesso, assustam e afastam.<\/p>\n<p>O Big Brother vers&atilde;o brasileira, a partir das &uacute;ltimas edi&ccedil;&otilde;es, &eacute; um campo privilegiado para se testar quantidades, freq&uuml;&ecirc;ncias e elementos. Desde que a escolha dos participantes excluiu gente mais velha, mais pobre e mais mesti&ccedil;a, de maneira que os 14 eleitos perten&ccedil;am ao plantel gen&eacute;tico e social aceito como &quot;bonito e atraente&quot;, o programa induz &agrave; forma&ccedil;&atilde;o quase autom&aacute;tica de ficantes, paqueras e at&eacute; mesmo casais &quot;apaixonados&quot; at&eacute; a p&aacute;gina dois.<\/p>\n<p>Com isso, testa-se a toler&acirc;ncia ao sexo total ou parcialmente n&atilde;o-rom&acirc;ntico. Mais: na mesma tacada, investiga-se o quanto da arma&ccedil;&atilde;o rom&acirc;ntica parece veross&iacute;mil o suficiente para justificar os agarros e a exibi&ccedil;&atilde;o de erotismo. Nem se pode mais falar em &quot;personagens&quot; ou em alguma esp&eacute;cie de narrativa, uma vez que todas as fichas foram jogadas na ambienta&ccedil;&atilde;o para que aflorem as &quot;escorregadelas&quot; et&iacute;licas, sexuais e &eacute;ticas.<\/p>\n<p>Nesta oitava edi&ccedil;&atilde;o, parece haver um alerta. Em apenas pouco mais de uma semana, j&aacute; houve meio de tudo: porre, m&atilde;o na bunda, pega&ccedil;&atilde;o no chuveiro, sa&iacute;da (e volta, e sa&iacute;da de novo) do arm&aacute;rio, &quot;cachorra&quot; preterida, paix&atilde;o autom&aacute;tica e muita, mas muita, conversa mole e burra. Nem com uma dancinha protagonizada por mo&ccedil;as com seios cobertos por espuma a audi&ecirc;ncia reagiu.<\/p>\n<p>Talvez queira dizer que s&oacute; baixaria &eacute; muito pouco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al&eacute;m de principal fonte de receita publicit&aacute;ria da TV Globo nesse per&iacute;odo meio morto que antecede o Carnaval, o Big Brother deve estar se constituindo como um importante bal&atilde;o de ensaio para a emissora testar a recep&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico ao que se chama de baixaria. &quot;Baixaria&quot; &eacute; daqueles voc&aacute;bulos muito flex&iacute;veis da linguagem coloquial brasileira &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20301\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">&#8216;Big Brother Brasil&#8217;: nada como uma dose extra de baixaria<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[616],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20301"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20301\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}