{"id":20278,"date":"2008-01-23T13:44:05","date_gmt":"2008-01-23T13:44:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20278"},"modified":"2008-01-23T13:44:05","modified_gmt":"2008-01-23T13:44:05","slug":"a-concentracao-e-o-futuro-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20278","title":{"rendered":"A concentra\u00e7\u00e3o e o futuro da m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>Neste m&ecirc;s de janeiro, h&aacute; oito anos, os grandes ve&iacute;culos de m&iacute;dia dos EUA festejaram, em vez de apenas noticiarem, a surpreendente compra da Time Warner Inc pela America Online (AOL) por uma cifra estimada ent&atilde;o entre US$ 156 bilh&otilde;es (c&aacute;lculo do &quot;Wall Street Journal&quot;) e US$ 183 bilh&otilde;es (do &quot;Washington Post&quot;). Para os ve&iacute;culos, aquela fus&atilde;o da velha m&iacute;dia com a nova era a receita do futuro. <\/p>\n<p>A cobertura foi totalmente acr&iacute;tica e quase apenas congratulat&oacute;ria n&atilde;o fossem as reservas dos que temiam pelo futuro do jornalismo independente e da pr&oacute;pria liberdade de express&atilde;o. Entre os poucos cr&iacute;ticos, foram citados o professor Robert McChesney, da Universidade de Illinois, e um colunista do &quot;Washington Post&quot;, Howard Kurtz, que tamb&eacute;m fazia programa na CNN (do imp&eacute;rio Time Warner).<\/p>\n<p>O &quot;New York Times&quot; dedicou &agrave; transa&ccedil;&atilde;o, considerada a maior da hist&oacute;ria, nada menos de 12 textos, al&eacute;m de gr&aacute;ficos. O &quot;Los Angeles Times&quot;, oito. O assunto foi manchete de todos os grandes jornais do pa&iacute;s, que tamb&eacute;m deram &agrave; cobertura um tom promocional, com relatos atraentes e destaque especial para os personagens centrais da opera&ccedil;&atilde;o &#8211; Steve Case da AOL e Gerald Levin da Time Warner.<\/p>\n<p><strong>Valor igual ao PIB do M&eacute;xico<\/p>\n<p><\/strong>Nos meses seguintes o governo daria sua aprova&ccedil;&atilde;o final com base nas leis do pa&iacute;s e regulamentos da &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o. Esperava-se que a transa&ccedil;&atilde;o estabelecesse padr&otilde;es para as corpora&ccedil;&otilde;es do ramo no futuro A surpresa maior era a companhia mais nova comprar a mais antiga e n&atilde;o o contr&aacute;rio. Especulava-se que viriam mais transa&ccedil;&otilde;es semelhantes, mas n&atilde;o veio nenhuma fus&atilde;o com as mesmas caracteristicas.<\/p>\n<p>Na m&iacute;dia convencional, eram candidatas naturais a isso gigantes da velha m&iacute;dia (TV, entretenimento) como a Disney-ABC, a Viacom (que comprara recentemente a CBS), a News Corp de Rupert Murdoch (que j&aacute; tinha criado a Fox News); na ind&uacute;stria tecnol&oacute;gica e de telecomunica&ccedil;&otilde;es, a Microsoft (avaliada ent&atilde;o em US$ 579 bi), a AT&amp;T, a MCI Worldcom; e na nova gera&ccedil;&atilde;o internet, Yahoo, Amazon.com, eBay.<\/p>\n<p>Devido &agrave;s grandes d&iacute;vidas assumidas pela nova companhia resultante da transa&ccedil;&atilde;o, a AOL Time Warner sabia de um risco. Poderia passar d&eacute;cadas antes de come&ccedil;ar a registrar lucros. Ela tinha &agrave; frente Steve Case como chairman, Gerald Levin como CEO (chief executive officer) e Ted Turner (criador da CNN e outras redes, compradas anteriormente pela Time Warner) como vice chairman.<\/p>\n<p>Em compensa&ccedil;&atilde;o, a avalia&ccedil;&atilde;o feita pela se&ccedil;&atilde;o de economia do &quot;New York Times&quot; era de que a nova companhia seria a quarta maior do pa&iacute;s, com um valor em a&ccedil;&otilde;es igual ao Produto Interno Bruto de um pa&iacute;s como o M&eacute;xico. Apesar do fasc&iacute;nio exercido pela transa&ccedil;&atilde;o, o &quot;Times&quot; publicou ainda an&aacute;lise de especialista em m&iacute;dia, Felicity Barringer, sobre poss&iacute;veis efeitos negativos para o jornalismo do futuro.<\/p>\n<p><strong>Mau jornalismo &eacute; bom neg&oacute;cio<br \/><\/strong><br \/>Citando o livro &quot;Rich media, poor democracy&quot;, de Robert McChesney, Felicity Barringer referiu-se &agrave; previs&atilde;o dele (e de outros) de que boa parte de tudo o que as pessoas viam, liam e ouviam nos EUA estaria sob o controle de apenas oito companhias &#8211; Time Warner, Disney, Sony, General Electric (dona da NBC), News Corp, Seagram-Universal (m&uacute;sica e filmes), Viacom e Berteslmann.<\/p>\n<p>Sobre a nova fus&atilde;o, McChesney disse a Barringer que &quot;a tradicional autonomia do jornalismo, que se sup&otilde;e ter existido das d&eacute;cadas de 1940 e 1950 &agrave; de 1980, passou a ficar sob ataque&quot;. Para ele, tinha virado neg&oacute;cio. &quot;N&atilde;o se trata de ideologia. &Eacute; que o bom jornalismo &eacute; mau neg&oacute;cio. E o mau jornalismo, lamentavelmente, &agrave;s vezes &eacute; bom neg&oacute;cio.&quot;<\/p>\n<p>A internet, segundo McChesney, &quot;estava sendo levada inteiramente para o c&iacute;rculo da m&iacute;dia comercial das corpora&ccedil;&otilde;es&quot;. Mesmo havendo na internet um bilh&atilde;o de websites a contemplar todos os pontos de vista, disse ele, ela n&atilde;o daria origem a uma nova gera&ccedil;&atilde;o de empresas de m&iacute;dia comercialmente vi&aacute;veis. &quot;As poucas que ainda sobram est&atilde;o destinadas a serem compradas&quot;, assinalou.<\/p>\n<p>No Congresso, o senador democrata de mais alto n&iacute;vel na Comiss&atilde;o de Justi&ccedil;a, Patrick Leahy, tamb&eacute;m manifestou d&uacute;vidas sobre aquela transa&ccedil;&atilde;o e as que ainda podiam vir na mesma linha. &quot;A grande promessa da internet era de que as pessoas teriam ampla variedade de fontes e op&ccedil;&otilde;es. O que temos de fazer &eacute; nos certificarmos de que a informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; afunilada e controlada apenas por umas duas ou tr&ecirc;s fontes&quot;.<\/p>\n<p><strong>Murdoch &agrave; frente de todos<\/p>\n<p><\/strong>No &quot;Washington Post&quot;, o colunista Kurtz estendeu-se sobre a quest&atilde;o dos inevit&aacute;veis conflitos de interesse em corpora&ccedil;&otilde;es gigantes como a AOL Time Warner. &quot;Virtualmente qualquer empresa sobre a qual se vai escrever alguma reportagem ou &eacute; uma parte da nova corpora&ccedil;&atilde;o ou ent&atilde;o uma competidora dela&quot;, afirmou, citando o editor em Washington de uma revista especializada em economia.<\/p>\n<p>A transa&ccedil;&atilde;o AOL-Time Warner, segundo Kurtz, fazia com que Steve Case, cuja &uacute;nica experi&ecirc;ncia jornal&iacute;stica tinha sido no jornalzinho da escola, fosse transformado de repente em um grande imperador da m&iacute;dia. &quot;Como aconteceu antes com Jack Welch da GE, Sumner Redstone da Viacom e Michael Eisner da Disney, a fus&atilde;o deixou a cargo dele algumas das mais conhecidas organiza&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia do mundo&quot;.<\/p>\n<p>Apenas tr&ecirc;s anos depois da transa&ccedil;&atilde;o, a bolha da Internet tirou o poder de Case e ainda removeu as tr&ecirc;s letras, AOL, do nome da companhia, agora Time Warner outra vez. Depois Levin e Turner perderam os cargos, Welch deixou a GE e Eisner a Disney. Os imp&eacute;rios de m&iacute;dia que tudo controlam, antes nove, s&atilde;o hoje cinco, com a News de Murdoch acima do resto, inflada pela Dow Jones-&quot;Wall Street Journal&quot;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste m&ecirc;s de janeiro, h&aacute; oito anos, os grandes ve&iacute;culos de m&iacute;dia dos EUA festejaram, em vez de apenas noticiarem, a surpreendente compra da Time Warner Inc pela America Online (AOL) por uma cifra estimada ent&atilde;o entre US$ 156 bilh&otilde;es (c&aacute;lculo do &quot;Wall Street Journal&quot;) e US$ 183 bilh&otilde;es (do &quot;Washington Post&quot;). Para os ve&iacute;culos, &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20278\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">A concentra\u00e7\u00e3o e o futuro da m\u00eddia<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[75],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20278"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20278"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20278\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}