{"id":20258,"date":"2008-01-21T14:40:27","date_gmt":"2008-01-21T14:40:27","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20258"},"modified":"2008-01-21T14:40:27","modified_gmt":"2008-01-21T14:40:27","slug":"o-novo-estilo-de-ouvidoria-petista-na-anatel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20258","title":{"rendered":"O novo estilo de ouvidoria petista na Anatel"},"content":{"rendered":"<p>Imagine, leitor, a confus&atilde;o de pap&eacute;is de um ombudsman que parte para a condena&ccedil;&atilde;o radical da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o em que trabalha, de sua &eacute;tica, de suas bases legais e do comportamento de seus dirigentes. Pois &eacute; exatamente isso que ocorre com o ouvidor da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), Arist&oacute;teles dos Santos.<\/p>\n<p>A ag&ecirc;ncia tem, realmente, muitas falhas, em especial aquelas j&aacute; apontadas diversas vezes nesta coluna, resultantes da interfer&ecirc;ncia pol&iacute;tico-partid&aacute;ria e da nomea&ccedil;&atilde;o de dirigentes n&atilde;o qualificados. Mesmo assim, ainda &eacute; a melhor (ou a menos ruim) das ag&ecirc;ncias reguladoras.<\/p>\n<p>Bem diferentes de nossas cr&iacute;ticas s&atilde;o as acusa&ccedil;&otilde;es feitas pelo ouvidor &agrave; ag&ecirc;ncia e encaminhadas na semana passada em relat&oacute;rio ao presidente da Rep&uacute;blica. Muito al&eacute;m da defesa dos usu&aacute;rios &#8211; miss&atilde;o que lhe compete como ouvidor &#8211; Arist&oacute;teles Santos parte para o ataque pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico ao modelo institucional vigente no setor.<\/p>\n<p>O relat&oacute;rio &eacute;, na verdade, um panfleto inteiramente afinado com o discurso dos sindicalistas da Federa&ccedil;&atilde;o Interestadual dos Trabalhadores Telef&ocirc;nicos (Fittel), entidade a que pertencia o ouvidor. Aquela federa&ccedil;&atilde;o se notabilizou em 1998 por liderar dezenas de a&ccedil;&otilde;es na Justi&ccedil;a em defesa do modelo estatal e at&eacute; agredir fisicamente investidores nos leil&otilde;es de privatiza&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s.<\/p>\n<p>O ouvidor Arist&oacute;teles dos Santos sabe que a maioria dos problemas da Anatel decorre de nomea&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, inclusive de sindicalistas, totalmente despreparados para o trabalho na ag&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Sem or&ccedil;amentos m&iacute;nimos adequados, degradada e desprofissionalizada pelo pr&oacute;prio governo Lula, a Anatel &eacute; agora apontada pelo ouvidor como prova da inadequa&ccedil;&atilde;o do modelo privatizado. Nenhuma palavra sobre os resultados extraordin&aacute;rios desse modelo, traduzidos no aporte de mais de R$ 170 bilh&otilde;es de investimentos em infra-estrutura e o aumento da densidade porcentual de m&iacute;seros 14 acessos telef&ocirc;nicos por 100 habitantes, em 1998, para mais de 80, atualmente.<\/p>\n<p>Em telefonia m&oacute;vel, o Pa&iacute;s saltou de apenas 5,2 milh&otilde;es de celulares em julho de 1998 para 120,9 milh&otilde;es hoje, um crescimento de 2.480%. E, resumindo: s&oacute; em 2007, os investimentos privados em telecomunica&ccedil;&otilde;es foram maiores que os do PAC em todas as &aacute;reas.<\/p>\n<p>O ouvidor n&atilde;o se limita a analisar com isen&ccedil;&atilde;o e objetividade os problemas da ag&ecirc;ncia. Prefere discorrer sobre a economia setorial, confundindo faturamento com lucro, dando aulas sobre tarifas (sem mencionar a hipertributa&ccedil;&atilde;o de mais de 40%) e defendendo a cria&ccedil;&atilde;o de uma megaconcession&aacute;ria nacional, a partir da fus&atilde;o entre Brasil Telecom e Oi.<\/p>\n<p>Sobre essa fus&atilde;o, &eacute; preciso deixar bem claro que nenhum brasileiro pode ser contra a cria&ccedil;&atilde;o de uma grande concession&aacute;ria privada nacional de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Mas uma opera&ccedil;&atilde;o desse tipo deve responder previamente a duas perguntas b&aacute;sicas: para qu&ecirc; e em benef&iacute;cio de quem? <\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que, para a nova empresa, haver&aacute; benef&iacute;cios de escala. Dif&iacute;cil, no entanto, &eacute; provar que a fus&atilde;o de duas empresas aumenta a competi&ccedil;&atilde;o ou que a nova tele ser&aacute; mais forte numa competi&ccedil;&atilde;o com a Telef&ocirc;nica ou a Embratel.<\/p>\n<p>A fus&atilde;o das concession&aacute;rias ou a aquisi&ccedil;&atilde;o de uma por outra, no entanto, tem que seguir tr&acirc;mites legais rigorosos e apoiar-se em negocia&ccedil;&otilde;es livres entre as partes. N&atilde;o &eacute; o que ocorre at&eacute; aqui nesse casamento arranjado pelo governo, que mais parece uma aquisi&ccedil;&atilde;o com promessa de ajuda, de empr&eacute;stimo e participa&ccedil;&atilde;o direta do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES) e dos fundos de pens&atilde;o das estatais no capital da nova empresa. <\/p>\n<p>Que tipo de empresa privada ser&aacute; essa, com a inje&ccedil;&atilde;o de bilh&otilde;es do BNDES e dos fundos de pens&atilde;o? Al&eacute;m disso, o governo reivindica uma golden share &#8211; a&ccedil;&atilde;o que lhe dar&aacute; poder de veto na nova concession&aacute;ria -, que apavora qualquer investidor privado porque politiza a administra&ccedil;&atilde;o de qualquer empresa. <\/p>\n<p>Do ponto de vista legal, a fus&atilde;o s&oacute; pode ser concretizada depois da elabora&ccedil;&atilde;o de um novo Plano Geral de Outorgas (PGO) pela Anatel e de sua san&ccedil;&atilde;o por decreto do presidente da Rep&uacute;blica. Tudo teria que come&ccedil;ar na Anatel, a partir de estudos espec&iacute;ficos, com um grande debate nacional, em audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas, terminando com o texto do decreto submetido &agrave; san&ccedil;&atilde;o presidencial. Nada disso foi ou est&aacute; sendo feito. O carro caminha, portanto, adiante dos bois. <\/p>\n<p><strong>Mudan&ccedil;a de regras<\/p>\n<p><\/strong>O Brasil s&oacute; conseguir&aacute; a confian&ccedil;a de investidores privados com regras duradouras, em ambiente de completa isonomia e sem crit&eacute;rios discriminat&oacute;rios quanto &agrave; origem do capital das concession&aacute;rias. O que vemos hoje nas telecomunica&ccedil;&otilde;es &eacute; um claro retrocesso, com reca&iacute;da nacionalista e a volta do discurso xen&oacute;fobo e estatizante. <\/p>\n<p>Em lugar de aperfei&ccedil;oar o modelo ou formular pol&iacute;ticas p&uacute;blicas bem pensadas, ministros e sindicalistas prop&otilde;em a seu bel-prazer mudan&ccedil;as de n&iacute;tida inspira&ccedil;&atilde;o populista, sem maior debate com a sociedade, com especialistas e com o Congresso.<\/p>\n<p>Ser&aacute; que vivemos uma epidemia da metamorfose ambulante nas telecomunica&ccedil;&otilde;es? <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine, leitor, a confus&atilde;o de pap&eacute;is de um ombudsman que parte para a condena&ccedil;&atilde;o radical da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o em que trabalha, de sua &eacute;tica, de suas bases legais e do comportamento de seus dirigentes. 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