{"id":20176,"date":"2008-01-11T17:48:33","date_gmt":"2008-01-11T17:48:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=20176"},"modified":"2008-01-11T17:48:33","modified_gmt":"2008-01-11T17:48:33","slug":"compra-da-brasil-telecom-pela-oitelemar-pode-levar-a-monopolio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=20176","title":{"rendered":"Compra da Brasil Telecom pela Oi\/Telemar pode levar a monop\u00f3lio"},"content":{"rendered":"<p>As negocia&ccedil;&otilde;es entre os controladores da Oi e da Brasil Telecom avan&ccedil;aram nos &uacute;ltimos dias e podem desembocar na forma&ccedil;&atilde;o de uma megaoperadora com o monop&oacute;lio nacional do setor, sob o comando dos empres&aacute;rios Andrade Gutierrez e Carlos Jereissati. Os acionistas das duas empresas t&ecirc;m se reunido e o valor da megaopera&ccedil;&atilde;o seria de R$ 4,8 bilh&otilde;es. A venda ou fus&atilde;o criar&aacute; uma das maiores empresas do Brasil, faturando, em 24 meses, cerca de R$ 12 bilh&otilde;es por ano. <\/p>\n<p>Se, por um lado, a nova tele criaria uma empresa com potencial de competi&ccedil;&atilde;o internacional, por outro ela concentraria quase 70% do potencial de consumo do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil e reduziria ainda mais a possibilidade de concorr&ecirc;ncia na telefonia fixa. Em telecomunica&ccedil;&otilde;es, a competi&ccedil;&atilde;o entre empresas j&aacute; &eacute; pequena na &aacute;rea de telefonia fixa no pa&iacute;s. Embora BrT e Oi atuem em regi&otilde;es distintas, h&aacute; hoje a possibilidade de uma entrar em estados dominados pela outra, acirrando a competi&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A transforma&ccedil;&atilde;o das companhias em uma s&oacute; elimina essa chance, tornando o mercado mais concentrado&rdquo;, argumenta Luiz Fernando Moncau, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). &nbsp;<\/p>\n<p>Para ele, estas aquisi&ccedil;&otilde;es costumam causar problemas ao consumidor. &ldquo;As estruturas de atendimento s&atilde;o modificadas, produtos s&atilde;o extintos e ocorre quebra unilateral de contratos, prejudicando o cliente. Al&eacute;m disso, se a concorr&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; solu&ccedil;&atilde;o para tudo, o monop&oacute;lio &eacute; ainda pior&rdquo;, afirma. <\/p>\n<p>Na opini&atilde;o de Ronaldo S&aacute;, s&oacute;cio da Orion Consultores Associados, a cria&ccedil;&atilde;o de uma megaempresa pode dificultar o trabalho da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), a exemplo do que ocorre no M&eacute;xico, &quot;onde a Telmex (gigante que domina o mercado) controla a regula&ccedil;&atilde;o&quot;. O especialista acrescenta que uma companhia dominante tamb&eacute;m tende a apresentar mais empecilhos para que empresas espelhinhos, concorrentes menores, ingressem no mercado. <\/p>\n<p><strong>Mercado regula <\/strong><\/p>\n<p>A despeito dos questionamentos, segundo alguns sites especializados no setor, o neg&oacute;cio estaria fechado, mas o an&uacute;ncio formal seria feito &ldquo;homeopaticamente&rdquo;, porque a opera&ccedil;&atilde;o &eacute; bem mais complexa do que uma aquisi&ccedil;&atilde;o de uma companhia pela outra. A concretiza&ccedil;&atilde;o do neg&oacute;cio depende de altera&ccedil;&atilde;o &ndash; por meio de decreto presidencial &#8211; no Plano Geral de Outorgas (PGO) do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es, instrumento regulat&oacute;rio que dividiu o mercado brasileiro de telefonia fixa em tr&ecirc;s &aacute;reas para efeito da privatiza&ccedil;&atilde;o. O contrato estabeleceu as regi&otilde;es de concess&atilde;o da telefonia no pa&iacute;s h&aacute; 10 anos. O PGO (Decreto 2.534, de 2 de abril de 1998) impede que o controlador de uma &aacute;rea tenha participa&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria na operadora que atua em outra. Desta forma, a opera&ccedil;&atilde;o hoje estaria vetada. &nbsp;<\/p>\n<p>Mas segundo o ministro Helio Costa, das Comunica&ccedil;&otilde;es, que no ano passado chegou a sugerir a cria&ccedil;&atilde;o de um grupo interministerial para viabilizar a fus&atilde;o das duas companhias, a Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o restringe a opera&ccedil;&atilde;o e o governo n&atilde;o ser&aacute; obst&aacute;culo para a uni&atilde;o entre as operadoras nacionais. Ele afirmou que h&aacute; disposi&ccedil;&atilde;o em alterar, por meio de um decreto presidencial, o PGO. &ldquo;A negocia&ccedil;&atilde;o &eacute; privada, exclusivamente entre empresas. O governo n&atilde;o interfere&rdquo;, declarou. O ministro disse que o governo &eacute; apenas observador neste processo e que estar&aacute; preparado para tomar a decis&atilde;o correta se o neg&oacute;cio se concretizar. Fontes do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es afirmaram que, embora o decreto ainda n&atilde;o esteja redigido, pode sair rapidamente. O importante, ressaltaram, &eacute; que o governo j&aacute; deu informalmente carta branca &agrave;s operadoras. &nbsp;<\/p>\n<p>Ao ser questionado se as empresas n&atilde;o estariam fazendo um contrato de gaveta, j&aacute; que o neg&oacute;cio n&atilde;o &eacute; permitido por lei, Costa afirmou que at&eacute; onde ele sabe n&atilde;o h&aacute; nenhum contrato assinado, s&atilde;o apenas negocia&ccedil;&otilde;es e que, portanto, n&atilde;o &eacute; uma atitude contr&aacute;ria &agrave; lei. Ele disse que n&atilde;o falou, neste dias, com o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva sobre a compra da BrT pelo Grupo Oi, mas que sempre que este assunto vem &agrave; tona, a rea&ccedil;&atilde;o do presidente &eacute; de tranq&uuml;ilidade. &ldquo;Nossa posi&ccedil;&atilde;o &eacute; esta, de acompanhar, e se amanh&atilde; tiver de haver uma interven&ccedil;&atilde;o nossa, a interven&ccedil;&atilde;o ser&aacute; de an&aacute;lise do PGO e em princ&iacute;pio, n&oacute;s acenamos favoravelmente&rdquo;. &nbsp;<\/p>\n<p>A boa vontade demonstrada pelo governo em alterar o Plano Geral de Outorgas, para permitir a aquisi&ccedil;&atilde;o da Brasil Telecom (BrT) pela Oi (antiga Telemar), al&eacute;m de ser criticada por especialistas e desconhecida da ag&ecirc;ncia reguladora do setor, poder&aacute; causar desconforto entre as corpora&ccedil;&otilde;es do ramo. Segundo analistas, as outras duas grandes competidoras no mercado de telefonia fixa, Telef&ocirc;nica e Am&eacute;rica M&oacute;vil (dona da Embratel), provavelmente se sentir&atilde;o prejudicadas pela mudan&ccedil;a na lei e podem entrar na briga pela autoriza&ccedil;&atilde;o de atividades que hoje s&atilde;o vedadas. <\/p>\n<p>No Congresso, sinaliza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m positiva. O presidente da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia da C&acirc;mara, deputado J&uacute;lio Semeghini (PSDB-SP), acredita que uma fus&atilde;o pode estimular a competi&ccedil;&atilde;o no setor de telefonia. &ldquo;Se for feita dentro de uma vis&atilde;o mais moderna da concorr&ecirc;ncia, que considere as novas tend&ecirc;ncias de concentra&ccedil;&atilde;o, sou a favor de que se mude o PGO&rdquo;, afirmou. <\/p>\n<p><strong>Anatel n&atilde;o foi avisada<\/strong> <\/p>\n<p>A Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) afirmou que ainda n&atilde;o foi informada oficialmente de que esteja em curso ou que j&aacute; tenha sido fechada a compra da Brasil Telecom pelo Grupo Oi. Segundo informa&ccedil;&otilde;es do jornal O Estado de S.Paulo, a assessoria de imprensa da Anatel diz s&oacute; ter tido conhecimento das negocia&ccedil;&otilde;es por meio das not&iacute;cias veiculadas pela imprensa. <\/p>\n<p>As opera&ccedil;&otilde;es de compra e venda no setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es e mudan&ccedil;as de acionistas das operadoras s&oacute; podem ser concretizada com o consentimento da Ag&ecirc;ncia. A Anatel analisa as opera&ccedil;&otilde;es tanto do ponto de vista regulat&oacute;rio quanto sob o aspecto da concorr&ecirc;ncia. &nbsp;<\/p>\n<p>Segundo a LGT, antes de apresentar a proposta a Planalto, a ag&ecirc;ncia tem de estabelecer um prazo, por meio de uma consulta p&uacute;blica, para que empresas e sociedade civil possam opinar sobre o assunto. &ldquo;Se o rito n&atilde;o for obedecido, qualquer mudan&ccedil;a pode ser questionada, pois a sociedade estaria sendo impedida de se manifestar&rdquo;, afirma Juarez Quadros, ex-ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es e hoje consultor do setor. &nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Quadros, permitida a mudan&ccedil;a no modelo, com a edi&ccedil;&atilde;o do decreto, a Anatel ter&aacute; de voltar a analisar a mudan&ccedil;a de controle das empresas no processo de anu&ecirc;ncia pr&eacute;via para a compra. A ag&ecirc;ncia tamb&eacute;m faz uma an&aacute;lise sob o aspecto da concorr&ecirc;ncia antes de encaminhar o processo ao Conselho Administrativo de Defesa Econ&ocirc;mica (Cade). &nbsp;<br \/>&nbsp;<\/p>\n<p>* Com informa&ccedil;&otilde;es do Valor Online, Portal Imprensa, Telecom Online, O Estado de S. Paulo e ag&ecirc;ncias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As negocia&ccedil;&otilde;es entre os controladores da Oi e da Brasil Telecom avan&ccedil;aram nos &uacute;ltimos dias e podem desembocar na forma&ccedil;&atilde;o de uma megaoperadora com o monop&oacute;lio nacional do setor, sob o comando dos empres&aacute;rios Andrade Gutierrez e Carlos Jereissati. 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