{"id":20267,"date":"2008-01-22T15:48:26","date_gmt":"2008-01-22T15:48:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20267"},"modified":"2008-01-22T15:48:26","modified_gmt":"2008-01-22T15:48:26","slug":"acao-de-fieis-da-universal-contra-a-folha-beira-a-ma-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20267","title":{"rendered":"A\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is da Universal contra a Folha beira a m\u00e1-f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>No dia 15 de dezembro passado, a Folha de S.Paulo publicou um artigo intitulado &quot;Universal chega aos 30 anos com imp&eacute;rio empresarial&quot;, trazendo em seu teor informa&ccedil;&otilde;es sobre o poder econ&ocirc;mico da Igreja Universal do Reino de Deus. Nesse sentido, nenhuma novidade. A simples exist&ecirc;ncia de templos em todo pa&iacute;s &eacute; prova disso &mdash; por maior que seja a f&eacute;, a manuten&ccedil;&atilde;o dos locais de culto exige gastos vultosos. Tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; segredo a aplica&ccedil;&atilde;o do d&iacute;zimo dos fi&eacute;is nas atividades comerciais da Universal. Emissoras de televis&atilde;o e de r&aacute;dio, dentre outros empreendimentos, constituem o patrim&ocirc;nio angariado ao longo das &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>Em seu texto, a jornalista Elvira Lobato exp&ocirc;s dados coletados em uma pesquisa criteriosa, levantando questionamentos apenas sobre atividades administrativas do grupo, sem qualquer ofensa direta ou cal&uacute;nia. Entre os pontos discutidos, h&aacute; informa&ccedil;&otilde;es sobre algumas empresas administradas pela Universal, incluindo uma companhia de t&aacute;xi a&eacute;reo, sediada em Sorocaba (SP). Sobre os fi&eacute;is, nada foi dito. N&atilde;o houve, em nenhum momento, qualquer insinua&ccedil;&atilde;o que colocasse em xeque a honestidade daqueles que freq&uuml;entam os cultos evang&eacute;licos, tampouco foi sugerida a ingenuidade do fiel que contribui atrav&eacute;s do d&iacute;zimo.<\/p>\n<p>O sil&ecirc;ncio da Igreja Universal ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o demonstra, claramente, a inocuidade da mat&eacute;ria. Entretanto, vinte e oito fi&eacute;is espalhados pelo pa&iacute;s, em atitude que beira &agrave;s margens da m&aacute;-f&eacute; e em completa ilegitimidade, pois n&atilde;o foram citados pela not&iacute;cia, deram in&iacute;cio a uma batalha judicial contra a Empresa Folha da Manh&atilde; S.A., que edita o jornal Folha de S. Paulo. Em seus argumentos, reclamam dos adjetivos que lhe foram imputados por seus semelhantes, logo ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria, tais como &ldquo;tonto&rdquo; e &ldquo;safado&rdquo;.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos, em raz&atilde;o da amplia&ccedil;&atilde;o do instituto da responsabilidade civil aos direitos n&atilde;o tutelados no passado, o volume das a&ccedil;&otilde;es de indeniza&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s cresceu consideravelmente. Apesar do congestionamento causado ao Poder Judici&aacute;rio, a ascens&atilde;o vertiginosa do n&uacute;mero de a&ccedil;&otilde;es reparat&oacute;rias deve ser considerada como uma vit&oacute;ria. A popula&ccedil;&atilde;o, que em outros tempos amargava preju&iacute;zos por n&atilde;o confiar na Justi&ccedil;a, hoje busca a ressarcimento das diversas ofensas sofridas no cotidiano, contribuindo para o alargamento do conceito do mero dissabor.<\/p>\n<p>Todavia, no que diz respeito aos seus princ&iacute;pios, a responsabilidade civil pouco flexibilizou na atualidade. Mesmo na responsabilidade objetiva, deve existir um dano comprovado e o nexo causal entre a ofensa e o ofendido. O motivo &eacute; simples: com a isen&ccedil;&atilde;o destes &ldquo;filtros&rdquo;, a indeniza&ccedil;&atilde;o perde a sua fun&ccedil;&atilde;o, deixando de ser um instrumento de repara&ccedil;&atilde;o e\/ou compensa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>No caso aqui tratado, al&eacute;m do dano e do nexo de causalidade, deve estar presente a culpa do ofensor [1]. Quanto ao primeiro pilar, as supostas v&iacute;timas o v&ecirc;em configurado nos coment&aacute;rios maliciosos feitos por pessoas de sua conviv&ecirc;ncia. Contudo, ingenuidade dizer que o preconceito existente contra as igrejas evang&eacute;licas e seus freq&uuml;entadores surgiu somente ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia na Folha de S.Paulo. Apesar do crescimento da religi&atilde;o no pa&iacute;s, n&atilde;o s&atilde;o poucos os que n&atilde;o se identificam com os procedimentos da igreja.<\/p>\n<p>Ainda que o dano fosse comprovado, a barreira do nexo de causalidade demonstra ser instranspon&iacute;vel. Por mais que alguns fi&eacute;is tenham sido ofendidos pelo teor da not&iacute;cia, n&atilde;o h&aacute; qualquer v&iacute;nculo entre a publica&ccedil;&atilde;o e o dano. Como foi dito anteriormente, o texto trata de quest&otilde;es administrativas da Universal, sem qualquer men&ccedil;&atilde;o aos fi&eacute;is. &Eacute; natural que o freq&uuml;entador fique indignado com not&iacute;cias que levantem suspeitas sobre a igreja, mas isso n&atilde;o o legitima a litigar em prol da ofendida. A ofensa pessoal tamb&eacute;m n&atilde;o merece prosperar. O texto n&atilde;o trata dos fi&eacute;is, nem indiretamente. Foge ao bom senso culpar a mat&eacute;ria por interpreta&ccedil;&otilde;es adversas dadas por alguns leitores do jornal.<\/p>\n<p>[1] &ldquo;O dano moral, repar&aacute;vel pelo exerc&iacute;cio da liberdade de informa&ccedil;&atilde;o, tem fundamento na viola&ccedil;&atilde;o de direito ou no preju&iacute;zo mediante dolo ou culpa&rdquo; (RT 404\/140).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 15 de dezembro passado, a Folha de S.Paulo publicou um artigo intitulado &quot;Universal chega aos 30 anos com imp&eacute;rio empresarial&quot;, trazendo em seu teor informa&ccedil;&otilde;es sobre o poder econ&ocirc;mico da Igreja Universal do Reino de Deus. Nesse sentido, nenhuma novidade. 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