{"id":20208,"date":"2008-01-15T18:36:49","date_gmt":"2008-01-15T18:36:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20208"},"modified":"2008-01-15T18:36:49","modified_gmt":"2008-01-15T18:36:49","slug":"a-midia-e-a-inclusao-das-pessoas-com-deficiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20208","title":{"rendered":"A m\u00eddia e a inclus\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><em>Em 2007, a Escola de Gente completou seis anos. Trata-se de uma ONG fundada por jornalistas e publicit&aacute;rios que acreditam que a &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; muito pouco utilizada em prol da inclus&atilde;o dos mais diversos grupos, especificamente dos portadores de necessidades especiais. O principal objetivo da institui&ccedil;&atilde;o &eacute; transformar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em pol&iacute;ticas inclusivas para que todos os cidad&atilde;os &#8211; com ou sem defici&ecirc;ncia &#8211; exer&ccedil;am seus direitos. <\/em><\/p>\n<p><em>Ao longo dos anos, a Escola de Gente (<a href=\"http:\/\/www.escoladegente.org.br\/\">www.escoladegente.org.br<\/a>) vem promovendo oficinas, encontros e debates, defendendo o que chama de M&iacute;dia Legal. Ao mesmo tempo, publica livros e manuais com o intuito de melhor formar e informar os profissionais da &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o sobre pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o.<\/em><\/p>\n<p><em>&Agrave; frente da ONG, est&aacute; a jornalista Claudia Werneck. Autora de nove livros sobre inclus&atilde;o para crian&ccedil;as e adultos, recomendados pela Unesco e pelo Unicef, Claudia &eacute; consultora do Banco Mundial na &aacute;rea da inclus&atilde;o e tamb&eacute;m possui o t&iacute;tulo de Jornalista Amigo da Crian&ccedil;a, concedido pela Ag&ecirc;ncia de Not&iacute;cias dos Direitos da Inf&acirc;ncia (Andi).<\/em><\/p>\n<p><em>Em entrevista ao site do RIO M&Iacute;DIA, Claudia faz um balan&ccedil;o sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre m&iacute;dia, inf&acirc;ncia e sociedade inclusiva.<\/em> <\/p>\n<p><strong>Como a senhora avalia a rela&ccedil;&atilde;o entre a m&iacute;dia e a crian&ccedil;a? <\/strong><br \/>&Eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o cada vez mais intensa, o que refor&ccedil;a a necessidade e a urg&ecirc;ncia de a m&iacute;dia assumir sua fun&ccedil;&atilde;o educadora a favor de uma sociedade inclusiva. M&iacute;dia para a inf&acirc;ncia n&atilde;o &eacute;, pela concep&ccedil;&atilde;o da Escola de Gente, algo a ser desenvolvido apenas no &acirc;mbito do conte&uacute;do, mas tamb&eacute;m no formato. &Eacute; preciso, por exemplo, habituar a inf&acirc;ncia do Brasil com a est&eacute;tica e a &eacute;tica de uma sociedade inclusiva que prev&ecirc; a presen&ccedil;a do closed caption e da L&iacute;ngua Brasileira de Sinais nas telas. No que se refere &agrave; cultura, as crian&ccedil;as e os adolescentes devem crescer percebendo como natural espet&aacute;culos teatrais com &aacute;udiodescri&ccedil;&atilde;o e programas em braile para pessoas cegas, bem como livros que tamb&eacute;m sejam falados para quem n&atilde;o enxerga e\/ou n&atilde;o &eacute; alfabetizado. A Escola de Gente entende que a rela&ccedil;&atilde;o m&iacute;dia, sociedade inclusiva e inf&acirc;ncia enfrenta um processo de transforma&ccedil;&atilde;o, lamentavelmente, ainda bem lento.<\/p>\n<p><strong>Para a Escola de Gente, o que seria a M&iacute;dia legal?<\/strong><br \/>Uma m&iacute;dia que n&atilde;o discrimina em fun&ccedil;&atilde;o de diversidades e desigualdades. Que n&atilde;o releva as limita&ccedil;&otilde;es, mas as ratifica e as percebe como a chave que abre possibilidades e modos de construirmos coletivamente uma sociedade inclusiva. &Eacute; uma m&iacute;dia que n&atilde;o coloca pessoas com defici&ecirc;ncia como v&iacute;timas e entende que elas tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o, obrigatoriamente, hero&iacute;nas. Pessoas com defici&ecirc;ncia n&atilde;o precisam provar nada a ningu&eacute;m. A m&iacute;dia se torna mais legal quando intui que as grandes pautas sobre defici&ecirc;ncia s&atilde;o justamente aquelas nas quais pessoas com defici&ecirc;ncia falam dos livros que est&atilde;o lendo, de uma quest&atilde;o que enfrentaram como consumidoras, de pol&iacute;tica, de economia, de acesso &agrave; cultura, enfim, se posicionam como cidad&atilde;os e cidad&atilde;s que vivem no mesmo mundo que o jornalista vive. N&atilde;o fazem parte de um mundo &agrave; parte, de seres humanos que representam um &quot;equ&iacute;voco&quot; da natureza e, por isso, merecem sempre pautas especiais. A m&iacute;dia ser&aacute; 100% legal, no sentido jur&iacute;dico dos direitos humanos e da paz, quando reconhecer e expressar que pessoas com defici&ecirc;ncia s&atilde;o sujeitas de todos os direitos garantidos pela Constitui&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o de apenas alguns direitos.<\/p>\n<p><strong>Enquanto a m&iacute;dia n&atilde;o &eacute; 100% legal o que ocorre?<\/strong><br \/>A defici&ecirc;ncia costuma gerar um tipo de emo&ccedil;&atilde;o que impede o jornalista de manter a lucidez defendida no exerc&iacute;cio di&aacute;rio da profiss&atilde;o. Toda not&iacute;cia sobre defici&ecirc;ncia parece ser entendida como uma superpauta, o que nem sempre &eacute; verdade. Al&eacute;m disso tudo, no af&atilde; de n&atilde;o discriminar, muitos profissionais da imprensa superestimam as pessoas com defici&ecirc;ncia. O tema defici&ecirc;ncia deve ser transversal a outras pautas de direitos humanos, educa&ccedil;&atilde;o, cultura, lazer, esporte etc. Perceber pessoas com defici&ecirc;ncia como indiv&iacute;duos que trabalham e atuam em diferentes grupos sociais coloca-os no mesmo patamar.<\/p>\n<p><strong>Os encontros, promovidos pela Escola de Gente, t&ecirc;m o objetivo de defender esta M&iacute;dia legal?<\/strong><br \/>Tanto os encontros quanto os Manuais da M&iacute;dia Legal foram criados para dar consist&ecirc;ncia a dois princ&iacute;pios que a Escola de Gente defende desde sua cria&ccedil;&atilde;o: a atua&ccedil;&atilde;o de uma m&iacute;dia que assuma seu papel de agente de transforma&ccedil;&atilde;o social e a constru&ccedil;&atilde;o de uma alian&ccedil;a estrat&eacute;gica entre as &aacute;reas de comunica&ccedil;&atilde;o e direito, da&iacute; o nome M&iacute;dia Legal. A quest&atilde;o &eacute; que os profissionais da m&iacute;dia conhecem muito pouco a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira que garante pr&aacute;ticas inclusivas e abertas &agrave; diversidade e, por essa raz&atilde;o, raramente se beneficiam dessa legisla&ccedil;&atilde;o em suas mat&eacute;rias e investiga&ccedil;&otilde;es. Nossa proposta &eacute; disseminar conceitos e levar os profissionais a refletirem sobre formas sutis de discrimina&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o s&atilde;o assim facilmente percebidas. E, principalmente, formar uma nova gera&ccedil;&atilde;o de profissionais de comunica&ccedil;&atilde;o, de direito e de ci&ecirc;ncias sociais com essa mentalidade. Os assuntos escolhidos para os debates tem&aacute;ticos do M&iacute;dia Legal &#8211; ligados aos direitos da inf&acirc;ncia brasileira &#8211; j&aacute; denotam a necessidade de que a vis&atilde;o inclusiva permeie todos os setores sociais. No documento Por um sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o, o Intervozes (Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social), parceiro da Escola de Gente no M&iacute;dia Legal desde 2005, define&nbsp;como deveria ser pautada a grande m&iacute;dia. Segundo o Intervozes, a m&iacute;dia &quot;deve responder &agrave; demanda da popula&ccedil;&atilde;o por informa&ccedil;&atilde;o plural e diversa e garantir a representa&ccedil;&atilde;o da pluralidade e diversidade cultural brasileiras&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>A senhora acredita que a sociedade j&aacute; percebe a M&iacute;dia legal como um direito?<\/strong><br \/>Em outubro de 2005, a sociedade civil e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal se levantaram contra a Rede TV!, uma vez que a emissora, de forma homof&oacute;bica, estava violando os direitos humanos no programa &quot;Tarde Quente&quot;, de Jo&atilde;o Kleber. Fez-se uma a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica pedindo a cassa&ccedil;&atilde;o da emissora, a suspens&atilde;o do programa, direito de resposta e indeniza&ccedil;&atilde;o por dano moral coletivo. Esse foi e continua sendo um dos cases discutidos durante o M&iacute;dia Legal. Um exemplo de que a sociedade, pelo menos em parte, entende que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o devem promover o respeito aos direitos humanos e &agrave; dignidade do cidad&atilde;o. E isso, sim, &eacute; um direito, e n&atilde;o um favor que foi concedido por parte das emissoras.<\/p>\n<p><strong>O que as crian&ccedil;as querem da m&iacute;dia?<\/strong><br \/>Acreditamos que as crian&ccedil;as e os jovens busquem nos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o forma&ccedil;&atilde;o, divers&atilde;o e entretenimento. Mas, garantir o exerc&iacute;cio de direitos humanos, principalmente quando estes se referem &agrave; inf&acirc;ncia, exige estudo e conhecimento de princ&iacute;pios por profissionais da m&iacute;dia que lidam direta e indiretamente com a inf&acirc;ncia. S&oacute; que estes conte&uacute;dos devem ser oferecidos com base nos princ&iacute;pios de universalidade, inalienabilidade, indivisibilidade, interdepend&ecirc;ncia e participa&ccedil;&atilde;o, apoiados na convic&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter p&uacute;blico de todo ser humano desde o primeiro momento de sua exist&ecirc;ncia. Quando falamos de ser humano, falamos de todo e qualquer ser humano, n&atilde;o importa de que forma ande, enxergue ou ou&ccedil;a.<\/p>\n<p><em>Entrevista concedida a Marcus Tavares.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Os meios de comunica\u00e7\u00e3o ainda discriminam diversidades e desigualdades&#8217;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[613],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20208"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20208"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20208\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}