{"id":20241,"date":"2008-01-18T16:06:29","date_gmt":"2008-01-18T16:06:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20241"},"modified":"2008-01-18T16:06:29","modified_gmt":"2008-01-18T16:06:29","slug":"crise-nos-jornais-pressiona-faculdades-a-mudar-ensino-do-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20241","title":{"rendered":"Crise nos jornais pressiona faculdades a mudar ensino do jornalismo"},"content":{"rendered":"<p>O debate sobre a urg&ecirc;ncia de mudan&ccedil;as no exerc&iacute;cio do jornalismo profissional transferiu-se tamb&eacute;m para dentro das universidades norte-americanas onde o papel das faculdades passou a ser severamente questionado.<\/p>\n<p>Logo depois do ano novo, cerca de 30 diretores de faculdades de jornalismo em universidades norte-americanas, editores chefes e executivos da imprensa se reuniram em Nova Iorque, num brain storm fechado para tentar definir um novo papel para os cursos de gradua&ccedil;&atilde;o, num momento em que a mudan&ccedil;a de rotinas nas reda&ccedil;&otilde;es torna-se cada vez mais r&aacute;pida e irrevers&iacute;vel.<\/p>\n<p>O dilema dos participantes era o seguinte: a adapta&ccedil;&atilde;o dos jornais &agrave; nova realidade informativa gerada pela internet exige profissionais que n&atilde;o est&atilde;o dispon&iacute;veis no mercado porque as faculdades n&atilde;o os est&atilde;o formando e as empresas j&aacute; n&atilde;o podem mais suprir esta lacuna.<\/p>\n<p>&ldquo; N&oacute;s estamos estamos ficando sem alternativas&rdquo;, constatou o todo poderoso Bill Keller, Chefe de Reda&ccedil;&atilde;o do The New York Times, num desabafo surpreendente. &ldquo;As escolas de jornalismo s&atilde;o a nossa &uacute;ltima esperan&ccedil;a&rdquo;, completou Bill, depois de admitir que sua receita para os jovens jornalistas j&aacute; n&atilde;o funciona mais.<\/p>\n<p>&ldquo;Minha gera&ccedil;&atilde;o recomendava que todo o interessado em fazer jornalismo deveria come&ccedil;ar num jornal do interior fazendo reportagem de rua. Aprender fazendo era a regra b&aacute;sica. Acontece que a maioria dos jornais locais j&aacute; n&atilde;o existe mais e os editores-tutores j&aacute; se aposentaram. As faculdades acabaram se tornando a &uacute;nica alternativa para a renova&ccedil;&atilde;o do jornalismo&rdquo;.<\/p>\n<p>Esta &eacute; a proposta b&aacute;sica de um ambicioso programa lan&ccedil;ado em 2005 pelas funda&ccedil;&otilde;es Carnegie e Knight para tentar despertar as faculdades de jornalismo dos Estados Unidos para a nova realidade da comunica&ccedil;&atilde;o digital. O projeto chamado News21 re&uacute;ne as cinco mais importantes escolas de jornalismo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O problema &eacute; que a mudan&ccedil;a de curr&iacute;culos, e principalmente da cultura universit&aacute;ria em mat&eacute;ria de jornalismo e comunica&ccedil;&atilde;o, est&aacute; sendo mais lenta do que esperavam os executivos de jornais. <\/p>\n<p>Esta situa&ccedil;&atilde;o faz com que apenas metade dos novos profissionais contratados por um jornal como o The New York Times saiam direto da universidade para a reda&ccedil;&atilde;o. O mesmo quadro se repete noutras reda&ccedil;&otilde;es e possivelmente tamb&eacute;m aqui no Brasil, onde o tema simplesmente parece n&atilde;o chamar a aten&ccedil;&atilde;o nem dos executivos de jornais e nem dos diretores de faculdades de jornalismo.<\/p>\n<p>O brain storm dos americanos tocou em temas muito familiares como, por exemplo, a quest&atilde;o da multidisciplinaridade no exerc&iacute;cio da atividade jornal&iacute;stica, bem como a velha dicotomia entre forma&ccedil;&atilde;o generalista versus forma&ccedil;&atilde;o especializada, na capacita&ccedil;&atilde;o de profissionais do jornalismo.<\/p>\n<p>O problema da multidisciplinaridade, tanto l&aacute; como aqui, emperra em quest&otilde;es burocr&aacute;ticas porque as faculdades, departamentos e centros tendem a ser estanques dentro das universidades, dificultando a integra&ccedil;&atilde;o horizontal. <\/p>\n<p>Os executivos de jornais precisam de jornalistas especializados porque a realidade informativa &eacute; hoje extremamente diversificada. N&atilde;o basta uma conversa com um especialista para dar ao rep&oacute;rter a condi&ccedil;&atilde;o de expert em com&eacute;rcio exterior. A forma&ccedil;&atilde;o do profissional &eacute; muito mais complexa hoje em dia, e exige que o estudante de jornalismo tenha freq&uuml;entado tamb&eacute;m aulas de economia, segundo a vis&atilde;o dos donos de &oacute;rg&atilde;os da imprensa.<\/p>\n<p>As universidades ainda n&atilde;o conseguiram adaptar suas estruturas a esta nova realidade, da mesma forma que ainda est&atilde;o atoladas no velho dilema entre a forma&ccedil;&atilde;o generalista ou especializada. Os editores respons&aacute;veis j&aacute; mudaram o discurso, que glorificava o rep&oacute;rter polivalente, e agora sonham com profissionais especializados capazes de contextualizar rapidamente novas not&iacute;cias. <\/p>\n<p>As faculdades tamb&eacute;m n&atilde;o encontraram ainda respostas convincentes para outro dilema das reda&ccedil;&otilde;es: os cursos de gradua&ccedil;&atilde;o devem dar mais &ecirc;nfase ao treinamento de futuros profissionais nas novas habilidades t&eacute;cnicas da era digital ou preocupar-se com o desenvolvimento do seu ju&iacute;zo critico, capacidade anal&iacute;tica, vis&atilde;o multim&iacute;dia ou com o novo relacionamento com os leitores.<\/p>\n<p>Convenhamos, n&atilde;o s&atilde;o op&ccedil;&otilde;es f&aacute;ceis. Mas pelo menos uma coisa parece que vai mudar, e rapidamente. O tradicional div&oacute;rcio entre empresas e faculdades no ramo do jornalismo, especialmente aqui no Brasil, tende a acabar, porque caso contr&aacute;rio, tanto um lado quanto o outro s&oacute; tem a perder.&nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre a urg&ecirc;ncia de mudan&ccedil;as no exerc&iacute;cio do jornalismo profissional transferiu-se tamb&eacute;m para dentro das universidades norte-americanas onde o papel das faculdades passou a ser severamente questionado. 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